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NOTÍCIAS DE ARQUEOLOGIA

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Segunda-feira, 25.11.13

Arqueólogos escavam sítio "raro" da idade do ferro que barragem do Sabor vai inundar

Arqueólogos escavam sítio raro da idade do ferro que barragem do Sabor vai inundarReuters
 

A EDP tem em fase final de estudo um dos "mais raros" povoados da idade do ferro posto descoberto em Portugal, fruto de dois anos de escavações em Crestelos (Mogadouro) na zona do Baixo Sabor, que ficará submerso. Para a equipa de investigadores, o local de escavações divide-se em duas partes, ou seja, um povoado defensivo construído nas partes mais altas das margens do rio Sabor e um local "raro" da idade do ferro em pleno vale do Sabor.

 

Contrariamente ao que é normal nos povoados deste período, construídos no topo de elevações por motivos essencialmente defensivos, este estende-se por uma zona de vale.

"A expectativa inicial era de que o sítio fosse de ocupação do período romano. À medida que fomos escavando, descobrimos uma ocupação interessante da idade do ferro, com indícios da idade do bronze, e até mesmo do calcolítico", explicou à Lusa Sérgio Pereira, arqueólogo responsável pelos trabalhos de investigação.

"Na parte mais baixa descobrimos um povoado aberto com outro tipo características de implantação mais raras, o que o torna praticamente num local único Portugal", frisou.

No entanto, a explicação para esta descoberta "rara" tem por base um modelo de ocupação que ainda não foi sondado em outros pontos do país.

"Por norma, escava-se os povoados que estão localizados nos cabeços e colocados em pontos estratégicos e por casualidade, foi posto a descoberto um povoado num ponto mais baixo do que o habitual neste tipo de povoamento", acrescentou Sérgio Pereira.

Segundo os arqueólogos, o local revela vestígios de ocupação que começaram no século VII antes de Cristo e que se estende pelo período romano, idade média e idade moderna, até aos dias de hoje.

"Quando iniciámos a intervenção no sítio arqueológico de Crestelos, foram feiras oito sondagens de diagnóstico, numa área com 32 metros quadrados, e na reta final dos trabalhos temos mais de um hectare escavado (10.700 metros quadrados) ", explicou o arqueólogo.

Por seu lado, José Antonio Pereira, diretor de escavações, refere que este lugar se está a revelar " ser único" para esta região.

"Temos encontrado sedimentos que vão desde há 4.500 anos até à atualidade, mas com uma densidade de ocupação desde a segunda idade do ferro", destacou.

Já o espólio é composto "por milhares de peças muito variadas" como objetos em cerâmica, metais, vidro e indústria lítica, entre outros objetos que contam a história do local.

"Interessante tem sido a descoberta de zonas funcionais como cabanas com lareira central, o que lhe confere um uso doméstico ao local", acrescentou José António Pereira.

O local foi amplamente ocupado" ao longo dos diversos pontos cronológicos" sobretudo até ao período medieval.

"Na zona do vale de Crestelos, o grande período de ocupação vai desde o século III até século I Antes de Cristo, embora haja indícios de ocupação anterior que vão até ao calcolítico ", calculam os investigadores no local.

O sítio arqueológico de Crestelos fica na freguesia de Meirinhos e começa agora ser selado, para ficar submerso com o enchimento gradual da albufeira da barragem do Baixo Sabor previsto para o final de 2013 início de 2014.

Ao contrário do que é comum no noroeste português, o povoado "ocupa essencialmente a zona de vale".

Fonte: (18 Nov 2013). Lusa/RTP: http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=696608&tm=4&layout=121&visual=49

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por noticiasdearqueologia às 13:34

Terça-feira, 28.08.12

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Um grupo de arqueólogos ao serviço da EDP está a colocar a descoberto, na zona do Baixo Sabor que ficará submersa após a construção da barragem, uma série de "importantes de achados arqueológicos" que vêm provar que aquela região já era ocupada desde o Paleolítico Superior.



Os arqueólogos estão a descobrir milhares de placas de pedra com gravuras, pertencentes à chamada "arte rupestre móvel", principalmente no sítio arqueológico da ribeira do Medal, situado na freguesia de Meirinhos, concelho de Mogadouro, que tem vindo a revelar-se um importante ponto arqueológico do Paleolítico Superior.

"Apesar de esta unidade arqueológica não estar no seu sítio original, já que foi deslocada pela ação do tempo, os instrumentos e arte encontrados encontram-se bem preservados e os fragmentos achados são aos milhares", disse a arqueóloga Joana Carrondo.


