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NOTÍCIAS DE ARQUEOLOGIA

O Património é um bem comum... Preservá-lo só depende de cada um de nós...



Terça-feira, 07.01.14

Arqueologia: ruínas para quê?

Tendo visitado os vestígios há 20 anos, arqueóloga lembra o episódio e discute a preservação no Brasil Do achado arqueológico revelado em 1981 - e festejado por instâncias ligadas à cultura, como registrou a edição número 1 do Diário do Nordeste - à condição de ruínas novamente esquecidas: de lá para cá, apenas o tempo agiu efetivamente sobre os vestígios do Fortim de São Luiz, no bairro Serviluz. No início da década de 1990, a arqueóloga Miriam Cazzetta liderou uma visita ao local, acompanhada por alunos da disciplina de Introdução à Arqueologia, da Universidade Estadual do Ceará (Uece).

As antigas paredes do forte esquecido ao lado do Farol do Mucuripe FOTO: ALEX COSTA

 

Vinte anos depois, ela relembra o episódio e analisa a atual realidade brasileira no que diz respeito ao patrimônio arqueológico que, como no Mucuripe, situa-se em áreas urbanas e compõe o cenário edificado de suas comunidades. "Aquilo funcionou como objeto de análise. De como proceder na ótica da arqueologia urbana. Estávamos estudando como trabalhar nesses ambientes, mas ficou só no âmbito de projectura", explica Miriam. A atividade fazia parte, segundo a arqueóloga, de um projeto maior, em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), batizado "Projeto Litoral". A intenção era fazer um levantamento de evidências arqueológicas, incluindo identificação, localização e estudo dos vestígios de populações pré-históricas e históricas, que transitaram ou habitaram ao longo do litoral do Ceará. "Foram identificados e localizados dez sítios arqueológicos (líticos, lito cerâmicos, cerâmicos e históricos) situados principalmente em áreas de duna", detalha. Uma experiência piloto chegou a ser desenvolvida nos municípios de Trairi e Paraipaba, mas, no caso das ruínas da fortificação do Mucuripe, acabou não indo adiante.

 

Conservação

Fortaleza, ilustra a pesquisadora, possui, pelo menos, outros quatro sítios urbanos que estavam entre os relacionados no projeto: as unidades de defesa da Segunda Guerra Mundial, o engenho Alagadiço Novo, em Messejana, onde funciona a Casa de José de Alencar, e aldeamentos religiosos da Parangaba e Messejana. Para este tipo de sítio arqueológico, localizado em área urbana, reforça, é necessário um envolvimento da comunidade do entorno com a conservação.

A descoberta das ruínas do forte e a expectativa de sua preservação e estudo foram temas de uma reportagem publicada na primeira edição do Diário do Nordeste, com direito a destaque de capa naquela edição histórica "A tutela do Patrimônio Histórico, Arqueológico e Arquitetônico diz respeito não somente ao Estado, mas a todos os membros da sociedade, pois ela não é um fato puramente administrativo e jurídico, porém científico e de exercício de cidadania", avalia. Miram Cazzetta explica que, de acordo com a Constituição Brasileira, os sítios arqueológicos são considerados bens da União e uma Lei específica, de número 3.924/61, considera crime contra o Patrimônio Nacional qualquer ato que implique em sua destruição. É também essa a Lei que obriga a realização de pesquisa antes de qualquer obra que possa causar dano a estes espaços. "Todo sítio arqueológico é parte integrante da base de recursos culturais não renováveis da humanidade, em geral, e das nações em que se encontram, em particular. Portanto, sua destruição implica a perda irreversível de uma parcela de nossa herança cultural", diz. A maior dificuldade, atualmente, encontrada em órgãos de planejamento e infraestrutura urbana, explica, é a complexidade das situações onde é necessária a intervenção, quase sempre coincidindo com o inicio dos trabalhos de engenharia. Há uma dificuldade em se gerir em um mesmo espaço um canteiro arqueológico e outros de obras civis. "O processo de intervenção arqueológica exige etapas específicas que demandam tempo e pessoal especializado para a intervenção arqueológica propriamente dita", pontua.

