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Sábado, 01.09.07

Ribât da Arrifana (Aljezur): seis anos de trabalho...

Uma exposição vai pela primeira vez apresentar ao grande público o resultado das investigações. Em 2008, a mostra ruma a Lisboa. Mário Varela Gomes, arqueólogo responsável – em conjunto com a sua mulher Rosa Varela Gomes - pelas escavações que têm decorrido, desde há seis anos, naquele local à beira mar, salientou que o principal objectivo da exposição é dar a conhecer o trabalho de investigação já desenvolvido, mas também chamar a atenção para a importância desta fortaleza-mosteiro islâmica com mais de 800 anos, que terá sido reduto do mestre sufi e monge-guerreiro Ibn-Qasi.


Foto


Reconstituição de uma mesquita do Ribât da Arrifana




Mais do que a vertente material, mostrando as peças recolhidas ao longo das escavações arqueológicas, o investigador chama a atenção para a «vertente espiritual do sítio», que será um aspecto «muito inovador» desta exposição.
Para a ilustrar, a mostra apresentará, pela primeira vez, ao grande público, peças religiosas, como os rolinhos de chumbo provavelmente contendo versículos do Corão, a inscrição corânica numa placa de xisto, ou ainda uma outra inscrição com referências a Alá numa placa de cerâmica, encontrada na curta campanha de escavações deste Verão.
«Em termos de espólio material, não haverá peças de grande aparato para mostrar», porque no ribât da Arrifana, na Ponta da Atalaia, o que existia era um mosteiro, habitado por monges-guerreiros e por peregrinos que escolhiam viver ali, naquela espécie de fim do mundo, fazendo uma vida frugal dedicada à oração.
A exposição resulta de uma candidatura da Associação de Defesa do Património Histórico-Arqueológico de Aljezur a um programa da delegação do Algarve do Ministério da Cultura, contando ainda com o apoio da Câmara desta vila da Costa Vicentina e de empresas locais.
Mas, mesmo assim, o dinheiro é curto, uma vez que, além da mostra em si, vai ser editado um extenso catálogo.
José Marreiros, presidente da Associação, não disfarça o seu contentamento, mas também algum nervosismo com a aproximação da data em que a exposição vai abrir, já que esta será a maior mostra alguma vez produzida e apresentada no concelho.
No dia em que o «barlavento» falou com ele, José Marreiros transportava no seu carro, de regresso de Lisboa, algumas das peças que estarão patentes e que tiveram que ser sujeitas a restauro, outra vertente que aumentou os custos da iniciativa.
«Temos mais de duas dezenas de peças de cerâmica, mas também outras peças, como lanças, contas de colar, pesos de tecelagem, objectos religiosos. Foi preciso tratar tudo isso, restaurar. E isso tem custos», explicou o presidente da Associação.
José Gonçalves, vereador da Cultura da Câmara de Aljezur, que tem dado todo o seu apoio às escavações e a esta mostra, não esconde o desejo de, através da exposição, que na Primavera do próximo ano até irá estar patente no Museu Nacional de Arqueologia em Lisboa, «conseguir finalmente congregar para o ribât da Ponta da Atalaia toda a atenção das entidades oficiais».
«Aquilo é demasiado importante para estar a ser investigado aos soluços, um mês em cada Verão», salientou o autarca. «Precisamos de mais», frisou.
«Esperamos que esta grande exposição chame a atenção para a importância deste sítio arqueológico único na Península Ibérica e que aproxime mais as entidades que nos deviam apoiar, como o Ministério da Cultura, mas também outras instituições e até empresas», concluiu José Gonçalves.
Enquanto estas esperanças não se concretizam, o catálogo não deverá ser apresentado já no dia 7, na abertura da exposição.
O «barlavento» sabe que a ideia seria convencer a ministra da Cultura Isabel Pires de Lima a vir até Aljezur numa outra data, para então lançar o livro, com pompa e circunstância. Mas até agora, garante o vereador José Gonçalves, ainda não há confirmação da disponibilidade da ministra.
Entretanto, abrindo as portas no dia 7 de Setembro, às 17h30, no Espaço +, a exposição «Ribât da Arrifana – Cultura Material e Espiritualidade» poderá ser vista até 5 de Outubro. Com ou sem ministra.
Elisabete Rodrigues (1 Set 2007). O Barlaventohttp://www.barlavento.online.pt/index.php/noticia?id=17747

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por noticiasdearqueologia às 23:24


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