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NOTÍCIAS DE ARQUEOLOGIA

O Património é um bem comum... Preservá-lo só depende de cada um de nós...


Sábado, 06.06.09

Descoberta importante necrópole em Évora com 80 sepulturas e quase 3000 anos

 Uma necrópole do segundo período da Idade do Ferro, com cerca de 80 sepulturas, e uma estrada romana foram descobertas próximo do aeródromo de Évora, na periferia da cidade, constituindo-se como um "importante achado" arqueológico, foi ontem divulgado.

"Face à movimentação de terras, descobrimos estas fossas [sepulturas] escavadas no substrato rochoso", explicou à agência Lusa o arqueólogo Telmo Pinheiro, responsável pelos trabalhos. Os achados arqueológicos foram descobertos há cerca de duas semanas, na sequência das obras do futuro Parque de Indústria Aeronáutica de Évora, junto ao aeródromo da cidade.

"São aproximadamente 80 fossas, círculos escavados nas rochas, onde enterravam as cinzas juntamente com algum espólio, depois de cremarem os corpos", relatou o arqueólogo, indicando que a poucos metros do local foi também encontrada "uma mancha" onde era feita a cremação dos corpos.

Segundo o responsável pelo acompanhamento arqueológico das obras, os achados remontam ao segundo período da Idade do Ferro, 800 anos antes de Cristo (a.C.), quando os romanos chegaram a esta zona da Europa. "Algumas delas [sepulturas] foram remexidas e novamente tapadas. O próprio espaço, por ser sagrado, foi reaproveitado pelos romanos, tendo perdurado pela época romana", revelou, explicando que o espaço era habitado por comunidades autóctones que depois foram "romanizadas".

Lembrando que "na tradição romana as necrópoles estão sempre associadas a uma via", Telmo Pinheiro adiantou que foi descoberta uma estrada romana a cerca de 100 metros das sepulturas. "Este sítio vem ajudar a perceber como foi o processo de transição das comunidades locais com a vinda dos romanos e como é que desenvolveram a sua cultura e tradições", afirmou o responsável.

Para Telmo Pinheiro, trata-se de um "importante achado" arqueológico, já que "muitos dos estudos que estão feitos são baseados em fontes escritas e, neste caso, são vestígios". A estrada romana, provavelmente, vai ser reintegrada no projecto da obra e não será destruída e as fossas também vão ficar preservadas", precisou o arqueólogo.

Segundo o arqueólogo responsável pelos trabalhos, os importantes achados remontam ao ano 800 a.C.


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por noticiasdearqueologia às 23:40

Domingo, 01.02.09

Santarém: vestígios da alcáçova vão ser musealizados

As ruínas romanas e os vestígios da Idade do Ferro, junto ao Jardim das Portas do Sol, em Santarém, preparam-se para ser musealizadas, permitindo aos escalabitanos, e a quem a visita, ”espreitaram” uma ”nesga” do passado da cidade. A alcáçova de Santarém tem-se revelado ”riquíssima” para os arqueólogos, tendo as escavações actualmente em curso, no decorrer das obras de requalificação do Jardim das Portas do Sol, confirmado a presença de vestígios desde a Idade do Bronze até à época Contemporânea. Laurent Caron, do Departamento de Território, Arqueologia e Património, do Instituto Politécnico de Tomar (IPT), responsável pela escavação, disse que os trabalhos iniciados em Setembro trouxeram à superfície uma cisterna romana ”inteira”, do século I, e um tanque que pode estar associado a esta estrutura, na zona exterior ao jardim. Para surpresa do grupo de arqueólogos do IPT, no interior do jardim foram encontrados enterramentos (13 corpos) do século XIII e alguns mais recentes, que podem estar associados à Igreja de Santa Maria de Alcáçova ou a uma Ermida de S. Miguel, o que não havia ainda sucedido nas escavações anteriores. ”Também na primeira vala apanhámos uma parede e um piso de cerâmica e uma fossa com material islâmico. Se se confirmar, seria a primeira vez que teríamos umas estruturas habitacionais desta época na Alcáçova”, disse Laurent Caron.


