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NOTÍCIAS DE ARQUEOLOGIA

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Sábado, 21.03.09

Arqueólogo Cláudio Torres diz que é preciso "apagar" visão errada sobre civilização islâmica

O arqueólogo Cláudio Torres defendeu hoje a necessidade de "apagar" a visão errada sobre a civilização islâmica e lembrou que, durante cinco séculos, "a língua de cultura" no sul da Península Ibérica foi o árabe.



"Toda a história portuguesa e os nossos heróis fundadores são fundadores contra alguém e esses são os vencidos, que foram espadeirados, esmagados e chacinados pelas gentes do norte", afirmou à agência Lusa, defendendo que é preciso mudar a forma como se encara esse "mundo dos vencidos".



O arqueólogo e director do Campo Arqueológico de Mértola (CAM) falava à Lusa na Universidade de Évora, à margem de um colóquio internacional, que arrancou hoje, dedicado ao rei-poeta árabe Almutâmide, natural de Beja, e à poesia luso-árabe.



A iniciativa, que termina sábado, é organizada pelo Centro de Estudos Documentais do Alentejo (CEDA), Centro Interdisciplinar de História, Cultura e Sociedades (CIDEHUS) da Universidade de Évora e pelo município local.



Segundo Cláudio Torres, especialista nas matérias relacionadas com a civilização islâmica, a visão actual sobre esta cultura ainda é errada.



"Esse tipo de visão obviamente não está resolvida. Ainda estamos a tentar apagar e retirar toda uma 'ganga' pesadíssima de hábitos culturais, universitários e escolares que continuam a repetir os mouros, os bandidos, os bárbaros e os invasores, quando nada disso existiu", argumentou.



Pelo contrário, continuou, tratou-se de uma civilização "pacífica, ligada à terra e à agricultura, que tinha aqui [no sul da Península Ibérica] uma vida cultural e de cidades que foi destruída pela invasão ocidental".



O "velho" al-Andalus (nome pelo qual era conhecido o território árabe peninsular do século VIII ao século XV), esse sim, frisou o arqueólogo, é que foi "conquistado violentamente pelas gentes do norte, pelos senhores feudais".



A investigação sobre a riqueza cultural e civilizacional do Islão ainda hoje está "no princípio", mas não pode ser dissociada do espaço do Mediterrâneo.



"Hoje estamos a compreender a civilização islâmica como integrada em todo o Mediterrâneo e todos estamos a perceber, depois da guerra do Iraque, que o Mediterrâneo é fundamental para sobrevivermos como civilização, como cultura e como identidade", defendeu.



Sobre o papel dos poetas do Garb al-Andalus (zona ocidental do território árabe peninsular, correspondente a Portugal), Cláudio Torres lembrou que o árabe, nessa altura, "era a língua de cultura", pelo que era no sul, onde existiam as grandes cidades, "que os saberes literário e científico estavam a nascer".



"Não podemos nunca entender a civilização ibérica em toda a sua plenitude sem perceber a contribuição decisiva da língua árabe como língua de cultura, durante cinco séculos", sustentou o arqueólogo, que é "doutor honoris causa" pela UE.



O colóquio internacional em Évora, com a presença de arabistas e investigadores, não apenas nacionais, mas também espanhóis e marroquinos, vai ainda homenagear António Borges Coelho, o "pioneiro contemporâneo do arabismo português" e autor do livro "Portugal na Espanha Árabe".



Para Cláudio Torres, o historiador, antigo docente da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e um dos fundadores do CAM, foi "decisivo na investigação islâmica" em Portugal e, através do ensino universitário, "meteu nesta aventura milhares de jovens".



"Borges Coelho abriu uma página decisiva na investigação histórica e literária, até como fantástico tradutor da poesia árabe. Ele é o nosso 'papa' e iniciador, é a nossa referência mais importante, para este período", disse.



Fonte: RRL/MLM (13 Mar 2009). Lusa/Fim / Visão: http://aeiou.visao.pt/cultura-arqueologo-claudio-torres-diz-que-e-preciso-apagar-visao-errada-sobre-civilizacao-islamica=f499561


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por noticiasdearqueologia às 23:38

Sexta-feira, 26.12.08

Mausoléu do século VI d.C. "único no Ocidente" achado em Mértola

Um mausoléu do século VI d.C. "único no Ocidente", que terá servido para sepultar "pessoas importantes" de origem grega e testemunha a presença de orientais em Mértola antes da islamização, foi encontrado durante obras naquela vila alentejana.

