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NOTÍCIAS DE ARQUEOLOGIA

O Património é um bem comum... Preservá-lo só depende de cada um de nós...


Sexta-feira, 31.07.09

Nau do século XVI é descoberta...


Oito metros de altura de sedimentos encobrem o que mergulhadores do Projeto Resgate Barra Sul acreditam ser uma nau do século 16. O naufrágio foi localizado nas proximidades das praias do Sonho, Naufragados e Papagaios, na parte sul da Ilha de Santa Catarina, onde era a entrada de embarcações que trafegavam na região na época das grandes navegações. Caso a hipótese se confirme, será o naufrágio mais antigo até agora identificado no Brasil.




Na parte mais alta dos sedimentos foi localizado um pequeno canhão de sinalização e, ao redor de uma área de cerca de 30 metros, os aparelhos utilizados na busca indicaram a presença de metais, o que pode revelar a estrutura total do navio. Além de cabos, cacos de cerâmica e pedras de lastro, uma âncora foi achada nas proximidades.


A âncora é o achado mais antigo. Foi ela que, encontrada por acaso pelo mergulhador Gabriel Corrêa, em 2005, deu início à criação da ONG Projeto Resgate Barra Sul. “Pelo tamanho e formato da peça acreditamos que pertence a uma nau do século 16. Esse tipo era utilizado por embarcações dessa época”, disse Corrêa, diretor do projeto.


As perguntas ainda não respondidas são se a âncora faz parte do mesmo naufrágio e se a nau era mesmo de Sebastião Caboto, uma das hipóteses mais viáveis. Cabotto comandou, em 1526, uma expedição que saiu da Espanha tendo como destino o Oriente, mas ao saber das histórias de um rico povo no interior da América, que se adornava dos pés à cabeça com ouro, resolveu deixar seus planos iniciais para trás.


“A Ilha de Santa Catarina era um ponto estratégico de abastecimento para os navegadores que nos séculos 16 e 17 serviam aos reinos de diversos países europeus e seguiam rumo ao rio da Prata. Quando adentravam a baía sul, eram surpreendidos pela geografia acidentada do leito marinho e muitas vezes pegavam um inesperado vento, vindo a naufragar”, disse outro mergulhador e diretor da equipe, Nei Mund Filho.


Por isso, a região pesquisada é considerada um cemitério de navios. A história registra oito naufrágios, mas muitos mais podem ter encontrado ali o seu fim. O Projeto Resgate Barra Sul conseguiu autorização da Marinha para pesquisar e explorar uma área de 400 quilômetros quadrados. Até o momento, localizaram três embarcações, uma delas recente, com cerca de 100 anos.


“A arqueologia subaquática é cara e demorada. Exige equipamentos bem mais sofisticados, como sonares, ecossonda, radar, canetas e cadernetas especiais, entre outros. Se em um sítio arqueológico na terra escavamos com pás, no sítio subaquático é necessário um sugador para retirar os sedimentos e levá-los para a superfície”, explicou a arqueóloga Deisi Scunderlick Eloy de Farias, professora da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul) e consultora do projeto.


No ano passado a pesquisa recebeu recursos da Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica do Estado de Santa Catarina (Fapesc), o que garantiu a utilização de equipamentos como radares, sonares e GPS. Com esse auxílio, os integrantes do projeto conseguiram localizar duas âncoras, pedras de lastro, cacos de cerâmica, um canhão e todos os pontos que indicam metais e dão idéia da estrutura da embarcação.


Em uma etapa posterior as peças serão removidas do mar, dessalinizadas e restauradas. “Após a restauração, os achados serão direcionados à Marinha e ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, para colocação futura em um museu. Outra ideia é recolocar as peças no lugar de onde foram retiradas e transformar essa parte do fundo do mar em um imenso museu subaquático”, disse Corrêa.