 Nas escavações realizadas nas valas abertas no interior do jardim, os arqueólogos encontraram ainda, entre muitos outros vestígios, material, da Idade do Ferro, associado à tecelagem e à metalurgia (atribuída à função militar), num ”sinal da importância que Santarém teria, ao ter fábricas de material militar no próprio sítio”, disse Laurent Caron. ”Encontrámos níveis da Idade do Ferro cortados na época medieval para fazer um grande aterro. Em quase toda a vala encontrámos esse aterro medieval, o que indica uma fase de planeamento do terreno nessa época”, afirmou.As obras em curso no Jardim das Portas do Sol, a concluir em Junho, prevêem a musealização dos vestígios romanos e da Idade do Ferro encontrados em escavações anteriores, agora alargadas para permitir a construção da estrutura. Esta fase de trabalhos permitiu não só descobrir a cisterna romana e meia dúzia de silos islâmicos que ”cortaram” muros e paredes da época romana, mas também vários níveis de uma rua romana, já detectada na escavação anterior. ”Tratar-se-ia de uma zona habitada, constantemente remodelada desde a Idade do Ferro”, época que se identifica num nível estratigráfico inferior e pela técnica de construção das paredes, adiantou.


Fonte:(23 Jan 2009).Jornal Torrejano: http://www.jornaltorrejano.pt/edicao/noticia/?id=2092&ed=655

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por noticiasdearqueologia às 00:33

Quarta-feira, 26.11.08

Reino Unido: Caça-tesouros encontrou colar da Idade do Ferro

Um colar de ouro da Idade do Ferro, avaliado em mais de meio milhão de

euros, foi descoberto esta semana, por acaso, num terreno lamacento em

Newark, Nottingham, no Reino Unido. J. D. Hill, responsável pelo

departamento da Idade do Ferro do Museu Britânico, diz que "é uma

coisa fabulosa, o melhor achado da Idade do Ferro nos últimos 50

anos".

Maurice Richardson, um cirurgião de árvores que ocupa os tempos livres

como caça-tesouros, procurando objectos enterrados, já se preparava

para regressar a casa quando o seu detector de metais apitou. Era,

como esperava, mais um pedaço da fuselagem de um avião que se

despenhou durante a Segunda Guerra. Mas quando se baixou para pegar no

decepcionante pedaço de lata, a máquina voltou a apitar, e desta vez

com mais força. Descobriu, um valiosíssimo colar celta que terá sido

fabricado há 2200 anos.

Quando viu uma fotografia do colar, Hill pensou que alguém lhe estava

a pregar uma partida, porque parecia idêntico a uma famosa peça do

Museu Britânico, conhecida como torques de Sedgeford. Agora que pôde

confrontar os dois ornamentos, confirma que são "quase gémeos" e

acredita que possam ter sido fabricados pelo mesmo artífice. A

investigadora realça ainda a estranheza de o colar ter aparecido em

Newark, local sem tradições em matéria de achados da Idade do Ferro, e

de ter sido encontrado no cimo de uma colina. Igualmente insólito é o

facto de o museu de Newark ter conseguido adquirir a peça, já que

artefactos com esta importância e valor costumam ir parar aos museus

nacionais.

Ao abrigo de um programa governamental que pretende incentivar os

caça-tesouros a declarar os seus achados, Richardson e o proprietário

do terreno receberam já recompensas, cujo valor não foi divulgado.

Fonte: Luís Miguel Queirós (21 Nov 2008). Público.

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por noticiasdearqueologia às 22:59

Sábado, 08.11.08

Projecto de Valorização e Restauro Castro de Sabrosa


 



foto

Devido à necessidade de devolver ao concelho um património histórico valiosíssimo, o Castro de Sabrosa foi alvo de um projecto de valorização e restauro.

Este projecto foi candidatado ao programa comunitário Leader+, tendo sido comparticipado em 57% pelo FEOGA (Fundo Europeu de Orientação e Garantia Agrícola).