 


 

Trata-se de "um mausoléu fantástico, absolutamente fora de série" e "o único edifício mortuário do género achado em todo o Ocidente do Mediterrâneo, onde, até agora, não há nenhum parecido", garantiu hoje à agência Lusa o director do Campo Arqueológico de Mértola (CAM), Cláudio Torres.



"Só há edifícios paralelos no Oriente do Mediterrâneo, para os lados da Líbia, Jordânia e Síria", frisou o arqueólogo, precisando que o mausoléu foi descoberto no início deste mês, na rua Dr. Afonso Costa, durante as obras de remodelação das ruas do eixo comercial de Mértola.


"Esperávamos que houvesse algo fundamental naquela zona, mas nunca imaginámos que fosse um mausoléu com a monumentalidade e a importância do achado", datado do século VI d.C. e que "serviu para sepultar pessoas importantes de origem grega", segundo as informações inscritas nas lápides descobertas, assinalou Cláudio Torres.


Segundo o arqueólogo, "eram certamente comerciantes gregos ricos e oriundos da actual Líbia".


Uma das lápides, "inscrita em grego, como a maior parte delas, refere-se ao presbítero da então igreja de Mértola", acrescentou.


"O aspecto mais importante desta descoberta é que, pela primeira vez, há um achado que nos dá a grande informação de que havia uma importante comunidade de orientais em Mértola antes da islamização", apontou o director do CAM, lembrando que "outros vestígios descobertos em Mértola constatam a existência de orientais, mas já em época muçulmana".


Actualmente, uma equipa do CAM está a escavar a parte subterrânea (cripta) do mausoléu, situada a dois metros de profundidade e que "terá várias sepulturas, duas das quais já foram encontradas, mas não escavadas", disse Cláudio Torres.


A parte de cima do edifício, que "já desapareceu", indicou, "era monumental e de um certo luxo", conforme sugerem os vestígios encontrados, como restos de mármores, impostas e pilastras.


Salientando tratar-se de um achado "com demasiada importância histórica, científica e cultural", Cláudio Torres defendeu a musealização do mausoléu, apesar de reconhecer "algumas dificuldades", já que o monumento está "numa das principais ruas de Mértola".


"É preciso encontrar uma solução técnica e financiamento para transformar o mausoléu num pequeno museu subterrâneo que possa ser visitado" e, desta forma, "funcionar como mais um importante e benéfico pólo de atracão de turistas a Mértola", uma vila que recebe "cerca de 30 mil visitantes por ano", realçou o arqueólogo.


Para já, vincou, o achado vai ser "registado e devidamente protegido e tapado" para que as obras de remodelação do eixo comercial da vila possam terminar, como previsto, em Fevereiro do próximo ano, disse hoje à Lusa o presidente da Câmara de Mértola, Jorge Rosa.


Posteriormente, e "desde que se confirme a importância da descoberta", admitiu, a câmara "poderá avançar com um plano de acção para a musealização" do mausoléu.


Isto, adiantou o autarca, no caso de conseguir "o financiamento necessário" e desde que seja encontrada "uma solução técnica que permita manter a rua aberta aos peões e ao trânsito".



Fonte: (22 Dez 2008). Lusa/RTP: http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=379095&visual=26&tema=5

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por noticiasdearqueologia às 17:41

Sábado, 03.05.08

«Mértola – o último porto do Mediterâneo» atraca a partir de amanhã em Silves

A exposição “Mértola – o último porto do Mediterrâneo”, da autoria de Santiago Macias, abre amanhã, dia 3 de Maio, às 18h30, no Museu Municipal de Arqueologia de Silves.


A inauguração vai contar com a presença de Cláudio Torres, director do Campo Arqueológico de Mértola, e ainda da presidente da Câmara Isabel Soares.


Foto



A exposição foi produzida pela autarquia e pela empresa TerraCulta, contando com os apoios do FEDER, da CCDR do Alentejo e da Câmara de Mértola, bem como da Associação Al Mouatamid Ibn Abbad – para a cultura Islâmica e Mediterrânica.


A mostra vai ficar patente ao público até dia 6 de Outubro, todos os dias, das 9h00 às 18h00.


Fonte: (02 Mai 2008). O Barlavento, on line: http://www.barlavento.online.pt/index.php/noticia?id=23850

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por noticiasdearqueologia às 00:19


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