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NOTÍCIAS DE ARQUEOLOGIA

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Sexta-feira, 26.08.11

Arqueólogos descobrem nova mesquita, 21 sepulturas e uma lápide no Algarve

Uma nova mesquita, 21 sepulturas e uma lápide funerária com uma epígrafe em árabe foram descobertas este verão durante uma campanha no Ribãt da Arrifana (Algarve), chefiada por dois arqueólogos portugueses da Universidade Nova de Lisboa.
“Descobrimos no Ribãt uma nova mesquita, 21 novas sepulturas e uma segunda lápide sepulcral in situ com uma epígrafe em sete linhas de texto em árabe”, revelou à Agência Lusa a historiadora Rosa Varela Gomes.
O Ribãt (convento) da Arrifana, localizado na Península da Ponta da Atalaia, a cinco quilómetros de Aljezur, foi identificado há 10 anos pelos arqueólogos Rosa e Mário Varela Gomes, da Universidade Nova de Lisboa, que puseram a descoberto as ruínas de oito mesquitas, um minarete, um muro de orações, uma necrópole e objetos em cerâmica, panelas, armas metálicas e uma lápide funerária in situ (no local).
Na presente campanha estão a trabalhar mais de 20 estudantes de Arqueologia da Universidade Nova de Lisboa, que entre as 09:00 e as 18:00 escavam nas ruínas do Ribãt. Os trabalhos arqueológicos estão decorrer até final de agosto e foi possível realizá-los, porque este ano houve financiamento via programa "Polis Litoral do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina".
O Ribãt da Arrifana é um convento islâmico único em Portugal, fundado em 1130 por monges guerreiros para espalhar a Jihad (guerra santa).
“O Polis servirá para consolidar as estruturas encontradas e musealizar o espaço identificado para divulgar ao público, devolvendo o património à comunidade, algo que deve acontecer em 2013”, estima a historiadora, referindo que o Ribãt da Arrifana é o maior da Península Ibérica.
Existe um outro Ribãt perto de Alicante (Espanha), mas mais pequeno de dimensão.
O Ribãt da Arrifana foi fundado no século XII pelo mestre e monge guerreiro Sufi Ibn Qasi, que chegou a fazer um pacto de não agressão com o rei D. Afonso Henriques, para que este pudesse conquistar os territórios entre Mondego e Tejo.
As ruínas do convento-fortaleza do século XII revelam algumas celas onde os monges guerreiros rezavam e dormiam.
Uma escola corânica, uma grande necrópole e uma zona de lavagem para os mortos são outras das descobertas arqueológicas feitas no Algarve, conta Rosa Varela Gomes, referindo que todas as sepulturas estão viradas para Meca, cidade mais sagrada para a religião islâmica.
O Rabãt da Arrifana deve estar visitável até 2013, mas entretanto já foi palco fotográfico para um casamento islâmico e é visitado por centenas de turistas.
Os mariscadores são também presença assídua na Ponte da Atalaia e quando passam junto das ruínas do Ribãt, com os seus baldes negros, em busca de bivalves e outros mariscos, revelam um interesse genuíno pelos achados históricos, questionando os arqueólogos.


Fonte: (05 Ago 2011). Diário On line:http://www.regiao-sul.pt/noticia.php?refnoticia=118670

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por noticiasdearqueologia às 12:41

Sábado, 01.09.07

Ribât da Arrifana (Aljezur): seis anos de trabalho...

Uma exposição vai pela primeira vez apresentar ao grande público o resultado das investigações. Em 2008, a mostra ruma a Lisboa. Mário Varela Gomes, arqueólogo responsável – em conjunto com a sua mulher Rosa Varela Gomes - pelas escavações que têm decorrido, desde há seis anos, naquele local à beira mar, salientou que o principal objectivo da exposição é dar a conhecer o trabalho de investigação já desenvolvido, mas também chamar a atenção para a importância desta fortaleza-mosteiro islâmica com mais de 800 anos, que terá sido reduto do mestre sufi e monge-guerreiro Ibn-Qasi.


