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NOTÍCIAS DE ARQUEOLOGIA

O Património é um bem comum... Preservá-lo só depende de cada um de nós...


Quarta-feira, 02.10.13

Arqueologia subaquática no Funchal com elevado potencial turístico

Cem naufrágios de navios dos séculos XVIII e XIX fazem do mar do Funchal um potencial científico e turístico, considera o investigador do Centro de História de Além-Mar José Bettencourt, que lidera um projecto para avaliar este património.

“Numa análise muito preliminar ainda, os registos que temos são de aproximadamente cem naufrágios no entorno ao porto do Funchal, o que é uma quantidade bastante significativa”, disse José Bettencourt à Lusa.

Segundo o especialista em arqueologia subaquática, “a maior parte desses registos é de navios do século XVIII e XIX”, mas há “alguns mais antigos, como um galeão espanhol que naufragou em 1622” e que, “se fossem descobertos, teriam e têm um potencial científico muito relevante”.

O responsável esclareceu que a zona do porto e de aproximação a este são “áreas mais perigosas para a navegação, porque são aquelas que têm maior tráfego marítimo”, e “é aí que se dá a maior parte das perdas”, pelo que estas “são, sempre, em todo o país, as zonas mais ricas do ponto de vista arqueológico”.

“O porto do Funchal, por textos que nós conhecemos, era conhecido como um dos portos mais difíceis e, para muitos estrangeiros, o parar no Funchal era sempre uma aventura”, adiantou, reconhecendo que a zona tem um património subaquático decorrente dos naufrágios, mas a pesquisa pode encontrar um obstáculo no assoreamento.

Fonte: Raquel Neto (23.Set.2013). Publituris. http://www.publituris.pt/2013/09/23/arqueologia-subaquatica-no-funchal-com-elevado-potencial-turistico/

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por noticiasdearqueologia às 20:29

Terça-feira, 29.11.11

Açores vai ter parque subaquático



O Director Regional da Cultura, Jorge Bruno, reafirmou hoje a intenção do governo regional de criar «o parque subaquático de São Miguel, em torno do naufrágio do navio Dori, afundado por altura da II Guerra Mundial».

Esta decisão confirma, segundo Jorge Bruno, «a consciência que o governo regional dos Açores tem da importância do património arqueológico de que o seu território é portador, principalmente do subaquático, e do potencial turístico que representa».


Jorge Bruno falava na sessão de abertura do III Encontro de Arqueologia das Ilhas da Macaronésia – Açores, Madeira e Canárias -, que decorre até segunda-feira em Angra do Heroísmo.


O Director Regional da Cultura, que efectuou o historial das pesquisas subaquáticas nos Açores, iniciadas em 1995, acentuou «o seu largo potencial, se não único, a nível nacional, pelo menos de capital importância e interesse».


Para salvaguardar o seu uso «uma das preocupações foi criar legislação para regular a arqueologia subaquática na Região e promover cursos de formação nesta área».


Nos últimos anos, foram realizados trabalhos e efetuados registos preliminares de diversos sítios arqueológicos subaquáticos na Terceira, Faial, Pico, São Jorge e Flores.


Em 2004, a baía de Angra foi classificada como Parque Arqueológico, reconhecendo-se o seu «imenso potencial e importância histórica e patrimonial, sendo criados dois sítios visitáveis: o navio Lidador e o Cemitério das Âncoras» lembrou Jorge Bruno.


Por seu lado, o historiador do Centro de História de Além-mar, José António Bettencourt, mestre em arqueologia, disse que «está provado que os Açores possuem um potencial extraordinário para o estudo da navegação no Atlântico».


«Pode estudar-se desde o século XVI ao século XIX com vários naufrágios já localizados e zonas portuárias com potencial muito importante para o estudo de várias problemáticas de investigação que interessam a toda a comunidade científica internacional», acrescentou.


De acordo com José António Bettencourt «uma dessas problemáticas é a construção naval, nomeadamente a ibero-atlântica, quando foram construídos os navios portugueses e espanhóis que fizeram toda a expansão ibérica na primeira fase da expansão europeia».


O historiador, que fez uma intervenção científica sobre “O potencial arqueológico do património cultural subaquático dos Açores”, vincou que todas as ilhas «possuem um potencial arqueológico terrestre e subaquático».


«Há um potencial cultural e turístico muito elevado, pouco desenvolvido nos Açores, e o património subaquático pode ter um papel chave no desenvolvimento de produtos de alta qualidade para ser vendido ao turista cultural, que é aquele que acaba por movimentar mais turistas no mundo inteiro», defendeu o especialista.


