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NOTÍCIAS DE ARQUEOLOGIA

O Património é um bem comum... Preservá-lo só depende de cada um de nós...


Quarta-feira, 29.01.14

Complexo de banhos islâmicos único em Portugal descoberto em Loulé

A professora Susana Martinez, ligada ao campo arqueológico de Mértola, não tem dúvidas sobre a importância dos mais recentes achados, trazidos à luz do dia quando a câmara procedia à remodelação de rede de águas e esgotos. “Pode ter a certeza de que estes banhos islâmicos são únicos em Portugal”, sublinha. Mas, para já, não vão ficar acessíveis ao público, porque se trata de estruturas que estão muito frágeis e necessitam de ser consolidadas.

Uma parte deste património — constituído por banhos quentes, tépidos e frios — já era conhecida desde há meia dúzia de anos. O que agora aconteceu foi o alargamento das descobertas desses vestígios para o exterior da habitação que continha esses banhos.

O imprevisto sucedeu, recentemente, quando uma máquina abria uma vala para colocar uma caixa de águas pluviais no largo D. Pedro I. As arqueólogas do município detectaram depois, numa das praças onde se realiza o Festival Med, tanques e vestíbulos (pátios), que se encontram no seguimento do complexo dos banhos islâmicos públicos que tem estado a escavar há alguns anos.

O presidente da Câmara, Vítor Aleixo, manifesta o desejo de prosseguir o projecto arqueológico, colocando enfâse no sector turístico. “Vamos musealizar a área e dessa forma pretendemos valorizar a oferta cultural da região”. Para já, destaca, foi dado “mais um passo” no sentido de conhecer a cidade, fundada no final do período da ocupação islâmica.

A cultura, diz o autarca, é "um domínio em que Loulé se pretende afirmar”. Por seu lado, Susana Martinez, professora das Universidades de Coimbra e do Algarve, salienta a importância da descoberta, lembrando que “há outros banhos islâmicos, conhecidos na Península [Ibérica], mas estes em Portugal são únicos”, sublinha. Razão pela qual manifestou empenho em apoiar, através do centro de investigação de que faz parte, o projecto que está ser levado a cabo pela secção de arqueologia do município algarvio. “Não se trata de fazer investigação, por investigação. A arqueologia tem de servir as populações, é esta visão que partilhamos com a equipa de Loulé”, sublinha.

A chefe de divisão de Cultura do município, a arqueóloga Dália Paulo, diz por seu lado que há  vontade de dar continuidade às prospecções, mas admite algumas dificuldades. “Não queremos que a arqueologia impeça a vivência da praça [largo D. Pedro I]”, lembrando, ao mesmo tempo,  que daqui por alguns meses  se realiza mais uma edição do Festival Med.

Por isso mesmo, explica, após registo e estudo, estes vestígios do passado islâmico  voltarão  a ficar longe da vista. “Não nos choca que seja reenterrado [o complexo balnear], porque está muito frágil e precisa de ser consolidado”.  Entretanto, a  caixa de águas pluviais que foi metida dentro da estrutura vai ser desviada para outro local, por forma a não comprometer os vestígios arqueológicos.

Futuramente, a Câmara de Loulé pretende integrar os banhos islâmicos na lista de estruturas do mesmo género existentes na Península Ibérica, nomeadamente em Granada. Nesse sentido, diz a chefe de divisão de Cultura, está em estudo um plano para “envolver e repensar toda a zona histórica”. O próximo Quadro Comunitário de Apoio é visto como um instrumento que pode apoiar a concretização de um programa integrado de reabilitação e valorização do centro histórico que, como sucede em outras  cidades, perdeu habitantes e caminha para a degradação.

