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NOTÍCIAS DE ARQUEOLOGIA

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Quarta-feira, 15.09.10

Na Capela de S. Domingos: Aras romanas descobertas em Alcains

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As obras de requalificação trouxeram há luz do dia duas aras votivas da época romana, que estão agora a ser estudadas.



A pequena Capela de São Domingos, situado no meio do campo, mesmo à entrada de Alcains, foi palco de uma descoberta arqueológica. Duas aras romanas votivas foram encontradas durante as obras de requalificação da ermida, promovidas pela Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Alcains.


A descoberta remonta a 2008 ano em que começaram as obras de requalificação da capela e do altar, em estado de grande degradação, devido às infiltrações de água do telhado. Logo no Verão desse ano, o responsável pela Paróquia de Alcains, cónego António Assunção, foi confrontado com a decisão de conservar ou demolir o altar existente.


Após ouvidas várias opiniões, optou-se pela demolição do altar, colocado encostado à parede da capela-mor, lado nascente, como era habitual antes do II Concílio do Vaticano, para se celebrar o culto cristão com todos voltados para oriente, explicou ao Reconquista. Mas ficou no mesmo lugar o nicho da imagem de São Domingos.


A demolição foi confiada aos trabalhadores que acabaram por fazer a descoberta, no dia 4 de Junho de 2008. O responsável da paróquia foi chamado ao local e deparou-se com um “tesouro escondido no campo, encontrado por mero acaso”. Foram então encontradas duas colunas de granito com inscrições (aras romanas), que poderiam continuar escondidas, caso o altar não fosse demolido.


 


Estudo a publicar em revista


A maior estava colocada de pé, a 15 centímetros da parede nascente, na direcção do nicho da imagem de São Domingos, colocada no nicho da parede, por cima do altar. Tem 107 centímetros de altura, e estava 40 centímetros abaixo do solo, com uma inscrição na parte da frente. “Está em muito boas condições de conservação. É certamente uma ara romana”, salienta o pároco. A outra, mais pequena e estreita, colocada ao lado direito da maior – lado norte – tem 65 centímetros de altura e também uma inscrição na face.


Para não se perder a memória do achado, e dado que não foram tiradas fotografias antes das obras, foram elaborados vários desenhos, reproduzindo o mais fielmente possível o local e o que foi encontrado.


As duas aras estão agora a ser estudadas pelo professor José d'Encarnação, integrado no projecto de investigação do grupo Epigraphy and Iconology of Antiquity and Medieval Ages, do Centro de Estudos Arqueológicos das Universidades de Coimbra e Porto. E pelo professor Amílcar Guerra, integrado na actividade científica desenvolvida no quadro da UNIARQ (Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa). O resultado será publicado em revista da especialidade.


A 8 de Agosto deste ano, na Festa de São Domingos, foi celebrada missa na Capela. No local podia ver-se uma maquete do achado com a reprodução das duas aras ali encontradas.


Fonte: (9 Set 2010). Reconquista: http://www.reconquista.pt/noticia.asp?idEdicao=248&id=23306&idSeccao=2740&Action=noticia

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por noticiasdearqueologia às 13:51

Domingo, 21.03.10

Duas aras da Aldeia Nova no Ficheiro Epigráfico

 



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Suplemento da Revista CONIMBRIGA, dá conhecer peças descobertas na freguesia da Ramela.


Duas aras de Aldeia Nova, na freguesia de Ramela, concelho da Guarda, merecem destaque, no ‘Ficheiro Epigráfico, 87, 2009’, um suplemento da Revista CONIMBRIGA, da Universidade de Coimbra, destinado a divulgar inscrições romanas inéditas de toda a Península Ibérica, que começou a publicar-se em 1982.


Os monumentos epigráficos foram identificados na sequência de um trabalho coordenado pelo arqueólogo Marcos Osório, em 2002 e 2006, mas o seu estudo só agora foi publicado.

O primeiro consiste num altar de granito grosseiro e de cor cinzenta e está guardado numa arrecadação, em Aldeia Nova. Segundo a descrição “trata-se de uma ara de grande tamanho, elegante e de excelente acabamento, apenas danificada no topo e na aresta esquerda do campo epigráfico”. Marcos Osório adianta que “o texto é praticamente ilegível pelo desgaste e pelos danos que sofreu” , “apenas conseguimos ler no cabeçalho o nome do indivíduo dedicante ou defunto”. O arqueólogo refere que “a utilização do antropónimo em nominativo e a raridade das aras funerárias nesta região parecem contribuir para a hipótese de uma epígrafe votiva”.

O outro monumento é uma ara de granito grosseiro amarelado e foi descoberto na capela de Santo Antão, local onde se encontra guardado. “Trata-se de um monumento de razoável tamanho e de excelente acabamento, apenas com ligeiras escoriações e restos de cimento na base, para além da destruição do capitel”. De acordo com a descrição feita “o fuste apresenta-se homogeneamente alisado nas quatro faces, mas sem qualquer vestígio de inscrição”.