Fonte: (13 Jul 2009).Agência FAPESP: http://www.agencia.fapesp.br/materia/10754/noticias/nau-do-seculo-16-e-descoberta.htm

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por noticiasdearqueologia às 23:38

Segunda-feira, 10.11.08

NAMÍBIA: O tesouro mais bem guardado do mundo

Durante 32 dias, Francisco Alves, arqueólogo, especialista em arqueologia náutica e submarina, esteve na Sperrgebiet, a "terra proibida", a zona de exploração diamantífera da costa atlântica de Oranjemund, na Namíbia. O arqueólogo andou a recolher aquela que classifica como " a maior descoberta arqueológica da África subsaariana". Uma nau portuguesa, carregada de moedas de ouro, lingotes de cobre, presas de marfim. Ficou ali durante 500 anos, no areal da Namíbia, destroçada após um naufrágio. Para agora se revelar. 

Pode não ser a nau que transportava Bartolomeu Dias, que naufragou em 1500. Mas decerto é uma nau portuguesa, da rota das Índias, ou melhor, o que resta dela após um violento naufrágio. Seguia para oriente numa data não muito distante de 1500. Mas posterior.

Fustigada pelos musculados braços do monstro Adamastor, senhor das correntes do Cabo, a embarcação foi esventrada pelas ondas e empurrada para a costa da Namíbia, deixando no caminho um rasto de carga, de ossos e destroços de navio. Tudo morreu na praia. E por lá ficou ao longo de cinco séculos.

A descoberta desta embarcação naufragada há 500 anos está a fascinar a arqueologia náutica mundial. Em Abril passado um funcionário da Namdeb, o consórcio do Governo da Namíbia com a multinacional de exploração diamantífera DeBeers - que faz a exploração da região -, encontrou uma pedra estranha enquanto extraía as preciosas pedras brilhantes das areias da Sperrgebiet, "terra proibida". Um canhão empedernido foi a primeira peça a revelar-se. Depois vieram mais, muitas mais.

Duas mil moedas cunhadas pelas coroas espanhola e portuguesa, 20 toneladas de lingotes de cobre e estanho, semi-esféricos, mas também de outras formas, algumas estranhas, cravados com o tridente dos banqueiros alemães Fugger, que forneciam de metal a coroa Portuguesa. E ainda dezenas de presas de marfim africano, instrumentos científicos, baixelas de estanho e restos de candelabros, espadas, restos de ossos humanos (pelo menos uma costela e parte de uma bacia) e até restos de chinelos em couro. Um espólio típico de um navio que vai para o oriente, dizem os especialistas.

Isto para além de peças da estrutura do navio, de tamanho colossal, que começaram a aparecer por todo o lado ao longo dos cerca de 600 metros quadrados, na mina U60 da Sperrgebiet.

O local da escavação é um pedaço de terra roubado ao Atlântico, resguardado do mar por uma parede artificial de areia com seis metros de altura. Um carreiro de camiões encarregou-se de alimentar a muralha constantemente, ao longo dos 32 dias de trabalhos. Só 1700 euros diários eram necessários para esta operação, totalmente financiada pela NamDeeb. Para cá dessa parede, e depois da água e areia aspirada (e cuidadosamente filtrada para revelar diamantes), os achados quinhentistas foram expostos.

Numa primeira fase os trabalhos foram coordenados pelo arqueólogo sul-africano Dieter Noli, especialista na área da Sperrgebiet. Mas era necessária a participação de uma equipa que soubesse lidar com a raridade em causa: uma nau quinhentista. Foi então que o nome de Francisco Alves surgiu. A única nau quinhentista, da rota das Índias, descoberta e estudada até hoje, a Nossa Senhora dos Mártires, em 1998, na barra do rio Tejo, foi um trabalho da sua equipa, do Centro de Arqueologia Náutica e Subaquática, o CNAS.



A equipa portuguesa

"É o achado mais importante encontrado da África subsariana, pelo menos dos estudados por arqueólogos, exceptuando talvez a fragata de Santo António de Tana, de final do século XVII, escavada em Mombaça no final dos anos 70, estava a arqueologia náutica portuguesa a nascer. Não falo de pilhagens, claro", defende Francisco Alves que reconhece o esforço do Governo da Namíbia em resistir a "caçadores de tesouros" que assediaram as autoridades na esperança de chegar ao achado.

