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NOTÍCIAS DE ARQUEOLOGIA

O Património é um bem comum... Preservá-lo só depende de cada um de nós...


Segunda-feira, 28.02.11

Jogos já eram importantes há 4 mil anos



Escavações em ruínas do Paquistão mostraram que os jogos tinham significado social na Idade do Bronze.





 



Foto: Elke Rogersdotter/GU


Complexo urbano no Vale do Indo onde jogos de mais de 4 mil anos foram encontrados




O hábito de jogar era um elemento central na vida das pessoas há quatro mil anos. Foi o que revelou uma teses de arqueologia da Universidade de Gothenburg, que investigou o significado social do fenômeno dos jogos na Idade do Bronze no Vale Indo, atual Paquistão.
Não é raro que arqueólogos encontrem em escavações de assentamentos antigos objetos relacionados a jogos, embora estes tipos de descoberta sejam muitas vezes ignorados.


"Eles têm sido considerados como sinais de passatempos inofensivos e, portanto, considerados menos importantes para o estudo, ou têm sido interpretados com base de rituais ou como símbolos de status social", explica a autora da tese de Elke Rogersdotter.


Ela tem estudado artefatos relacionados a jogos em escavações nas ruínas da antiga cidade de Mohenjo-daro, no Paquistão. Os vestígios constituem o maior aglomerado urbano da Idade do Bronze no Vale do Indo, um complexo cultural da mesma época do Egito antigo e da Mesopotâmia. O assentamento é difícil de interpretar. Os arqueólogos não encontraram, por exemplo, nenhum vestígio de templos ou palácios, o que dificulta elaborar hipóteses sobre como ele era administrado.


O estudo de Elke Rogersdotter teve um resultado surpreendente. Quase um décimo do que foi encontrado nas ruínas está relacionado com jogos. Os achados incluem diferentes tipos de dados e peças de jogos. "A quantidade acentuada de objetos e a distribuição destes objetos mostra que jogar já era um hábito importante na vida das pessoas há mais de 4.000 anos", diz Elke.
"A razão para que jogos sejam muitas vezes ignorados ou reinterpretados em escavações arqueológicas é provavelmente parte da incongruência do pensamento científico com o fenômeno irracional de jogos e brincadeiras", acredita Elke.


Fonte: (9 Fev 2011). último segundo.ig: http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/jogos+eram+ja+importantes+ha+4+mil+anos/n1237996396442.html




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por noticiasdearqueologia às 13:46

Terça-feira, 31.08.10

Descoberto próximo de Beja um dos maiores povoados fortificados da Idade do Bronze


A terceira campanha de escavações arqueológicas no Outeiro do Circo (Mombeja/Beringel) termina hoje e já é possível concluir que se está perante um dos maiores povoados fortificados da Idade do Bronze Final (1200-800 a.C.) do Sul da Península Ibérica.





O povoado, com cerca de 17 hectares, figura entre os maiores conhecidos desta época O povoado, com cerca de 17 hectares, figura entre os maiores conhecidos desta época (Foto: DR)





Durante as escavações realizadas nesta última campanha, que arrancou no início de Agosto, foi possível compreender como se estruturava a complexa muralha, que tem uma dimensão muito superior à inicialmente esperada pelos investigadores. É composta por um muro periférico de contenção a uma rampa de barro que consolidava a base de uma muralha na zona mais elevada. A conclusão dos arqueólogos é que toda a estrutura "servia como arma intimidatória mesmo a grandes distâncias".
O povoado, com cerca de 17 hectares, figura entre os maiores conhecidos desta época e que normalmente não ultrapassam os 5 a 6 hectares, "o que lhe permite atribuir um papel capital no controlo de um vasto e rico território no centro dos férteis "barros negros" de Beja.
Sabe-se também que o Outeiro do Circo não se encontrava isolado, mas dominaria uma vasta rede de pequenos sítios de planície que fariam a exploração deste território. É o caso de Arroteia 6, um pequeno povoado aberto, localizado a menos de um quilómetro do Outeiro do Circo. Este sistema defensivo apresenta-se muito complexo e "com raros paralelos no território nacional", acentuam os arqueólogos. Os trabalhos de pesquisa dirigidos pelos arqueólogos Miguel Serra e Eduardo Porfírio, membros do Centro de Estudos Arqueológicos das Universidades de Coimbra e Porto e da empresa de arqueologia Palimpsesto, dão continuidade aos realizados em 2008 e 2009.
Em anteriores escavações foi registada a presença de vários derrubes que fariam parte da muralha, juntamente com muitos fragmentos de cerâmica enquadráveis na Idade do Bronze, bem como vestígios de épocas mais recentes e outros de períodos mais recuados, comprovado na descoberta de um braçal de arqueiro.

