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Sábado, 29.09.07

Ossadas encontradas nas obras de Azambuja indiciam antigo cemitério.

Arqueólogas do IPPAR aconselharam que os achados ficassem enterrados.

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Ossadas encontradas nas obras de Azambuja indiciam antigo cemitério.
Director do Museu Nacional de Arqueologia, Luís Raposo, acredita na existência de um cemitério próximo da Igreja de Azambuja, uma “tese” defendida pelos populares mais antigos da vila.


As ossadas humanas encontradas nos últimos meses no subsolo durante as obras de requalificação do núcleo central de Azambuja indiciam a existência de um antigo cemitério na envolvente da Igreja Matriz da vila.


Quem o confirma é o próprio director do Museu Nacional de Arqueologia, Luís Raposo, que lembra que os enterramentos eram feitos nos templos até à revolta da Maria da Fonte. “Quando já não havia espaço dentro da igreja era enterrados perto do local”, explica o arqueólogo que lembra que é comum existirem pequenos cemitérios perto das igrejas. Uma das causas da revolução de 1846 contra o governo de Costa Cabral foi a proibição dos enterramentos feitos dentro das igrejas, em que desempenhou um papel irrequieto e activo uma mulher, conhecida por Maria da Fonte.


A existência de um cemitério nas imediações da igreja é também convicção dos populares residentes na zona que ainda se recordam de ouvir dizer que ali eram enterrados os mortos. Celeste Jesus, 76 anos, mora há meio século em Azambuja e lembra-se de ouvir uma antiga vizinha dizer que a mãe falava num cemitério ao lado da Igreja . “E quando fizeram as sentinas lembro-me de ver no chão formas de campas”, testemunha a anciã. Leontina Santos, 76 anos, lembra que na altura em que foi erguido o cruzeiro da vila frente à Igreja já foram encontrados ossos no local. “Na altura da pneumónica morreu muita gente e os corpos enterravam-se em qualquer lugar”, explica a idosa.


Na altura em que foram encontradas as primeiras ossadas a Câmara Municipal de Azambuja informou o IPPAR que enviou ao local duas arqueólogas. As duas técnicas entenderam que não seria necessário proceder a investigações no local, como confirma o vice-presidente da autarquia, Luís de Sousa. As ossadas humanas já apareceram em três locais das imediações da igreja, o que leva o autarca a acreditar na hipótese de um cemitério no local. “Na zona da Quinta dos Gatos e no Rossio não apareceu nada do género”, revela vice-presidente.


O director do Museu Nacional de Arqueologia compreende a opção das técnicas que estiveram no local, adiantando que a melhor forma de preservar os achados é muitas vezes deixá-los no mesmo sítio. Sobretudo quando não há meios técnicos para acompanhar a evolução das obras. “O local está assinalado e pode ser uma base de trabalho para gerações futuras”, propõe Luís Raposo.


Em Abril um esqueleto humano completo foi encontrado durante as obras do Polis na Rua Teodoro José da Silva, na zona da Praça do Município, entre a igreja matriz e o edifício da Câmara de Azambuja. O presidente da Câmara de Azambuja, Joaquim Ramos, disse na altura acreditar tratar-se de um enterramento antigo, dado que em outros tempos algumas pessoas eram sepultadas na zona do adro da igreja e o local fica próximo do templo da vila. O local fica a alguns metros da igreja, mas no livro “Santa Maria de Azambuja o historiador José Pereira aventa a hipótese do templo primitivo ter sido destruído no terramoto de 26 de Janeiro de 1531. “É possível que perante tamanha violência natural a igreja paroquial anterior se tenha transformado em ruínas. Tudo leva a crer que no mesmo local existia um templo, ele não teria resistido a esse abalo”, lê-se na obra.


O aparecimento dos vestígios fez atrasar alguns dias as obras de requalificação do núcleo central de Azambuja no âmbito do programa Polis. A Câmara de Azambuja autorizou o prorrogamento do prazo para a conclusão de obras já que foi essa uma das razões apontadas pela empresa para o atraso na intervenção. O MIRANTE contactou o IPPAR, agora IGESPAR, para saber se é este o procedimento normal nestas situações, o que não foi possível até ao fecho da edição.


Ana Santiago (20 Set 2007). O Mirante: http://semanal.omirante.pt/index.asp?idEdicao=305&id=37509&idSeccao=4374&Action=noticia

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por noticiasdearqueologia às 10:28



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