Para além de Francisco Alves e Miguel Aleluia, do CNAS e de um grupo de investigadores espanhóis indicados pelo Ministério da Cultura do país vizinho e do Museu de Arqueologia Subaquática de Cartagena, a equipa era ainda formada por um grupo de especialistas da Universidade de Texas A&M, uma das melhores instituições de investigação do mundo em arqueologia náutica, representada pela equipa do também português Filipe Vieira de Castro. Este último também tinha participado, com Francisco Alves, nos trabalhos da Nossa Senhora dos Martíres. Mas a participação desta equipa de excelência, que se encarregaria agora da investigação ao pormenor e da conservação dos achados, parece ser incerta.

"A única parte do projecto em que nós poderíamos adicionar algum conhecimento era na conservação das concreções metálicas porque o nosso laboratório aqui tem capacidade para radiografar e reconstruir objectos há muito desaparecidos, mas cujos moldes ficaram preservados nas concreções, juntamente com pólenes e traços ínfimos de exosqueletos de insectos. Mas para isso era preciso que os governos, português e da Namíbia, nos deixassem trazer as concreções para o Texas. E como os representantes de ambos os países colocaram reticências a este respeito, nós não pensámos mais nisso", adiantou ao P2 Filipe Castro.

Francisco Alves também afirma não saber nada sobre os planos para o futuro da investigação: "Os trabalhos preliminares são muito importantes. Muitas vezes precisamos de instrumentos de dentista. Mas tem de haver um trabalho de equipa", diz Francisco Alves sobre uma autêntica investigação digna da famosa série CSI. O que se passou na Sperrgebiet foi uma verdadeira investigação forense que levou a que conseguisse fazer o levantamento de tudo aquilo que era recuperável nos 600 metros quadrados de achados disperso pela mina U60.



A primeira moeda de ouro

Mas a etapa seguinte não é menos importante: "Todos os pormenores surgem agora na leitura destes vestígios delicadíssimos retirados do seu contexto. A construção de uma embarcação tem vestígios arquitecturais, sinais inscritos na madeira, nos quais a náutica portuguesa é muito rica", diz o arqueólogo sobre o que agora se seguirá, uma espécie de montagem de um puzzle muito incompleto.

Nos 32 dias passados na "terra proibida" Francisco Alves e Miguel Aleluia conseguiram recuperar tudo o que era possível. "As surpresas eram diárias. Temos mais de meia centena de peças estruturais do navio e foram todas recuperadas. Tudo o que interessava e que se encontrou foi salvo dentro da abordagem possível", diz Francisco Alves que, em quatro décadas de arqueologia náutica encontrou, na Namíbia, a sua primeira moeda de ouro.

Mas o arqueólogo português está certo, contudo, que a rocha e a natureza ficaram com muito mais. Uma das peças mais importantes da estrutura do navio, o calcez, "uma peça colossal", com dois metros de comprimento, usado para içar os panos do navio, e que estava descrita num manual de época mas que nunca tinha sido vista, foi encontrada intacta a quatro quilómetros da mina U60, onde decorreram os trabalhos.

Identificaram as peças e deixaram-nas num banho acuoso essencial à conservação. Nada sairá da Namíbia, visto que a legislação do país protege os achados encontrados em território nacional. Mas, para além das moedas de ouro que terão sido guardadas num banco da Namíbia, tudo o resto está num dos lugares mais seguros do mundo: "Toda a fronteira do Sperrgebit é um 'ScanEx' gigantesco, como o de controlo de bagagens nos aeroportos", descreve Francisco Alves. Ninguém sai da zona de alta segurança da exploração diamantífera sem ser virado do avesso. "Até as tampas das esferográficas eram revistadas".

Por isso Francisco Alves acredita que a nau quinhentista da Rota das Índias está a salvo. Apesar de pairar sobre este tesouro, sempre, o risco de sucumbir ao feroz assédio do mercado internacional de antiguidades.

Sobre o valor do achado, Francisco Alves recusa-se a avançar com números: "Recuso-me a avançar com valores. Seria inédito que algum arqueólogo avaliasse um achado. Quanto é que vale o túmulo do Tutankamon? Isso é para as lojas de antiguidades".