Novas colaborações

Outra presença constante são os numerosos fragmentos de barro cozido, que poderão ter feito parte da estrutura da muralha, sugerindo-se a sua utilização como ligante para preenchimento de lacunas na construção, à semelhança do que se propôs para outros povoados muralhados da mesma época
As escavações integram-se no projecto de investigação A transição Bronze Final/1.ª Idade do Ferro no Sul de Portugal. O caso do Outeiro do Circo e são apoiadas pela Câmara de Beja, Junta de Freguesia de Mombeja e a empresa de arqueologia Palimpsesto.
Através da formalização de novas candidaturas, os responsáveis do projecto contam, no futuro, envolver outras instituições para prosseguir as investigações na estação arqueológica, que já em 1989 mereceu uma primeira apreciação num projecto elaborado pelos arqueólogos Rui Parreira e Teresa Matos Fernandes, sobre O Bronze do Sudoeste na Região de Beja, no então Instituto Português do Património Cultural.


Fonte: Carlos Dias (27 Ago 2010). Público: http://www.publico.pt/Cultura/descoberto-proximo-de-beja-um-dos-maiores-povoados-fortificados-da-idade-do-bronze_1453085



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por noticiasdearqueologia às 13:47

Domingo, 16.08.09

Fundão: Descoberto menir com 3.500 anos

Um golpe de vista de agricultores do Fundão permitiu descobrir um menir que pode ajudar a redefinir relações culturais ibéricas na Idade do Bronze, há 3500 anos atrás, adiantaram à Agência Lusa os arqueólogos que estudam o achado.


O bloco de granito com tonelada e meia, três metros de altura e meio metro de largura está esculpido de forma a parecer-se com um homem, com uma espada e uma espécie de machado duplo (chamado bi-ancoriforme) em relevo.


São decorações típicas de peças arqueológicas conhecidas do Alentejo à Andaluzia (Espanha), prova de que houve formas culturais «que viajaram mais para Norte. É uma peça que vem problematizar vários períodos cronológicos» explicou à Lusa, João Rosa, arqueólogo e director do Museu Arqueológico Municipal José Monteiro, onde está exposta.


«A tipologia dos atributos remete para as estelas da Idade do Bronze, ditas ‘alentejanas’, em que o paralelo mais próximo que temos é a estela da Tapada da Moita, Castelo de Vide», acrescentou.

Fonte: (29 Jul 2009). Diário Digital: http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=4&id_news=401593

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por noticiasdearqueologia às 00:14

Sábado, 08.11.08

Trabalhos arqueológicos confirmam ocupação em Monsaraz desde a Idade do Bronze

Na sequência dos trabalhos arqueológicos em curso na encosta sudeste da vila medieval de Monsaraz foram encontrados vestígios de ocupação proto-histórica e construções de época medieval/moderna no perímetro externo das muralhas do Castelo. Os trabalhos iniciaram-se em Agosto de 2007 com o acompanhamento arqueológico no decorrer da obra de um parque de estacionamento e, dada a relevância das estruturas e materiais arqueológicos detectados, o Município de Reguengos de Monsaraz promove, desde Abril de 2008, trabalhos de escavação arqueológica, dirigidos pelos arqueólogos Maria João Ângelo e Nuno Gonçalves Pedrosa (Maria João Ângelo; Nuno Pedrosa. Intervenção de acompanhamento e decapagem arqueológica no âmbito do projecto Parque de Estacionamento do Corro (Monsaraz-MZCO 07). Relatório Final. Aprovado pelo Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR) a 12 de Junho de 2008 (Ref.ª 2007/1[459]).

No que concerne à época proto-histórica, especificamente na Idade do Bronze (há cerca de 3000 anos), identificaram-se diversos materiais cerâmicos e líticos, nomeadamente, um fragmento de uma mó de vaivém e pedras de amolar. Contudo, estes encontram-se descontextualizados, tendo sido reaproveitados nas terras que serviram para a construção dos muros de época medieval. A par dos materiais cerâmicos e líticos foram, igualmente, detectadas duas braceletes em bronze.