Fonte: Idálio Revez. 23.01.2014. Público: http://www.publico.pt/local/noticia/complexo-de-banhos-islamicos-unico-em-portugal-descoberto-em-loule-1620751

 

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por noticiasdearqueologia às 13:09

Quinta-feira, 05.07.12

A vida do Povo feita História

Poucos são os locais em que a História, tem o rosto do povo. O Alto da Vigia, na Praia das Maçãs, é um desses casos raros. Neste local podemos “viajar” de uma forma sedutora, ao encontro do que foram as populações antanhas de Sintra, em sentido lato, e de Colares, em particular.


Na Rádio e no Jornal OCIDENTE sempre tivemos grande paixão pelo lugar. Amor antigo, nutrido pelo fascínio da beleza, ostentativa, do recorte da costa oceânica sintrense. A realidade é que, a percepção do finis terrae, a Ocidente, propicia viagens ao profundo do imaginário colectivo das populações, antigas e actuais, da simpática Freguesia de Colares, que já foi concelho Senhorial.


O local é referenciado desde há muito. Alcançamos as primeiras notícias com Valentim Fernandes, conhecido como o Morávio, corria o Ano da Graça de 1505; um pouco mais tarde em 1541, outro grande vulto da cultura portuguesa, Francisco d’Olanda, deixa um registo em desenho desse mesmo local; na esteira de Francisco d’Olanda, André de Resende, em 1593, referencia e estuda inscrições latinas provenientes do local.
A atenção destes três grandes vultos da cultura, estava centrada na presença de um templo romano consagrado a Soli et Lunae. Templo grandioso, sempre referido nostalgicamente, mas com origem e sustentação nos altos dignatários locais, representantes de Roma, e dos senhores da terra e dos povos. Era, assim, um santuário oficial dos poderosos.
A Arqueologia, outra das nossas paixões, acabaria por revelar outra História para o mesmo local; sobreposto ao templo romano, no Tempo e no Modo, um Ribat, pequeno cenóbio islâmico - marca um espaço de reflexão contemplativa, de vida frugal e ascética. Foi construído com materiais provenientes dos despojos do antigo templo romano. A simples descoberta deste Ribat, dá-nos a dimensão de outros homens, de uma outra cultura, que também é a nossa e nos transporta ao tempo do grande Mestre Sufista Ibn QasÎ.
A verdade do ponto de vista antropológico, tanto cultural como físico, é que um dos “elos” principais da génese saloia foram os escravos mouros, ou os mouros forros (livres), isentos da jurisdição do município de Lisboa por carta fidelitatis et firmitudinis, do nosso primeiro Rei, mas servidores, protegidos e tributários da Coroa, confinados aos reguengos, sujeitos ao alcaide dos mouros ou alcaide do arrabalde, ou dependentes de instituições eclesiásticas.
Laços de sangue, laços culturais, que explicam não só a presença do Ribat, como das lendas de mouras e mouros que povoam o nosso imaginário colectivo. E, que dizer da Lenda da Nossa Senhora de Melides: ”… ide que mil ides”! Milagre que possibilitou que vinte Cavaleiros Cristãos levassem de vencida uma multidão de mouros. Seguramente a mesma população moura que, mais tarde, trabalhavam nas vinhas do Rei, no Reguengo de Colares.
Desta simbiose histórica, quase milenar, nos fala o Folclore, a Toponímia e também a Arqueologia. Contudo o Alto da Vigia, não impressiona só pela paisagem soberba do mar oceânico. Impressiona, sobretudo, pela persistência milenar da presença Humana. Sempre em torno de algo que é “sagrado”, seja no espaço físico, na vista deslumbrante ou na mera função de segurança.
Fonte: Rui Oliveira (4 Jul 2012). Rádio Ocidente: http://www.radioocidente.pt/noticia.asp?idEdicao=158&id=28692&idSeccao=1490&Action=noticia

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por noticiasdearqueologia às 20:54

