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NOTÍCIAS DE ARQUEOLOGIA

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Sábado, 20.10.07

Homo sapiens come marisco há 165.000 anos e tinha utensílios complexos

Uma equipa de cientistas norte-americanos encontrou vestígios de populações humanas que habitaram a costa da África do Sul há 165.000 anos e que provam que comiam marisco, já nessa altura. Estes Homo sapiens, segundo os investigadores, podem ser os progenitores de todos os humanos modernos, dado o nível tecnológico e simbólico que alcançaram.

De acordo com as descobertas na Cidade do Cabo (África do Sul), os seres humanos utilizavam complexos utensílios afiados, que podiam servir como pontas de lança ou como dardos. Além disso, usavam também um pigmento vermelho, que para os investigadores é sinal de um comportamento simbólico. Até hoje pensava-se que estes comportamentos eram bastante posteriores na nossa lenta evolução.


215326_marisco.jpgLuís Ramos/PÚBLICO

A equipa, dirigida por Curtis Marean, da Universidade de Arizona, antes de cmoeçar os trabalhos da costa da África do Sul, realizou um estudo exaustivo do clima, das correntes oceânicas e das condições geológicas, para determinar qual era o lugar mais adequado para iniciar pesquisa de vestígios de humanos primitivos.
Foi desta forma que chegaram ao local das escavações em Pinnacle Point, perto da Baía Mossel. “Era o sítio perfeito”, afirmou Marean, que contou com 2,5 milhões de euros para o seu projecto, graças a uma fundação privada.
Os resultados da investigação foram publicados na revista “Nature”. Estes foram possíveis com a ajuda de inovadoras tecnologias de datação, que possibilitaram perceber que os nossos antepassados viveram naquela costa há 165.000 anos, ao contrário dos 125.000 anos que se pensava.
O coordenador do projecto recorda no seu trabalho que os hominídeos foram recolectores e caçadores de espécies terrestres. A explicação dada para se terem começado a interessar pelos crustáceos marinhos está nas mudanças climáticas. Naquela época do Paleolítico praticamente todo o continente africano era um deserto, o que tornava muito difícil conseguir alimentos. Por outro lado, no hemisfério norte vivia-se uma época glaciar.
O facto de comerem marisco significa que puderam movimentar-se ao longo da linha da costa africana, mesmo a grandes distâncias, um dado especialmente interessante para aqueles que se dedicam ao estudo das migrações para fora do continente e para os investigadores do campo da genética, que tentam identificar as rotas dos nossos antepassados no ADN.
Os utensílios encontrados no trabalho de campo são mais sofisticados do que o esperado para um Homo sapiens. Foram descobertas pequenas lâminas de 10 milímetros de espessura e do tamanho de um dedo que podiam ser a ponta de uma arma com muita precisão.
Os paleontólogos estão surpreendidos com a capacidade simbólica dos antigos habitantes daquela zona, havendo mesmo a possibilidade de terem estabelecido comunicação através de uma linguagem, o que pressupõe um grande desenvolvimento cognoscitivo.


In: 18 Out 2007. Públicohttp://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1307929&idCanal=13


Notícia relacionada pub. no blog: http://sergivs.blogs.sapo.pt/47075.html


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por noticiasdearqueologia às 22:21

Quinta-feira, 18.10.07

Homo sapiens conquistou a Terra graças ao mar

A descoberta pelos arqueólogos do mais antigo habitat costeiro do "homo sapiens" numa gruta da África do Sul mostra que os antepassados do Homem conquistaram a totalidade do globo graças aos alimentos retirados do mar.

Segundo um estudo que será publicado quinta-feira na revista Nature, na origem desta teoria encontram-se conchas, hematites (pedras vermelhas) talhadas e pequenos objectos com cerca de 164.000 anos e que foram descobertos numa gruta perto do oceano Índico na África do Sul.


Segundo Curtis Marean, da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, e a sua equipa, o homo sapiens do Paleolítico médio (-300.000 a -30.000 anos) que viviam na gruta de Pinacle Point utilizaram o mar para se alimentar, numa altura em que o interior das terras se tinha tornado frio e árido durante um período de glaciação.


"Durante milhões de anos, os nossos antepassados caçadores-recolectores apenas se alimentaram de plantas terrestres e de carne. As conchas foram dos últimos acrescentos à alimentação humana antes da introdução das plantas e dos animais domésticos", explica Marean.


Esta domesticação apenas surgiu no neolítico, há cerca de 11.000 anos.


Até hoje, os habitats mais antigos conhecidos próximos do mar remontavam a 120.000 anos.


Na realidade, durante o período de glaciação que ocorreu entre 195.000 e 135.000 anos antes da era presente, uma grande quantidade de água era retida no calote glaciar, e o nível dos oceanos era 125 metros mais baixo do que actualmente.


Quando os glaciares derreteram, a subida das águas engoliu as costas e os traços dos habitats humanos.


A gruta de Pinacle Point foi reencontrada, porque se situava num ponto extremamente elevado.


Actualmente situa-se 15 metros acima do nível do mar, mas na altura encontrava-se a cinco ou dez quilómetros da costa.


A utilização dos recursos do mar pode ter levado o homo sapiens a migrar ao longo das costas e a estender a sua zona de povoamento para lá de África, numa primeira fase ao longo do Mar Vermelho em direcção ao Médio Oriente, depois fazendo progressivamente a volta do globo começando pela Ásia do Sul, a Nova Guiné e a Austrália.



In: (17 Out 2007). RTP: http://www.rtp.pt/index.php?article=302912&visual=16


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por noticiasdearqueologia às 08:09


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