A intervenção foi dividida em várias fases: recolha bibliográfica e documental existente, limpeza da vegetação do denominado “reduto cimeiro”, definição das respectivas estruturas, reposição dos elementos pétreos, localização e descrição de algum espólio mais representativo resultante das escavações do arqueólogo Professor Doutor Santos Júnior.

Em vista a concepção de um percurso de visita a ser desenvolvido por um arquitecto paisagista, concepção de conteúdos e, por fim, desenvolvimento e implementação do projecto de arquitectura e consequente instalação.

Este projecto enquadra-se num conjunto de acções similares que derivam da proximidade com outros elementos patrimoniais de interesse turístico, que depois propiciam a criação de circuitos turístico/culturais e respectivos fluxos turísticos.

Fonte: (7 Nov 2008). Notícias do Douro: http://www.dodouro.com/noticia.asp?idEdicao=238&id=13628&idSeccao=2625&Action=noticia



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por noticiasdearqueologia às 14:52

Quarta-feira, 22.10.08

Torres Vedras: encontradas contas de colar da Idade do Ferro

Os arqueólogos que acompanharam a construção de um parque eólico em Torres Vedras encontraram meia centena de contas de colar, da idade do ferro, um espólio considerado valioso porque prova que a zona era bastante povoada naquele período.


«Encontrámos à superfície um valioso espólio em contas de colares, mais de meia centena, o que nos leva a acreditar que ali existia uma grande necrópole porque os indivíduos eram sepultados com um pequeno espólio», afirmou hoje à Lusa Mário Monteiro, arqueólogo que coordenou a campanha.


Os achados foram descobertos em 2006 e 2007 durante o acompanhamento arqueológico da construção do parque eólico da Serra do Socorro e após terem sido estudados foram agora doados ao Museu Municipal Leonel Trindade, de Torres Vedras.


Os arqueólogos já tinham anteriormente descoberto o povoado muralhado da Serra do Socorro, também da Idade do Ferro, e acreditam que estes adornos pertencem a habitantes de um outro povoado que existia na mesma zona (cabeço do moinho da Mariquitas).


«É um achado valioso porque podemos estar a falar de um conjunto de dois povoados (um já era conhecido anteriormente) e de uma necrópole»,


O facto dos achados estarem à superfície é explicado pelo arqueólogo por aquela área já sido sujeita a trabalhos de extracção de inertes. 


Fonte: (6 Out 2008). Diário Digital / Lusa:  http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=4&id_news=352487

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por noticiasdearqueologia às 22:31

Quarta-feira, 22.10.08

Continuam por decifrar as inscrições da lápide com a mais antiga escrita da Península Ibérica

foto noticia


O significado das inscrições na lápide funerária encontrada em Almodôvar ainda não foi decifrado pelos arqueólogos, mas a descoberta é considerada um “grande contributo” para desvendar os mistérios da Escrita do Sudoeste.


Na peça – denominada Estela das Mesas de Castelinho -, encontrada no início de Setembro durante a campanha arqueológica que decorreu na estação com o mesmo nome, em Almodôvar (Beja), reside a maior inscrição daquele tipo de escrita até agora encontrada na Península Ibérica.

Supõe-se que a lápide tumular, característica de algumas regiões do Sul de Portugal e Espanha e encontrada praticamente intacta por uma equipa de arqueólogos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, date de há cerca de 2.500 anos, altura que coincide com a primeira Idade do Ferro.

“Nós conseguimos ler os textos, o problema reside em saber o seu significado concreto”, afirmou o arqueólogo Amílcar Guerra, coordenador das escavações levadas a cabo na estação situada na freguesia de Santa Clara-a-Nova, onde foi localizada a peça.

É que apesar da área gravada ser muito extensa – ao contrário de peças achadas anteriormente, que estavam muito fragmentadas -, uma das dificuldades na descodificação do significado do texto deve-se ao facto deste ser contínuo e de não haver separadores entre as palavras.

