Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

NOTÍCIAS DE ARQUEOLOGIA

O Património é um bem comum... Preservá-lo só depende de cada um de nós...


Segunda-feira, 20.05.13

Namíbia e Portugal cooperam na conservação de destroços do navio naufragado no século XVI

Os governos de Portugal e da Namíbia assinaram, esta quarta-feira, um memorando de entendimento para a conservação e gestão do património cultural do navio português do século XVI naufragado ao largo de Oranjemund.
O protocolo foi assinado pelo secretário de Estado da Cultura de Portugal, Jorge Barreto Xavier, e a ministra da Juventude da Namíbia, Juliet Kavetuna, e estabelece a relevância do sítio arqueológico, os objetos materiais e o «conhecimento local».
O documento prevê, assim, a «investigação, documentação e publicação de informação, [a] partilha de informação, formação e educação, bem como a organização de exposições e de outras formas de promoção e valorização».
O memorando estabelece, ainda, a possibilidade de «acordos adequados com potenciais doadores» para a conservação do navio naufragado, bem como a «formação de três namibianos em Portugal, em áreas acordadas» pelas partes e a «criação e gestão de um museu para o navio naufragado».
O navio português foi descoberto em abril de 2008, ao largo da Namíbia, por geólogos que procuravam diamantes, e ter-se-á afundado quando regressava a Portugal.
As investigações permitiram encontrar moedas de ouro e prata, colocadas à guarda do Banco da Namíbia, peças de canhão, presas de marfim, ouro, prata, cobre e estanho, bolas de chumbo da marca da Coroa Portuguesa fugger e um terço.
A embarcação tinha 300 toneladas e, segundo o arqueólogo Bruno Werz, teria três mastros e cerca de 30 metros de comprimento. O naufrágio terá ocorrido após a colisão com uma rocha.
Segundo o relatório de duas missões arqueológicas portuguesas, assinado por Francisco Alves, do então Instituto de Gestão do Património Arqueológico e Arquitetónico (IGESPAR), entre os achados estaria uma moeda de dez cruzados, «de ouro, de inexcedível pureza, prestígio e raridade».

Fonte: (15-05-2013). A Bola: http://www.abola.pt/mundos/ver.aspx?id=402145

Autoria e outros dados (tags, etc)

por noticiasdearqueologia às 22:54

Segunda-feira, 29.11.10

Tesouro encontrado em Portugal disputado nos EUA

Espanha reclama da empresa de caçadores de tesouros norte-americana, a Odyssey Explorer, uma fortuna avaliada em 500 milhões  e euros. Na semana passada,  um novo recurso no Tribunal  de Atlanta adiou a decisão de entregar o ouro e a prata  a Espanha. Os destroços do local de pilhagem na nau "Nuestra Señora de las Mercedes", conforme foi explicado em tribunal, estão ao largo do Cabo de Santa Maria, Faro. Portugal não vai reclamar o tesouro.


Um tesouro avaliado em 500 milhões de euros resgatado do fundo do mar, em 2007, em plena costa marítima portuguesa, está a ser alvo de uma dura disputa judicial nos Estados Unidos. Na semana passada, mais um recurso da empresa de achados marítimos Odyssey Marine Explorer deu entrada no Supremo Tribunal de Atlanta para invalidar uma decisão do Tribunal de Tampa, Florida, que declarava que a fortuna em moedas de ouro e prata - terá sido encontrada a 21 milhas da costa algarvia na Zona Económica Exclusiva (ZEE), em frente ao cabo de Santa Maria, Faro - devia ser entregue à Coroa Espanhola.


O caso arrasta-se na justiça norte--americana desde Maio de 2008. O achado terá sido em Maio de 2007, quando a empresa Odyssey fretou um avião e voou de Gibraltar para os EUA com 500 mil moedas em ouro e prata, lingotes de cobre e estanho, caixas de ouro... um total de 17 toneladas da nau Nuestra Señora de Las Mercedes.


O arqueólogo subaquático Alexandre Monteiro, da Universidade Nova, tem acompanhado com atenção este caso. Recorda ao DN que o trabalho da Odissey Explorer remonta a 2005, quando a empresa firma um contrato com o Reino Unido para encontrar o navio HMS Sussex naufragado em 1694 perto de Gibraltar. "Fizeram na altura várias incursões em Cádis", explica o arqueólogo. Contudo, o explorador Greg Stemm, da Odyssey, já estaria na perseguição dos destroços do Nuestra Señora de Las Mercedes. "Havia muita documentação acerca da localização do navio afundado, e era tentador para este tipo de empresas procurá-lo", diz o arqueólogo.


Também Filipe Castro, arqueólogo subaquático que se encontra na Universidade do Texas, conhece bem a história no navio espanhol.


"A empresa Odyssey recuperou a carga de um navio que tudo indica ser a Nuestra Señora de las Mercedes . Este navio espanhol foi afundado ao largo da costa portuguesa no início do século XIX durante um acto de pirataria da armada inglesa", explica Filipe Castro. O arqueólogo da universidade texana considera que "Espanha parece ter demonstrado em tribunal que o salvamento desta carga era ilegal e o processo está em vias de ser decidido, a favor da Espanha, que já ganhou dois processos em tribunais americanos contra caçadores de tesouros [os dos navios Juno e Galga]. Creio que a única coisa pendente neste processo é um último apelo, que toda a gente crê que vai ser resolvido contra a Odyssey", considera Filipe Castro.


