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NOTÍCIAS DE ARQUEOLOGIA

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Sexta-feira, 02.05.08

IGESPAR quer divulgar Castro de Avelãs

Está concluída a primeira fase de intervenção no Mosteiro de Castro de Avelãs, em Bragança, um dos monumentos mais emblemáticos do Nordeste Transmontano e do Norte do país. Ainda assim pouco divulgado e conhecido, apesar de ter sido classificado como Monumento Nacional há várias décadas. A primeira fase da intervenção realizada no local, iniciada em 2005 já terminou, as obras e as escavações arqueológicas revelaram um conjunto de construções pertencentes às várias alas e ao antigo claustro do mosteiro até agora desconhecidas e que permitem aprofundar o conhecimento sobre o que seria o edifício religioso. Foi ainda encontrado um conjunto de peças que remetem para a vivência monástica dos períodos medieval e moderno. A intervenção naquele que é o único mosteiro beneditino, com origem medieval, que existe em Trás-os-Montes custou 300 mil euros, dos quais 75% fundos comunitários, e 25% de fundos do PIDDAC.
O Mosteiro de Castro de Avelãs é o único construído com tijolo em toda a região Norte, um tipo de construção muito frequente em Espanha. O antigo mosteiro não sofria qualquer intervenção há mais de 30 anos, a última data de 1975, apesar de a de maior envergadura ter acontecido já em 1952, quando foram realizadas grandes obras de conservação e restauro nos paramentos e cobertura. Nos últimos anos o edifício apresentava-se em avançado estado de degradação no interior e no exterior da igreja, com problemas na cobertura e infiltrações de vária ordem. A igreja e a Casa Paroquial apresentavam problemas, sendo que a última ameaçava ruir.
Durante uma apresentação pública das obras realizadas, Paulo Amaral, arqueólogo do IGESPAR, na passada sexta-feira, 18, explicou que a intervenção realizada ao nível da cobertura e reparação de rebocos, foi uma obra de manutenção que permitiu melhorar o aspecto do edifício, mas não é suficiente. As obras foram realizadas por uma equipa multidisciplinar, constituída por exemplo por arquitectos, arqueólogos, historiadores, museólogos, técnicos de restauro, entre outros.  
Está prevista a realização da segunda fase de intervenção que deverá passar pela construção de uma estrutura de acolhimento aos turistas. Aliás, o IGESPAR quer apostar na divulgação do Mosteiro de Castro de Avelãs, pelo que vai criar vário material para o efeito, nomeadamente uma monografia, folhetos, um videograma, CD, DVD e um audioguia. O mosteiro vai ainda ser inscrito na Federação de Sítios Cluny para uma maior divulgação.
Aquele responsável, defendeu a realização de uma Plano de Pormenor para toda a aldeia de Castro de Avelãs, uma vez que a localidade dispõe de património interessante ao nível arquitectónico. Porque “Nenhum monumento faz sentido sem as populações locais e este mosteiro está no meio da aldeia”, referiu. Devendo apostar-se na criação de uma zona de protecção especial do monumento e da sua área visual, uma vez que a aldeia ainda dispõe de bons exemplares de arquitectura.
As referências à igreja do mosteiro datam já do século XII, e em 1387 o mosteiro terá alojado o duque de Lencastre, que terá vindo a Babe acordar o matrimónio de sua filha, D. Filipa de Lencastre, com o rei português D. João I, um acordo que terá ficado conhecido como o Tratado de Babe. Referencias históricas que dão conta da importância do mosteiro beneditino.
Para o futuro propõe-se uma gestão integrada do património, a reconciliação do Estado com o património e a compatibilização património e turismo. O IGESPAR aponta a criação de redes de divulgação, uma local, que apostaria na arquitectura em tijolo, integrando o Mosteiro de Castro de Avelãs e várias igrejas de Bragança, como São Francisco, São Vicente, São Bento, e Santa Maria. Por outro lado, far-se-ia a aposta numa rede mais alargada criando uma Rota do Património Medieval no distrito. Aquele mosteiro seria o pólo difusor, cuja rede começaria na zona raiana e se prolongaria até ao sul do distrito, incluindo monumentos religiosos importantes como as Igrejas de Adeganha (Moncorvo), Algosinho e Azinhoso em Mogadouro, Srª da Hera (Bragança), e São Facundo (Mogadouro), ou a Santa Cruz (derruida) em Moncorvo, templos emblemáticos da região.
Paulo Amaral frisou o facto de Castro de Avelãs não ter capacidade para suportar grandes massas de turistas, pelo que é preciso cuidado e trabalhar de acordo com as especificidades do local, respeitando a escala.
Fonte: G.L. (29 Abr 2008). O Informativo: http://www.o-informativo.com/content/view/1619/50/

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por noticiasdearqueologia às 23:22


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