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NOTÍCIAS DE ARQUEOLOGIA

O Património é um bem comum... Preservá-lo só depende de cada um de nós...


Sábado, 29.08.09

Andar à procura de um alfinete no terreiro

Escavações no Cimo de Vila começam de madrugada 

Agosto é mês de arqueologia na zona histórica de Penamacor, onde há vestígios que vão dos alfinetes romanos com cabeça de dragão à grandeza da barbacã que protegeu a vila das invasões.


 


O relógio que fica mesmo ali acaba de dar o sinal das 6 da manhã, mas junto ao Pelourinho já se trabalha com afinco. Tem sido assim nos últimos cinco verões em Penamacor, vila que amiúde revela algumas surpresas na arqueologia. Primeiro foram os esqueletos com sinais de autópsia. Agora são os muros da antiga barbacã, que os arqueólogos só conheciam da planta desenhada por Duarte D´Armas em 1509.







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A pedra destes três muros não tem o aprumo que é visível na torre do relógio. São irregulares e fazem lembrar um qualquer muro numa qualquer quinta ao redor da vila. Mas esta característica é a prova que os muros terão sido construídos devido a uma emergência.


 


“Parece que resultam da pressa que eles tinham em construir isso”, explica a arqueóloga Silvina Silvério. No local aponta rochedos com marcas de cunhas, que poderão indiciar que na construção da barbacã foi utilizada a pedra que estava mais à mão. Foram ainda encontradas moedas castelhano-leonesas, que ajudam a enquadrar as construções na época.


A indicação é que as estruturas foram construídas no reinado de D. Fernando (1367 – 1383), mas com intervenções até ao reinado de D. João I (1385 – 1433), alvo de construções ou reconstruções. Daí a existência de três muros.


As construções poderão atingir os cinco metros de altura e são para deixar à vista, depois de serem consolidados. O segmento da barbacã que a equipa de Silvina Silvério está a estudar tem cerca de 20 metros de extensão dos cerca de 500 metros originais, que no relato da especialista começavam na torre do relógio e cobriam a parte norte da zona histórica de Penamacor, o chamado Cimo de Vila.


O trabalho desenvolvido pela equipa, financiada pela Câmara Municipal de Penamacor, não se resume ao mês que passam no pino do Verão nas escavações. Há um levantamento documental que fala sobre as estruturas e a relação do rei com o concelho. Documentação “que esclarece definitivamente que o castelo de Penamacor nunca pertenceu aos Templários, foi sempre régio”.


As escavações trazem ainda à luz do dia outros dados sobre o quotidiano de quem andou por Penamacor. “O espólio é muito bom porque apanhamos imenso material cerâmico sobretudo dos séculos XV e XVI, mas também artefactos mais antigos como bronzes romanos e porcelanas chinesas”.


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A caixa dos tesouros


 


No Cimo de Vila os trabalhos acontecem há cinco anos e permitiram a descoberta de 38 esqueletos e inúmeros objectos de várias épocas que ainda hoje continuam a surpreender quem trabalha no local.


Da caixa onde vai guardando estes tesouros a arqueóloga Silvina Silvério retira um fecho em bronze, utilizado no fardamento militar romano. Olhando para este é possível distinguir a cabeça de um dragão. Apesar de a liga metálica ter a espessura de um fósforo, a peça está em bom estado de conservação.


“Ainda estamos numa fase preliminar dos trabalhos, mas temos muitos fechos de fardamento romano e de arreios de animais”, explica a arqueóloga. Estas descobertas sustentam a existência na zona de uma guarnição militar romana, associada à via para Braga e Mérida.


“Quem vem de passagem não deixa tantos vestígios e além disso o índice de ocupação romana aqui à volta é muito grande”, diz a arqueóloga. A presença de zonas férteis para a agricultura e o ouro das minas da Presa também contam.


Entre os objectos há ainda anéis romanos e uma moeda do ano 79 Antes de Cristo.