Em Dezembro do ano passado, o juiz Steven Merryday decidiu (entretanto a Odyssey meteu recurso da decisão) que "a inevitável verdade é que o Nuestra Señora de las Mercedes é um navio da Marinha espanhola e que os destroços deste navio de guerra, toda a carga e também vestígios humanos que existam são património natural e legal de Espanha".


Os tribunais norte-americanos por onde esse caso tem passado tiveram contacto com várias localizações do achado. Numa primeira fase, a Odyssey disse que o tesouro estava a bordo do navio Black Swan e que tinha sido resgatado das profundezas ao largo de Gibraltar em águas internacionais. Depois, que o salvamento das peças tinha sido ao largo de Gibraltar, também em águas internacionais. Por seu lado, os advogados da Coroa Espanhola argumentaram que o tesouro tinha sido resgatado em águas territoriais espanholas num zona em Gibraltar onde estão vários navios submersos. "Segundo a lei do Almirantado, se o achado for em águas internacionais poderá pertencer a quem o encontra", explica o arqueólogo Alexandre Monteiro. Por outro lado, tratando--se de um navio de guerra, há a considerar o Estado de Bandeira da embarcação. "Neste caso pertence a Espanha", adianta o arqueólogo.


Portugal entra no jogo espanhol com um primeiro e-mail que partiu da Embaixada de Portugal em Madrid, a 21 de Junho de 2007 - um mês após Greg Stemm ter mostrado à imprensa, na Florida, o fabuloso tesouro que posteriormente, em tribunal, disse ter encontrado "algures" no oceano Atlântico nos destroços do navio Black Swan.


No e-mail do gabinete do embaixador Moraes Cabral, a que o DN teve acesso, pede-se ao então secretário de Estado da Defesa para ajudar Espanha nas buscas do Nuestra Señora de Las Mercedes.


Com a classificação de "Urgente e Reservado" e com o explícito pedido para que a mensagem não fosse "oficializada": "Espanha manifestou desejo de verificar, 26 quilómetros a sul do cabo de Santa Maria (Faro) em ZEE, com um barco da Marinha... se algo foi remexido no local onde estará um galeão espanhol que, segundo aqueles, terá sido "pirateado" por uma empresa privada Odyssey... Espanha propõe fazer a coisa com a presença de oficiais portugueses a bordo".


Segundo o DN apurou, a Marinha ordenou que dois oficias portugueses subissem a bordo de um navio da armada espanhola para as respectivas buscas ao largo de Faro com um Rove (pequeno submergível comandado a partir da superfície). Com os dados colhidos na operação, designada como de "carácter científico", a localização oficial do achado passa a ser em águas territoriais portuguesas. Portugal passa então a ser referido nos tribunais da Florida como o local do afundamento do Nuestra Señora de las Mercedes.


Portugal passa então, no plano teórico, como Estado costeiro onde se encontra naufragado o navio espanhol, a ter direito a parte do achado. Fonte diplomática contactada pelo DN descarta a hipótese. "Ficaríamos muito mal no retrato. Daria a ideia de que estamos com um comportamento idêntico aos dos caçadores de tesouros. Não devemos ter essa postura." Oficialmente para o Ministério dos Negócios Estrangeiros "Portugal assinou a Convenção de Genebra no que se refere a achados arqueológicas. O que for encontrado submerso em Portugal e que seja espanhol será entregue ao seu país de bandeira e vice-versa. É um acordo internacional que assinámos e que respeitamos".


O tesouro que está a ser disputado judicialmente tem também como reclamante o Peru (local de onde proviria o ouro e a prata). Em relação a este pedido, não se registou nenhuma audiência nos EUA.


 


Um tesouro muito cobiçado ao longo de anos


Missões A busca pelo tesouro que estava afundado ao largo de Faro não é recente, nem fruto de acasos. "Havia relatos escritos dessa batalha marítima ao largo de Faro", explica o arqueólogo Alexandre Monteiro.


O Nuestra Señora de Las Mercedes foi ao fundo durante uma batalha que aconteceu em 1804 com os navios ingleses Amphion e Indefatigable. Perderam a vida 250 pessoas.


O arqueólogo Vieira de Castro, num trabalho publicado em 1988 na Revista Portuguesa de Arqueologia, refere que "desde os anos sessenta que o tesouro perdido consta abundantemente na bibliografia dos tesouros perdidos". "Os comandantes ingleses estimaram a posição da batalha entre oito e dez léguas a sudoeste do cabo de Santa Maria", diz no estudo.


Segundo o arqueólogo, que se encontra a trabalhar na Universidade do Texas, a caça ao tesouro afundado terá começado em 1982, quando um grupo de investigadores pediu autorização à Capitania do Porto de Faro para prospecção numa determinada área a sudoeste de Faro, muito próximo da costa. Os investigadores acabaram por abandonar o projecto.


Em 1986, segundo a investigação de Vieira de Castro, duas empresas inglesas -"a SubSea Offshore, Ldt e a Divetask Salvage, Lda" - requereram autorizações para resgatar o tesouro. Foram indeferidas. Em 1993, a New Era, Lda, avançou com outro pedido. Também não foi concedido. Em Março de 1997, o relato de um oficial da Marinha portuguesa, membro da Associação Arqueonáutica, informa que um navio da Marinha "havia interceptado um navio norueguês. Estava fora de águas territoriais e procurava a fragata Nossa Señora de Las Mercedes.