Quinta-feira, 14.10.10

Silves: Encontro de Arqueologia dias 21 e 22 de outubro

A “Arqueologia e as outras ciências” é o tema da oitava edição do Encontro de Arqueologia de Silves, que vai decorrer nos dias 21 e 22 deste mês no Pavilhão de Feiras e Exposições daquela cidade algarvia, informou hoje a autarquia em comunicado.
Arqueoceramologia e testes térmicos em argila do Algarve aplicados ao estudo de matérias primas de cerâmicas romanas, a cerâmica do açúcar de Aveiro, geofísica e geoarqueologia, arqueozoologia, arqueometalurgia e datações são alguns dos painéis organizados para o certame, que vai decorrer no Pavilhão de Feiras e Exposições FISSUL, em Silves.
O “Encontro de Arqueologia de Silves” é organizado pela Câmara Municipal de Silves, Universidade do Algarve e Direcção Regional de Cultura do Algarve.

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por noticiasdearqueologia às 13:47

Quinta-feira, 07.10.10

Sondagens arqueológicas põem a descoberto reservatório romano e necrópole islâmica

Um tanque da época romana e várias sepulturas do tempo da ocupação islâmica, foram encontradas no centro histórico da cidade. A descoberta foi feita no terreno, abrangido pelos números 10 e 12 da rua Francisco Augusto Flamengo, perto da Porta do Sol, que está a ser alvo de sondagens arqueológicas desde 2008. Estas escavações foram desencadeadas devido a um projecto de habitação previsto para aquela área.


“Trata-se da maior estrutura romana conhecida em Setúbal”, revela Frederico Carvalho, o arquitecto responsável pelo projecto de urbanização previsto para aquela área do centro histórico que tem estado a ser, desde 2008, alvo de sondagens arqueológicas efectuadas pelo MAEDS – Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal.


O responsável, sócio da promotora imobiliária Willem e Frederico, que adquiriu aquele terreno, com o intuito de construir fogos para habitação, explica que o projecto está “condicionado pelos achados arqueológicos”.


As escavações puseram a descoberto um reservatório de águas da cidade romana de Cetóbriga, com cerca de dois mil anos, que terá funcionado até ao século IV. O depósito tem uma profundidade de 3,5 metros e uma extensão das laterais com onze metros, de um lado e oito metros, de outro. No entanto, desconhece-se a totalidade da sua dimensão, uma vez que “se prolonga pelo subsolo, um do arruamento público e outro do edifício vizinho, respectivamente”, explica Frederico Carvalho.


Segundo Carlos Tavares da Silva, arqueólogo responsável pelas sondagens, o tanque encontrado tem “todos os atributos de uma cisterna pública que fornecia água à cidade”.


Foi também descoberta uma necrópole islâmica com dezassete sepulturas, com mil anos de idade. Cinco dessas sepulturas já foram estudadas por antropólogos contratados pela própria promotora imobiliária, que tem também suportado o pagamento de todo o serviço não especializado.


Para o arqueólogo do MAEDS, esta descoberta tem uma “importância muito grande”, dado que, até à data, só se havia descoberto “vestígios ténues” da presença islâmica em Setúbal. O cemitério encontrado indica que houve “uma ocupação muçulmana mais estável e uma povoação bem consolidada”.


No terreno, abandonado, onde havia apenas algumas estruturas abarracadas, foram também encontrados vestígios de um edifício do século XVII que “foi desmoronado com um terramoto”, explica o arquitecto.


Uma entulheira de fornos romanos, do século I, ou seja, uma local onde eram depositados os restos provenientes da actividade do forno, tais como de tijoleiras, ânforas, telhas, porcelanas e outro tipo de cerâmica, foi também outro dos achados arqueológicos.


Durante as sondagens foi também encontrado um furo, que à data das primeiras sondagens ainda tinha água, mas que, com o Verão e as escavações acabou por secar. Pensa-se que este furo teve serventia dos bombeiros da cidade.


Carlos Tavares da Silva revela que estas escavações “estão a revelar a história da cidade, desde o final da pré-história (Idade do Bronze) até praticamente à actualidade”.