Segundo aquele investigador, não é com este achado que se vai encontrar a solução para o problema da interpretação dos textos em si, embora a extensão das inscrições seja considerada um “grande contributo” para se poder ir “mais além”.

Amílcar Guerra falava no Museu da Escrita do Sudoeste, na vila alentejana de Almodôvar, durante a apresentação pública da lápide, cujas inscrições estão gravadas naquela que é considerada a mais antiga escrita da Península Ibérica.

Pensa-se que as estelas funerárias fossem colocadas nos túmulos de pessoas mais abastadas, já que na Idade do Ferro eram escassos aqueles que sabiam ler e escrever, pelo que seria necessária disponibilidade financeira para mandar fazer as inscrições, explicou o investigador.

Segundo Amílcar Guerra, a equipa de arqueólogos que se tem dedicado a desvendar os mistérios da Escrita do Sudoeste já conseguiu identificar nas inscrições gravadas em diferentes peças, cerca de uma dezena de nomes de pessoas.

A utilização deste tipo de escrita abrangeu os povos que habitaram durante a primeira Idade do Ferro as regiões do Baixo Alentejo, Algarve, Andaluzia Ocidental e Sul da Estremadura.

No museu dedicado à Escrita do Sudoeste, inaugurado há um ano em Almodôvar, estão expostas cerca de um quarto (vinte) das estelas encontradas em Portugal e uma boa parte das mais significativas, segundo o arqueólogo que lidera as escavações.

Os investigadores já conseguiram descodificar em vários exemplares uma sequência repetida com frequência, que se pensa ser uma fórmula funerária equivalente a “Aqui Jaz” ou “Aqui está Sepultado”.

Na peça encontrada há um mês estão presentes cerca de noventa caracteres, sendo que apenas dois ou três são difíceis de identificar, acrescenta o arqueólogo, que realça as semelhanças entre esta escrita e a Fenícia.

Fonte: (10 Out 2008). Lusa / Algarve Press:  http://www.algarvepress.net/conteudo.php?menu=-1&cat=Cultura&scat=Evento&id=2769

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por noticiasdearqueologia às 22:15

Sexta-feira, 19.09.08

Descoberta perto de Almodôvar a mais extensa inscrição em escrita do sudoeste

Investigadores classificam o achado como "excepcional", sublinhando

que os 86 caracteres decifráveis da estela funerária agora descoberta

poderão permitir reconstituir o seu texto

Uma equipa da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa descobriu

na última sexta-feira, na estação arqueológica da Mesas do Castelinho,

em Santa Clara-a-Nova, no concelho alentejano de Almodôvar, uma estela

funerária em xisto datada da primeira Idade do Ferro, situada entre os

séculos VIII e V a.C.

O arqueólogo Rui Cortês disse ao PÚBLICO que o vestígio arqueológico

agora descoberto é de "excepcional importância", por se encontrar

intacto e por apresentar um total de 86 caracteres que abrem as portas

para que a chamada "escrita do Sudoeste" venha a ser decifrada.

A estela funerária não se encontrava numa necrópole e foi descoberta

por mero acaso pelos arqueólogos envolvidos em mais uma campanha de

escavações na Mesa do Castelinho, numa zona já prospectada, numa rua

romana, com as inscrições viradas para baixo. Do conjunto das 16

estelas que se encontram depositadas no Museu da Escrita do Sudoeste

de Almodôvar (ver caixa), a que acaba de ser descoberta "é um exemplar

muito vistoso e apelativo e com um texto enorme".

A estela de maior relevo anteriormente descoberta num território da

serra do Caldeirão que abrange parte do Baixo Alentejo e do Algarve,

conhecida com Estela de S. Martinho, apresenta 60 caracteres

epigrafados e também foi descoberta por acaso. O achado foi feito

durante os trabalhos de escavação para a instalação de um tanque de

água num local onde não havia mais pedras.

A pedra encontrada ficou então abandonada até que o proprietário do

terreno revelou a Rui Cortês, na sequência de um trabalho de

investigação que o arqueólogo efectuava em Silves, que tinha em

determinado sítio uma pedra "com letras".