Não foi levado a sério pelas autoridades portuguesas. Os relatos de buscas pelo Nossa Señora de Las Mercedes não param até que em 1996 a corveta portuguesa António Enes intercepta ao largo do cabo de Santa Maria o navio oceanográfico norueguês Geograph. Não assumiram que procuravam o tesouro espanhol. Disseram que estavam à procura de um porta-aviões inglês ali naufragado durante a Segunda Guerra Mundial.


Uma história em que pelo lucro vencem, até ao momento, os americanos da Odyssey Explorer. Sem autorização retiraram no fundo no mar português o tesouro espanhol. A disputa promete continuar a arrastar-se na justiça norte-americana.  


 


Guerra em várias frentes


A guerra entre a Coroa espanhola e a Odyssey Explorer está aberta desde 2007 em várias frentes.


Se Espanha está a ganhar na justiça americana (com os sucessivos recursos da empresa), não ganha em casa. Em Agosto, o capitão do Odyssey Explorer, William Vorus, foi considerado inocente pelo Tribunal de Algeciras. Recusou a entrada no seu navio, no início de 2007, de elementos da Guardia Civil que suspeitavam que no Odyssey Explorer se encontravam objectos arqueológicos alvos de pilhagem.


O tribunal espanhol considerou que a recusa do capitão foi justificada. As autoridades deveriam ter consultado as Baamas, onde o navio está registado. Tal procedimento não foi feito.


 Fonte: LUÍS FONTES (19 Nov 2010). Diário de Notícias: http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_idXSSCleaned=1714531

Autoria e outros dados (tags, etc)

por noticiasdearqueologia às 13:35

Quinta-feira, 07.10.10

Arqueólogos descobrem peças pré-descobrimento no estádio de Recife para 2014






  • Maquete da Cidade da Copa, que sede da Copa em Recife; terreno conta com fragmentos históricos

    Maquete da Cidade da Copa, que sede da Copa em Recife; terreno conta com fragmentos históricos






O estádio de Recife para 2014 está sendo palco de um estudo arqueológico. Segundo o jornal O Globo, especialistas escavaram a região onde será construída a Arena São Lourenço e encontraram peças anteriores ao Descobrimento, em 1500.


Os artigos estão em poder do departamento de arqueologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que tem até um laboratório móvel no local. Entre as descobertas estão fragmentos de cerâmica de índios tupis-guaranis que habitavam a região antes da chegada dos portugueses.


Além disso, também foram encontradas pedaços de louças portuguesa e inglesa e os restos da possível muralha de um engenho de roda d’água. O material pode servir de base para a criação de um museu na região.


A escavação dos terrenos antes de grandes obras é prevista pela legislação brasileira. Os pesquisadores da universidade prometem que as prospecções acabarão no dia 15 de outubro, quando então começariam de fato as obras para o estádio da Copa de 2014.


Fonte: (1 Out 2010). Uol esport.com: http://esporte.uol.com.br/futebol/copa-2014/ultimas-noticias/2010/10/01/arqueologos-descobrem-pecas-pre-descobrimento-no-estadio-de-recife-para-2014.jhtm


Autoria e outros dados (tags, etc)

por noticiasdearqueologia às 13:18

Sábado, 05.12.09

Brasil: Ruínas descobertas em São Vicente podem ser de casa mais antiga do País

Prefeito Tércio Garcia apontou que a escavação mostrará aos brasileiros um pouco da arquitetura de 500 anos atrás, hoje inexistente mesmo nas cidades mais antigas do Brasil.


Escavações arqueológicas revelaram uma parede daquela que pode ser a casa mais antiga do País. A descoberta ocorreu em São Vicente, na Baixada Santista (SP), que já detém o título de cidade mais antiga do Brasil. Erguida entre 1516 e 1520, a construção é anterior à chegada do navegador português Martin Afonso de Sousa, que fundou a Vila de São Vicente em 1532.



"Acreditamos que seja a parede da casa do Bacharel Mestre Cosme Fernandes, um dos primeiros portugueses a habitar o País. Ele era um degredado que chegou em 1502, em Cananeia, na expedição de Américo Vespúcio, mas depois veio para São Vicente e montou um ponto de apoio aos navegadores, onde vendia água, comida, tradutores de língua indígena", afirmou o historiador Marcos Braga.


O historiador explicou que, à época, havia entre 10 e 12 habitações no local, apenas uma delas de pedra, local onde residia Fernandes. "Ele ganhou muito dinheiro aqui. Vendia pau-brasil e chegou a vender 800 escravos indígenas para a Espanha." Braga explicou que a descoberta é importante porque dá base real a uma história que já se conhecia, porém, da qual não se tinha muitos indícios físicos, destruídos principalmente por três grandes ataques piratas ocorridos entre 1536 e 1615.


A parede foi encontrada aos fundos de uma atração cultural já existente, a Casa Martin Afonso, na Praça 22 de Janeiro (próxima à Praia do Gonzaguinha). A prefeitura chegou até o sítio arqueológico depois de dois meses de escavações, coordenadas pelo doutor em arqueologia Manoel Gonzalez, para quem a descoberta revela costumes ainda anteriores à colonização portuguesa.


"Aqui temos tudo junto. Na parte inferior há um sambaqui (construções feitas pelos povos caçadores-coletores que viveram há 3 mil anos). Logo acima, as cerâmicas revelam a ocupação dos índios tupis, depois temos as cerâmicas de contato, desenvolvidas sob a influência da chegada de outros povos", discorreu Gonzáles, afirmando que já foram catalogados 883 fragmentos retirados de uma área de dois metros quadrados. Entre as peças, há as conchas e ossos usados nos sambaquis, peças de cerâmicas indígenas e pedaços de faiança europeia.