De acordo com os resultados preliminares dos trabalhos de escavação em curso, foram ainda identificados diversos muros e troços de canalizações de época medieval/moderna que poderão ter pertencido a zonas habitacionais e de trabalho. Associadas a estas estruturas surgem derrubes de telhados, grande quantidade de cerâmica doméstica comum de cozinha, fauna mamalógica (restos alimentares de mamíferos), vidros, contas de colar de pasta vítrea, objectos metálicos em bronze (alfinetes, brincos, espigões de fivelas), em ferro (cavilhas, pregos, cravos, corrente, chave), vestígios de fundição (escórias de ferro e vidro) e inúmeras moedas de época medieval/moderna (sécs. XIII – XVII).

Os dados arqueológicos identificados evidenciam uma nova e desconhecida área ocupacional medieval/moderna fora do perímetro amuralhado de Monsaraz, arrabaldes localizados a sudeste, junto ao Caminho do Corro, que desde a Ermida de S. Lázaro subiria a encosta até à Ermida de S. João Baptista (“Cuba Islâmica”) até alcançar o Castelo, comprovando e reforçando, desta forma, o aumento populacional da vila medieval após a reconquista definitiva aos muçulmanos no século XIII, facto promovido pelo poder régio através da atribuição da carta de foral (povoamento) de D. Afonso III.

Desta forma, a sugestão de José Pires Gonçalves (Monsaraz, vida, morte e ressurreição de uma vila alentejana, 1966) relativamente a um povoado antigo fortificado pode ser confirmada na encosta sudeste da vila de Monsaraz. A reforçar a constatação desta ocupação antiga, o arqueólogo Manuel Calado realizou este ano trabalhos de reconhecimento de sítios arqueológicos no âmbito da revisão do PDM (Plano Director Municipal) a pedido do Município de Reguengos de Monsaraz, tendo igualmente detectado cerâmica proto-histórica e taludes que poderão ter pertencido ao perímetro amuralhado do povoado, apresentando, desta forma, a sua mancha de ocupação populacional desde a Ermida de S. Cristóvão até à Ermida de São Bento.

Face ao exposto, o Município de Reguengos de Monsaraz vai promover a continuação dos trabalhos arqueológicos, estando a decorrer a preparação de um projecto de investigação mais alargado, com escavações, prospecções de superfície, estudos de espólio exumado nos diversos trabalhos realizados e a sua divulgação através da criação de um núcleo interpretativo museológico dedicado à história de Monsaraz. Este projecto pretende o estudo e protecção da identidade de Monsaraz, ex-libris concelhio, pelas suas características singulares: naturais, etnográficas, arquitectónicas, históricas e arqueológicas.


Fonte:Claudio J. (5 Nov 2008).´Alentejo Magazine: http://alentejomagazine.com/?p=1576


 

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por noticiasdearqueologia às 14:54

Domingo, 19.10.08

Arqueólogos alemães encontram esqueletos da Idade do Bronze


Achados indicam uma batalha campal nesta região alemã, que era tida como pacífica na época


 Alguns dos crânios encontrados






Efe: Alguns dos crânios encontrados


 




Arqueólogos alemães encontraram restos de 50 esqueletos humanos datados da Idade do Bronze em escavações arqueológicas realizadas em Mecklenburgo-Antepomerania (leste da Alemanha), que indicam uma primeira batalha campal nesta região, onde lutas não eram freqüentes.

 "Nos tempos de Jesus Cristo já era normal conquistar territórios ou defendê-los com a vida. Porém, não tínhamos testemunho de algo assim 1.300 anos antes", declarou nesta quinta-feira, 9, o diretor do departamento de Arqueologia deste estado alemão, Delet Jantzen, ao apresentar a descoberta.


 Entre os restos humanos há sete crânios, diversos ossos e peças de bronze e, segundo Jentzen, tudo indica que houve uma batalha nesta região e nesta época, apesar de até agora não terem sido encontrados vestígios deste tipo ao norte dos Alpes.


 Os restos correspondem a homens adultos, embora também haja algumas de mulheres e crianças, afirmaram os especialistas, o que permite supor que se tratou de um ataque a alguma aldeia ou assentamento.


