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Sexta-feira, 14.12.07

Teste Carbono 14 permite datar artefactos e estudar alterações climáticas






Barcos afundados no Tejo, múmias egípcias e uma arca que terá viajado com Vasco da Gama para a Índia são alguns dos artigos que o Laboratório de Radiocarbono do Instituto Tecnológico e Nuclear (ITN) ajudou a datar através do Carbono 14.


"O teste não provou que a arca viajou com Vasco da Gama mas lá que o objecto é do tempo do navegador, isso sem dúvida", revelou o investigador António Monge Soares à agência Lusa, indicando que este tipo de análise permite desde a datação de artefactos até ao estudo das alterações climáticas.


Segundo António Soares, os estudos sobre o menino do Lapedo - nome pelo qual ficaram conhecidos os restos ósseos de uma criança encontrados no Vale do Lapedo, perto de Leiria - também recorreram à técnica disponibilizada em Portugal exclusivamente pelo Laboratório de Radiocarbono do ITN.


Os principais utilizadores do teste de radiocarbono ou Carbono 14 são os arqueólogos, os geólogos e os oceanógrafos, tendo sido realizadas 2.310 análises desde o segundo semestre de 1986, quando o teste passou a poder ser feito no Instituto Tecnológico e Nuclear.


"Antes disso era necessário enviar as amostras para o estrangeiro, pelo que, até 1986, só havia 64 casos de datação por Carbono 14 em Portugal", contou António Soares, acrescentando que a média anual de testes ronda os 150 nos últimos anos.


A análise através do Carbono 14 permite datar materiais de origem orgânica (fósseis, ossos, conchas, etc) com até 50 mil anos, existindo várias técnicas a que as amostras podem ser submetidas.


"No ITN a amostra é convertida em benzeno mas existem técnicas que a transformam em dióxido de carbono ou em carbono elementar (grafite)", explicou o investigador, que referiu ainda alguns aplicações do teste na Hidrologia Isotópica.


"No caso do aquífero de Aveiro, que tem sedimentos do período Cretácio, o Carbono 14 permitiu determinar a temperatura reinante durante o último máximo glaciar, ou seja, a última vez em que a Terra esteve quase toda coberta de gelo, há 18 mil anos", exemplificou António Monge Soares.


Áreas de estudo como a Paleoclimatologia ou a Paleoceanografia também podem beneficiar com o teste, como explicou o investigador, segundo quem, "através da realização da análise a conchas marinhas é possível determinar a variabilidade do afloramento costeiro ao longo do tempo".


O afloramento costeiro é a vinda à superfície de águas profundas mais frias e mais deficientes em radiocarbono.


Uma vez que a intensidade do afloramento depende do clima (mais especificamente do regime de ventos), ao determinar como é que esse afloramento variou ao longo do tempo, avaliam-se as alterações climáticas.


A análise custa cerca de 300 euros por amostra mas os investigadores que desenvolvam o seu trabalho no âmbito de projectos financiados, nomeadamente pelo Governo ou por autarquias, não têm de pagar este valor do seu bolso.


Aliás, o ITN - que formou o Laboratório de Radiocarbono com subsídios do Instituto Português de Cartografia e Cadastro (IPCC), do Museu de Arqueologia e da Agência Internacional de Energia Atómica - manteve, desde o primeiro governo de António Guterres, um protocolo com o Instituto Português de Arqueologia.


Porém, segundo António Monge Soares, "este terminou há uns três ou quatro anos" e não foi renovado.


In: HSF (10 Dez 2007). RTP 1: http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?article=312900&visual=26&tema=5

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por noticiasdearqueologia às 18:28



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