O prefeito de São Vicente, Tércio Garcia (PSB), apontou que a escavação mostrará aos brasileiros um pouco da arquitetura de 500 anos atrás, hoje inexistente mesmo nas cidades mais antigas do País. "Já para a próxima temporada queremos construir uma passarela sob as escavações (com dois metros de profundidade) para que as pessoas possam conhecer o sítio arqueológico mesmo durante a continuidade das escavações. Serão visitas monitoradas". Ele planeja inaugurar a nova atração em 22 janeiro, quando São Vicente completará 478 anos.



Fonte: (3 Dez 2009). Gazeta do Povo: http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=951108&tit=Ruinas-descobertas-em-Sao-Vicente-podem-ser-de-casa-mais-antiga-do-Pais

Autoria e outros dados (tags, etc)

por noticiasdearqueologia às 22:29

Sábado, 07.11.09

Caravela seiscentista jaz no estuário do Cávado

No estuário do Cávado, mesmo em frente a Esposende, jaz o que resta de uma caravela do tempo dos Descobrimentos. Carbono 14 datou-a de 1548. Parte do navio foi encontrado em dragagens, realizadas há já duas décadas.



Uma caravela de 13 metros de comprimento e com capacidade para transportar até 40 toneladas de carga naufragou no estuário do Cávado em meados do século XVI. Transportaria uma elevada quantidade de cerâmica, ao que tudo indica proveniente de Barcelos. Os motivos do naufrágio são, ainda, desconhecidos da comunidade científica.


Há duas décadas, uma dragagem no estuário poria a descoberto um conjunto de madeiras e de peças de cerâmica - muitas delas inteiras. Porém, as peças trazidas à superfície não despertariam, então, a curiosidade do achador, que julgou tratar-se do local de naufrágio de barco que comercializasse na feira de Barcelos. Só uma década depois é que os achados seriam comunicados à Capitania e ao então Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática (CNANS). Porém, a proximidade a que os vestígios se encontravam da superfície (apesar de cobertos por metros de sedimentos) motivaria alguma reserva da informação, "para que se salvaguardasse o achado", revela João Baptista, presidente da associação Barcos do Norte, entidade que há muito acompanha o processo.


Segundo o responsável, o CNANS promoveria, em 2000 e 2002, duas campanhas no local. Contudo, não viria a ser possível a localização exacta do sítio do naufrágio. As missões incidiriam na zona do Varadouro, a juzante da ponte de Fão, local do estuário do Cávado onde, noutros tempos, as embarcações fundeavam e onde se crê que a caravela tenha naufragado. Um fragmento dos madeiramentos trazidos à superfície e pertencentes à parte da ré do navio (o cadaste, ver foto) viria a ser datado, através de carbono 14, do ano de 1548, testes estes realizados em universidade dos Estados Unidos. Quanto às cerâmicas ali descobertas, João Baptista assinala que, dadas as suas formas e características, seriam provenientes de Barcelos, asseverando, a propósito, que "são em tudo semelhantes a peças descobertas em Aveiro, no local onde foi encontrado o astrolábio em ouro".


Defendendo a valorização e musealização do achado arqueológico, considerou que um estudo aprofundado permitiria "reescrever" uma parte da história: "Trata-se de reavivar uma importante parte da nossa herança e, no nosso entender, não há dinheiro que pague isso", vaticinou.


Fonte: LUÍS HENRIQUE OLIVEIRA (2 Nov 2009). Jornal de Notícias: http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Braga&Concelho=Esposende&Option=Interior&content_id=1407571


Autoria e outros dados (tags, etc)

por noticiasdearqueologia às 15:57

Sábado, 03.10.09

Navios dos Descobrimentos concentrados nos Açores


"Os Açores detêm talvez a maior concentração a nível mundial de navios da Idade dos Descobrimentos". A afirmação é do arqueólogo Paulo Monteiro, que durante o seu trabalho na Carta Arqueológica Subaquática dos Açores, compilou cerca de 600 naufrágios ocorridos no arquipélago.


Como foi a sua experiência de seis anos a trabalhar nos Açores e que importância tem para a Região a Carta Arqueológica Subaquática?




Nos seis anos em que me dediquei à arqueologia subaquática nos Açores destaco, sem sombra de dúvida, o verdadeiro desafio que foi o elaborar a primeira Carta Arqueológica Subaquática da Região, um trabalho feito documento a documento, em arquivos regionais, nacionais e internacionais, e que ainda hoje se encontra em actualização permanente.


Depois de anos a depender de informação escassa, fantasiosa ou de proveniência mais que duvidosa, a Direcção Regional da Cultura podia finalmente saber quantos eram, onde estavam e quais eram os navios naufragados no arquipélago.


No fundo, passou a deter uma ferramenta de gestão da informação sobre o património cultural subaquático, real e potencial, podendo geri-lo nas suas vertentes de salvaguarda, estudo e valorização.


Os naufrágios das águas açorianas têm a capacidade de vir a fornecer muitas respostas às questões que hoje em dia se levantam no que concerne à evolução do desenho e da construção naval em madeira, às práticas náuticas e aos circuitos de comércio e guerra naval pós-medievais.


Entre os Séculos XVI e XX, há registo de cerca de 600 naufrágios nos Açores, muitos deles de "navios de tesouros". Sabemos actualmente onde estão esses navios e temos meios - a nível regional ou nacional - para recuperar esses tesouros?