 

Turismo

A pesquisadora defende que o uso de sítios arqueológicos e edifícios de valor histórico como fomentadores de um turismo qualificado é uma maneira de preservar o patrimônio e de contribuir com o desenvolvimento das comunidades em que estão inseridas. A musealização destes bens, detalha, permite que a população usufrua dele e o reconheça, mais claramente, como uma referência cultural. "O relacionamento entre passado, presente e futuro não é simplesmente de interesse da análise histórica. Isto tem uma importante função no nível psicológico, individual e coletivo. A representação do passado são as memórias do futuro", pontua. Ao passo que o objeto arqueológico funciona como um documento do passado, sob esta perspectiva, defende a arqueóloga, ele assume também um papel fundamental para a compreensão do processo de formação e desenvolvimento de uma cidade e de suas comunidades. "É necessário fazer uma melhor conexão do passado, presente e futuro para sobrepor a tendência de ver o passado como algo que é acabado em si mesmo e que agora tem simplesmente um valor nostálgico, acadêmico ou de entretenimento", resume. (FM)

Fonte: (05 Jan 2014). Diário do Nordeste: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1355403

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por noticiasdearqueologia às 13:08

Sexta-feira, 03.01.14

Marvão:Câmara e Universidade de Évora oficializam instalação de pólo universitário na Beirá dedicado à arqueologia

O pólo da UE vai ficar instalado em edifícios cedidos pelo Município, sendo que as obras de reabilitação dos espaços deverão arrancar “em breve”, para que tudo esteja preparado para acolher no próximo ano investigadores, docentes e alunos.

O vice reitor da Universidade de Évora, Manuel Cancela D’Abreu, considera o pólo universitário, em Marvão, uma estrutura fundamental para alunos e investigadores exercerem o seu trabalho na área da arqueologia.

Para o presidente da Câmara de Marvão, Vitor frutuoso, a instalação do pólo universitário naquele concelho alentejano, é “mais um contributo” para que a região do Alto Alentejo se mantenha “viva” e em particular a aldeia de Beirã, que nos últimos anos “ficou empobrecida” com o fecho da estação de caminhos-de-ferro.

Para além de uma sala de aulas e espaço laboratorial, o pólo universitário poderá acolher, em pernoita, até 15 pessoas.

Fonte: (2013.12.21). Gabriel Nunes/Susana Mourato: http://www.radioportalegre.pt/index.php/8-radio/1618-marvao-camara-e-universidade-de-evora-oficializam-instalacao-de-polo-universitario-na-beira-dedicado-a-arqueologia.html

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por noticiasdearqueologia às 13:14

Quinta-feira, 02.01.14

Único monumento nacional de Rio Maior está ao abandono

Movimento cívico procedeu à limpeza da gruta da Senhora da Luz.
foto

Elementos do Movimento Projecto Cidadania procederam à limpeza da gruta da Senhora da Luz, único monumento nacional do concelho de Rio Maior que se encontra em estado de abandono. No seguimento desta acção foi ainda enviada uma carta aberta à Câmara Municipal de Rio Maior e à junta de freguesia onde se apela às autarquias que cuidem deste importante elemento patrimonial do concelho.

O local, conforme se pode ler na carta endereçada à autarquia, encontrava-se ao abandono e em estado de deterioração, com lixo, inscrições numa parede e a destruição das estalactites, o que levou elementos desse movimento cívico a procederem à limpeza do monumento reconhecido desde 1934 pelo seu valor cultural.

No mesmo documento o Movimento Projecto Cidadania relembra que, já em 1986, o deputado Armando Fernandes, do PRD, apresentou na Assembleia da República um requerimento ao Governo onde alertava para o abandono da Gruta da Senhora da Luz.

À época o Departamento de Arqueologia do Instituto Português de Património Cultural visitou o local e terá solicitado à Câmara Municipal de Rio Maior que vedasse a entrada principal da gruta e sinalizasse o monumento. “Lamentavelmente, passados 27 anos, nada disso está feito”, lê-se na carta aberta onde se apela à autarquia que tome as medidas previstas à época e que a sinalização do monumento inclua um painel interpretativo que forneça informação aos visitantes. Alerta-se ainda para a existência de uma segunda gruta a que se pede também a respectiva “protecção, valorização e divulgação, em interligação com a gruta principal”.