Mas são as moedas de ouro que falam mais alto. São elas que vão indicar, pela data de cunhagem, a datação da embarcação: "Nos primeiros dias de Maio foi encontrada uma moeda cuja cunhagem só existiu a partir de 1525. Mas só nos podemos pronunciar quando forem todas classificadas. A cunhagem mais recente indicará a data provável".

E é também nas cerca de duas mil moedas que se concentram as atenções em relação a valores. As portuguesas, mais valiosas, uma vez que tinham um grau de pureza de 999,2 por mil, representam apenas um terço da colecção. Mas estes "portugueses" de século XVI, como se chamavam então a estas moedas, estavam avaliados, há cerca de dez anos, conta Francisco Alves, em cerca de 50 mil euros. Cada moeda.

Fonte: Ana Machado (10 Nov 2008). Público.

Vídeo: http://static.publico.clix.pt/docs/cultura/tesouroescondido/

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por noticiasdearqueologia às 19:16

Domingo, 19.10.08

Estudo de moedas poderá dizer qual era a nau portuguesa naufragada na Namíbia

Entre os destroços escavados em Oranjemud foram encontrados ossos

humanos cujo ADN vai ser analisado. Canhões, moedas, espadas, pratos e até chinelos

constam do tesouro.

"Estamos à espera de que as moedas falem." A frase do arqueólogo

Francisco Alves significa que só depois de se saber a datação da mais

nova das moedas encontradas nos destroços da nau quinhentista

portuguesa naufragada próximo de Oranjemud, no Sul da Namíbia, se

poderá ter ideia de que navio se tratava, quem era a sua tripulação e

quais os objectivos da sua viagem.

Após um mês "sem ver o mar", apesar de estar separado dele apenas por

uma parede de areia com seis metros de altura, Francisco Alves,

arqueólogo do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e

Arqueológico (Igespar), deu ontem a conhecer em Lisboa alguns dos

passos que conduziram a um dos maiores achados arqueológicos

subaquáticos.

Com a certeza de que se trata de uma embarcação portuguesa (os

posteriores estudos dirão se é uma nau ou um galeão), este é apenas o

segundo navio português escavado por portugueses à escala mundial (o

primeiro caso foi o da nau Nossa Senhora dos Mártires, há uma década,

em S. Julião da Barra, no Tejo).

O valor do espólio rondará os 70 milhões de euros. Mas essa é apenas

uma estimativa pecuniária, que para os intervenientes portugueses na

escavação de Oranjemud e também para os secretários de Estado da

Cooperação e da Cultura não é a mais relevante. "Mais importante do

que poder reclamar parte do achado ou saber quem fica com ele é salvar

o património", disse a secretária de Estado da Cultura, Paula

Fernandes dos Santos.

Esta posição foi assumida pelo Governo português mesmo depois de saber

que a Namíbia, por não ter ratificado uma convenção internacional, não

será obrigada a devolver qualquer percentagem do espólio ao país a que

pertencia a embarcação.

A questão de uma eventual partilha dos bens escavados não é, no

entanto, um assunto encerrado. É que entre os destroços também foram

encontrados ossos humanos. Após testes para identificação do ADN e de

consultados os livros marítimos da época, é bem possível que se

identifiquem alguns dos tripulantes de então e os seus actuais

familiares. Estes poderão então tentar ficar com algo.

Esta é apenas uma suposição da comunidade científica, que, conforme

disse ao PÚBLICO fonte conhecedora do processo, se viu recentemente

confrontada com um pedido do género (parte da descendência que reside

no Brasil), quando se especulou que os destroços da embarcação até

poderiam de uma nau comandada por Bartolomeu Dias.

Francisco Alves descartou por completo essa hipótese. É que no local

das escavações foram já encontradas moedas que só terão sido cunhadas

anos depois do naufrágio de Bartolomeu Dias, em Maio de 1500.

O que o arqueólogo português garante é que o navio agora

intervencionado fazia a Rota das Índias, para onde supostamente se

deslocava quando naufragou. Essa certeza é fundamentada com a carga

que entretanto tem sido recuperada. Lingotes de cobre (20 toneladas)

recuperados mostram a marca de um conhecido comerciante alemão da

época, a quem o reino português comprara o metal para depois levar

para a Índia. Também a consulta da literatura de cordel publicada em

Portugal no século XVII, rica sobre naufrágios, poderá ajudar a

perceber de que embarcação se trata.