Foto


Reconstituição de uma mesquita do Ribât da Arrifana




Mais do que a vertente material, mostrando as peças recolhidas ao longo das escavações arqueológicas, o investigador chama a atenção para a «vertente espiritual do sítio», que será um aspecto «muito inovador» desta exposição.
Para a ilustrar, a mostra apresentará, pela primeira vez, ao grande público, peças religiosas, como os rolinhos de chumbo provavelmente contendo versículos do Corão, a inscrição corânica numa placa de xisto, ou ainda uma outra inscrição com referências a Alá numa placa de cerâmica, encontrada na curta campanha de escavações deste Verão.
«Em termos de espólio material, não haverá peças de grande aparato para mostrar», porque no ribât da Arrifana, na Ponta da Atalaia, o que existia era um mosteiro, habitado por monges-guerreiros e por peregrinos que escolhiam viver ali, naquela espécie de fim do mundo, fazendo uma vida frugal dedicada à oração.
A exposição resulta de uma candidatura da Associação de Defesa do Património Histórico-Arqueológico de Aljezur a um programa da delegação do Algarve do Ministério da Cultura, contando ainda com o apoio da Câmara desta vila da Costa Vicentina e de empresas locais.
Mas, mesmo assim, o dinheiro é curto, uma vez que, além da mostra em si, vai ser editado um extenso catálogo.
José Marreiros, presidente da Associação, não disfarça o seu contentamento, mas também algum nervosismo com a aproximação da data em que a exposição vai abrir, já que esta será a maior mostra alguma vez produzida e apresentada no concelho.
No dia em que o «barlavento» falou com ele, José Marreiros transportava no seu carro, de regresso de Lisboa, algumas das peças que estarão patentes e que tiveram que ser sujeitas a restauro, outra vertente que aumentou os custos da iniciativa.
«Temos mais de duas dezenas de peças de cerâmica, mas também outras peças, como lanças, contas de colar, pesos de tecelagem, objectos religiosos. Foi preciso tratar tudo isso, restaurar. E isso tem custos», explicou o presidente da Associação.
José Gonçalves, vereador da Cultura da Câmara de Aljezur, que tem dado todo o seu apoio às escavações e a esta mostra, não esconde o desejo de, através da exposição, que na Primavera do próximo ano até irá estar patente no Museu Nacional de Arqueologia em Lisboa, «conseguir finalmente congregar para o ribât da Ponta da Atalaia toda a atenção das entidades oficiais».
«Aquilo é demasiado importante para estar a ser investigado aos soluços, um mês em cada Verão», salientou o autarca. «Precisamos de mais», frisou.
«Esperamos que esta grande exposição chame a atenção para a importância deste sítio arqueológico único na Península Ibérica e que aproxime mais as entidades que nos deviam apoiar, como o Ministério da Cultura, mas também outras instituições e até empresas», concluiu José Gonçalves.
Enquanto estas esperanças não se concretizam, o catálogo não deverá ser apresentado já no dia 7, na abertura da exposição.
O «barlavento» sabe que a ideia seria convencer a ministra da Cultura Isabel Pires de Lima a vir até Aljezur numa outra data, para então lançar o livro, com pompa e circunstância. Mas até agora, garante o vereador José Gonçalves, ainda não há confirmação da disponibilidade da ministra.
Entretanto, abrindo as portas no dia 7 de Setembro, às 17h30, no Espaço +, a exposição «Ribât da Arrifana – Cultura Material e Espiritualidade» poderá ser vista até 5 de Outubro. Com ou sem ministra.
Elisabete Rodrigues (1 Set 2007). O Barlaventohttp://www.barlavento.online.pt/index.php/noticia?id=17747

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por noticiasdearqueologia às 23:24


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