 


O encarregado pela requalificação urbana daquele terreno indica que o esboço inicial do projecto previa a construção de doze fogos, mas “com as alterações sucessivas devido aos achados, está neste momento com oito fogos, duplexes”.


“Neste momento estamos num impasse”, expressa o arquitecto, defendendo que é preciso “ter um plano de acção”. “Participámos os achados à Direcção Regional da Cultura e estamos há quatro meses sem plano”, refere, queixando-se dos custos da demora. “Só em juros, por cada mês que estamos parados, perdemos mil euros, já para não falar em amortizações e alterações de projecto”, indica.


Frederico Carvalho revela ainda que já propôs à câmara que aquele espaço dos achados arqueológicos fosse municipalizado e que fosse feita “uma pequena unidade museu, dado que se trata da maior estrutura romana conhecida em Setúbal”, esclarece o sócio-gerente da promotora que já recuperou um outro edifício antigo, no número 112 da av. Luísa Todi, frente ao Quartel do Onze.


Contactada por «O Setubalense» a câmara municipal indica que o processo urbanístico está suspenso “a aguardar que a Direcção Regional da Cultura (DRC) faça uma visita ao local e dê o seu parecer, indicando se os achados têm valor arqueológico”. De acordo com a mesma fonte, caso a DRC considere que as descobertas têm valor arqueológico, “o projecto para licenciamento pode ter que ser alterado”.


Fonte: Vera Gomes (4 Out 2010). Setubalense: http://www.osetubalense.pt/noticia.asp?idEdicao=545&id=18486&idSeccao=4075&Action=noticia

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por noticiasdearqueologia às 13:14

Sábado, 12.12.09

Los expertos datarán con carbono 14 la necrópolis musulmana del Carmen


Los arqueólogos buscan las causas de la masiva mortandad del cementerio hallado en el solar que albergará un retén de Bomberos


Los 146 esqueletos de época islámica encontrados en el solar de la calle Alta donde se construirá un retén de Bomberos han generado dudas a los arqueólogos y antropólogos de por qué se produjo una elevada concentración de cuerpos en este lugar. «Hemos hecho un primer análisis, pero vamos a investigar con más profundidad cada uno de los esqueletos utilizando técnicas definitorias como son las del carbono 14», afirmó la directora de la excavación arqueológica, Tina Herreros.

Los expertos datarán con carbono 14 la necrópolis musulmana del Carmen







Esta necrópolis es una de las más amplias del centro histórico y una de las primeras hipótesis que barajaron los expertos era que los enterramientos, en tres niveles, formarían parte del cementerio que se extendió por la actual calle Roteros. «Pero es más grande de lo que nos imaginábamos y, por eso, vamos a estudiar su procedencia. Pensábamos que se podría deber a una de las batallas durante la Conquista de Jaume I, pero no hemos encontrado restos de violencia o proyectil en los cuerpos», explicó la coordinadora de la intervención.

Otra de las hipótesis que han manejado los técnicos es la posibilidad de que se hubiera producido una epidemia. «Esta opción también la hemos descartado porque no había restos de cal, característica de estos tipos de enfermedades masivas», añadió la arqueóloga.

Durante meses, estos amantes del pasado han estado excavando los numerosos esqueletos ubicados perfectamente en fosas y colocados en orden. «Ha sido un gran trabajo y ahora tenemos que elaborar las conclusiones, el inventario de la cerámica y los esqueletos encontrados en el solar», según Herreros.

Si uno de los objetivos de un arqueólogo es toparse con el pasado, en esta excavación ha sido muy rápido y apenas a 70 centímetros de profundidad ya aparecieron los primeros restos de muro que formaban parte del cementerio. Fue entonces cuando los arqueólogos comenzaron a extraer y extraer huesos y esqueletos y acumularlos para su posterior análisis.