«Os Açores podem entrar nesse nicho de mercado de uma forma mais profunda do que aquela que têm feito até agora», desde logo traduzindo a linguagem científica para uma «mais simples» de acesso mais fácil ao grande público, concluiu.


Fonte: (13 Nov 2011). Sol: http://sol.sapo.pt/inicio/Vida/Interior.aspx?content_id=33631



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por noticiasdearqueologia às 12:57

Segunda-feira, 03.10.11

Mares de Grândola começam a ser explorados a partir de

Várias campanhas de prospeção subaquática serão promovidas nos mares de Grândola, a partir de amanhã, com a assinatura de um protocolo entre a CM e o Instituto de Arqueologia e Paleociências da Universidades de Lisboa e do Algarve.


As atividades serão desenvolvidas entre a Comporta e Melides e enquadram-se no Plano Estratégico de Salvaguarda e Valorização do Património Cultural do Concelho, que tem como projetos âncora a criação do Museu Polinucleado de Grândola e do Centro de Interpretação do Património Natural e Cultural.
A assinatura do protocolo, que dará inicio efetivo ao Projeto Grândola Subaquática, afirmará também o potencial do concelho “com repercursões positivas ao nível regional, nacional e internacional”, disse à Miróbriga Graça Nunes, vereadora da autarquia.
A localização de um eventual naufrágio do período romano, de uma nau espanhola afundada em Tróia com 22 toneladas de ouro e prata a bordo ou de um navio holandês perdido em Melides em 1626 com uma carga de âncoras e moedas em prata são alguns dos objetivos deste projeto de carta arqueológica.
De acordo com Alexandre Monteiro, arqueólogo responsável, Portugal “está obrigado a estudar o património das suas águas”. Em Grândola será elaborada uma carta arqueológica subaquática.
Os trabalhos arqueológicos visam localizar, posicionar , avaliar e caracterizar todo o património cultural subaquático jazente até aos 40 metros de profundidade, bem como a evolução histórica da paisagem flúvio-marítima do concelho de Grândola.
Foi também especificamente criada para este projeto uma cadeira de investigação, já aprovada pelo Conselho Científico da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, que enquadrará e formará investigadores nesta área.
Fonte: Marta Marques (03 Out 2011). Miróbriga FM: http://www.mirobriga.pt/index.php?file=paginaprincipal/noticias/noticia.htm&id=6113

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por noticiasdearqueologia às 13:37

Sábado, 05.12.09

Barco naufragado na Praia dos Ingleses, em Florianópolis, era pirata

FLORIANÓPOLIS - Um barco naufragado no século XVII na Praia dos Ingleses, em Florianópolis, e responsável por dar nome à praia era pirata. A descoberta foi feita nesta semana por pesquisadores da ONG Projeto de Arqueologia Subaquática (PAS).


De acordo com o historiador Amílcar D´Avila de Mello, o barco pertenceu a Thomas Frins. Ela integrava uma frota pirata composta por 900 homens, em sua maioria ingleses e franceses.


- Nossa pesquisa é amparada por fontes históricas e evidencias arqueológicas. Os piratas teriam saqueado colônias espanholas no Pacífico de 1684 a 1687 - conta Mello.


Depois de se perder da frota e ser perseguido pelos espanhóis, Frins teria tentado voltar à Inglaterra pelo Atlântico. Quando chegou a uma praia do Norte da então Vila de Nossa Senhora do Desterro, na Ilha de Santa Catarina, foi capturado pelo fundador da vila, o ex-bandeirante Francisco Dias Velho.


Cerca de 1,5 mil objetos já foram recolhidos da embarcação. A equipe pretende, ainda, elucidar mais fatos a respeito do naufrágio. A pesquisa começou em 2004 e até agora foram investidos R$ 2,4 milhões pela Fundação de Apoio á Pesquisa Científica e Tecnológica no Estado de Santa Catarina (Fapesc).


Fonte: (4 Dez 2009). O Globo: http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2009/12/04/barco-naufragado-na-praia-dos-ingleses-em-florianopolis-era-pirata-915050277.asp

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por noticiasdearqueologia às 22:35

Domingo, 18.10.09

Lo que cuenta el fondo del mar


 

La empresa coruñesa Argos explora las aguas de Galicia y Portugal en busca de restos de siglos y siglos de naufragios

 


Trabajos de los arqueólogos de la empresa coruñesa Argos en la costa de las islas Azores, el pasado verano. / argos 


 


Trabajos de los arqueólogos de la empresa coruñesa Argos en la costa de las islas Azores, el pasado verano. / argos 


 

 

 

 

 

 


 


 

 


 

Un barco que transportaba colmillos de elefante desde África y que se hundió en las Azores. Pecios que naufragaron en el mismo archipiélago en su camino transoceánico hacia Sevilla. La mayor concentración de artillería hallada nunca en las costas gallegas. Y una valiosa nao flamenca del XVI que quedó sepultada en la Mariña lucense. La empresa coruñesa Argos busca en aguas españolas y portuguesas siglos de historia. Sus científicos exploran cada día un inmenso y desconocido museo arqueológico: el fondo del mar.