 Até agora, na região haviam sido encontrados restos humanos datados de 1.200 ou 1.300 anos antes de Cristo, mas sem rastros de batalha, e se acreditava que os habitantes da região conviviam em harmonia.



Fonte: (9 Out 2008). EFE / estadao.com.br: http://www.estadao.com.br/vidae/not_vid257059,0.htm

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por noticiasdearqueologia às 10:20

Sexta-feira, 11.04.08

Arqueologia: pedras azuis podem guardar um dos mistérios de Stonehenge

Especialistas vão voltar a escavar no monumento


 

O misterioso monumento Stonehenge, na Inglaterra, vai ser palco de novas escavações arqueológicas, que começam hoje e duram duas semanas. Depois de quarenta anos, estes são os primeiros trabalhos realizados dentro do círculo de pedras, noticiou a BBC. Descobrir alguns dos mistérios do local e a data precisa da sua construção são os objectivos das escavações, lideradas por dois professores britânicos especialistas no Stonehenge: Tim Darvill, da universidade de Bournemouth e Geoff Wainwright, da Society of Antiquaries.
As pedras azuis, localizadas dentro dos pilares maiores, são um dos pontos fortes das escavações. Os investigadores acreditam que estas pedras guardam uma das características atribuídas a Stonehenge: ser um local de cura milagrosa.
A hipótese é levantada com base em restos humanos encontrados na região. Alguns demonstram sinais de ossos partidos e outros vestígios de operações ao crânio. Além disso, inscrições neolíticas encontradas no local de origem das pedras azuis (Preseli Hills) indicam que os povos acreditavam que as rochas eram mágicas e que as águas dos rios tinham propriedades curativas.
Os investigadores traçaram o caminho das pedras centrais de Stonehenge, que têm um matiz azulado. Elas foram trazidas de Preseli Hills, tenho sido transportadas das montanhas de Gales até a Planície de Salisbury, onde fica o monumento. "Isto é um processo [transporte de pedras] que aconteceu em vários monumentos da Europa", explicou ao PÚBLICO o arqueólogo Vítor Gonçalves, da Universidade de Lisboa. "As pedras azuis foram levadas para Stonehenge mas não são as mais antigas da construção", disse.
As escavações vão tentar descobrir quando é que o círculo de Stonehenge, constituído pelas pedras azuis, foi edificado. Outros estudos realizados na década de 1990 concluíram que o círculo foi feito por volta de 2500 antes de Cristo (a.C.), mas não foi possível chegar a uma data mais exacta.
O projecto é apoiado pela “English Heritage”, instituição pública promove a história do país, e vai ser acompanhado, com cobertura multimédia, pela BBC.

Local com forte "carga de sagrado"
Stonehenge guarda cinzas de mais 250 corpos. Era um local de culto, de adoração dos ancestrais e comunhão com os mortos. Isto faz com que o monumento seja considerado o maior cemitério da Grã-Bretanha antiga. Mesmo assim, a função original de Stonehenge ainda suscita muitas teorias.
"É um momumento fantástico. É uma série de monumentos que foram sendo construídos ao logo do tempo, o que vemos hoje é da Idade do Bronze", contou Vítor Gonçalves. "As primeiras construções no local datam de 4000 a.C.", referiu.
No ano passado, escavações arqueológicas feitas perto da Planície de Salisbury encontraram vestígios de casas antigas que, ao que as provas científicas demonstram, eram usadas para a realização de festas e cerimónias fúnebres. "Há espaços que têm uma carga de sagrado muito forte e acabam por ser conservados" durante os tempos, como o Stonehenge.
De acordo com o director do Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa, existem mais monumentos semelhantes ao Stonehenge naquela região da Grã-Bretanha. Para além de locais sagrados, estas construções também foram usadas para a observação astronómica.
Se o local é já considerado um espaço de culto aos mortos e de religiosidade, as novas escavações pretendem descobrir se Stonehenge foi também um local de peregrinação para salvar vidas ou curar doenças. O local já foi escavado e estudado "durante muito tempo", pelo que Vítor Gonçalves pensa que é "difícil" saber-se mais do que se sabe agora.

Fonte: (31 Mar 2008). Público: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1324264&canal=14

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por noticiasdearqueologia às 12:57

Segunda-feira, 07.04.08

Tondela: Gravuras rupestres dadas a conhecer por caçador após 15 anos de segredo

 


Gravuras de arte rupestre, cuja origem se situará no Período do Calcolítico e Bronze Inicial, foram encontradas num eucaliptal de Vilar de Besteiros, concelho de Tondela, por um caçador, que as manteve em segredo durante 15 anos.