A "escrita do Sudoeste", também conhecida como tartéssica, "é a mais

antiga da Península Ibérica e uma das mais antigas da Europa", explica

o arqueólogo. Na sua origem encontra-se a influência fenícia nos

tartessos, nome pelo qual os gregos conheciam a primeira civilização

do Ocidente, que se terá desenvolvido nas actuais regiões da Andaluzia

espanhola e do Baixo Alentejo e Algarve.

Tal como a maior parte das outras escritas paleo-hispânicas, à

excepção do alfabeto greco-ibérico, a escrita tartéssica apresenta

signos que representam consoantes e vogais, como os alfabetos, e

signos que representam sílabas, como os silabários.

A sua utilização é conhecida entre os séculos VIII e V a.C. no

Sudoeste da Península Ibérica e envolveu os povos que habitaram,

durante a primeira Idade do Ferro, as regiões do Baixo Alentejo,

Algarve, Andaluzia ocidental e Sul da Estremadura (estas duas últimas

no actual território espanhol). A escrita dos tartessos, que receberam

influências culturais de egípcios e fenícios, é distinta das dos povos

vizinhos, é mais complexa e permanece indecifrável até à actualidade.

Os seus textos apresentam-se quase sempre da direita para a esquerda

sobre estelas. O achado agora descoberto vai ficar exposto no Museu da

Escrita do Sudoeste de Almodôvar a partir do dia 25 deste mês.

A Câmara de Almodôvar abriu ao público em Setembro de 2007, no antigo

cineteatro municipal, um museu onde estão expostos os vestígios de uma

das maiores e mais importantes concentrações de "escrita do Sudoeste"

da Península Ibérica. O novo espaço museológico apresenta um espólio

de 16 estelas achadas no concelho de Almodôvar. Ao todo, conhecem-se

75 exemplares deste géneros em território português e 90 na Península

Ibérica. As estelas funerárias ali exibidas são pedras tumulares de

xisto com inscrições da Idade do Ferro.

Fonte: Carlos Dias (15 Set 2008). Público:

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por noticiasdearqueologia às 22:20

Sábado, 02.08.08

Arqueólogos procuram uma cidade pré-romana no concelho de Estremoz

 


A existência de um aglomerado daquele período está praticamente

confirmada. Os especialistas procuram agora confirmar se esses

vestígios são de uma importante cidade

Dois arqueólogos e dez estudantes de arqueologia de universidades

portuguesas e inglesas confirmaram nas últimas semanas a existência,

junto a Évora Monte, concelho de Estremoz, de vestígios de uma

povoação que poderá ter sido a maior cidade pré-romana de todo o

Sudoeste da Península Ibérica, conhecida pelo nome de Dipo.

As escavações em curso visam confirmar a tese, sustentada por alguns

arqueólogos, de que Dipo se situaria naquele local, uma vez que, de

acordo com fontes clássicas, esta urbe estaria localizada algures

entre a cidade romana de Évora e Mérida, mas mais perto da cidade

portuguesa. Ao fim de quase um mês de trabalho, o arqueólogo

responsável pela investigação, Rui Mataloto, do Centro de Arqueologia

da Faculdade de Letras de Lisboa, disse ao PÚBLICO que "parece quase

inegável" a existência de um grande aglomerado populacional da Idade

do Ferro, do período pré-romano, nas proximidades das muralhas

medievais do Castelo de Évora Monte. A afirmação é sustentada,

sobretudo, pelos fragmentos de diferentes objectos que já haviam sido

encontrados por um outro arqueólogo, há cerca de dois anos.

"Ao longo deste mês de escavações surgiram indícios de estruturas,

construções e materiais que confirmam a existência de uma povoação,

durante o século primeiro a.C, isto é, em plena época pré-romana",

afirmou o arqueólogo responsável pelo projecto. O investigador

referiu-se igualmente a outros achados que apontam nesse sentido, tais

como cerâmicas do quotidiano - vasos de cozinha, potes de grandes

dimensões utilizados para armazenagem de cereais, água e frutos secos

-, e alguma cerâmica de importação itálica que, por norma, "está

associada ao início da presença romana".