A arte encontrada é, quase toda ela, é feita por incisões em placas de xisto móveis que podiam ser transportadas de um lado para o outro, estando situada cronologicamente entre 10 mil e 15 mil anos antes de Cristo.


"Já foram encontradas mais de um milhar de placas com gravuras de arte figurativa, das quais uma centena são zoomorfos, ou seja, representam animais, como cavalos ou auroques", acrescentam os arqueólogos no local.


O sítio arqueológico é já considerado pelos especialistas, como "o maior local" de descoberta de elementos representativos da chamada arte rupestre móvel do Paleolítico Superior em todo a região do Baixo Sabor.


As escavações revelam que o sítio do Medal foi importante em toda a região do Baixo Sabor, no que diz respeito à ocupação de comunidades pré-históricas de caçadores-recoletores.


Segundo a arqueóloga e consultora da EDP Maria de Jesus Sanches, o sítio arqueológico do Medal é, ao longo de todo o trajeto do rio Sabor, desde a nascente à foz, o único local que se conhece em que as comunidades do Paleolítico Superior pararam, não só para gravarem as rochas, mas também manterem outras atividades coletivas como a caça ou recoleção de outros alimentos.


"Trata-se sem dúvida de um acampamento onde houve muita atividade" acrescentou a investigadora.


Agora os arqueólogos só esperam que os milhares de fraguentos já encontrados "colem entre si" para poderem ser comparados com a "panóplia de gravuras descobertas no vizinho vale do rio Côa", um outro afluente do Douro e na região espanhola de Siega Verde.


"A importância deste sítio arqueológico depende de outros, para se poderem comparar com outros locais já bem datados cronologicamente", frisou Maria de Jesus Sanches.


"Agora é importante analisar os fragmentos para se poder comparar esta arte com outros exemplares encontrados um pouco por toda a Europa", acrescentou a investigadora.


A informação recolhida está inscrita em relatórios que são enviados mensalmente para a tutela do IGESPAR.


Os trabalhos de arqueologia decorrem na área da albufeira que abrange os quatro concelhos da região do Baixo Sabor (Mogadouro, Macedo de Cavaleiros Alfandega da Fé e Torre de Moncorvo) que ficará submersa aquando do enchimento da albufeira da barragem do Baixo Sabor, programado para 2013.


Fonte: (16 Ago 2012). RTP: http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=579728&tm=4&layout=121&visual=49


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por noticiasdearqueologia às 13:32

Quinta-feira, 21.08.08

EDP nega ter adiado trabalhos no Sabor, mas empresa envolvida confirma

A EDP negou, em declarações à Lusa, ter adiado qualquer trabalho arqueológico no vale do Sabor para não atrasar o início da construção da futura barragem, insistindo ainda em reafirmar que "não adjudicou nem teve intenção de adjudicar à Ecossistema qualquer trabalho de sondagens e escavações, pelo que nenhum concurso ou consulta foi suspensa”. Mas é a própria Ecossistema, a empresa que juntamente com a Agri.Pro Ambiente realizou o Estudo de Impacte Ambiental da obra, que desmente a eléctrica nacional.



A EDP é desmentida pelas empresas envolvidas no Estudo de Impacte Ambiental

Numa carta que enviou ao PÚBLICO esclarecendo o seu envolvimento neste processo, a Ecossistema diz o seguinte: “Em Fevereiro de 2007, em plena fase de avaliação do RECAPE (Relatório de Conformidade Ambiental do Projecto de Execução) – procedimento que faz parte da Avaliação de Impacte Ambiental de projectos, conforme o Decreto-Lei nº 69/2000, republicado pelo Decreto-Lei nº 197/2005 – a Ecossistema preparou para informação da dona da obra, a EDP, uma consulta, e não um concurso formal, a três empresas de arqueologia para apresentação de condições (nomeadamente prazos e preços) para a execução de sondagens arqueológicas e de levantamentos arquitectónicos dirigidos aos elementos patrimoniais identificados nos trabalhos realizados no EIA e no RECAPE do Baixo Sabor”. Ainda de acordo com a mesma informação, o propósito desses trabalhos era o de “permitir ter dados substantivos para discutir a oportunidade e a viabilidade da realização desde logo desses trabalhos”.