El Ayuntamiento era consciente de que esta excavación generaría muchos hallazgos, al encontrarse en pleno centro histórico y muy próxima a la muralla islámica. «Pero la verdad es que no nos esperábamos que íbamos a encontrar tantos esqueletos y en diferentes niveles», señala Herreros.

Si hay excavaciones con un pasado polémico, ésta es sin duda la de la calle Alta, donde existía una barraca que era utilizada como casal fallero. A pesar de las quejas de los falleros y vecinos que querían que su sede continuara en pie, la barraca fue derribada y las excavaciones se pudieron iniciar hace unos meses. Ahora, tras la excavación, sólo hace falta que el proyecto del edificio se licite y comience la construcción de esta instalación necesaria para el barrio del Carmen.

Mientras, los arqueólogos cierran un capítulo de la historia investigando e inventariando todo lo encontrado en el solar, uno de los de mayor concentracion de restos arqueológicos. No como ocurrió en el solar de la calle Ruaya, donde se pensó que se encontrarían restos de una población de iberos, pero tras la extensa excavación, no se logró encontrar nada.

El retén de bomberos será el primero del distrito de Ciutat Vella. Con vehículos adaptados a las estrechas callejuelas de esta parte de la ciudad, permitirá ofrecer aún un mejor tiempo de respuesta en las emergencias.






 


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por noticiasdearqueologia às 20:43

Quinta-feira, 21.05.09

Descoberta de cemitério islâmico pode antever núcleo importante

Descoberta de cemitério islâmico pode antever núcleo importante


A descoberta de um cemitério islâmico, na baixa setubalense, pode antever a existência de um núcleo, do mesmo período, “bem mais importante”. Para o arqueólogo Carlos Tavares da Silva, a descoberta da necrópole islâmica, “que pode corresponder exactamente ao período de finais do século X”, é “extremamente importante”, dado que, “até ao momento, os achados arqueológicos islâmicos na cidade eram bastante reduzidos”.


As explorações levadas a cabo pelo Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal (MAEDS), na rua Francisco Augusto Flamengo, deixaram a descoberto, numa primeira fase, algumas estruturas do século XVII, que “se encontravam revestidas de tijoleira”. No entanto, as escavações seguintes, que “prosseguiram em profundidade”, puseram a descoberto “indícios da existência de um cemitério, de carácter muçulmano”. “O MAEDS pressupõe isso pelo facto de os corpos estarem virados para Meca, sem quaisquer espólios, nem caixões”, adianta o arqueólogo.


Segundo as informações disponibilizadas pelo antropólogo físico, Ricardo Godinho, até ao momento foram exumados cinco indivíduos adultos, uma mulher e dois homens, uma criança e, finalmente, um adolescente. “O adolescente deveria ter entre quinze a vinte anos e a criança cerca de cinco ou seis”, adianta. A nível de patologias, Ricardo Godinho esclarece que foram “detectadas inúmeras cáries e perda de ossos”, além de “existirem inúmeros indicadores de marcas nos ossos”.


A descoberta deste novo achado arqueológico reveste-se de uma grande importância, dado que em Setúbal, como explica Carlos Tavares da Silva, apenas “existia um núcleo islâmico perto da praça do Bocage e um outro no largo da Misericórdia”. “Eram vestígios ténues, mas esta descoberta muda tudo”, sublinha. Ainda debaixo do cemitério, foram encontradas algumas estruturas que deixaram a descoberto “parte de um grande reservatório de água, que, até ao momento, já tem 3,3 metros e continua pela rua”, adianta.


“Esta água deveria abastecer grande parte de Cetóbriga, no século III”, acrescenta ainda Tavares da Silva. De acordo com Joaquina Soares, presidente do MAEDS, todo este depósito poderá, futuramente, “ser visitável e integrado no complexo a ser reedificado”. Além do cemitério islâmico, foi ainda encontrado, “numa área mais pequena da rua Arronches Junqueiro”, um mosaico do período romano, que teria pertencido, de acordo com Tavares da Silva, “a uma dómus, ou seja, a uma casa bastante rica, que possuía pátio anterior”.