No se puede llegar a pie a uno de los mejores archivos históricos de la ciudad de A Coruña. Habría que armarse de un neopreno y una bombona de oxígeno, además de tener pericia en el arte de bucear. La historia marítima de Europa pasó frente las costas coruñesas. Vikingos y romanos, las flotas de Felipe II, las naves atacantes de Drake y centenares de submarinos que se escondieron en el litoral durante las dos guerras mundiales. Aguas convertidas en testigos de naufragios y póstumo domicilio de naves y navegantes. Aguas bien conocidas por los tres jóvenes coruñeses fundadores de la empresa de arqueología subacuática Argos, que han convertido su pasión en profesión y desarrollan su trabajo en las costas gallegas y portuguesas.

Entre sus trabajos destacados, la localización de un pecio cargado con colmillos de elefantes en la costa de las Azores; el hallazgo de una nao flamenca de medio siglo de antigüedad en la Mariña lucense; y el descubrimiento, en la ría de Vigo, de la mayor concentración de cañones -datados en el XVIII- de la que se tiene constancia en Galicia. En A Coruña, también riquísima en yacimientos submarinos por su condición de epicentro de navegación desde los romanos, creen que habría yacimientos suficientes como para iniciar un gran proyecto cultural para acercar a los coruñeses su valioso patrimonio sumergido. Esperan que la bahía de Funchal, en Madeira, sea su próximo destino internacional.

Ignacio Crespo, David Fernández y David Santos se convirtieron en un grupo especializado y en empresa casi una década después de conocerse. Desde sus estudios de Historia comenzaron a interesarse por la Arqueología. "Siempre fuimos apasionados de la Historia y la posibilidad que te da la arqueología de mirar a los ojos del pasado siempre fue un objetivo apasionante", comenta Ignacio Crespo, uno de los tres jóvenes socios coruñeses de Argos.

Después de trabajar como arqueólogos freelance durante años, decidieron que tenían "objetivos comunes y planteamientos similares en cuanto a la gestión del patrimonio". No olvidan, tampoco, que ese campo genera más del 7% del PIB gallego. "El mundo de la arqueología es bastante competitivo y en subacuática hasta hace apenas un decenio era un páramo desolado", describe Crespo. A partir de 2002, la arqueología subacuática centró buena parte de sus esfuerzos, como práctica fascinante, como actividad científica y como labor llena de posibilidades a nivel profesional. Es en 2007 cuando le dan forma a sus ideas y crean Argos.

El patrimonio es competencia exclusivamente autonómica y en zonas como Andalucía y Murcia existen centros de arqueología que permiten, de forma estable, la sistematización del trabajo, el control del espolio, la realización de proyectos de cierta envergadura, además de un intento de sensibilización social respecto al patrimonio depositado bajo las aguas.

Pero las augas mediterráneas son mucho más agradecidas a la hora de trabajar que las atlánticas, con condiciones meteorológicas a veces muy desfavorables. Es una de las razones por las que la arqueología subacuática es un campo mucho más trabajado en el Mediterráneo que en costas como las gallegas, en las que la Xunta de Galicia realizó un preinventario de un total de 475 pecios, repartidos por todo el litoral de la comunidad.

"La arqueología subacuática es una gran desconocida y la rama más joven del sector", afirma el historiador. Entiende que los ciudadanos tienen una "curiosidad inmensa" acerca de los yacimientos que se encuentran bajo el agua, por el "halo de misterio que envuelve a los naufragios, tesoros sumergidos, piratas y batallas navales". "Nuestra responsabilidad es, sin derrumbar el imaginario popular que hace atractiva nuestra actividad, acercar a la gente historias que permanecen congeladas en los fondos marinos y responsabilizar a todos de que es nuestro patrimonio y nuestra historia", defiende Argos.



1.700 naufragios desde el XVI

Hoy en día la arqueología subacuática está vinculada a las infraestructuras costeras para evitar, por ejemplo, dragados de puertos sin control. Si cada vez que se hace una obra en tierra, es obligatorio que un arqueólogo supervise los trabajos, todas aquellas obras de ampliación o construcción de instalaciones portuarias, plantas de acuicultura u otras actuaciones en el litoral, han de contar con la vigilancia de profesionales especializados y acreditados.