Entre os vestígios descobertos, Rui Mataloto realçou a presença de

pedaços de asas de ânforas, que "eram grandes contentores onde se

transportava o vinho nos barcos", bem como alguns elementos de

decoração, incluindo contas de vidro "que as mulheres utilizavam nos

seus colares".

Embora este arqueólogo saliente a relevância dos achados, reconhece

que ainda falta confirmar se no cerro de Évora Monte - onde em 1834

foi assinado o tratado de que pôs fim à guerra entre liberais e

absolutistas - se localizou mesmo a cidade de Dipo. Entre os seus

projectos para os próximos anos, acrescentou, encontra-se a

continuação do trabalho no local, de modo a conseguir esclarecer se a

cidade romana existiu mesmo ali. "Se tal fosse conseguido, isso seria

muito benéfico para dar maior valor à História de Portugal e a todo o

concelho de Estremoz, ficando a vila de Évora Monte a ganhar com novos

pontos de interesse, atraindo assim mais visitantes", sublinhou. Rui

Mataloto defendeu a criação no local de uma pequena área musealizada,

passível de ser visitada pelos turistas, os quais receberiam as

devidas explicações sobre o significado dos vestígios.

O investigador assegurou ainda que, depois de concluída esta fase das

escavações, irá efectuar, juntamente com a arqueóloga Catarina Alves,

que tem estado também a participar nos trabalhos, uma análise mais

aprofundada sobre tudo o que foi encontrado. Os resultados

preliminares desse estudo serão apresentados no dia 7 de Setembro no

Castelo de Évora Monte.

As escavações que estão a ser realizadas perto da Ermida de Santa

Margarida e terminam no fim deste mês resultam de um protocolo

estabelecido entre a Câmara de Estremoz e a Associação PortAnta, que

teve por base uma proposta da Liga dos Amigos do Castelo de Évora

Monte. Os trabalhos contam ainda com o apoio logístico da Junta de

Freguesia de Évora Monte e da Misericórdia local.

Fonte: Zacarias, Maria Antónia (26 Jul 2008). Público.

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por noticiasdearqueologia às 11:45

Quinta-feira, 08.05.08

Arqueologia: Necrópole da Idade do Ferro e descoberta há 37 anos em Odemira abre ao público 3/a feir

Os curiosos por vestígios do passado vão poder visitar, a partir de terça-feira, as 10 sepulturas visíveis da Necrópole do Pardieiro, datada da Idade do Ferro e descoberta há 37 anos no concelho alentejano de Odemira (Beja).


O sítio arqueológico, onde foram achadas três lápides epigrafadas com Escrita do Sudoeste e duas estelas decoradas com marcas de pés, situa-se no antigo Monte do Pardieiro, a cerca de três quilómetros da localidade de Corte Malhão, na freguesia de São Martinho das Amoreiras.


A necrópole foi descoberta em 1971, através do achado "acidental", a poucos metros do local, de uma lápide epigrafada com Escrita do Sudoeste, a mais antiga escrita da Península Ibérica, lembrou hoje à agência Lusa o arqueólogo Virgílio Hipólito Correia, um dos responsáveis pelas escavações.


A lápide foi encontrada pelo então proprietário do Monte do Pardieiro, que decidiu "investigar" em que objecto o seu arado encalhava sempre que lavrava a terra no local, contou hoje à Lusa o arqueólogo Jorge Vilhena, responsável pelos trabalhos arqueológicos de restauro e de valorização da necrópole.


"Foi um achado acidental de uma pedra com letras. O achador nem sequer tinha consciência de que havia encontrado uma lápide epigrafada com Escrita do Sudoeste", contou Virgílio Hipólito Correia, lembrando que a lápide foi guardada na antiga associação cultural de Garvão, no concelho vizinho de Ourique.