A presidente da Câmara de Rio Maior, Isaura Morais (PSD), reconhece que a situação está longe de ser a ideal, referindo que entre os objectivos da autarquia está desenvolver um projecto para aquele local que permita salvaguardá-lo, divulgá-lo e torná-lo visitável.

Fonte: (24.12.2013). O Mirante: http://semanal.omirante.pt/noticia.asp?idEdicao=&id=96796&idSeccao=11029&Action=noticia

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por noticiasdearqueologia às 21:05

Quinta-feira, 02.01.14

Vestígios arqueológicos na Europa mostram comércio atlântico na era romana

Um estudo da Universidade Autónoma de Barcelona mostrou que existia comércio atlântico na época romana, comprovado por novos vestígios arqueológicos provenientes de diversos locais na Europa.

As provas que sustentam a constatação deste comércio foram descobertas em vários locais arqueológicos das costas da Península Ibérica, da Alemanha, da Holanda e do noroeste de França, no âmbito de um projeto internacional que envolveu também universidades de Lisboa e da Alemanha.

O arqueólogo da Universidade Autónoma de Barcelona (UAB) César Carreras explicou, numa entrevista à agência Efe, que a primeira surpresa foi descobrir que "mais de 70 por cento das ânforas da Grã-Bretanha descobertas em 103 explorações arqueológicas da época romana eram de origem peninsular".

Predominavam, especificamente, ânforas de azeite de Guadalquivir, peixe da baía de Cádis e vinhos do sul e da zona da Catalunha (Espanha).

"Para alcançar as ilhas britânicas, a rota mais adequada era a atlântica, quer devido aos custos quer pelo tempo, e a única dúvida residia na dificuldade da travessia atlântica e na falta de barcos afundados, mas nos últimos anos, completámos esta visão com o estudo de cidades romanas na Holanda (Kops Plateau) e na Alemanha (Xanten, Neuss), que confirma o que havíamos visto em Inglaterra", disse o investigador.

As novas descobertas na Holanda e na Alemanha de "uma quantidade espetacular de ânforas peninsulares", de datas muito antigas -- época de Augusto -- quando os romanos tinham acabado de conquistar estes territórios.

Na opinião do arqueólogo, se até agora havia reticências para aceitar esta rota atlântica, especialmente na sua vertente ocidental (costa portuguesa, galaica e andaluza), os achados da Holanda e Alemanha reforçam esta hipótese de forma concludente.

Além disso, mostram uma cronologia muito antiga (ano 16 antes de Cristo) em uma quantidade de produtos muito importantes dentro do aprovisionamento militar das campanhas de conquista do imperador Augusto na Germania.

"Tanto a quantidade como a variedade de produtos e a cronologia parecem inéditos e ajudam a completar a informação que os nossos colegas franceses estavam a documentar na costa norte francesa, que tem o mesmo tipo de produtos, em proporções semelhantes e com datações idênticas", afirmou Carrera.

As ânforas são vasos concebidos para o transporte marítimo ou fluvial e, portanto, a sua presença a norte do Reno faz supor que este rio era um dos acessos destes produtos.

A nível de arqueologia subaquática, o Atlântico, prosseguiu o especialista da UAP, é um lugar difícil para trabalhar devido à profundidade em que podem estar os possíveis barcos (abaixo dos 30 metros), mas más condições de visibilidade e o frio.

"A maioria dos achados são de barcos que se afundaram na costa ou em rias e a cada dia temos mais, nomeadamente em Portugal, o último em Esposende, na Galiza, nas ilhas do canal da Mancha e a costa belga", que confirmam uma importante circulação comercial, "se bem que não tão importante como no Mediterrâneo", referiu.

Fonte: JH/APN (31.12.2013). Lusa/PortoCanal:http://portocanal.sapo.pt/noticia/13918/

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por noticiasdearqueologia às 20:59

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