"En cuanto al camino recorrido hasta ahora se han dado pasos muy importantes desde 1995, año de publicación de la Ley de Patrimonio Gallego, pero nos queda un inmenso camino por recorrer", sostiene el arqueólogo. Para empezar, Galicia necesita, a su entender, una Carta Arqueológica general con todos los yacimientos y su localización, "algo que podría llevar años hacer y que no se podría lograr sin la participación activa de la sociedad desde federaciones, clubes de buceo, asociaciones culturales... a parte del trabajo técnico y científico de arqueólogos profesionales".

Según explica Crespo, se han catalogado más de 1.700 naufragios ocurridos desde el siglo XVI hasta hoy. "Esto nos situaría con una densidad de yacimientos realmente importante entre los puntos candentes de la arqueología subacuática europea", añade. Por esta riqueza también ven necesaria la creación de un Centro Gallego de Arqueología Subacuática, "que catapultaría a Galicia como una de las principales potencias europeas en la investigación del patrimonio sumergido y un vivero para investigadores y profesionales de primer nivel del sector".



El patrimonio coruñés

El mayor y más importante yacimiento arqueológico submarino en la fachada atlántica es la ensenada de San Simón. Costa da Morte también es secular depósito de naufragios. ¿Y A Coruña? La ciudad del faro más antiguo, ha sido uno de los epicentros de la navegación atlántica y trasatlántica desde los romanos. "Desde la época romana hemos vivido fuertemente vinculados al mar y a la navegación, lo que ha dado lugar a una gran concentración de restos arqueológicos en el entorno de O Parrote y la Pescadería", ilustra Ignacio Crespo.

Los fondos marinos coruñeses han sido "sistemáticamente alterados" por las actividades portuarias y el crecimiento de la ciudad, pero aún así Argos constata "restos significativos de presencia de materiales romanos en el lugar que ocupaban la playa de O Parrote", desaparecida en los 60, así como los restos de naufragios relacionados con la batalla de Elviña, hace dos centurias. "Sería interesante integrar en un proyecto cultural vinculado a las más relevantes instituciones culturales locales con el fin de acercar nuestro patrimonio sumergido", sugiere el arqueólogo.

"Cada hito en nuestra historia ha dejado algún tipo de huella en nuestros fondos", explica. La existencia de un puerto romano ha dejado informaciones de estructuras sumergidas frente a la Solana. La incursión normanda de 844 afirma la existencia de barcos vikingos hundidos bajo los muelles de San Diego y Oza.

El paso por la ciudad en 1588 de la Gran Armada de Felipe II deja el pecio de la Ragazzona, nao capitana de Juan de Recalde, así como los de los buques hispanos que defendían la plaza durante el ataque inglés de 1589. Prefieren no emplear la palabra "tesoro" para evitar un "mensaje erróneo". "Consideramos que el hecho mismo de una concentración como la que posee nuestra ciudad tiene un valor científico incalculable", concluye.

Fonte: ANA RODRÍGUEZ (16 Out 2009). La opinion Coruña:  http://www.laopinioncoruna.es/portada/2009/10/16/cuenta-fondo-mar/327347.html

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por noticiasdearqueologia às 14:48

Sábado, 03.10.09

Navios dos Descobrimentos concentrados nos Açores


"Os Açores detêm talvez a maior concentração a nível mundial de navios da Idade dos Descobrimentos". A afirmação é do arqueólogo Paulo Monteiro, que durante o seu trabalho na Carta Arqueológica Subaquática dos Açores, compilou cerca de 600 naufrágios ocorridos no arquipélago.


Como foi a sua experiência de seis anos a trabalhar nos Açores e que importância tem para a Região a Carta Arqueológica Subaquática?




Nos seis anos em que me dediquei à arqueologia subaquática nos Açores destaco, sem sombra de dúvida, o verdadeiro desafio que foi o elaborar a primeira Carta Arqueológica Subaquática da Região, um trabalho feito documento a documento, em arquivos regionais, nacionais e internacionais, e que ainda hoje se encontra em actualização permanente.


Depois de anos a depender de informação escassa, fantasiosa ou de proveniência mais que duvidosa, a Direcção Regional da Cultura podia finalmente saber quantos eram, onde estavam e quais eram os navios naufragados no arquipélago.


No fundo, passou a deter uma ferramenta de gestão da informação sobre o património cultural subaquático, real e potencial, podendo geri-lo nas suas vertentes de salvaguarda, estudo e valorização.


