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NOTÍCIAS DE ARQUEOLOGIA

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Sábado, 07.06.08

Stonehenge foi cemitério de reis


Durante 600 anos pelo menos, ao longo do terceiro milénio a.C,

Stonehenge, o monumento megalítico mais misterioso de Inglaterra foi

utilizado como cemitério. Mas isso não é tudo. Os restos mortais ali

enterrados pertencem provavelmente a uma única família de chefes, ou

reis, que governaram ao longo de toda essa época.


Esta é principal conclusão das escavações feitas no local, em Agosto e

Setembro do ano passado, por arqueólogos liderados por Mike Parker

Pearson, da universidade de Sheffield, na Grã-Bretanha, e apoiada pela

National Geographic Society. A descoberta só foi possível graças à

datação por radiocarbono, realizada pela primeira vez em restos

mortais encontrados junto ao monumento.

"É claro para nós agora que Stonehenge teve carácter funerário em

todas as suas etapas", explicou ontem Parker Pearson em Washington, na

conferência em que foram divulgados os resultados das escavações

realizadas no Verão. O arqueólogo inglês sublinhou ainda que

"Stonehenge foi utilizado como cemitério desde a sua construção até ao

seu abandono final, por volta de meados do terceiro milénio a.C.".

Supunha-se até agora que essa prática teria ocorrido apenas entre 2700

e 2600 a.C.

Os restos das cremações, que datam da época em que Stonehenge foi

construído, em 2500 a.C., são no entanto parte apenas do que foi

encontrado e pertencem a um período tardio, "demonstrando que o local

foi reservado ao enterro dos mortos durante muito mais tempo do que

pensávamos", como notou Parker Pearson.

Os restos mortais mais antigos, e datados por radiocarbono pela

equipa, datam de 3030 e 2880 a.C.. Os mais recentes, que correspondem

a uma mulher de 25 anos, que foi cremada e enterrada entre 2570 e 2340

a.C, por volta da época em que se calcula que tenham sido erigidas as

pedras gigantes na planície de Salisbury.

Os restos mortais analisados, constituídos por ossos carbonizados e

dentes, foram encontrados na chamada vala de Audrey, um fosso circular

que rodeia o monumento com o mesmo formato. O seu estudo permitiu

levantar a hipótese de que eles pertencem a uma única família,

"provavelmente a uma linhagem real da época na região", como explicou

ontem o arqueólogo Parker Pearson.

Um dos indícios que sustenta esta tese avançada por Andrew

Chamberlain, arqueólogo na universidade de Sheffield também, e

co-autor do trabalho em Stonehenge, é que o número de sepulturas vai

aumentando à medida que os séculos avançam. De acordo com a equipa,

isso significaria o aumento natural da descendência, de geração em

geração.

Outra característica que apoia a tese da linhagem real das pessoas que

ali foram sepultadas tem a ver com o próprio carácter monumental da

jazida. "É muito difícil pensar que pessoas comuns fossem enterradas

em Stonehenge. Os chefes de uma tribo do Neolítico terão assim sido

responsáveis por erigir o monumento e foram enterrados ali", explicou

o líder da equipa.

E se estes enigmas parecem agora resolvidos, outros permanecem. Porque

razão foi Stonehenge erigido naquela região, onde há outros monumentos

megalíticos, embora de menor dimensão? Esse mistério permanece

insolúvel, por enquanto. Novas pesquisas poderão no futuro lançar uma

luz sobre ele.


Fonte: Filomena Naves (30 Mai 2008). Diário de Notícias

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por noticiasdearqueologia às 16:30


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