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NOTÍCIAS DE ARQUEOLOGIA

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Quinta-feira, 25.10.07

Caminha: Arte rupestre em risco

 Construção da ligação da A-28 à EN-13 já começou envolta em polémica

Já arrancou a construção do polémico troço de ligação entre a A28 e a EN13, nos limites de Caminha e Vila Nova de Cerveira. Autarcas e ambientalistas estão contra a ligação, pois dizem que vai destruir um dos mais importantes sítios arqueológicos da Península Ibérica.
A construção da contestada ligação da auto-estrada 28 à EN-13, nos limites dos concelhos de Caminha e Cerveira, arrancou esta semana, devendo a obra estar concluída até Abril de 2008, num investimento de 14,5 milhões de euros.
A informação foi ontem avançada à agência Lusa por fonte da Euroscut Norte, concessionária daquela via rápida, que acrescentou que a ligação terá uma extensão de 4.600 metros, dos quais 480 dizem respeito a um “falso túnel” no Monte de Góis, em Lanhelas, numa zona onde existe arte rupestre. Esta ligação é contestada pela Junta de Freguesia de Lanhelas e pela associação ambientalista «Corema», que alegam que a sua construção “é ilegal”, por alegadamente não ter sido precedida de consulta pública. Ambientalistas e junta de freguesia interpuseram, a 1 de Junho, uma providência cautelar no Tribunal Administrativo e Fiscal de Braga para tentar suspender a eficácia do despacho que autoriza o avanço da obra. Os contestatários defendem que o traçado da ligação será “extremamente lesivo” para a freguesia de Lanhelas, nomeadamente por “acabar com a água pública” e destruir um “santuário de arte rupestre” existente no Monte de Góios. As duas primeiras propostas de traçado estiveram em consulta pública e foram chumbadas pelos seus impactes ambientais e patrimoniais.
Após algumas “correcções” ao último daqueles traçados, a ligação recebeu finalmente luz verde, sem que tivesse sido posta novamente a consulta pública. “Se há um novo traçado, ele tem de ser obrigatoriamente submetido a discussão pública”, referiu à Lusa o presidente da Junta de Lanhelas, Rui Fernandes, considerando “inadmissível” que a obra avance sem que a providência cautelar tenha sido julgada.
Minimizando as críticas e preocupações de autarcas e ambientalistas, a Câmara de Caminha já se congratulou publicamente com a aprovação do traçado, sublinhando que o aval tanto do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) como do Instituto do Ambiente “indicia a salvaguarda dos impactos paisagísticos e patrimoniais” da região. O município, presidido por Júlia Costa (PSD), acrescentou que, na prática, o traçado será igual ao que foi chumbado, já que “não havia alternativa”. A única diferença em relação à proposta anterior é que o traçado não será tão largo, uma vez que vai ter uma faixa para cada lado, que passa a duas nas zonas de subida mais acentuada, quando inicialmente estavam previstas duas faixas para cada lado, mais uma.
Visão mais pessimista tem o director do Centro Nacional de Arte Rupestre, António Martinho Baptista, que já alertou que aquela via “irá mutilar irremediavelmente” o “santuário” do Monte de Góis, onde diz existir “um dos mais ricos complexos inscultóricos da arte rupestre da pré-história recentes conhecidos na Península Ibérica”. “Só a crónica e secular pobreza do país permite que sítios com as características do Monte de Góis não sejam há muito conhecidos ou valorizados, quer arqueologicamente, quer turisticamente”, criticou.
A directora regional do Norte do IPPAR, Paula Silva, garantiu, por sua vez, que o traçado aprovado para aquela ligação evita a destruição do património arqueológico e minimiza os impactes na envolvente.
Paula Silva acrescentou que a actuação do IPPAR no processo assegurou igualmente a valorização das lajes classificadas e o estudo e identificação de dois “importantes” núcleos de arte rupestre, “praticamente desconhecidos e que podem agora ser investigados e protegidos”. A responsável disse ainda que o traçado da via naquele local foi alterado “para evitar a destruição de qualquer das lajes identificadas”, mas reconheceu que “a redução a zero dos impactes da via sobre os conjuntos rupestres apenas seria possível pela não construção da estrada”. “A actuação do IPPAR permitiu assegurar uma solução que, embora de compromisso é, minimizadora do impacte da via sobre os imóveis classificado e em vias de classificação, bem como sobre o conjunto das lajes insculturadas, permitindo evitar a sua destruição”, referiu Paula Silva.



In: (16 Out 2007). O Primeiro de Janeiro: http://www.oprimeirodejaneiro.pt/?op=artigo&sec=e4da3b7fbbce2345d7772b0674a318d5&subsec=&id=5a1b5e4e03d06226cb7efb5538d9ee3b

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por noticiasdearqueologia às 21:48



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