A lápide só seria identificada mais tarde pelos arqueólogos Caetano de Mello Beirão e Mário Varela Gomes, que se dedicavam ao estudo da epigrafia da primeira Idade do Ferro do Sudoeste da Península Ibérica e que estavam a escavar em Garvão.


"Na altura da identificação, os arqueólogos verificaram que a lápide tinha sido achada a meia dúzia de metros do local original. Ficou claro que a necrópole à qual pertencia localizava-se nas imediações", explicou Virgílio Hipólito Correia.


A lápide tinha inscrito um signo "muito pouco conhecido" na Escrita do Sudoeste e que levantou dúvidas sobre a pertença da inscrição àquela epigrafia e sobre a cronologia da própria lápide e, por arrasto, da Escrita do Sudoeste no seu todo".


Para "esclarecer as dúvidas" e "conhecer com mais exactidão e pormenor o contexto arqueológico da lápide", actualmente em exposição no Museu da Escrita do Sudoeste, em Almodôvar, os arqueólogos Caetano de Mello Beirão e Virgílio Hipólito Correia escavaram o sítio, entre 1989 e 1990.


As escavações arqueológicas permitiram colocar a descoberto 10 sepulturas em forma de monumento e achar outras duas lápides fragmentadas e epigrafadas com Escrita do Sudoeste e duas estelas decoradas com gravuras em forma de pé, conhecidas como podomorfos.


Nas sepulturas foram também achadas oferendas funerárias votivas, como colares de contas de pasta vítrea e de âmbar, pingentes de cornalina (ágata pedra preciosa), peças de cerâmica e algumas armas de ferro, como facas e pontas e contos de lança.


Após as escavações, financiadas pelo Estado, seguiram-se intervenções de restauro e valorização da necrópole, suportadas pelo município de Odemira.


Aos trabalhos arqueológicos de restauro e conservação dos túmulos, em 2001, seguiu-se a valorização da envolvente da necrópole, em 2007, com a vedação do local, a criação de condições para o acesso pedonal e a instalação de sinalização e de painéis explicativos.


Além das 10 sepulturas escavadas, os arqueólogos identificaram outras duas sepulturas periféricas, que "não foram escavadas por estarem debaixo de um sobreiro", explicou Jorge Vilhena, referindo que, durante os trabalhos de vedação do sítio, em 2007, foi identificada uma 13ª sepultura, que deverá começar a ser escavada no final deste mês.


As duas lápides fragmentadas e epigrafadas com Escrita do Sudoeste achadas na necrópole estão em depósito no Museu Regional de Beja e os restantes achados estão guardados na Câmara Municipal de Odemira.


A abertura oficial da necrópole ao público, marcada para as 15:00 de terça-feira, inclui também uma palestra de Virgílio Hipólito Correia sobre a Necrópole do Pardieiro e a investigação da Escrita do Sudoeste, que vai decorrer, a partir das 21:30, na Biblioteca Municipal de Odemira.


A Escrita do Sudoeste ou Tartéssica, da I Idade do Ferro no Sul de Espanha e Portugal, foi desenvolvida pelos Tartessos, o nome pelo qual os gregos conheciam a primeira civilização do Ocidente, que se terá desenvolvido nas zonas das actuais regiões da Andaluzia espanhola e Baixo Alentejo e Algarve.


Com cerca de 2.500 anos, a escrita dos Tartessos, que tiveram influências culturais de Egípcios e Fenícios, terá entrado em desuso a partir do século V a.C., é distinta das dos povos vizinhos, complexa e permanece indecifrável até à actualidade.