As peças encontradas deverão fazer parte do Museu Municipal de Penamacor, quando for concretizada a tão esperada ampliação. Mas nos últimos anos têm sido feitas exposições em Penamacor e até em Lisboa, para mostrar o trabalho feito nas escavações.


À semelhança de anos anteriores a equipa coordenada por Silvina Silvério conta também com a ajuda de jovens do concelho, alguns dos quais participam nos trabalhos desde as primeiras campanhas. E nem o facto de terem de estar no terreno por volta das seis da manhã e em época de férias é um contra. “Há sempre gente jovem que quer vir (…) eles empenham-se bastante e voltam todos os anos, o que dá uma certa satisfação”. É assim até perto das duas da tarde, hora em que o calor ganha na batalha com a história. Com ou sem barbacã.


Fonte: José Furtado (27 Ago 2009). Jornal Reconquista:  http://www.reconquista.pt/noticia.asp?idEdicao=194&id=15878&idSeccao=2023&Action=noticia

 


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por noticiasdearqueologia às 00:30

Sábado, 22.08.09

Templo foi recuperado para receber acervo: Capela guarda património de Bemposta

A aldeia mais pequena do concelho de Penamacor, distrito de Castelo Branco, abriu o seu núcleo museológico que reúne vestígios da época romana.


A capela de S. Sebastião em Bemposta é o novo local de culto do património desta aldeia do concelho de Penamacor.


As peças estavam no lavadouro da aldeia e algumas desapareceram.

O espaço foi remodelado e reabriu como núcleo museológico, reunido um acervo constituído essencialmente por aras com inscrições romanas e estelas funerárias.


Os objectos estavam há muito nos lavadouros da freguesia, junto à igreja matriz, o que acabou por levar ao desaparecimento de alguns deles.   


"Infelizmente foram furtadas algumas pedras com valor", conta Luís Tomé, o presidente da Junta de Freguesia de Bemposta.


A autarquia chegou a apresentar queixa na Polícia Judiciária mas diz que o processo foi arquivado.


As peças que não foi possível integrar no museu deverão ser colocadas junto ao castelo, quando este for alvo da tão esperada remodelação.


A recuperação da capela de S. Sebastião é vista como uma oportunidade para chamar visitantes à aldeia mais pequena de Penamacor, mas que entre 1510 e 1836 foi sede de concelho.


"São estas pequenas obras que podem servir de pólos de atracção para que mais pessoas nos visitem", diz o presidente da junta de freguesia.


A reconversão da pequena capela em núcleo museológico é o resultado de um protocolo entre a Diocese da Guarda, a Câmara Municipal de Penamacor e a Fábrica da Igreja de Bemposta.


Domingos Torrão, o presidente da Câmara Municipal de Penamacor, realça a abertura que houve da parte do Bispo D. Manuel Felício para que esta solução fosse possível.


Para a autarquia o investimento no património de Bemposta é para continuar.


A aldeia, diz Torrão, "tem um património arqueológico que neste momento está a começar a ser desbravado".


Além das estelas e das inscrições romanas presentes na exposição salta ainda à vista um monólito que remonta à época dos Templários e que de acordo com os investigadores servia de marco de separação de território entre o concelho de Penamacor e o senhorio da Bemposta, que pertencia à Ordem dos Cavaleiros Templários.


Neste aparece o crescente lunar, que ainda hoje consta no brasão de Penamacor.


O núcleo museológico não estará de portas abertas em permanência, mas quem estiver interessado em visitar o espaço pode pedir na junta de freguesia - que fica a poucos metros da capela - para o fazer.


A aldeia que no próximo ano comemora os 500 anos do Foral tem há muito a promessa de requalificação.


Questionado sobre o processo, Domingos Torrão diz que a requalificação da aldeia só vai avançar depois dos estudos arqueológicos, que estão a  ser feitos pela associação Arqueonova, responsável pelos  trabalhos de arqueologia na zona histórica de Penamacor e em Meimoa.


A autarquia pretende ainda recorrer ao Programa de Desenvolvimento Rural Proder para recuperar habitações de particulares, diz o presidente da câmara penamacorense.