Os naufrágios das águas açorianas têm a capacidade de vir a fornecer muitas respostas às questões que hoje em dia se levantam no que concerne à evolução do desenho e da construção naval em madeira, às práticas náuticas e aos circuitos de comércio e guerra naval pós-medievais.


Entre os Séculos XVI e XX, há registo de cerca de 600 naufrágios nos Açores, muitos deles de "navios de tesouros". Sabemos actualmente onde estão esses navios e temos meios - a nível regional ou nacional - para recuperar esses tesouros?


Os Açores detêm talvez a maior concentração a nível mundial de navios da Idade dos Descobrimentos.


Com efeito, situadas a meio caminho entre a Europa e o Novo Mundo, no centro de confluência dos ventos dominantes do Atlântico Norte, as ilhas dos Açores constituíram, desde o final da Idade Média, uma base de apoio à navegação europeia que regressava da Ásia, da África e das Américas e foram, muitas vezes, as testemunhas imperturbáveis do fim trágico de várias dessas viagens, em que fazenda, vida e honra se perdiam por entre a imprevisibilidade do mar e os actos de guerra próprios de uma nova ordem geopolítica mundial.


Contudo, mais do que mero folclore trágico-marítimo, os cerca de 600 naufrágios das águas açorianas constituem um santuário intemporal do património cultural subaquático.


Não os podemos ver sob a perspectiva do tesouro venal, do ouro, da prata e da porcelana chinesa. Eles são sim, muito para além das riquezas fabulosas que alguns transportavam, um testemunho único de um passado que moldou países, continentes e até civilizações.


Não nos podemos esquecer que, até ao advento do transporte aéreo, quase tudo e todos os que vinham para estas ilhas vinham a bordo de navios.


Tendo em conta os processos de naufrágio mais comuns nas ilhas, eu diria que cerca de 95 por cento dos naufrágios aqui ocorridos fizeram-se de encontro à costa. Logo, acho que é perfeitamente viável, com os meios que Região detém agora, fazer-se prospecção e escavação arqueológica dos navios que entender serem fundamentais para colmatar as lacunas que existem no conhecimentos sobre a construção náutica, por exemplo.


Aliás, isso mesmo tem vindo a ser feito com regularidade por José Bettencourt, um arqueólogo de superior valor técnico que, integrado no Centro de História do Além Mar e num projecto da Direcção Regional da Cultura e das Universidades Nova de Lisboa e dos Açores, tem vindo a desenvolver um trabalho notável na baía de Angra.


Em todo o caso, o grande problema, quer a nível nacional, quer a nível regional, não é tanto a detecção e a escavação de naufrágios... O problema é a fase que se segue, a da estabilização, conservação e restauro dos artefactos. Depois de 400 anos submersos em água do mar, estes necessitam ser submetidos a processos muito demorados e dispendiosos de conservação.


Infelizmente, não se apostou no País neste ramo do saber e pouco progredimos nesse campo desde 1996, ano em que tratámos um canhão de bronze recuperado ao largo de Angra com uma saca de 50 kg de citrato, pedida emprestada à empresa de refrigerantes FAV.


Quais foram os mais importantes naufrágios ocorridos nos Açores?


Não há propriamente uma listagem de naufrágios ditos "mais importantes"... Importa saber aquilo que cada investigador considera ser mais importante em termos científicos.


Numa opinião meramente pessoal, diria que qualquer vestígio de navio português é importantíssimo, pois sabemos hoje mais sobre os navios romanos do que sobre a forma como se construíam, equipavam e armavam os navios dos Descobrimentos.


Pelo mesmo ponto de vista, qualquer navio ibérico com tesouros a bordo é importante, pois nunca algum foi escavado arqueologicamente, sendo todos os que foram encontrados até agora pilhados e destruídos por caçadores de tesouros.


Assim sendo, importantes para estudo serão os vestígios da nau da Índia "Nossa Senhora da Luz", naufragada no Faial em 1615; os do galeão espanhol "Nuestra Señora de las Angustias y San José", perdido nas Flores em 1727 e os das naus perdidas na tempestade de 1591. Na Terceira, as nau-capitânia, "Santa Maria del Puerto", "Madalena" e "Revenge"; nas Formigas, o galeão "San Medel y Céledon"; na Graciosa, um patacho espanhol; junto ao Topo, em São Jorge, outras duas naus também espanholas e em São Miguel, duas naus das Índias Espanholas e um galeão biscaínho.


Os Açores estão protegidos, em termos de legislação, da "caça ao tesouro" estrangeira? Se não estão, o que deveria ser feito?