 As gravuras, que representarão o culto da fecundidade, só agora foram dadas a conhecer, depois de o caçador ter contado o seu segredo a um professor da Escola Secundária de Tondela, que desde há 20 anos se dedica à investigação do património megalítico.
Em mais um dia de caça, há 15 anos, António Ferreira passou no local onde já tinha estado várias vezes e decidiu sentar-se para descansar, no cimo de uma formação rochosa.
«Primeiro localizei um buraco maior, depois comecei a notar que havia mais aprofundamentos na rocha, levantei as pernas e vi mais», contou, acrescentando que, entusiasmado, se levantou, começou a limpar o musgo que cobria a rocha e viu «que fazia um conjunto».
«Apercebi-me de que poderia haver aqui uma coisa com bastante significado», recordou, enquanto apontava para as gravuras, entretanto já traçadas a giz, que mostram o que parecem ser duas serpentes, uma imagem feminina com um recém-nascido a sair-lhe do ventre e outra masculina a oferecer algo aos deuses.
No entanto, como não conhecia arqueólogos ou alguém que se dedicasse ao estudo destas matérias, achou que o melhor que podia fazer «era guardar em segredo», para que o local «não fosse visitado por vândalos que estragassem uma coisa que, aparentemente, tinha algum significado».
Revelou o segredo apenas a um filho seu, com receio de que lhe acontecesse alguma coisa e «não houvesse um herdeiro conhecedor deste achado», e visitava-o com muita frequência, para ter a certeza de que continuava intacto.
Até que, há poucos meses, Jorge Gomes, professor da Escola Secundária de Tondela, foi ao Centro de Ovinicultura do Tojal Mau, onde trabalhava, para saber informações sobre uma mamoa (monumento megalítico) que aí teria existido, a maior da Região Centro, destruída em 1961.
«Logo naquelas palavras percebi que o senhor professor era a pessoa certa para eu contar o segredo», disse António Ferreira, explicando que, após uma visita, o docente confirmou que se tratava de «um achado excepcional».
O que de imediato chamou a atenção a Jorge Gomes foi uma das serpentes - com a cabeça a terminar em «covinha» (cup-marks ou fossettes) - que simboliza a sexualidade e a fecundidade feminina.
Parte das gravuras já terá estalado devido ao calor e à chuva, mas, na sua opinião, o que resta deste exemplar de «arte naturalista» não deixa dúvidas.
«Estas gravuras representam o culto da fecundidade, pela posição das imagens», afirmou, esclarecendo que a imagem masculina supostamente estaria a oferecer aos deuses, em agradecimento pelo nascimento, um machado, que seria um dos objectos mais importantes da época.
No período do Calcolítico e Bronze Inicial, as pessoas continuavam a viver da pastorícia e da agricultura, mas começavam a aparecer os primeiros metais, como o cobre e o bronze, e, com eles, surgia a diferenciação social.
Além das «covinhas» nas cabeças das serpentes, há outras isoladas, que, «ainda que não haja unanimidade sobre o que representam, podem ser delimitações geográficas ou de santuários, de pontos onde se pode ir para zonas transcendentais».
O docente identificou o período em que terão sido feitas as gravuras, que foi recentemente confirmado por um especialista do Parque Arqueológico do Vale do Côa que visitou o local.
«Este tipo de imagem é extremamente raro neste período. Geralmente aparecem cenas de caça, de equitação, ligadas à agricultura, mas relativamente ao culto da fecundidade é extremamente raro», frisou.
Defende, por isso, que se trata de uma descoberta «extremamente importante não só em termos da arte da Europa Atlântica, como inclusive da arte galaico-portuguesa, também denominada noroeste peninsular».
Segundo Jorge Gomes, «este achado legitima e confirma o que os especialistas têm defendido: que estas civilizações davam uma importância extrema ao culto da fertilidade».
O estudioso considera que o local foi escolhido para fazer as gravuras pelo tipo de pedra, «extremamente fácil de trabalhar», e também por esta estar ligeiramente em declive e ter uma vegetação rasteira, com o Rio Dinha ao fundo.
«Poderia, eventualmente, servir para santuário devido à sua morfologia. E, inclusive, está direccionada para leste, ou nascente, o que prova, em parte, o culto solar», explicou, acrescentando que «as pessoas podiam ter acesso a estas gravuras, que seriam facilmente localizáveis nas primeiras horas do dia».
Jorge Gomes disse já ter feito algumas descobertas arqueológicas na região, como várias mamoas, mas nunca ter encontrado algo desta importância.
O achado já foi dado a conhecer aos serviços regionais do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR) e à Câmara Municipal de Tondela, que prometeram preservá-lo e «fazer um estudo exaustivo ao local».
Até lá, António Ferreira e Jorge Gomes fazem questão de tapar o painel com folhas de eucalipto sempre que terminam a visita, temendo que os vândalos descubram o local, porque, como justifica o professor, «a população ainda não está inteiramente educada e não compreende o valor que (o achado) tem».