Os Açores detêm talvez a maior concentração a nível mundial de navios da Idade dos Descobrimentos.


Com efeito, situadas a meio caminho entre a Europa e o Novo Mundo, no centro de confluência dos ventos dominantes do Atlântico Norte, as ilhas dos Açores constituíram, desde o final da Idade Média, uma base de apoio à navegação europeia que regressava da Ásia, da África e das Américas e foram, muitas vezes, as testemunhas imperturbáveis do fim trágico de várias dessas viagens, em que fazenda, vida e honra se perdiam por entre a imprevisibilidade do mar e os actos de guerra próprios de uma nova ordem geopolítica mundial.


Contudo, mais do que mero folclore trágico-marítimo, os cerca de 600 naufrágios das águas açorianas constituem um santuário intemporal do património cultural subaquático.


Não os podemos ver sob a perspectiva do tesouro venal, do ouro, da prata e da porcelana chinesa. Eles são sim, muito para além das riquezas fabulosas que alguns transportavam, um testemunho único de um passado que moldou países, continentes e até civilizações.


Não nos podemos esquecer que, até ao advento do transporte aéreo, quase tudo e todos os que vinham para estas ilhas vinham a bordo de navios.


Tendo em conta os processos de naufrágio mais comuns nas ilhas, eu diria que cerca de 95 por cento dos naufrágios aqui ocorridos fizeram-se de encontro à costa. Logo, acho que é perfeitamente viável, com os meios que Região detém agora, fazer-se prospecção e escavação arqueológica dos navios que entender serem fundamentais para colmatar as lacunas que existem no conhecimentos sobre a construção náutica, por exemplo.


Aliás, isso mesmo tem vindo a ser feito com regularidade por José Bettencourt, um arqueólogo de superior valor técnico que, integrado no Centro de História do Além Mar e num projecto da Direcção Regional da Cultura e das Universidades Nova de Lisboa e dos Açores, tem vindo a desenvolver um trabalho notável na baía de Angra.


Em todo o caso, o grande problema, quer a nível nacional, quer a nível regional, não é tanto a detecção e a escavação de naufrágios... O problema é a fase que se segue, a da estabilização, conservação e restauro dos artefactos. Depois de 400 anos submersos em água do mar, estes necessitam ser submetidos a processos muito demorados e dispendiosos de conservação.


Infelizmente, não se apostou no País neste ramo do saber e pouco progredimos nesse campo desde 1996, ano em que tratámos um canhão de bronze recuperado ao largo de Angra com uma saca de 50 kg de citrato, pedida emprestada à empresa de refrigerantes FAV.


Quais foram os mais importantes naufrágios ocorridos nos Açores?


Não há propriamente uma listagem de naufrágios ditos "mais importantes"... Importa saber aquilo que cada investigador considera ser mais importante em termos científicos.


Numa opinião meramente pessoal, diria que qualquer vestígio de navio português é importantíssimo, pois sabemos hoje mais sobre os navios romanos do que sobre a forma como se construíam, equipavam e armavam os navios dos Descobrimentos.


Pelo mesmo ponto de vista, qualquer navio ibérico com tesouros a bordo é importante, pois nunca algum foi escavado arqueologicamente, sendo todos os que foram encontrados até agora pilhados e destruídos por caçadores de tesouros.


Assim sendo, importantes para estudo serão os vestígios da nau da Índia "Nossa Senhora da Luz", naufragada no Faial em 1615; os do galeão espanhol "Nuestra Señora de las Angustias y San José", perdido nas Flores em 1727 e os das naus perdidas na tempestade de 1591. Na Terceira, as nau-capitânia, "Santa Maria del Puerto", "Madalena" e "Revenge"; nas Formigas, o galeão "San Medel y Céledon"; na Graciosa, um patacho espanhol; junto ao Topo, em São Jorge, outras duas naus também espanholas e em São Miguel, duas naus das Índias Espanholas e um galeão biscaínho.


Os Açores estão protegidos, em termos de legislação, da "caça ao tesouro" estrangeira? Se não estão, o que deveria ser feito?


Portugal ratificou a Convenção sobre a Protecção do Património Cultural Subaquático, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).


Esta Convenção entrou em vigor para os Estados que a ratificaram a 2 de Janeiro de 2009, sobrepondo-se, como Convenção internacional que é, à lei ordinária portuguesa.


No seu artigo Artigo 15º afirma-se que os Estados tomarão medidas para proibir o uso do seu território para apoio a qualquer actividade dirigida ao património cultural subaquático que não esteja em conformidade com a Convenção.


Por isso, havendo vontade política – e está-se a trabalhar nisso em termos interministeriais – qualquer navio que se dedique ao saque de naufrágios poderá e deverá vir a ser proibido de entrar em águas territoriais portuguesas, uma vez que a Convenção estabelece que o património cultural subaquático não deverá ser negociado, comprado ou trocado como bem de natureza comercial.*


Fonte: (27 Set 2009). Açoriano Oriental: http://www.acorianooriental.pt/noticias/view/193596


Autoria e outros dados (tags, etc)

por noticiasdearqueologia às 23:31

Terça-feira, 01.09.09

Achados subaquáticos: Raridade exposta na Ilha


Fonte: 29 Ago 2009. macua.blogs.com: http://macua.blogs.com/moambique_para_todos/2009/08/achados-subaqu%C3%A1ticos-raridade-exposta-na-ilha.html

Autoria e outros dados (tags, etc)

por noticiasdearqueologia às 23:26

Segunda-feira, 03.08.09

Na Mata da Machada – Barreiro: Descoberto novo Forno de Cerâmica da época dos Descobrimentos

Abordada a importância de ser efectuada uma profunda discussão sobre a gestão da Mata da Machada, se deve, ou não, passar para a responsabilidade da Câmara Municipal do Barreiro

No decorrer da reunião pública da Câmara Municipal do Barreiro, realizada ontem, em Coina, o Vereador Bruno Vitorino, revelou que foi “achado” um novo forno de cerâmica na Mata da Machada.