Portugal ratificou a Convenção sobre a Protecção do Património Cultural Subaquático, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).


Esta Convenção entrou em vigor para os Estados que a ratificaram a 2 de Janeiro de 2009, sobrepondo-se, como Convenção internacional que é, à lei ordinária portuguesa.


No seu artigo Artigo 15º afirma-se que os Estados tomarão medidas para proibir o uso do seu território para apoio a qualquer actividade dirigida ao património cultural subaquático que não esteja em conformidade com a Convenção.


Por isso, havendo vontade política – e está-se a trabalhar nisso em termos interministeriais – qualquer navio que se dedique ao saque de naufrágios poderá e deverá vir a ser proibido de entrar em águas territoriais portuguesas, uma vez que a Convenção estabelece que o património cultural subaquático não deverá ser negociado, comprado ou trocado como bem de natureza comercial.*


Fonte: (27 Set 2009). Açoriano Oriental: http://www.acorianooriental.pt/noticias/view/193596


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por noticiasdearqueologia às 23:31

Quinta-feira, 11.06.09

Âncora romana no mar do Algarve: ao largo de Armação de Pêra

Ao largo de Armação de Pêra Âncora romana no mar do Algarve Tem mais de dois metros de comprimento, pesa cerca de 300 quilos e, ao que tudo indica, tem mais de 2400 anos. Esta é a primeira radiografia ao cepo romano (âncora usada nas embarcações) descoberto recentemente ao largo de Armação de Pêra, Algarve. Em chumbo, o achado é considerado um dos maiores cepos romanos encontrados na costa portuguesa e comprova que navegaram ao largo da costa algarvia embarcações romanas de grande porte. O achado, do século IV a.C., foi descoberto pelos mergulhadores Nuno Penas e Mário Silva, da empresa algarvia Easydivers. Tudo aconteceu por acaso, quando testavam novos equipamentos de locomoção subaquática. Segundo explicou ao CM Nuno Penas, o artefacto milenar foi encontrado a "três milhas da costa e a vinte metros de profundidade numa zona de valioso recife, onde existem paredões com três e quatro metros de altura".


  O achado é considerado um dos maiores cepos romanos encontrados na costa portuguesa


Foi quando percorriam a parte superior do recife que, ao descaírem um pouco mais para sul, os mergulhadores se depararam com a âncora. As coordenadas foram enviadas para o Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática e um arqueólogo deste organismo foi ao local e catalogou o achado. Ao que o CM apurou, o especialista ficou impressionado com a dimensão do objecto e também com as suas condições de conservação. Deverá ser retirado da água a curto prazo, através de uma embarcação própria para o efeito. Como o valioso artefacto foi encontrado por mergulhadores que operam a partir da marina de Albufeira, a intenção é ceder a âncora ao Museu Arqueológico de Albufeira.


Fonte: Pando Gomes (9 Jun 2009). Correio da Manhã:

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por noticiasdearqueologia às 20:13

Sábado, 01.12.07

Localizan en Baiona un yacimiento submarino con miles de piezas

Los arqueólogos sacaron ayer trozos de cerámica, ánforas y un cañón que podría datar del siglo XVII


Las obras de ampliación del puerto pesquero de Baiona han sacado a la luz un yacimiento arqueológico compuesto por miles de piezas que datan desde la época romana hasta cubrir toda la historia marítima del municipio. Se trata de uno de los hallazgos más interesantes de los últimos años debido a la gran cantidad de materiales que están siendo descubiertos y por su excelente estado de conservación.


El equipo de arqueólogos dirigido por Miguel San Claudio ha logrado recuperar una gran cantidad de piezas de cerámica, ánforas en muy buen estado y numerosos utensilios que fueron arrojados al mar por los navegantes durante los últimos siglos. Ayer mismo descargaron en el muelle un cañón que podría datar del siglo XVII y que fue enviado, con el resto de las piezas, al Museo del Mar para su posterior análisis y catalogación.


La magnitud del hallazgo aún no ha podido ser estimada puesto que las extracciones continúan hasta que dejen de aparecer más restos y, por el momento, salen centenares de piezas cada semana.


Los arqueólogos guardan mientras tanto una gran discreción sobre el trabajo que están realizando. Una vez que terminen su labor de campo y lo autorice Portos de Galicia, darán a conocer todos los resultados de su intervención, que confirmarían que Baiona fue durante la Edad Media uno de los principales puertos marítimos de la franja atlántica.


La investigación subacuática ha sido contratada por la empresa que se encarga de ejecutar el proyecto para la prolongación del dique pesquero en 70 metros, cumpliendo así uno de los requisitos que habían sido estipulados por la Xunta en el pliego de condiciones. Esta actuación es una vieja reivindicación del colectivo de pescadores.


