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Segunda-feira, 16.05.11

Nefertiti. Alemanha e Egipto continuam em guerra pela "mais bela mulher"


Um pequeno busto de calcário alimenta o conflito há 80 anos: ambos lutam pela mulher do faraó Aquenáton, Nefertiti.

Busto de Nefertiti 







O Ministério de Antiguidades do Egipto anunciou esta semana que vai fazer um pedido formal à Alemanha para que o país devolva o busto da rainha Nefertiti, encontrado pelo arqueólogo alemão Ludwig Borchardt a 6 de Dezembro de 1912 em Amarna, cidade que funcionou como capital do Antigo Egipto durante o reinado do faraó Aquenáton.
A contenda entre os dois países pela estátua, símbolo maior da arte antiga do Egipto, não é de agora. O primeiro pedido de "devolução" do busto recua a 1930. Desde então, os pedidos - e as recusas da Alemanha - têm-se multiplicado. O Egipto acusa a Alemanha de contrabandear a peça de arte para fora do país sem autorização. Os germânicos continuam a defender que não houve qualquer ilegalidade na aquisição, já que o busto foi comprado, à data das escavações, pelo governo da Prússia, havendo documentos que o comprovam. "A posição do governo alemão não mudou. Nefertiti permanecerá em Berlim", garantiu o assessor do ministro alemão da Cultura, assim que o ministério egípcio fez o anúncio do novo pedido.
O busto de Nefertiti não é a única peça da sua herança cultural que o Egipto tenta, há anos, reaver, mas é provavelmente a mais cobiçada. Apesar de feito em calcário, o busto vale por aquilo que representa: a posição especial que detinha a Grande Esposa Real do faraó Aquenaton (XVIII dinastia egípcia) na história do Antigo Egipto.
Além das teorias em redor do seu desaparecimento (alguns historiadores defendem que Nefertiti terá chegado a governar, ela própria, como soberana, até ter sido morta e substituída pelo mais famoso dos faraós, Tutancamon), é considerada um símbolo da beleza feminina. O seu nome significaria "A mais bela mulher chegou" e, por as suas feições serem pouco comuns no Egipto, levantam-se questões sobre as suas origens, das quais se sabe muito pouco.
Já do seu busto as coisas parecem claras desde 1912 - pelo menos para a Alemanha. Desde que foi trazida para o país por Borchardt, que a encontrou no ateliê do escultor Tutmoses, a peça já passou por vários locais, entre eles uma mina de sal em Merkers-Kieselbach, onde o Exército dos EUA encontrou ouro e peças de arte roubadas pelos nazis. Os sucessivos governos alemães sempre disseram que o busto de Nefertiti não foi roubado pelos nazis.
A obra está actualmente exposta no Neues Museum, em Berlim, onde já antes da Segunda Guerra Mundial estava em exibição, daí que a peça se tenha tornado também um símbolo cultural da capital alemã.
Em Janeiro deste ano - um dia antes de começarem os protestos que culminaram na demissão do presidente Hosni Mubarak -, Zahi Hawass, então ministro das Antiguidades (depois demitido e a seguir restituído no seu posto), havia pedido ao governo de Angela Merkel que devolvesse a Nefertiti ao Egipto, logo recusado pelas autoridades alemãs por não ter sido feito através dos canais próprios. Agora foram cumpridas as formalidades.

Fonte: Joana Azevedo Viana (07 Maio 2011). I on line: http://www.ionline.pt/conteudo/121623-nefertiti-alemanha-e-egipto-continuam-em-guerra-pela-mais-bela-mulher

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por noticiasdearqueologia às 13:07



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