Este mosaico romano, “caracterizado por motivos geométricos, pertenceu a uma área que revelava elevado poder económico”. Para Joaquina Soares, também este achado arqueológico poderá ser visitável, dado que a proprietária do edifício onde foi encontrado “se sensibilizou bastante com este acontecimento”. “É possível que exista uma estrutura metálica futura, com um pavimento em vidro por cima, que se prolongue por toda aquela rua e pelo lote contíguo”, adianta também a directora do MAEDS.                                                                                     Fonte: Bruno Cardoso (20 Mai 2009). Setúbal na Rede: http://www.setubalnarede.pt/content/index.php?action=articlesDetailFo&rec=10844                                                                                                                          

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por noticiasdearqueologia às 22:48

Sábado, 21.03.09

Arqueólogo Cláudio Torres diz que é preciso "apagar" visão errada sobre civilização islâmica

O arqueólogo Cláudio Torres defendeu hoje a necessidade de "apagar" a visão errada sobre a civilização islâmica e lembrou que, durante cinco séculos, "a língua de cultura" no sul da Península Ibérica foi o árabe.



"Toda a história portuguesa e os nossos heróis fundadores são fundadores contra alguém e esses são os vencidos, que foram espadeirados, esmagados e chacinados pelas gentes do norte", afirmou à agência Lusa, defendendo que é preciso mudar a forma como se encara esse "mundo dos vencidos".



O arqueólogo e director do Campo Arqueológico de Mértola (CAM) falava à Lusa na Universidade de Évora, à margem de um colóquio internacional, que arrancou hoje, dedicado ao rei-poeta árabe Almutâmide, natural de Beja, e à poesia luso-árabe.



A iniciativa, que termina sábado, é organizada pelo Centro de Estudos Documentais do Alentejo (CEDA), Centro Interdisciplinar de História, Cultura e Sociedades (CIDEHUS) da Universidade de Évora e pelo município local.



Segundo Cláudio Torres, especialista nas matérias relacionadas com a civilização islâmica, a visão actual sobre esta cultura ainda é errada.



"Esse tipo de visão obviamente não está resolvida. Ainda estamos a tentar apagar e retirar toda uma 'ganga' pesadíssima de hábitos culturais, universitários e escolares que continuam a repetir os mouros, os bandidos, os bárbaros e os invasores, quando nada disso existiu", argumentou.



Pelo contrário, continuou, tratou-se de uma civilização "pacífica, ligada à terra e à agricultura, que tinha aqui [no sul da Península Ibérica] uma vida cultural e de cidades que foi destruída pela invasão ocidental".



O "velho" al-Andalus (nome pelo qual era conhecido o território árabe peninsular do século VIII ao século XV), esse sim, frisou o arqueólogo, é que foi "conquistado violentamente pelas gentes do norte, pelos senhores feudais".



A investigação sobre a riqueza cultural e civilizacional do Islão ainda hoje está "no princípio", mas não pode ser dissociada do espaço do Mediterrâneo.



"Hoje estamos a compreender a civilização islâmica como integrada em todo o Mediterrâneo e todos estamos a perceber, depois da guerra do Iraque, que o Mediterrâneo é fundamental para sobrevivermos como civilização, como cultura e como identidade", defendeu.



Sobre o papel dos poetas do Garb al-Andalus (zona ocidental do território árabe peninsular, correspondente a Portugal), Cláudio Torres lembrou que o árabe, nessa altura, "era a língua de cultura", pelo que era no sul, onde existiam as grandes cidades, "que os saberes literário e científico estavam a nascer".



"Não podemos nunca entender a civilização ibérica em toda a sua plenitude sem perceber a contribuição decisiva da língua árabe como língua de cultura, durante cinco séculos", sustentou o arqueólogo, que é "doutor honoris causa" pela UE.