Las obras comenzaron el pasado mes de octubre y es la primera vez que se realiza en Baiona un estudio arqueológico bajo el mar. Los especialistas suponen que hay más restos esparcidos bajo el mar por toda la ensenada de O Val Miñor.


Inmersiones


Los arqueólogos tuvieron que realizar inmersiones submarinas durante una primera etapa, pero en este momento trabajan desde la propia embarcación que está dragando la zona, en un lugar de escasa profundidad y a escasos metros del extremo del dique actual de los pescadores.


Ambas actuaciones se están llevando a cabo al mismo tiempo. Los expertos se encargan de separar y analizar todos los materiales que la pala saca a la superficie mezclados con el fango. La constructora no esperaba encontrar tanta cantidad de restos arqueológicos y las catas están retrasando el proyecto.


El análisis minucioso de todos los sedimentos hace que empleen el triple de tiempo en dejar la zona preparada para instalar la base del futuro relleno y que ocupará un área aproximada de 3.500 metros cuadrados.


In: Alejandro Martínez

  (7 Nov 2007). La voz de Galícia
http://www.lavozdegalicia.es/vigo/2007/11/08/0003_6299110.htm

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por noticiasdearqueologia às 18:50

Domingo, 18.11.07

Baltic yields 'perfect' shipwreck

A near-intact shipwreck apparently dating from the 17th century has been found in the Baltic Sea, Swedish television has said.


The discovery was made during filming for an under-water documentary series.


Public service SVT television said the wreck could be from the same era as the famous Vasa warship, which sank on its maiden voyage in August 1628.


The broadcaster said the Baltic's low oxygen content and low temperature had helped preserve the wreck.


Baltic shipwreck



The shipwreck was filmed by a remote-controlled submarine


SVT said the origins of the ship were unclear but its features resembled the work of Dutch ship-builders from the period.


"Experts who have studied video of the ship conclude that it is probably the best-preserved ship ever seen from this period," the station said.


A press release provided by SVT quoted marine archaeologist MR Manders as saying he was "overwhelmed" by the condition of the wreck.


"You can hardly call this a shipwreck," he is quoted as saying.


Mr Manders said the boat was likely to have been a trading vessel, 20-25m long, with two or perhaps three masts.


Excellent visibility


The location of the wreck, between the Swedish mainland and Latvia, had been pinpointed in 2003.





Underwater wreck carvings

Carvings suggest a Dutch vessel (Photo: Deep Sea Production)




But it was only in May this year, during filming for The Wreck Divers documentary series, that full exploration and filming with a remotely-operated submarine took place.


The programme's executive producer, Malcolm Dixelius, told the BBC the ship was found at a depth of 125m - offering "excellent" visibility.


The relative lack of oxygen in the water and its low temperature meant the ship had been amazingly well-preserved, he said.


SVT says the vessel probably dates from the same period as the Vasa warship, which was discovered in 1956 and brought to the surface.


The museum where it is kept is now one of the main tourist attractions in Stockholm.


In: (15 Nov 2007). BBC, News:  http://news.bbc.co.uk/2/hi/europe/7096405.stm

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por noticiasdearqueologia às 22:57

Sexta-feira, 14.09.07

Tesouros arqueológicos na Ria de Aveiro

Desde meados da década de 90 que a arqueologia subaquática revela ao mundo preciosidades embaladas pela ria de Aveiro


"A recente divulgação dos resultados das datações dos restos de uma embarcação afundada na ria de Aveiro, pelo radiocarbono, e que a situam na primeira metade do século XV, veio comprovar que esta representa uma das mais extraordinárias descobertas de sempre, no quadro da arqueologia naval e subaquática, não só portuguesa como também mundial".


Estávamos em 1994 e era desta forma, épico-entusiasta, que o arqueólogo Francisco Alves (ver entrevista na página 8), presidente da direcção da associação Arqueonáutica – Centro de Estudos, iniciava o texto de apresentação do projecto de salvamento arqueológico dos restos da embarcação então baptizada de ‘Aveiro A’, na ria de Aveiro. Era um dos apitos iniciais de um sem número de horas que uma equipa composta por mergulhadores, arqueólogos e investigadores empreendeu debaixo de água para resgatar da profundidade a ‘lixeira histórica’ que o tempo serenou sem apagar.


Um avistamento fortuito dá o mote dois anos antes. Em 1992, o residente Carlos Neves Graça encontra algo nas imediações da ponte da Barra, no canal de Mira (Ílhavo). Em 1993, descobre-se outra jazida, desta feita no canal principal da ria, entre o Clube Naval e a Lota (Aveiro).