Fonte: José Furtado (21 Ago 2009). Reconquista: http://aeiou.expresso.pt/capela-guarda-patrimonio-de-bemposta=f531999

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por noticiasdearqueologia às 23:48

Domingo, 07.10.07

O forno descoberto em Meimoa, há cerca de um ano, é um lagar de azeite

O que parecia um complexo termal da época romana é afinal uma antiga unidade de produção de azeite. O regresso das escavações arqueológicas a Meimoa, um ano depois da descoberta dos primeiros vestígios, deitou por terra a tese das termas mas não a importância do achado. Em apenas dois meses de trabalho, que no terreno só é possível quando o tempo ajuda, viram a luz do dia mais cerca de 500 metros quadrados de vestígios da época romana, possivelmente dos séculos I ou II antes de Cristo. “E ainda nem sequer terminámos esta zona, ou seja, a parte de produção e armazenamento de azeite ainda não está concluída”, diz a arqueóloga responsável pelos trabalhos.



Silvina Silvério coordenou a equipa com cerca de 15 pessoas que este Verão concentrou as suas atenções em Meimoa, tendo como ponto de partida a descoberta do forno. É daí que surge a hipótese das termas, mas esta desvaneceu-se à medida que os trabalhos avançaram. A suposição de utilização do forno para a produção de cerâmica também foi posta de lado, já que no local não havia vestígios de fragmentos. A descoberta da mó e das estruturas do armazém, onde se encontravam os dolium (grandes vasos semelhantes a potes onde o azeite era conservado), cimentaram a ideia do lagar. A existência do forno explica-se porque já naquele tempo os romanos utilizavam a técnica de prensagem do azeite a quente. No local ainda há muito por desenterrar mas, diz a arqueóloga, “sabemos já onde estão algumas das estruturas”. A área escavada até ao momento é significativa, como provam os vários montes de terra retirados do local, mas ainda há muito por fazer no terreno. Silvina Silvério calcula que a área ocupada pelas estruturas “poderá chegar a um hectare, no mínimo”, não ficando apenas pelo azeite. Próximo do lagar foram detectadas várias mós de menor dimensão, possivelmente para produção de farinha. A alimentação romana tinha como produtos essenciais o trigo, o azeite e o vinho, o que poderá levar à descoberta do elo que falta, relacionado com o vinho.


A arqueóloga acredita que a produção do lagar de azeite podia ter como destino a mão-de-obra que trabalhava nas minas de ouro romanas, que existiam ali perto. Mas só o muito trabalho que há pela frente poderá ajudar a retirar mais algumas conclusões. Com o fim do Verão terminam também os trabalhos no terreno, pelo menos até ao próximo ano. As estruturas estão agora protegidas com telas e foram escavadas valas de drenagem, para evitar que os vestígios fiquem inundados. O sítio arqueológico foi descoberto há cerca de um ano por mero acaso, em terrenos pertencentes a António Cabanas, o vice-presidente da Câmara Municipal de Penamacor.


Enquanto em Meimoa avançam os trabalhos, na vila de Penamacor o momento é de pausa. Pela primeira vez nos últimos anos a zona histórica da sede de concelho- o Cimo de Vila- não assistiu a escavações. A pausa é forçada, segundo explica Silvina Silvério, porque aguarda-se a resposta do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar) em relação à segunda fase das escavações, que prevê a continuação dos trabalhos por mais quatro anos.


Logo que haja luz verde (e bom tempo) a arqueóloga pretende avançar com as escavações no mítico Poço D´el Rei, uma estrutura situada a poucos metros da torre de Menagem e que continua a dar azo a diversos mitos. O trabalho desenvolvido no concelho de Penamacor nos últimos anos vai ser dado a conhecer no decorrer da primeira edição das Jornadas do Património Histórico-Cultural e Arqueológico do Distrito de Castelo Branco, que começam esta sexta-feira em Vila de Rei.


In: José Furtado (28 Set 2007). Reconquista: http://www.reconquista.pt/jornal.dll/indartigo?idartigo=25097&idseccao=108

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por noticiasdearqueologia às 00:40


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