Esta nova descoberta está a ser investigada pelo Núcleo do Património e Arqueologia da Câmara Municipal do Barreiro e terá sido comunicado ao IPAR, tendo por objectivo ser efectuada uma avaliação da nova descoberta, reconhecida como sendo de grande valor patrimonial para o Barreiro e para o país.


Bruno Vitorino salientou que esta nova descoberta arqueológica é mais um importante contributo para o reconhecimento da Mata da Machada, quer para a história do concelho, quer para a história do país.

O novo achado, sublinhou, vem enriquecer o património arquitectónico da Mata da Machada, onde, nos anos 80, foram desenvolvidos diversos trabalhos de intervenção arqueológica, nos Fornos de Cerâmica, ali localizados, datados dos anos 1450 a 1530, sendo classificados como das poucas olarias conhecidas em Portugal no período dos descobrimentos.



Mata da Machada gerida pela Câmara

Bruno Vitorino, na circunstância, colocou a necessidade de ser aprofundada a discussão sobre a gestão da Mata da Machada, matéria que já foi objecto de apresentação de um relatório.

O autarca referiu que esta deve ser “uma discussão séria, profunda que a Câmara deve fazer”, dado que, neste momento “temos uma oportunidade para decidir”, porque, “havendo abertura do Governo não podemos desperdiçar esta oportunidade”.

“É a Câmara Municipal do Barreiro quem mais investe naquele espaço” – salientou Bruno Vitorino.

O autarca sublinhou que a Mata da Machada para além do seu valor ambiental e valor patrimonial – “é um pólo de dimensão económica para o concelho”.



Uma discussão que tem que ser séria e profunda

O Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto, sobre esta matéria, referiu que de facto “é a Câmara Municipal do Barreiro quem mais investe na Mata da Machada, não sendo esta da sua competência”.

O autarca reconheceu que a decisão de autarquia assumir a gestão da Mata da Machada deve ser “uma discussão que tem que ser séria e profunda”, acrescentando que tem que ser “uma decisão ponderada”.


Fonte: (30 Jul 2009). Rostos.pt: http://www.rostos.pt/inicio2.asp?cronica=142851&mostra=2&seccao=autarquias&titulo=Na-Mata-da-Machada-Barreiro-%0ADescoberto-novo-


30.7.2009 - 0:36

Autoria e outros dados (tags, etc)

por noticiasdearqueologia às 23:09

Sexta-feira, 31.07.09

Nau do século XVI é descoberta...


Oito metros de altura de sedimentos encobrem o que mergulhadores do Projeto Resgate Barra Sul acreditam ser uma nau do século 16. O naufrágio foi localizado nas proximidades das praias do Sonho, Naufragados e Papagaios, na parte sul da Ilha de Santa Catarina, onde era a entrada de embarcações que trafegavam na região na época das grandes navegações. Caso a hipótese se confirme, será o naufrágio mais antigo até agora identificado no Brasil.




Na parte mais alta dos sedimentos foi localizado um pequeno canhão de sinalização e, ao redor de uma área de cerca de 30 metros, os aparelhos utilizados na busca indicaram a presença de metais, o que pode revelar a estrutura total do navio. Além de cabos, cacos de cerâmica e pedras de lastro, uma âncora foi achada nas proximidades.


A âncora é o achado mais antigo. Foi ela que, encontrada por acaso pelo mergulhador Gabriel Corrêa, em 2005, deu início à criação da ONG Projeto Resgate Barra Sul. “Pelo tamanho e formato da peça acreditamos que pertence a uma nau do século 16. Esse tipo era utilizado por embarcações dessa época”, disse Corrêa, diretor do projeto.


As perguntas ainda não respondidas são se a âncora faz parte do mesmo naufrágio e se a nau era mesmo de Sebastião Caboto, uma das hipóteses mais viáveis. Cabotto comandou, em 1526, uma expedição que saiu da Espanha tendo como destino o Oriente, mas ao saber das histórias de um rico povo no interior da América, que se adornava dos pés à cabeça com ouro, resolveu deixar seus planos iniciais para trás.


“A Ilha de Santa Catarina era um ponto estratégico de abastecimento para os navegadores que nos séculos 16 e 17 serviam aos reinos de diversos países europeus e seguiam rumo ao rio da Prata. Quando adentravam a baía sul, eram surpreendidos pela geografia acidentada do leito marinho e muitas vezes pegavam um inesperado vento, vindo a naufragar”, disse outro mergulhador e diretor da equipe, Nei Mund Filho.


Por isso, a região pesquisada é considerada um cemitério de navios. A história registra oito naufrágios, mas muitos mais podem ter encontrado ali o seu fim. O Projeto Resgate Barra Sul conseguiu autorização da Marinha para pesquisar e explorar uma área de 400 quilômetros quadrados. Até o momento, localizaram três embarcações, uma delas recente, com cerca de 100 anos.