O primeiro dos achados iria designar-se por ‘Ria de Aveiro A’. Consistia no resto de um casco de uma embarcação envolto por um vasto conjunto de louças "de fabrico comum de feição regional, muitas das quais perfeitamente intactas", com datação que apontava para a primeira metade do século XV. O segundo, conhecido como ‘Ria de Aveiro B’, concentrava vários objectos dispersos, sobretudo peças de cerâmica de produção local, "presumivelmente datáveis entre os séculos XV e XVII".




Relíquias submersas


O trabalho em torno da Ria de Aveiro B dá frutos. Em apenas dois dias de prospecção, foram logo recolhidas e inventariadas 97 peças, muitas delas inteiras. Um dos achadores observa um conjunto de vasos cónicos, conhecidos como "formas de pão de açúcar", usados no fabrico e purga do melaço.


Encontrou-se de tudo, desde bilhas a malgas, pratos, testos e tachos, tendo sido avistada também uma estrutura de madeira a sair do lodo, em forma de proa, cuja significância se enche de curiosidade, quando considerada a coincidência da referência micro-toponímia de "Gran Caravela", constante da cartografia cadastral da zona.


Na comunicação de Francisco Alves integrada no II Simpósio de História Marítima, pode ler-se que o espólio da ‘Ria de Aveiro B’ permitia considerá-la, em 1994, como "a maior e mais expressiva colecção de cerâmica comum da época dos Descobrimentos e da expansão marítima".




Em busca da ‘Ria de Aveiro A’


Localizada a estrutura avistada em 1992, os exploradores partiram em busca dos tesouros da Ria de Aveiro A. Como explica Miguel Aleluia, um dos mergulhadores envolvidos nas escavações, de todos os achados, foi o que mais "chamou a atenção da comunidade científica".


O motivo era simples. Não havia um conhecimento aprofundado em relação aos barcos do período das Descobertas e à sua construção. A amostragem de exemplares encontrados, dessa época, escasseia.


A estrutura era coberta por tabuado e há a ideia de que o barco faria "viagens até Lisboa e pelo Norte da nossa costa". Apesar de não podermos dizer que é uma caravela, é, de todos os achados, o que "de longe o que se aproxima mais" da noção dominante de caravela, completa Miguel Aleluia.


Já há inclusivamente uma projecção de como seria o barco em 80/90 por cento, em função do que foi descoberto (cerca de 70 por cento do seu comprimento total, que ronda os 17 metros).


A maior parte dos objectos recolhidos no ‘Ria de Aveiro A’ era cerâmica (tigelas, pratos, terrinas, alguidares, testos, púcaros, canecas, potes, bilhas, etc), mas também se recolheu fruta (nozes, castanhas, uvas), restos de tecidos e amostras de fibras vegetais.




Processo de trabalho


Nos primeiros meses de escavações no ‘Ria de Aveiro A’, a equipa trabalhava "uma média de 14 horas por dia, sete dias por semana". A ausência de ondulação ajudava, mas era preciso ultrapassar uma série de condicionantes, começando pela possibilidade de os objectos serem levados pela corrente, passando pela fragilidade dos itens e temperatura da água e terminando no jogo de espera a que a oscilação das correntes obrigava.


As peças eram identificadas debaixo de água, depois retiradas e colocadas em água doce para se proceder a uma dessalinização. Quando já não há sais, inicia-se "um processo de secagem lento", elucida Miguel Aleluia.


A identificação da riqueza patromonial de novas zonas atinge, nos dias de hoje, o ‘Aveiro H’. Pelas mãos dos pesquisadores já passaram milhares de objectos, desde apitos náuticos até a vestígios de navios de construção trincada (estilo viking).  


 


Pólo museológico à espera do QREN


 A ideia já é antiga mas ausência de fundos tem adiado a sua passagem da abstracção teórica à realidade. Seria concebível uma unidade museológica que albergasse o vasto conjunto de achados que entretanto foram sendo conhecidos?


Seria. É o próprio Francisco Alves, director do projecto que aflorou o ‘Aveiro A’, quem o admite: “Tanto em Aveiro como em Ílhavo temos achados absolutamente significativos para serem um ponto de partida para um discurso museulógico”.


Pedro José Barros (30 Ago 2007). O Aveiro: http://www.oaveiro.pt/index.php?lop=conteudo&op=70c639df5e30bdee440e4cdf599fec2b&id=78ade5b560946211ce63652717b37aea&drops[drop_edicao]=75

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por noticiasdearqueologia às 22:11


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