Fonte: (7 Mar 2008). Lusa / SOL: http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Cultura/Interior.aspx?content_id=87855



Notícia relacionada: Ana Filipa Rodrigues (28 Mar 2008). Jornal do Centro: http://www.jornaldocentro.pt/?lop=conteudo&op=dc912a253d1e9ba40e2c597ed2376640&id=37c77fc83549b5204e788fb979887c92

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por noticiasdearqueologia às 12:15

Quinta-feira, 28.02.08

SABUGAL: Escavações arqueológicas revelam passado de Vilar Maior


Escavações arqueológicas realizadas em Vilar Maior, durante obras de infra-estruturas subterrâneas e de repavimentação de ruas e largos, estão a revelar dados considerados «importantes» sobre o passado daquela aldeia do concelho do Sabugal Segundo Marcos Osório, arqueólogo da Câmara Municipal do Sabugal, nas prospecções que decorrem desde Dezembro, foram encontradas moedas, centenas de pedaços de cêramica, artefactos líticos, sepulturas escavadas na rocha e vestígios de habitat de comunidades da Idade do Bronze e do Ferro.
Dada a importância histórica de alguns pontos da aldeia, as escavações estão a ser feitas «antes da entrada das máquinas» situação que, segundo o arqueólogo, salvaguarda a destruição dos vestígios existentes no subsolo.
Indicou que o acompanhamento arqueológico está a ser efectuado em permanência por um arqueólogo contratado pela autarquia do Sabugal.
O especialista disse à Lusa que as escavações já efectuadas junto às ruínas da Igreja de Nossa Senhora do Castelo e no adro da Igreja Matriz
«revelaram estruturas e materiais de grande importância».
Vão seguir-se intervenções na zona da antiga Judiaria, no Largo do Castelo, às portas da antiga muralha e, também, junto ao painel de gravuras rupestres pré-históricas de Vilar Maior.
Adiantou que foi feita uma escavação nos alicerces das ruínas da Igreja de Nossa Senhora do Castelo e outras nas proximidades, que permitiram «encontrar duas sepulturas escavadas na rocha, e também dois ceitis [moedas] de D. Manuel e D. Afonso III».
No largo do Pelourinho «recolhemos também grande quantidade de cerâmica medieval que, juntamente com um dinheiro [moeda] de D. Dinis, encontrado no adro da Igreja Matriz, propiciam alguns testemunhos do desenvolvimento económico e político desta aldeia durante o reinado deste monarca, após o Tratado de Alcanizes», disse.
«Os achados que estão a suscitar maior curiosidade são os materiais proto-históricos que têm sido encontrados quer nas valas, quer nas sondagens realizados no adro da Igreja Matriz», considerou.
Segundo Marcos Osório «não foi encontrado nenhum enterramento nessa área», mas os arqueólogos encontraram, «logo a meio metro de profundidade, vestígios de habitat de indivíduos contemporâneos da espada de bronze e das gravuras rupestres já conhecidas», ou seja, de comunidades das Idades do Bronze e do Ferro.
Nesse local foram descobertos diversos vestígios, nomeadamente mós de vaivém, um machado de pedra, um pendente de colar, ossos de animais e muita cerâmica característica do período cronológico compreendido entre 1.300 a.C. (antes de Cristo) e 500 a.C., que poderá estar associada a uma lareira de uma casa proto-histórica, descreveu.
O arqueólogo admitiu que a partir dos materiais já recolhidos poderá ser feito um estudo sobre o tipo de dieta dos indivíduos que outrora viveram naquele local e saber que animais poderão ter existido na região.
Os ossos encontrados também vão permitir, através do método do Carbono 14, «aferir cronologias exactas sobre o período da lareira», assinalou.
O investigador não se mostra surpreendido com a riqueza dos achados encontrados até ao momento, atendendo à antiguidade e ao valor histórico e arqueológico da aldeia.
Basta lembrar que está hoje no Museu Regional da Guarda uma espada de bronze do período da Idade do Bronze Final», declarou.
Os materiais encontrados estão a ser lavados, catalogados e colados mas, posteriormente, quando toda a intervenção na aldeia estiver concluída, terão outro destino.
Marcos Osório defende que
«o ideal seria o material ficar exposto no Museu de Vilar Maior ou noutras instalações com condições para a sua exposição, para poder ser visto pelo público interessado».
A aldeia de Vilar Maior, que dista cerca de 22 quilómetros do Sabugal, foi vila e sede de concelho até 1855.
O castelo, a Igreja de Santa Maria do Castelo, a Igreja Matriz, a ponte medieval sobre o Rio Cesarão e o Pelourinho, são alguns dos monumentos existentes na localidade.



