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NOTÍCIAS DE ARQUEOLOGIA

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Quinta-feira, 02.01.14

Vestígios arqueológicos na Europa mostram comércio atlântico na era romana

Um estudo da Universidade Autónoma de Barcelona mostrou que existia comércio atlântico na época romana, comprovado por novos vestígios arqueológicos provenientes de diversos locais na Europa.

As provas que sustentam a constatação deste comércio foram descobertas em vários locais arqueológicos das costas da Península Ibérica, da Alemanha, da Holanda e do noroeste de França, no âmbito de um projeto internacional que envolveu também universidades de Lisboa e da Alemanha.

O arqueólogo da Universidade Autónoma de Barcelona (UAB) César Carreras explicou, numa entrevista à agência Efe, que a primeira surpresa foi descobrir que "mais de 70 por cento das ânforas da Grã-Bretanha descobertas em 103 explorações arqueológicas da época romana eram de origem peninsular".

Predominavam, especificamente, ânforas de azeite de Guadalquivir, peixe da baía de Cádis e vinhos do sul e da zona da Catalunha (Espanha).

"Para alcançar as ilhas britânicas, a rota mais adequada era a atlântica, quer devido aos custos quer pelo tempo, e a única dúvida residia na dificuldade da travessia atlântica e na falta de barcos afundados, mas nos últimos anos, completámos esta visão com o estudo de cidades romanas na Holanda (Kops Plateau) e na Alemanha (Xanten, Neuss), que confirma o que havíamos visto em Inglaterra", disse o investigador.

As novas descobertas na Holanda e na Alemanha de "uma quantidade espetacular de ânforas peninsulares", de datas muito antigas -- época de Augusto -- quando os romanos tinham acabado de conquistar estes territórios.

Na opinião do arqueólogo, se até agora havia reticências para aceitar esta rota atlântica, especialmente na sua vertente ocidental (costa portuguesa, galaica e andaluza), os achados da Holanda e Alemanha reforçam esta hipótese de forma concludente.

Além disso, mostram uma cronologia muito antiga (ano 16 antes de Cristo) em uma quantidade de produtos muito importantes dentro do aprovisionamento militar das campanhas de conquista do imperador Augusto na Germania.

"Tanto a quantidade como a variedade de produtos e a cronologia parecem inéditos e ajudam a completar a informação que os nossos colegas franceses estavam a documentar na costa norte francesa, que tem o mesmo tipo de produtos, em proporções semelhantes e com datações idênticas", afirmou Carrera.

As ânforas são vasos concebidos para o transporte marítimo ou fluvial e, portanto, a sua presença a norte do Reno faz supor que este rio era um dos acessos destes produtos.

A nível de arqueologia subaquática, o Atlântico, prosseguiu o especialista da UAP, é um lugar difícil para trabalhar devido à profundidade em que podem estar os possíveis barcos (abaixo dos 30 metros), mas más condições de visibilidade e o frio.

"A maioria dos achados são de barcos que se afundaram na costa ou em rias e a cada dia temos mais, nomeadamente em Portugal, o último em Esposende, na Galiza, nas ilhas do canal da Mancha e a costa belga", que confirmam uma importante circulação comercial, "se bem que não tão importante como no Mediterrâneo", referiu.

Fonte: JH/APN (31.12.2013). Lusa/PortoCanal:http://portocanal.sapo.pt/noticia/13918/

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por noticiasdearqueologia às 20:59

Sexta-feira, 26.10.07

Ânfora romana retirada do Arade no arranque das dragagens

«Cuidado com o Óscar!», exclamou Alberto Machado, enquanto, com a ajuda de Vasco Dantas, segurava com cuidado a ânfora romana acabada de sair da água. «Olha que ele está preso!»


O Óscar, ao contrário do que se possa pensar, não é um mergulhador, que por qualquer razão tenha ficado preso durante a tarefa de trazer à luz do dia a ânfora romana que estava no fundo do estuário do Arade.


Foto


Depois de dois mil anos no fundo do rio Arade, aqui está a ânfora romana


O Óscar é um polvo aí de uns dois quilitos, que durante anos viveu descansado dentro da ânfora milenar, enterrada no leito do rio, a mais de seis metros de profundidade, frente à Praia Grande.
E, com a retirada da ânfora, o pobre do polvo perdeu a sua casa de anos e anos. Mas Alberto Machado descansou os espíritos mais inquietos: «deixámos lá no fundo uns cinco ou seis covos para ele escolher».
«Mas isso é como trocar uma mansão por um T0», alguém gracejou. O Óscar, que veio à tona da água dentro da ânfora, lá acabou por sair, soltar-se do saco de rede em que a milenar peça foi depositada, e, largando um jacto de tinta escura, lá escapou outra vez para dentro de água, desaparecendo no rio.
Com a saúde do inquilino da ânfora devidamente acautelada, Machado e Vasco puxaram a peça para dentro do barco de borracha de apoio, depositaram-na com mil cuidados numa esponja, cobriram-na com um cobertor molhado em água salgada do estuário e transportaram-na para terra.
O levantamento desta ânfora com cerca de 2000 anos foi uma operação levada a cabo pelo Grupo de Estudos Oceânicos (GEO), uma associação com sede em Portimão que há muitos anos colabora na investigação sobre a riqueza arqueológica do Rio Arade.
A operação marcou o início das dragagens no estuário do rio, na zona portuária, que começaram no sábado à tarde, mal a draga dinamarquesa chegou a Portimão, e que, em pleno domingo, continuavam a todo o vapor.
A retirada da ânfora, bem como a colocação de bóias assinalando zonas do estuário onde há importantes vestígios arqueológicos ainda por explorar, foi uma operação decidida entre o Igespar e o Instituto Portuário e dosTransportes Marítimos, responsável pelas dragagens.
A ideia é evitar que os trabalhos de aprofundamento da bacia de manobras e outros no estuário provoquem, como aconteceu em anteriores campanhas de dragagens, sérios danos no património arqueológico subaquático.
Para já, a ânfora romana de cerca de 80 centímetros, intacta, foi retirada e será agora sujeita a um processo lento de dessalinização e depois de conservação.
Tendo em conta que os trabalhos foram pagos pela Câmara de Lagoa, em cuja “metade” do estuário do Arade se situavam os vestígios arqueológicos, a ânfora deverá depois ser depositada neste concelho…ainda que, pelo menos para já, Lagoa não tenha qualquer museu ou estrutura vocacionada para receber a milenar ânfora.
In: elisabete rodrigues (22 Out 2007). O Barlavento, on line: http://www.barlavento.online.pt/index.php/noticia?id=19084&tnid=5

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por noticiasdearqueologia às 21:25


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