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Quinta-feira, 13.09.07

Especialista desafia privados a apostarem no turismo cultural




O director do Museu Nacional de Arqueologia (MNA) desafiou hoje, em Vila Velha de Ródão, as entidades privadas a apostarem no turismo cultural naquela região, onde, considera, melhor se percebe o Tejo da pré-história.


"Esta é uma zona que poderia estar muito mais desenvolvida em termos de turismo cultural. É difícil pedir à Câmara Municipal que faça tudo, mas os privados ainda não analisaram bem o potencial deste tipo de oferta", disse aos jornalistas Luís Raposo, director do MNA.
Cerca de três dezenas de arqueólogos, nacionais e estrangeiros, visitaram hoje Vila Velha de Ródão, numa actividade integrada no programa do XV Congresso da União Internacional das Ciências Pré-Históricas e Proto-Históricas, a decorrer até Sábado em Lisboa.
Luís Raposo considerou "impensável" a inexistência de entidades privadas, nomeadamente agências de turismo especializadas, a investirem em Vila Velha de Ródão, por exemplo através de visitas organizadas, de barco, aos locais onde existe arte rupestre.
"A maior parte da arte rupestre está debaixo de água mas não toda. Não se trata de turismo de massas, mas é preciso mais organização. As pessoas vêm, quando há alguém que sabe, localmente, apresentar o património existente mas funciona um bocado o espírito de carolice", observou.
Admitiu, no entanto, que a recente classificação daquela área como património natural da UNESCO, integrada na região Naturtejo, "vem ajudar" à divulgação do património arqueológico de Vila Velha de Ródão.
Considerando Vila Velha de Ródão o local "onde melhor se percebe o rio Tejo da época pré-histórica" e como se constituiu aquela região, o especialista definiu a zona como uma "radiografia" da época do paleolítico.
O visitante, segundo Luís Raposo, ao visualizar as várias bacias de sedimentação, diferentes camadas de formações rochosas, "está a ver o tempo. Como uma radiografia, consegue-se ver como era (o Tejo) há 500 milhões de anos atrás", explicou.
Apontou, nomeadamente, a zona do castelo do rei Wamba, sobranceiro ao rio, do alto das elevações rochosas conhecidas como Portas do Ródão, como um "local obrigatório de visita, para se ter uma visão geral do Tejo".
Maria do Carmo Sequeira, presidente da Câmara de Vila Velha de Rodão, disse concordar com a necessidade de mais investimento, nomeadamente na divulgação, mas avisou que a autarquia não pretende a massificação do turismo.
"Não é esse o objectivo, queremos manter esta área genuína e com regras. É preciso trabalhar com especialistas que saibam o que se deve fazer, interessa um turismo que mantenha a identidade de Vila Velha de Ródão", afirmou.
Questionada sobre as visitas de barco às gravuras rupestres, a autarca socialista sustentou que, actualmente, um barco com capacidade para oito passageiros, pertença de uma empresa privada de actividades de aventura, presta esse serviço, em visitas organizadas.
"São oito pessoas porque não podemos ter barcos maiores. E, quem o desejar, pode ter a presença de um técnico habilitado a explicar as gravuras" frisou.
A autarca acrescentou que Vila Velha de Ródão, em colaboração com a autarquia de Niza (Portalegre), acordou com o Centro de Estudos do Alto Tejo a apresentação da candidatura das Portas do Ródão a património natural nacional.
O projecto, já concluído, foi entregue ao Instituto de conservação da Natureza (ICN) para apreciação e aguarda uma resposta daquela entidade.


 


In: Elisabete Rodrigues (6 Set 2007). O Barlavento on line:  http://www.barlavento.online.pt/index.php/noticia?id=8930&tnid=5

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