No Ficheiro Epigráfico é referido que “estas duas aras podem provir do lugar do Prazo, a cerca de 600 metros para sudoeste de Aldeia Nova, onde um dos autores detectou fragmentos de tegulae, imbrices, dolia e cerâmica comum doméstica, espalhados na berma de um caminho rural que foi aberto sob a A23 (troço Guarda – Belmonte, inaugurado em Agosto de 2002)”.

Os autores escrevem que “as semelhanças entre os dois monumentos e a ausência do texto num deles podem ser sintomas de proveniência de uma oficina epigráfica, onde uma das aras aguardava ainda a gravação encomendada”.

“Estamos perante duas epígrafes em que os critérios paleográficos são insuficientes ou inexistentes para estabelecermos uma proposta de datação rigorosa”, concluem os autores do estudo.

O Ficheiro Epigráfico faz também referência a uma ara votiva encontrada no Sabugal, durante as obras de reabilitação de um edifício no Largo do Castelo, convertido em estabelecimento comercial e turístico, conhecido por “Casa do Castelo”.



Fonte: (19 Mar 2010). JOrnal a Guarda:
http://www.jornalaguarda.com/index.asp?idEdicao=343&id=18667&idSeccao=4624&Action=noticia

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por noticiasdearqueologia às 22:45

Quarta-feira, 22.10.08

Continuam por decifrar as inscrições da lápide com a mais antiga escrita da Península Ibérica

foto noticia


O significado das inscrições na lápide funerária encontrada em Almodôvar ainda não foi decifrado pelos arqueólogos, mas a descoberta é considerada um “grande contributo” para desvendar os mistérios da Escrita do Sudoeste.


Na peça – denominada Estela das Mesas de Castelinho -, encontrada no início de Setembro durante a campanha arqueológica que decorreu na estação com o mesmo nome, em Almodôvar (Beja), reside a maior inscrição daquele tipo de escrita até agora encontrada na Península Ibérica.

Supõe-se que a lápide tumular, característica de algumas regiões do Sul de Portugal e Espanha e encontrada praticamente intacta por uma equipa de arqueólogos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, date de há cerca de 2.500 anos, altura que coincide com a primeira Idade do Ferro.

“Nós conseguimos ler os textos, o problema reside em saber o seu significado concreto”, afirmou o arqueólogo Amílcar Guerra, coordenador das escavações levadas a cabo na estação situada na freguesia de Santa Clara-a-Nova, onde foi localizada a peça.

É que apesar da área gravada ser muito extensa – ao contrário de peças achadas anteriormente, que estavam muito fragmentadas -, uma das dificuldades na descodificação do significado do texto deve-se ao facto deste ser contínuo e de não haver separadores entre as palavras.

Segundo aquele investigador, não é com este achado que se vai encontrar a solução para o problema da interpretação dos textos em si, embora a extensão das inscrições seja considerada um “grande contributo” para se poder ir “mais além”.

Amílcar Guerra falava no Museu da Escrita do Sudoeste, na vila alentejana de Almodôvar, durante a apresentação pública da lápide, cujas inscrições estão gravadas naquela que é considerada a mais antiga escrita da Península Ibérica.

Pensa-se que as estelas funerárias fossem colocadas nos túmulos de pessoas mais abastadas, já que na Idade do Ferro eram escassos aqueles que sabiam ler e escrever, pelo que seria necessária disponibilidade financeira para mandar fazer as inscrições, explicou o investigador.

Segundo Amílcar Guerra, a equipa de arqueólogos que se tem dedicado a desvendar os mistérios da Escrita do Sudoeste já conseguiu identificar nas inscrições gravadas em diferentes peças, cerca de uma dezena de nomes de pessoas.

A utilização deste tipo de escrita abrangeu os povos que habitaram durante a primeira Idade do Ferro as regiões do Baixo Alentejo, Algarve, Andaluzia Ocidental e Sul da Estremadura.

No museu dedicado à Escrita do Sudoeste, inaugurado há um ano em Almodôvar, estão expostas cerca de um quarto (vinte) das estelas encontradas em Portugal e uma boa parte das mais significativas, segundo o arqueólogo que lidera as escavações.

Os investigadores já conseguiram descodificar em vários exemplares uma sequência repetida com frequência, que se pensa ser uma fórmula funerária equivalente a “Aqui Jaz” ou “Aqui está Sepultado”.

Na peça encontrada há um mês estão presentes cerca de noventa caracteres, sendo que apenas dois ou três são difíceis de identificar, acrescenta o arqueólogo, que realça as semelhanças entre esta escrita e a Fenícia.

Fonte: (10 Out 2008). Lusa / Algarve Press:  http://www.algarvepress.net/conteudo.php?menu=-1&cat=Cultura&scat=Evento&id=2769

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por noticiasdearqueologia às 22:15


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