Fonte: LOURENÇO, Luís Miguel (5 Mai 2008). RTP - LUSA: http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?article=343823&visual=26&tema=5

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por noticiasdearqueologia às 13:37

Quinta-feira, 28.02.08

SABUGAL: Escavações arqueológicas revelam passado de Vilar Maior


Escavações arqueológicas realizadas em Vilar Maior, durante obras de infra-estruturas subterrâneas e de repavimentação de ruas e largos, estão a revelar dados considerados «importantes» sobre o passado daquela aldeia do concelho do Sabugal Segundo Marcos Osório, arqueólogo da Câmara Municipal do Sabugal, nas prospecções que decorrem desde Dezembro, foram encontradas moedas, centenas de pedaços de cêramica, artefactos líticos, sepulturas escavadas na rocha e vestígios de habitat de comunidades da Idade do Bronze e do Ferro.
Dada a importância histórica de alguns pontos da aldeia, as escavações estão a ser feitas «antes da entrada das máquinas» situação que, segundo o arqueólogo, salvaguarda a destruição dos vestígios existentes no subsolo.
Indicou que o acompanhamento arqueológico está a ser efectuado em permanência por um arqueólogo contratado pela autarquia do Sabugal.
O especialista disse à Lusa que as escavações já efectuadas junto às ruínas da Igreja de Nossa Senhora do Castelo e no adro da Igreja Matriz
«revelaram estruturas e materiais de grande importância».
Vão seguir-se intervenções na zona da antiga Judiaria, no Largo do Castelo, às portas da antiga muralha e, também, junto ao painel de gravuras rupestres pré-históricas de Vilar Maior.
Adiantou que foi feita uma escavação nos alicerces das ruínas da Igreja de Nossa Senhora do Castelo e outras nas proximidades, que permitiram «encontrar duas sepulturas escavadas na rocha, e também dois ceitis [moedas] de D. Manuel e D. Afonso III».
No largo do Pelourinho «recolhemos também grande quantidade de cerâmica medieval que, juntamente com um dinheiro [moeda] de D. Dinis, encontrado no adro da Igreja Matriz, propiciam alguns testemunhos do desenvolvimento económico e político desta aldeia durante o reinado deste monarca, após o Tratado de Alcanizes», disse.
«Os achados que estão a suscitar maior curiosidade são os materiais proto-históricos que têm sido encontrados quer nas valas, quer nas sondagens realizados no adro da Igreja Matriz», considerou.
Segundo Marcos Osório «não foi encontrado nenhum enterramento nessa área», mas os arqueólogos encontraram, «logo a meio metro de profundidade, vestígios de habitat de indivíduos contemporâneos da espada de bronze e das gravuras rupestres já conhecidas», ou seja, de comunidades das Idades do Bronze e do Ferro.
Nesse local foram descobertos diversos vestígios, nomeadamente mós de vaivém, um machado de pedra, um pendente de colar, ossos de animais e muita cerâmica característica do período cronológico compreendido entre 1.300 a.C. (antes de Cristo) e 500 a.C., que poderá estar associada a uma lareira de uma casa proto-histórica, descreveu.
O arqueólogo admitiu que a partir dos materiais já recolhidos poderá ser feito um estudo sobre o tipo de dieta dos indivíduos que outrora viveram naquele local e saber que animais poderão ter existido na região.
Os ossos encontrados também vão permitir, através do método do Carbono 14, «aferir cronologias exactas sobre o período da lareira», assinalou.
O investigador não se mostra surpreendido com a riqueza dos achados encontrados até ao momento, atendendo à antiguidade e ao valor histórico e arqueológico da aldeia.
Basta lembrar que está hoje no Museu Regional da Guarda uma espada de bronze do período da Idade do Bronze Final», declarou.
Os materiais encontrados estão a ser lavados, catalogados e colados mas, posteriormente, quando toda a intervenção na aldeia estiver concluída, terão outro destino.
Marcos Osório defende que
«o ideal seria o material ficar exposto no Museu de Vilar Maior ou noutras instalações com condições para a sua exposição, para poder ser visto pelo público interessado».
A aldeia de Vilar Maior, que dista cerca de 22 quilómetros do Sabugal, foi vila e sede de concelho até 1855.
O castelo, a Igreja de Santa Maria do Castelo, a Igreja Matriz, a ponte medieval sobre o Rio Cesarão e o Pelourinho, são alguns dos monumentos existentes na localidade.



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por noticiasdearqueologia às 20:51


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