O espólio da por enquanto misteriosa embarcação é ainda composto por

diversas peças pesadas de artilharia, por lingotes de estanho, peças e

moedas de prata e por cerca de 2300 moedas de ouro. Um terço destas

são cruzados portugueses, as restantes são espanholas.

As moedas portuguesas, explicou Francisco Alves, são bem mais

valiosas, uma vez que o ouro que as compõe tem um grau de pureza de

999,2 por mil. Estas moedas terão começado a circular em 1499, e a sua

cunhagem findou 49 anos depois.


Fonte: José Bento Amaro (18 Out 2008). Público.

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por noticiasdearqueologia às 10:09

Domingo, 19.10.08

Portugal e Namíbia vão preservar nau do século XVI

Especialistas portugueses continuarão a desenvolver a parceria com a Namíbia no estudo e preservação do espólio da nau portuguesa do século XVI naufragada na costa daquele país africano, informou hoje o Governo.


Em conferência de imprensa, realizada na Biblioteca do Palácio Nacional da Ajuda, o arqueólogo Francisco Alves referiu que irá preparar um relatório para informar as autoridades portuguesas sobre o que é mais relevante realizar nesta fase do processo de investigação e preservação do espólio da embarcação.

«É primordial conservar tudo o que foi já recolhido, bem como fazer o registo, o estudo de todas as peças, materiais e restos humanos encontrados», disse Francisco Alves, o director do Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática.


O relatório será enviado ao Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR) e aos ministérios da Cultura e dos Negócios Estrangeiros, que irão posteriormente determinar o cronograma de trabalho a ser desenvolvido, assim como o montante do investimento no projecto.


«Em Setembro, mantive em Nova Iorque uma reunião com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Namíbia, que foi uma reunião extremamente satisfatória, porque pude aperceber-me da importância que as autoridades da Namíbia atribuem a esta temática», disse o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, João Gomes Cravinho, durante a conferência de imprensa.


Segundo João Gomes Cravinho, o Governo da Namíbia pretende seguir os parâmetros internacionais de tratamento do património arqueológico descoberto e deseja plenamente a ajuda de Portugal e outros parceiros internacionais.


Para a secretária de Estado da Cultura, Maria Paula Fernandes dos Santos, o fundamental agora é manter as excelentes conversações com o Governo da Namíbia e, sobretudo, ajudar no processo de preservação do espólio da embarcação.


«Não podemos falar neste momento em futuras exposições do espólio ou museus. Temos que acompanhar todo o processo, seguir o cronograma de trabalho e, posteriormente, voltar a estas questões», referiu.


A secretária de Estado acrescentou que o Governo da Namíbia demonstrou interesse na ajuda de Portugal. Francisco Alves participou, juntamente com outro arqueólogo português, Miguel Aleluia, na escavação e recuperação dos restos da nau portuguesa realizada por uma equipe multidisciplinar que incluía também uma missão espanhola, especialistas da Universidade do Texas, Estados Unidos, e da Namíbia.


A expedição, realizada entre 15 de Setembro e 10 de Outubro, permitiu recolher uma parte da estrutura e casco da nau, peças de ouro, pedaços de cerâmicas, pratos e panelas, lingotes, canhões, moedas e restos humanos e de animais, entre outros artefactos.


Segundo Francisco Alves, o objectivo de retirar todo o espólio existente naquele sítio arqueológico foi alcançado a 100 por cento, mas adiantou que outros fragmentos e peças da embarcação podem ainda estar espalhados pela costa sudoeste da Namíbia.


O espólio, considerado de valor histórico inestimável, já foi avaliado preliminarmente em cerca de 70 milhões de euros.


Fonte: (17 Out 2008). Lusa / SOL: http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Cultura/Interior.aspx?content_id=113506


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por noticiasdearqueologia às 09:43

Terça-feira, 07.10.08

Vestígios da nau portuguesa estão a ser removidos em segurança

Campanha na Namíbia concluída até dia 10

A remoção dos vestígios da embarcação portuguesa do século XVI encontrada em Abril na costa da Namíbia - já identificada com segurança como uma nau da Carreira da Índia - terá de ser integral e impreterivelmente concluída até dia 10 por razões de segurança, confirmou ontem ao DN fonte do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR).

