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NOTÍCIAS DE ARQUEOLOGIA

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Sábado, 06.10.07

Vila Pouca de Aguiar: Povoado mineiro pode ser património

Um dos maiores e mais importantes complexo mineiros do Império Romano, situado em Tresminas, Vila Pouca de Aguiar, está a ser alvo de escavações arqueológicas que representam mais um passo na candidatura a património mundial da UNESCO.

Estas minas, cujo auge terá ocorrido durante os séculos I e II d.C, seriam, segundo afirmou hoje à Agência Lusa o arqueólogo Carlos Batata, uma das «mais importantes» do Império Romano.


O projecto de investigação «Complexo Mineiro de Tresminas», imóvel classificado como de Interesse Público em 1997 pelo Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR), teve início este ano e vai decorrer em cada Verão dos próximos três anos.


O presidente da Câmara de Vila Pouca de Aguiar, Domingos Dias, disse à Lusa que este projecto «é mais um passo para a candidatura das minas romanas a património mundial da UNESCO».


«As escavações vão demonstrar a importância do complexo a nível mundial», afirmou.


O responsável pela investigação, o arqueólogo Carlos Batata, vê em Tresminas a concretização de um sonho, até porque, segundo salientou, «é a primeira vez que em Portugal se está a caracterizar um povoado mineiro da época romana».


Nos últimos 30 anos, o especialista escavou em Tomar ou em Conímbriga, mas diz que encontrou em Vila Pouca de Aguiar um complexo «tão grande e tão bem conservado» que considera ter todas as condições para ser classificado pela UNESCO.


Carlos Batata diz que os vestígios ligados àquela exploração mineira abrangem uma «área total de cerca de 100 quilómetros quadrados».


O estacionamento de militares em Tresminas, onde, além da presença de soldados da sétima legião, está também comprovada a estadia de secções da cohors I Gallica equitata civium romanorum, reflecte a importância destas minas para o império.


O especialista considera que as minas financiavam e sustentavam os exércitos romanos.


Este ano os trabalhos começaram na Veiga da Samardã onde Carlos Batata acredita que foi construído um dos povoados destinado aos administradores ou capatazes do complexo mineiro.


Aqui foram descobertas moedas de cobre, mós, pilões, cerâmica fina, pesos de tear, candeias, inscrições romanas, peças de jogo ou cálculo e tégulas ou telhas típicas e também uma grande quantidade de cerâmica indígena.


«Os muros de xisto das casas estão bem construídos e encontrámos aqui, mesmo no meio do povoado uma vala de transporte de água para as lavarias das minas, o que foi uma verdadeira surpresa», salientou.


Esta vala, segundo o responsável, encontra-se mesmo no meio do enorme povoado, que ocupa entre 1,5 a dois hectares, o que revela que «a exploração cresceu muito».


Pela vala era transportada água a partir de duas barragens que estariam localizadas perto de Tinhela de Baixo para uma cisterna que abastecia o povoado e as lavarias onde se procedia ao esmagamento das pedras e posterior decantação ou separação dos detritos do ouro.


A técnica dos romanos para a extracção do ouro passava pelo esmagamento da pedra.


Os achados encontrados este ano vão ser expostos no museu municipal de Vila Pouca de Aguiar.


O arqueólogo disse que o auge da exploração de ouro em Tresminas (freguesia de Tresminas) terá ocorrido durante os séculos I e II d.C, mas, segundo frisou, através destas escavações pretende-se ainda comprovar se a exploração mineira já era anterior à chegada dos romanos.


«A cerâmica indígena encontrada no local poderá ser um indicador de que os povos anteriores aos romanas já exploravam o ouro neste território».


Segundo um investigador espanhol, neste território eram explorados metais nos finais do Neolítico e sobretudo nas idades do bronze e do ferro.


Carlos Batata disse que vai ainda ser estudado um castro da idade do ferro, o que permitirá saber qual «a influência dos povos galaicos e o seu papel na exploração mineira».


Algns metros mais à frente do povoado, no Alto dos Lagos, Carlos Batata identificou uns taludes «que cobrem uma grande área» e que o especialista acredita podem esconder um «hipódromo romano».


«Este achado de última hora poderá esconder muros de contenção, com um redondo típico das corridas de cavalos, que poderão pertencer a um hipódromo e que, se se vier a ser comprovado, indicará que estamos perante um achado muito importante», salientou.


Acrescentou que até ao momento foram identificados apenas mais dois hipódromos romanos no país.


No próximo ano o arqueólogo quer continuar os trabalhos de investigação «em várias frentes» com uma equipa maior, de cerca de 20 a 30 pessoas.


Pretende também alargar e redefinir a área de escavações no povoado, investigar a necrópole encontrada perto, iniciar sondagens no pressuposto hipódromo e tornar visível todo o processo de lavagem e recolha do ouro.


A exploração mineira em Tresminas realizava-se essencialmente pelo desmonte a céu aberto, sendo disso resultado os desfiladeiros que são as cortas (ou lagos) de Covas e Ribeirinha.


Um engenheiro de minas inglês calculou que 2000 trabalhadores operando diariamente levariam 200 anos a fazer estes desmontes, sendo necessário remover pelo menos 5.800.000 metros cúbicos.


«Estas cortas são crateras gigantescas, que apresentam no seu interior galerias que atravessam o monte e vão sair até 100 metros de profundidade», frisou.


Uma dessas galerias, a dos alargamentos, pode ser visitada pelos turistas depois de requisitarem um guia à câmara de Vila Pouca de Aguiar.


Esta galeria era utilizada para o transporte a granel com carros e tem 140 metros de cumprimento, foi aberta a 50 metros da cumeada e apresenta quatro alargamentos laterais e rectangulares.


Na encosta oposta encontravam-se extensas instalações que serviam para a lavagem dos minérios, conservando-se ainda os restos de pelo menos 30 plataformas em alvenaria com aproximadamente 10 metros de largura.


«O projecto de investigação para três minas é de quatro anos mas eu diria que precisamos de pelo menos oito anos para conseguirmos caracterizar Tresminas», salientou.


Paralelamente a autarquia vai avançar com a recuperação de monumentos (capela e pelourinho) e fachadas nas aldeias envolventes às minas romanas, designadamente Vales, Ribeirinha, Alfarela de Jales, Covas, Tresminas, Tinhela de Baixo e Tinhela de Cima.


No âmbito do projecto, que conta com um apoio financeiro de 500 mil euros de fundos comunitários, vai ainda ser construído um centro interpretativo, cuja obra deverá estar concluífa em Junho do próximo anos, disponibilizando um guia para acompanhar os turistas pelo complexo mineiro.


«Disponibilizaremos um apoio permanente a quem quiser visitar as minas», afirmou o autarca.


Carlos Batata está ainda a efectuar a carta arqueológica de Vila Pouca de Aguiar, a qual, segundo Domingos Dias, deverá estar concluída até ao final do ano.


O objectivo é, de acordo com o autarca, fazer um «levantamento exaustivo dos locais arqueológicos» para potenciar turisticamente o concelho.


In: (6 Out 2007). Diário Digital / Lusa: http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=4&id_news=298193

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por noticiasdearqueologia às 19:16


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