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por noticiasdearqueologia às 20:51

Quarta-feira, 23.01.08

La mayor concentración de hachas de la Edad de Bronce (Inglaterra)

La mayor concentración de hachas de la Edad de Bronce fue hallada esta semana por un conductor de ómnibus en el condado de Dorset, en el sur de Inglaterra.
    El conductor Tom Pierce, que esperaba fuera del vehículo a que regresara un grupo de niños de una fiesta en una granja inglesa, pidió al dueño del establecimiento agrícola prestarle un detector de metales para investigar el lugar.
    En pocos minutos, el hombre de 60 años detectó una concentración de metales en el lugar y halló la serie de hechas de la Edad de Bronce.
    Durante los próximos tres días, Peirce y dos expertos con detectores de metales lograron desenterrar unos 500 objetos de metal de ese período hace 3.000 años, incluidas 268 cabezas de hacha en perfecto estado.
    Los hallazgos, descubiertos en tres sitios distintos a una distancia de 50 metros cada uno, podría valer ahora miles de dólares.
    Peirce dijo que compartirá el dinero con el dueño de la granja, Alfie O'Connell.



Hachas Bronce



    Las hachas de hierro habrían sido utilizadas en rituales como ofrendas a los dioses.
    El conductor, un aficionado a los detectores de metales, declaró que nunca imaginó hallar un tesoro semejante.
    "Fuimos muy afortunadas porque no había mucho más en ese campo. Si hubiéramos intentado en otro sitio, no habríamos encontrado nada. Fue un descubrimiento único", destacó.
    Las hachas de la Edad de Bronce, que están siendo estudiadas por expertos del Museo Británico, en Londres, podrían ser adquiridas ahora por esa institución inglesa.
    Por su parte, el juez de instrucción de Bournemouth, Poole y East Dorset tiene previsto abrir una causa en la que se espera que declare las cabezas de hachas como tesoros históricos.
    En ese caso, el granjero O'Connell y Peirce recibirán una paga que refleje el valor de mercado por dichos objetos arqueológicos. (ANSA). MRZ


Fonte: MRZ (22 Jan 2008). ANSA: http://www.ansa.it/ansalatina/notizie/rubriche/variedades/20080122135534573995.html


Foto: http://www.flickr.com/photos/terraeantiqvae/2211665941/


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por noticiasdearqueologia às 23:38

Sábado, 10.11.07

Escavações revelam túmulos: CELADA DE CAVALOS E FEITEIRAS, CONCELHO DE OLEIROS

A Associação de Estudos do Alto Tejo (AEAT) vai retomar as escavações arqueológicas que estava a desenvolver em Celada de Cavalos e Feiteiras, dois locais do Concelho de Oleiros. Em questão está a escavação de pequenas áreas megalíticas, estruturas edificadas essencialmente no período Neolítico (por vezes também Idade do Bronze e Cobre) com objectivos simbólicos, religiosos e principalmente funerários.


(…) A notícia continua na íntegra na edição impressa do Jornal.


In: PF (07 Nov  2007). Gazeta do Interior: http://www.gazetadointerior.pt/seccoes/index.asp?idn=6244

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por noticiasdearqueologia às 11:53


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