Em causa, o cordão dunar artificial que protege o local dos achados, já no limite da sua vida útil perante as alterações atmosféricas, normais para a época, que se avizinham no Atlântico Sul. O grosso da carga, já descrito como um dos mais ricos e relevantes alguma vez encontrados no campo da arqueologia subaquática, esse, havia sido já removido na fase inicial da campanha arqueológica, entre os meses de Abril e Maio.

Os trabalhos, que desde o início de Setembro estão a ser acompanhados por uma equipa portuguesa constituída pelos arqueólogos Francisco Alves e Miguel Aleluia - entre vários outros técnicos provenientes da Namíbia, África do Sul, Zimbabwe, Reino Unido e Estados Unidos -, prosseguirão depois também com envolvimento português, nomeadamente ao nível da inventariação, estudo e divulgação dos materiais encontrados na interface costeira de Oranjemund.

Os destroços e carga da nau portuguesa, recorde-se, foram encontrados durante trabalhos de prospecção levados a cabo pela Namdeb, consórcio formado pelo gigante mundial da produção de diamantes - o grupo sul-africano De Beers - e pelo governo namibiano. Segundo a mesma fonte, os custos da operação no local estão a ser suportados pelo consórcio, tendo Portugal assegurado a estadia da sua equipa mediante verbas do Instituto Camões e do Instituto Português para o Desenvolvimento.


Fonte: Maria João Pinto (2 Out 2008). Diário de Notícias.

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por noticiasdearqueologia às 21:22

Sábado, 04.10.08

Nau portuguesa do século XVI em risco de ser submersa na Namíbia

Equipa luso-namibiana trabalha em contra-relógio até 10 de Outubro

para salvar segundo navio deste tipo recuperado à escala mundial por

especialistas

A nau quinhentista portuguesa descoberta em Abril ao largo de

Oranjemud, no Sul da Namíbia, corre o risco de voltar a ficar submersa

a partir de 10 de Outubro, último dia para manter a céu aberto o local

da escavação garantido pelo consórcio Namdeb, formado pelo Governo

namibiano e pelo grupo diamantífero sul-africano De Beers. Uma

informação de que o Ministério da Cultura português não dispunha até

ontem, reconheceu ao PÚBLICO o assessor de imprensa Rui Peças. "Vamos

tentar perceber o que se passa", afirmou.

Segundo uma notícia avançada ontem pela agência francesa AFP, o

governo namibiano e a De Beers, um dos maiores produtores mundiais de

diamantes - que ao longo dos últimos seis meses têm custeado juntos a

preservação do achado -, não pretendem continuar a gastar os 1700

euros diários que a operação implica. Ao PÚBLICO, o arqueólogo

Francisco Alves, da equipa que está a proceder à escavação e estudo da

"mais importante descoberta de sempre da arqueologia náutica

subsariana", confirmou o deadline, mas mostrou--se optimista quanto à

possibilidade de se conseguir concluir o trabalho de recuperação nas

próximas duas semanas.

"Estamos a trabalhar diariamente para limpar e dar continuidade à

extracção de todo o material dentro do prazo e hoje mesmo conseguimos

retirar a única parte da estrutura do navio que ainda está conexa",

anunciou Francisco Alves, director da divisão de Arqueologia Náutica e

Subaquática do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e

Arqueológico (Igespar). "Todos os dias estamos a encontrar coisas

novas - moedas, âncoras de ferro, pedaços de canhão, espadas,

astrolábios e instrumentos de navegação da época -, até já perdemos a

conta" ao tesouro já recuperado do navio, afirma (ver caixa). Mas é um

trabalho difícil, já que o navio está "ensanduichado" entre a

rocha-mãe e uma "camada extremamente dura" resultante de produtos de

corrosão e oxidação misturados com pedras e algas, explica o

arqueólogo. Por outro lado, há pedaços da nau dispersas numa grande

área em redor.