“A arqueologia subaquática é cara e demorada. Exige equipamentos bem mais sofisticados, como sonares, ecossonda, radar, canetas e cadernetas especiais, entre outros. Se em um sítio arqueológico na terra escavamos com pás, no sítio subaquático é necessário um sugador para retirar os sedimentos e levá-los para a superfície”, explicou a arqueóloga Deisi Scunderlick Eloy de Farias, professora da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul) e consultora do projeto.


No ano passado a pesquisa recebeu recursos da Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica do Estado de Santa Catarina (Fapesc), o que garantiu a utilização de equipamentos como radares, sonares e GPS. Com esse auxílio, os integrantes do projeto conseguiram localizar duas âncoras, pedras de lastro, cacos de cerâmica, um canhão e todos os pontos que indicam metais e dão idéia da estrutura da embarcação.


Em uma etapa posterior as peças serão removidas do mar, dessalinizadas e restauradas. “Após a restauração, os achados serão direcionados à Marinha e ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, para colocação futura em um museu. Outra ideia é recolocar as peças no lugar de onde foram retiradas e transformar essa parte do fundo do mar em um imenso museu subaquático”, disse Corrêa.



Fonte: (13 Jul 2009).Agência FAPESP: http://www.agencia.fapesp.br/materia/10754/noticias/nau-do-seculo-16-e-descoberta.htm

Autoria e outros dados (tags, etc)

por noticiasdearqueologia às 23:38

Segunda-feira, 10.11.08

NAMÍBIA: O tesouro mais bem guardado do mundo

Durante 32 dias, Francisco Alves, arqueólogo, especialista em arqueologia náutica e submarina, esteve na Sperrgebiet, a "terra proibida", a zona de exploração diamantífera da costa atlântica de Oranjemund, na Namíbia. O arqueólogo andou a recolher aquela que classifica como " a maior descoberta arqueológica da África subsaariana". Uma nau portuguesa, carregada de moedas de ouro, lingotes de cobre, presas de marfim. Ficou ali durante 500 anos, no areal da Namíbia, destroçada após um naufrágio. Para agora se revelar. 

Pode não ser a nau que transportava Bartolomeu Dias, que naufragou em 1500. Mas decerto é uma nau portuguesa, da rota das Índias, ou melhor, o que resta dela após um violento naufrágio. Seguia para oriente numa data não muito distante de 1500. Mas posterior.

Fustigada pelos musculados braços do monstro Adamastor, senhor das correntes do Cabo, a embarcação foi esventrada pelas ondas e empurrada para a costa da Namíbia, deixando no caminho um rasto de carga, de ossos e destroços de navio. Tudo morreu na praia. E por lá ficou ao longo de cinco séculos.

A descoberta desta embarcação naufragada há 500 anos está a fascinar a arqueologia náutica mundial. Em Abril passado um funcionário da Namdeb, o consórcio do Governo da Namíbia com a multinacional de exploração diamantífera DeBeers - que faz a exploração da região -, encontrou uma pedra estranha enquanto extraía as preciosas pedras brilhantes das areias da Sperrgebiet, "terra proibida". Um canhão empedernido foi a primeira peça a revelar-se. Depois vieram mais, muitas mais.

Duas mil moedas cunhadas pelas coroas espanhola e portuguesa, 20 toneladas de lingotes de cobre e estanho, semi-esféricos, mas também de outras formas, algumas estranhas, cravados com o tridente dos banqueiros alemães Fugger, que forneciam de metal a coroa Portuguesa. E ainda dezenas de presas de marfim africano, instrumentos científicos, baixelas de estanho e restos de candelabros, espadas, restos de ossos humanos (pelo menos uma costela e parte de uma bacia) e até restos de chinelos em couro. Um espólio típico de um navio que vai para o oriente, dizem os especialistas.

Isto para além de peças da estrutura do navio, de tamanho colossal, que começaram a aparecer por todo o lado ao longo dos cerca de 600 metros quadrados, na mina U60 da Sperrgebiet.

O local da escavação é um pedaço de terra roubado ao Atlântico, resguardado do mar por uma parede artificial de areia com seis metros de altura. Um carreiro de camiões encarregou-se de alimentar a muralha constantemente, ao longo dos 32 dias de trabalhos. Só 1700 euros diários eram necessários para esta operação, totalmente financiada pela NamDeeb. Para cá dessa parede, e depois da água e areia aspirada (e cuidadosamente filtrada para revelar diamantes), os achados quinhentistas foram expostos.

Numa primeira fase os trabalhos foram coordenados pelo arqueólogo sul-africano Dieter Noli, especialista na área da Sperrgebiet. Mas era necessária a participação de uma equipa que soubesse lidar com a raridade em causa: uma nau quinhentista. Foi então que o nome de Francisco Alves surgiu. A única nau quinhentista, da rota das Índias, descoberta e estudada até hoje, a Nossa Senhora dos Mártires, em 1998, na barra do rio Tejo, foi um trabalho da sua equipa, do Centro de Arqueologia Náutica e Subaquática, o CNAS.



A equipa portuguesa

"É o achado mais importante encontrado da África subsariana, pelo menos dos estudados por arqueólogos, exceptuando talvez a fragata de Santo António de Tana, de final do século XVII, escavada em Mombaça no final dos anos 70, estava a arqueologia náutica portuguesa a nascer. Não falo de pilhagens, claro", defende Francisco Alves que reconhece o esforço do Governo da Namíbia em resistir a "caçadores de tesouros" que assediaram as autoridades na esperança de chegar ao achado.