As três empresas consultadas apresentaram as suas propostas, mas, como acrescenta a Ecossistema, “no decurso da avaliação então a decorrer, acabou a EDP, de acordo com as entidades de tutela do património cultural, nomeadamente como resultado de uma reunião entre estas entidades organizada pela Agência Portuguesa do Ambiente, em Março de 2007, por entender promover os referidos trabalhos na chamada “fase de obra”, ou seja, durante os vários anos que demorará a construção da barragem, integrados com vários outros trabalhos de intervenção patrimonial igualmente definidos no RECAPE ou exigidos pela Comissão de Avaliação. Por essa razão, não teve essa consulta qualquer sequência”.

O principal levantamento dos bens patrimoniais existentes na zona que irá ser submersa tinha sido feito em 2005 pela ERA Arqueologia, uma das empresas que respondeu à consulta da EDP promovida através da Ecossistema (esta firma foi apenas intermediária no processo). Mas já depois desse estudo foi revelada a existência de gravuras rupestres que ainda não eram conhecidas.


 Fonte: Pedro Garcias (19 Ago 2008). Público: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1339616&idCanal=62

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por noticiasdearqueologia às 00:31

Segunda-feira, 11.08.08

Sabor origina gigantesca operação de salvaguarda patrimonial




A área de regolfo terá 56 quilómetros 



Construção de empreendimento hidroeléctrico


A construção do Empreendimento Hidroeléctrico do Sabor vai implicar uma gigantesca tarefa de levantamento e salvaguarda de bens patrimoniais, só comparável ao que aconteceu com a barragem do Alqueva. Ao longo do regolfo de 56 quilómetros que vai ser criado com a barragem principal foram identificados cerca de duas centenas de sítios de interesse patrimonial.

Três desses sítios são considerados de valor excepcional (gravura rupestre paleolítica do ribeiro da Sardinha, conjunto arqueológico-etnográfico de Cilhades e povoado fortificado da Idade do Ferro de Castelinho, junto de Cilhades), 13 com valor muito elevado e 20 de valor elevado.

Várias pontes, como as de Remondes e do Sabor, serão alvo de obras de reforço para ser submersas; uma ou outra gravura rupestre das várias que foram descobertas no Sabor poderão ser recortadas e trasladadas para outro local; e para cerca de duas dezenas de sítios o caderno de encargos de salvaguarda prevê a realização de sondagens geológicas e escavações. Todos os trabalhos têm que estar concluídos até 2012/2013, quando se prevê que a albufeira comece a encher.

Um dos lugares que vão ser alvo de escavações é o povoado de Cilhades, situado na margem direita do Sabor e pertencente à freguesia de Felgar, Moncorvo. Composto por várias casas em alvenaria de xisto, encontrava-se em vias de classificação pelo antigo Ippar. Nos estudos da barragem, reconhece-se que "o povoado de Cilhades [desabitado desde os finais do século XIX] constitui um caso exemplar, em termos patrimoniais e científicos, no vale do Sabor", uma vez que conserva "vestígios de ocupação humana continuada, desde a Idade do Ferro até ao presente".

No fundo, a aldeia de Cillhades está para o vale do Sabor como a Aldeia da Luz estava para o Alqueva ou Vilarinho das Furnas para a barragem das Furnas, no Gerês. A diferença é que estas últimas eram habitadas e as povoações tiveram que ser realojadas noutro local. No caso do Sabor, também estão previstas trasladações importantes, como são os casos da Capela de S. Lourenço de Cilhades e do Santuário de Santo Antão da Barca. Este último é um dos lugares de culto mais famosos da região e a sua mudança de local é tudo menos pacífica. Mas, apesar de pairar sobre o santuário uma lenda de mau agoiro para o caso de ser devassada, a sua trasladação é irreversível.

Os primeiros trabalhos arqueológicos já foram adjudicados pelo consórcio que ganhou a construção do empreendimento, formado pelas empresas Bento Pedroso e Lena. Mas o facto de estas adjudicações serem parcelares está a criar apreensão junto de alguns arqueólogos, que temem não ser possível, desta forma, estudar o vale de uma forma integrada, como um território homogéneo.

Mas o que tem gerado maiores críticas foi a decisão da empresa Ecossistema, responsável pela realização do estudo de impacte ambiental, de cancelar um concurso que tinha aberto para a realização prévia de escavações e sondagens arqueológicas em alguns lugares com interesse (ver caixa). Sobre a EDP, a dona da obra, recai agora a suspeita de pretender evitar surpresas que pudessem atrasar ainda mais o empreendimento.


Fonte: Pedro Garcias (08 Ago 2008). Públicohttp://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1338160&idCanal=59

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por noticiasdearqueologia às 21:17


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