Vitória sobre os piratas

Ao PÚBLICO, o arqueólogo sublinha que, após a escavação que dirigiu da

Nau da Pimenta, em S. Julião da Barra, em 1998, este é apenas "o

segundo navio do mesmo tipo à escala mundial" que está a ser

recuperado por uma equipa de especialistas de várias nacionalidades.

Uma vitória para os arqueólogos na muito acesa lutra contra os

caçadores de tesouros, de cujas mãos o tesouro do navio está agora

praticamente a salvo. "A Namíbia tem dado provas de boas práticas" a

nível da preservação de achados arqueológicos, sublinha Francisco

Alves, um dos dois especialistas portugueses nesta missão (o outro é

Miguel Aleluia).

Apesar de a Namíbia ainda não ter ratificado a convenção da UNESCO que

protege o património arqueológico e estipula a partilha do achado,

Francisco Alves considera que "estão reunidas condições de

cordialidade" de forma a assegurar o interesse comum dos dois países

no património, tendo em conta a cooperação rara que tem havido entre o

país do achado e o país de bandeira do navio. No entanto, a verdade é

que, à luz da lei da Namíbia (idêntica à portuguesa), todo o

património encontrado nas suas águas territoriais é sua propriedade.

O levantamento de objectos, até agora, tem sido feito por

especialistas portugueses, namibianos e zimbabueanos graças a um

financiamento da Namdeb. Mas, segundo Peingeondjabi Shipoh,

responsável pelo projecto no Ministério da Cultura namibiano, citado

pela AFP, "manter o muro artificial de areia, que sustém as correntes

fortes do Atlântico e permite aos especialistas fazer o seu trabalho

custa 100 mil dólares namibianos por dia [1700 euros]", e essa despesa

apenas está assegurada por mais 12 dias.

As escavações estão a decorrer numa espécie de ilha ao contrário: uma

área de 60 por 30 metros situada a seis ou sete metros abaixo do nível

do mar, mas que se encontra a céu aberto graças aos muros. "A partir

de 10 de Outubro não vamos manter mais estes muros e os restos do

navio vão voltar a ser entregues aos elementos, ainda que eu tenha a

certeza que há ainda coisas por descobrir", diz Shipoh.



Um tesouro de 70 milhões em peças de valor inestimável

Uma autêntica arca do tesouro. Logo em Abril, quando foi anunciada a

descoberta na exploração diamantífera de Oranjemund, Namíbia, se soube

que a nau quinhentista transportava uma quantidade incalculável de

ouro, prata, cobre e marfim, além de objectos de valor histórico e

cultural inestimável como astrolábios e instrumentos de navegação da

época.

A caravela, que inicialmente se pensou poder ser a do explorador

Bartolomeu Dias, o primeiro a dobrar o Cabo da Boa Esperança, foi

encontrada por trabalhadores da De Beers. Estes estranharam a presença

de estruturas em madeira e grandes pedras redondas que posteriormente

se concluiu tratar-se de canhões de bronze. Entretanto foram

encontradas mais de 2300 moedas em ouro do século XVI, muitas em

prata, 13 toneladas de lingotes de cobre, dezenas de presas de

elefante e cerca de 600 quilos de objectos como instrumentos de

navegação e espadas. Uma descoberta cujo valor de mercado poderá

ascender aos 70 milhões de euros mas cujo valor cultural é

"inestimável", segundo Francisco Alves, que viajou para a Namíbia a

convite do consulado português na África do Sul e numa missão

coordenada entre o Igespar e o Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Francisco Alves traça o perfil de uma descoberta que define como

verdadeiramente extraordinária: "Este navio é o mais bem preservado da

sua época fora de Portugal e há tantas moedas em ouro que talvez seja

mesmo a mais importante descoberta africana à excepção do Egipto".

Em termos históricos, os arqueólogos ainda não têm a certeza sobre o

tipo de navio em causa, pois "parece ser de uma tonelagem bem maior do

que uma caravela". "Nos próximos tempos este achado vai tornar mais

legíveis outros anteriores", frisa Francisco Alves ao PÚBLICO.

Fonte: Leonete Botelho (29 Set 2008). Público.

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por noticiasdearqueologia às 21:57


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