O colóquio internacional em Évora, com a presença de arabistas e investigadores, não apenas nacionais, mas também espanhóis e marroquinos, vai ainda homenagear António Borges Coelho, o "pioneiro contemporâneo do arabismo português" e autor do livro "Portugal na Espanha Árabe".



Para Cláudio Torres, o historiador, antigo docente da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e um dos fundadores do CAM, foi "decisivo na investigação islâmica" em Portugal e, através do ensino universitário, "meteu nesta aventura milhares de jovens".



"Borges Coelho abriu uma página decisiva na investigação histórica e literária, até como fantástico tradutor da poesia árabe. Ele é o nosso 'papa' e iniciador, é a nossa referência mais importante, para este período", disse.



Fonte: RRL/MLM (13 Mar 2009). Lusa/Fim / Visão: http://aeiou.visao.pt/cultura-arqueologo-claudio-torres-diz-que-e-preciso-apagar-visao-errada-sobre-civilizacao-islamica=f499561


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por noticiasdearqueologia às 23:38

Terça-feira, 24.02.09

Descobertas centenas de esqueletos em espaços verdes

 


 


Das Portas do Sol aos jardins da República, passando pelo Sá da Bandeira, os espaços verdes da cidade de Santarém estão transformados em estaleiros de obras e campos arqueológicos. No jardim das Portas do Sol, os arqueólogos puseram a descoberto uma cisterna romana do século I e outras estruturas ainda em estudo. "O jardim está a beneficiar de profundas obras de remodelação que irão permitir musealizar todo um conjunto de achados arqueológicos trazidos à luz do dia ao longo dos últimos 20 anos", explicou Ricardo Gonçalves, vereador das Obras Públicas na Câmara de Santarém. Segundo o autarca será o primeiro núcleo museológico da cidade e a principal sala de visitas para os turistas.

Além da cisterna, os arqueólogos foram ainda surpreendidos com a descoberta de 13 esqueletos humanos, numa necrópole do século XIII que estaria associada à antiga Ermida de S. Miguel, já desaparecida, ou à Igreja de Santa Maria da Alcáçova, fundada por D. Afonso Henriques e recentemente restaurada. A equipa de arqueologia do Instituto Politécnico de Tomar encontrou mais vestígios do período de ocupação islâmica, assim como materiais de tecelagem ou armas da Idade do Ferro.

"Os trabalhos nas Portas do Sol deverão ficar concluídos até ao Verão e incluem a instalação de um miradouro virtual e equipamentos multimedia interactivos num centro de interpretação, que permitirá aos visitantes compreenderem os vestígios arqueológicos e a evolução histórica do local, da Idade do Bronze, Idade do Ferro, períodos de ocupação romana e islâmica até à actualidade." As obras de requalificação do Jardim da República em Santarém também trouxeram à luz do dia outra grande necrópole, onde já foram descobertos cerca de 90 esqueletos humanos. O Jardim Sá da Bandeira também está em remodelação - toda a área será transformada no Passeio da Liberdade, que inclui um parque de estacionamento subterrâneo e uma zona verde. Junto ao Largo Cândido dos Reis, foram ainda encontradas 640 sepulturas naquele que é considerado o maior cemitério islâmico de Portugal.


 


 Fonte: (15 Fev 2009). Diário de Notícias: http://dn.sapo.pt/2009/02/15/cidades/descobertas_centenas_esqueletos_espa.html

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por noticiasdearqueologia às 00:04

Quinta-feira, 13.11.08

Ribât da Arrifana mostra-se em exposição no Museu de Arqueologia de Silves

 


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A exposição temporária «Ribât da Arrifana - Cultura Material e Espiritualidade» está patente até 31 de Janeiro no Museu Municipal de Arqueologia de Silves.


