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Terça-feira, 30.10.07

Penela: Castelo do Germanelo dá lugar a centro arqueológico

O antigo castelo medieval do Germanelo, em Penela, mandado construir por D. Afonso Henriques, vai ser transformado num centro de actividade arqueológica a partir do próximo Verão.
Actualmente inacessível a todos os cidadãos, devido à forte inclinação e maus acessos, o imóvel, de pequena dimensão, do qual só resta uma muralha, prepara-se para sofrer uma intervenção de requalificação paisagística da autarquia local.
O castelo, propriedade do falecido professor da Universidade de Coimbra Salvador Dias Arnaut, será gerido nos próximos 20 anos pela Câmara de Penela, ao abrigo de um protocolo de cedência assinado com os descendentes do proprietário.
“Pretendemos efectuar uma intervenção paisagística em todo o monte, com a recuperação de um circuito pedonal desde a base até ao cimo, a construção de um miradouro e um parque de lazer”, explicou à Lusa o presidente da Câmara Municipal de Penela, Paulo Júlio.
A intervenção inclui também a valorização e protecção da flora existente, com a retirada de infestantes e introdução das espécies primitivas, colocação de sinalização indicativa e interpretativa e construção de pontos de apoio ao longo do caminho de acesso ao castelo.
Do alto do Germanelo, o olhar estende-se pelo vale do Rabaçal, onde existem as ruínas da vila romana e o Espaço Museu, que até ao final de Setembro recebeu 5.200 visitas, o dobro das registadas em 2006, segundo o presidente da autarquia.
Com esta intervenção, o autarca social-democrata pretende criar um circuito de interesse patrimonial, histórico e arqueológico, envolvendo também o Castelo de Penela, virado para o turismo e para a compreensão da história do concelho e do país.
As obras, orçadas em cerca de 123 mil euros, com comparticipação ainda do III Quadro Comunitário de Apoio, estão a arrancar, prevendo-se que estejam concluídas em finais de Fevereiro do próximo ano.
Para o Verão de 2008, o presidente da autarquia de Penela pretende transformar o local num centro de interesse arqueológico, com a realização anual de um ciclo de actividades, aproveitando o acordo de colaboração com a Universidade de Coimbra.
“Segundo os técnicos da autarquia, existem no local motivos de interesse para a arqueologia. Presume-se que, no passado, o monte fosse habitado, pelo que deve haver vestígios de casas”, sublinhou o autarca Paulo Júlio.
Os achados, segundo o autarca, serão depois expostos na casa do professor Salvador Dias Arnaut, próximo do edifício dos Paços do Concelho, que será adaptada para centro de estudos e investigação, com várias valências, conforme deliberação da câmara em Fevereiro deste ano.
Para a população das aldeias à volta do Germanelo, que desconhece as obras que a autarquia vai realizar, a pequena fortificação, mandada construir ainda por D. Afonso Henriques, entre 1140-1142, pouco representa.
“Desde que o professor Dias Arnaut morreu o castelo tem sido desprezado”, diz Armando Garrido, de 75 anos, que sempre viveu na aldeia da Fartosa, a mais próxima do castelo.
A seu lado, Maria Pereira, de 65 anos, também da Fartosa, recorda que a única muralha de pé foi “arranjada há mais de 40 anos pelo seu proprietário e que nessa altura descobriram um poço dentro do perímetro da antiga fortificação”.
Mais à frente, na aldeia dos Tamazinhos, a segunda mais próxima do castelo, Amaro Fernandes, um dos dois únicos habitantes, desvaloriza a importância do imóvel, desconhecendo as obras previstas.
“Não sei nada sobre aquilo. Às vezes passa aqui muita gente em caminhadas e outras vezes grupos de jovens vão lá acima (castelo)”, refere o morador, de 52 anos, que nasceu no concelho vizinho de Soure e se instalou na localidade há 36 anos.
A cerca de um quilómetro do castelo do Germanelo ergue-se um outro monte cónico, despido de vegetação, a que a população chama Germelo.
Diz a lenda que em cada monte habitavam dois ferreiros irmãos, bastante pobres, que se serviam do mesmo martelo, mas que “um dia, um dos irmãos acordou indisposto e quando o outro lhe pediu o martelo, atirou-lho com tal força que a ferramenta se desencabou no ar”.
“O cabo, feito de zambujo, foi-se cravar no solo, a uns quilómetros para norte, e dele nasceu o Zambujal. A cabeça pesada, caiu mais perto e logo da pancada brotou uma nascente de água férrea”, contou à Lusa Armando Garrido.
António Marques Ventura (29 Out 2007). Agência Lusa: http://www.asbeiras.pt/?area=coimbra&numero=51239&ed=29102007

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por noticiasdearqueologia às 00:15


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