Para além de Francisco Alves e Miguel Aleluia, do CNAS e de um grupo de investigadores espanhóis indicados pelo Ministério da Cultura do país vizinho e do Museu de Arqueologia Subaquática de Cartagena, a equipa era ainda formada por um grupo de especialistas da Universidade de Texas A&M, uma das melhores instituições de investigação do mundo em arqueologia náutica, representada pela equipa do também português Filipe Vieira de Castro. Este último também tinha participado, com Francisco Alves, nos trabalhos da Nossa Senhora dos Martíres. Mas a participação desta equipa de excelência, que se encarregaria agora da investigação ao pormenor e da conservação dos achados, parece ser incerta.

"A única parte do projecto em que nós poderíamos adicionar algum conhecimento era na conservação das concreções metálicas porque o nosso laboratório aqui tem capacidade para radiografar e reconstruir objectos há muito desaparecidos, mas cujos moldes ficaram preservados nas concreções, juntamente com pólenes e traços ínfimos de exosqueletos de insectos. Mas para isso era preciso que os governos, português e da Namíbia, nos deixassem trazer as concreções para o Texas. E como os representantes de ambos os países colocaram reticências a este respeito, nós não pensámos mais nisso", adiantou ao P2 Filipe Castro.

Francisco Alves também afirma não saber nada sobre os planos para o futuro da investigação: "Os trabalhos preliminares são muito importantes. Muitas vezes precisamos de instrumentos de dentista. Mas tem de haver um trabalho de equipa", diz Francisco Alves sobre uma autêntica investigação digna da famosa série CSI. O que se passou na Sperrgebiet foi uma verdadeira investigação forense que levou a que conseguisse fazer o levantamento de tudo aquilo que era recuperável nos 600 metros quadrados de achados disperso pela mina U60.



A primeira moeda de ouro

Mas a etapa seguinte não é menos importante: "Todos os pormenores surgem agora na leitura destes vestígios delicadíssimos retirados do seu contexto. A construção de uma embarcação tem vestígios arquitecturais, sinais inscritos na madeira, nos quais a náutica portuguesa é muito rica", diz o arqueólogo sobre o que agora se seguirá, uma espécie de montagem de um puzzle muito incompleto.

Nos 32 dias passados na "terra proibida" Francisco Alves e Miguel Aleluia conseguiram recuperar tudo o que era possível. "As surpresas eram diárias. Temos mais de meia centena de peças estruturais do navio e foram todas recuperadas. Tudo o que interessava e que se encontrou foi salvo dentro da abordagem possível", diz Francisco Alves que, em quatro décadas de arqueologia náutica encontrou, na Namíbia, a sua primeira moeda de ouro.

Mas o arqueólogo português está certo, contudo, que a rocha e a natureza ficaram com muito mais. Uma das peças mais importantes da estrutura do navio, o calcez, "uma peça colossal", com dois metros de comprimento, usado para içar os panos do navio, e que estava descrita num manual de época mas que nunca tinha sido vista, foi encontrada intacta a quatro quilómetros da mina U60, onde decorreram os trabalhos.

Identificaram as peças e deixaram-nas num banho acuoso essencial à conservação. Nada sairá da Namíbia, visto que a legislação do país protege os achados encontrados em território nacional. Mas, para além das moedas de ouro que terão sido guardadas num banco da Namíbia, tudo o resto está num dos lugares mais seguros do mundo: "Toda a fronteira do Sperrgebit é um 'ScanEx' gigantesco, como o de controlo de bagagens nos aeroportos", descreve Francisco Alves. Ninguém sai da zona de alta segurança da exploração diamantífera sem ser virado do avesso. "Até as tampas das esferográficas eram revistadas".

Por isso Francisco Alves acredita que a nau quinhentista da Rota das Índias está a salvo. Apesar de pairar sobre este tesouro, sempre, o risco de sucumbir ao feroz assédio do mercado internacional de antiguidades.

Sobre o valor do achado, Francisco Alves recusa-se a avançar com números: "Recuso-me a avançar com valores. Seria inédito que algum arqueólogo avaliasse um achado. Quanto é que vale o túmulo do Tutankamon? Isso é para as lojas de antiguidades".

Mas são as moedas de ouro que falam mais alto. São elas que vão indicar, pela data de cunhagem, a datação da embarcação: "Nos primeiros dias de Maio foi encontrada uma moeda cuja cunhagem só existiu a partir de 1525. Mas só nos podemos pronunciar quando forem todas classificadas. A cunhagem mais recente indicará a data provável".

E é também nas cerca de duas mil moedas que se concentram as atenções em relação a valores. As portuguesas, mais valiosas, uma vez que tinham um grau de pureza de 999,2 por mil, representam apenas um terço da colecção. Mas estes "portugueses" de século XVI, como se chamavam então a estas moedas, estavam avaliados, há cerca de dez anos, conta Francisco Alves, em cerca de 50 mil euros. Cada moeda.

Fonte: Ana Machado (10 Nov 2008). Público.

Vídeo: http://static.publico.clix.pt/docs/cultura/tesouroescondido/

Autoria e outros dados (tags, etc)

por noticiasdearqueologia às 19:16


Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Pesquisar no Blog  

calendário

Setembro 2016

D S T Q Q S S
123
45678910
11121314151617
18192021222324
252627282930





Arqueo logos