A mostra apresenta os resultados de trabalhos arqueológicos levados a cabo sob a responsabilidade científica de Rosa e Mário Varela Gomes na Ponta da Atalaia, em Aljezur, com o apoio da Câmara Municipal dessa localidade e da Associação de Defesa do Património Histórico e Arqueológico de Aljezur.

Estes trabalhos colocaram a descoberto um conjunto importante de estruturas e espólio pertencente ao Ribât da Arrifana, um convento-fortaleza que teria sido mandado construir pelo mestre Sufi Ibn Qasi.

A inauguração desta exposição integrou-se no programa do 6º Encontro de Arqueologia do Algarve.

Fonte: (11 Nov 2008). Barlavento, on line: http://www.barlavento.online.pt/index.php/noticia?id=28078

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por noticiasdearqueologia às 22:21

Segunda-feira, 27.10.08

SINTRA: Assembleia Municipal “abandona” vestígios arqueológicos do Telhal

Abstenções permitiram chumbo de projectos do PS e Bloco de Esquerda para a preservação dos vestígios arqueológicos do Telhal. Achados do período tardo-romano e islâmico ficam em exclusivo nas mãos da Aenor e Igespar. Vereador da Cultura preocupado com recuperação de vestígios.


A preservação dos vestígios arqueológicos encontrados no Telhal no decorrer das obras da A16 vai ser da responsabilidade exclusiva da empresa construtora, Aenor e do Instituto de Gestão do Património Arqueológico (Igespar). Os deputados da Assembleia Municipal de Sintra chumbaram ontem dois projectos do PS e Bloco de Esquerda (BE) com propostas para envolver a Câmara Municipal de Sintra no processo.


Valter Januário, deputado municipal do PS, apresentou um projecto que recomendava à Câmara de Sintra a “promoção de uma campanha de escavações arqueológicas” no Telhal e a adopção de “medidas extraordinárias” como o prolongamento do viaduto da auto-estrada, que tem prevista a construção de pilares na zona dos achados. O projecto, que incluía a recomendação ao Igespar para acelerar a classificação do sítio arqueológico, esbarrou na abstenção da CDU, que criticou a moção por “esquecer que a responsabilidade das escavações é do Igespar”. Miguel Carretas, deputado municxipal da coligação considerou que a proposta “vai longe demais”. Com a abstenção da CDU e dos bloquistas, a Coligação “Mais Sintra” chumbou a proposta.


Para a bancada do BE, no entanto, o assunto também revestia interesse. Jorge Silva, deputado municipal, apresentou um projecto que exigia do Governo “condições materiais para que este estudo aprofundada se realize, garantindo um prazo alargado”. A moção recomendava à Câmara de Sintra “esforços no sentido de garantir o estudo dos vestígios arqueológico” e “todo o apoio” aos técnicos do Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas que estão a acompanhar as obras em conjunto com os arqueólogos envolvidos na obra. PS e CDU abstiveram-se, e a maioria “Mais Sintra” derrotou a moção.


Luís Patrício, vereador da cultura garante que a câmara “não se conformou” com o progresso da preservação das obras. O autarca assegurou em assembleia que o Igespar irá intervir “na zona do viaduto que vai ser desviada, junto aos pilares”, tendo os restantes vestígios arqueológicos como destino serem enterrados. Para Luís Patrício, a estratégia garante que os vestígios deixados a descoberto, cerca de dois terços da área, poderão ser “estudados com a calma e o método que a ciência exige”.


Sobre o processo de preservação dos achados no Telhal, Luís Patrício deixou uma preocupação. A Aenor, empresa proprietária da obra, “quase foi mais colaborante que o Igespar”, sublinhou o vereador.


Fonte: (25 Out 2008). Alvor de Sintra:  http://www.alvordesintra.com/noticias/templates/Noticias.asp?articleid=10251&zoneid=1&z=1&sz=&n=

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por noticiasdearqueologia às 22:28


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