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NOTÍCIAS DE ARQUEOLOGIA

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Terça-feira, 12.02.13

Pesquisa questiona história da evolução humana na Península Ibérica

Equipa internacional fez novas datações de dois locais arqueológicos de neandertais. Os resultados reveleram que os vestígios são mais antigos, o que pode alterar os livros sobre a Pré-História.

Os europeus e os asiáticos têm uma pequena percentagem de ADN de neandertal Neanderthal Museum.

 

Quando é que viveram os últimos neandertais da Península Ibérica? Uma teoria defende que se mantiveram até há cerca de 30.000 anos. O reduto final desta população seria a sul do rio Ebro e da cordilheira Cantábrica até Gibraltar. Estas populações teriam estado em contacto com o homem moderno, com a possibilidade teórica de as duas espécies se terem reproduzido.

Mas novas medições de carbono 14 feitas em dois sítios arqueológicos onde se encontram vestígios de neandertais mostram que os nossos parentes extintos estiveram nestes locais até há cerca de 45.000 anos, extinguindo-se muito antes do que se esperava.

O artigo, publicado na revista norte-americana Proceedings of the National Academy of Science, questiona o último acto da história da evolução humana na Península Ibérica. E põe a hipótese de ter havido um período de interregno na colonização desta região, em que durante alguns milhares de anos nenhuma espécie humana viveria cá. 

A ascensão e queda do Homo neanderthalensis é um dos temas mais fascinantes da evolução humana. O motivo para o interesse talvez seja o mais simples: por que sobrevivemos nós ao tempo e não eles?

O neandertal terá evoluído há menos de 300.000. Expandiu-se por toda a Europa e por parte da Ásia. Os últimos vestígios de ossos têm cerca de 30.000, na Croácia, apesar de, no Sul de Gibraltar, haver vestígios com 25.000 anos que alguns cientistas defendem poder estar associados a esta espécie.

Há várias teorias que tentam explicar o desaparecimento desta espécie, a colonização e sobreposição do homem moderno na Europa é uma delas.

Apesar disso, em 2010, um estudo comparativo entre o genoma do Homo sapiens e do Homo neanderthalensis – que foi reconstituído a partir de fósseis – mostrou que os europeus e os asiáticos têm entre 1% e 4% de genoma de neandertal. Provavelmente há cerca de 80.000 anos, algures no Médio Oriente, os primeiros homens modernos cruzaram-se com os neandertais e produziram descendência até hoje.

Na Península Ibérica, os primeiros vestígios do homem moderno têm cerca de 42.000 anos. Estes vestígios ficam a norte do rio Ebro e da cordilheira Cantábrica e são posteriores ao desaparecimento do neandertal daquela região. A sul, datações feitas em vários sítios arqueológicos de neandertais mostram que viveram até uma altura mais recente.

Mas muitos investigadores não confiam totalmente nos métodos aplicados ou no material recolhido para se fazer a datação. Uma equipa internacional com investigadores da Espanha, do Reino Unido e da Austrália utilizou um método mais certeiro para a datação de colagénio – material orgânico que existe nos ossos dos fósseis – com o método do carbono 14.

A particularidade desta metodologia deve-se à lavagem mais intensa do material, que retira partículas contaminantes que se entrarem na leitura alteram os resultados para datas mais recentes. A equipa recolheu material de 11 sítios arqueológicos, mas só conseguiu obter material em quantidade suficiente para analisar de dois locais: Jarama VI, em Valdesotos, na província de Guadalajara, e Zafarraya, na Andaluzia.

As análises foram feitas a ossos de animais com marcas de uso humano que se encontravam nos locais arqueológicos produzidos por culturas neandertais. Os resultados da nova datação mostraram que estes ossos eram de animais mortos há mais de 45.000 anos. Antes, as datações feitas para estes locais eram cerca de 10.000 anos mais recentes.

Apesar de não terem sido feitas novas datações de outros sítios arqueológicos no centro e Sul da Península Ibérica, a equipa considera que as datações existentes têm vários problemas metodológicos. E as novas medições para Jarama VI e Zafarraya reforçam os seus argumentos.

“É improvável que o último neandertal do centro e do Sul da Península Ibérica tenha persistido até tão recentemente como há 30.000 anos, como pensávamos antes de estas novas datas terem aparecido”, defende Jesús Jordá Pardo, do departamento de Pré-História e Arqueologia da Universidade Nacional de Estudo à Distância, em Madrid, um dos membros da equipa que conta com investigadores da Universidade Nacional da Austrália, da Universidade de Oxford, no Reino Unido.

Segundo declarações que o investigador deu em comunicado, estes novos resultados indicam que o neandertal e o homem moderno não viveram ao mesmo tempo na Península Ibérica: “Os livros sobre a Pré-História precisam de ser revistos.” Resultados "inconsequentes"

Para João Zilhão, arqueólogo e especialista sobre o Paleolítico na Península Ibérica, o estudo é “inconsequente”, disse num texto enviado ao PÚBLICO e a outros jornais. “A data obtida para o sítio arqueológico Jarama VI não é do nível mais recente, por isso não refuta os resultados existentes para esse nível e Zafarraya é um sítio em que o material está muito misturado, por isso a maioria dos investigadores ibéricos tirou há mais de uma década este sítio da lista dos locais ibéricos mais recentes [com vestígios de homens-de-neandertal]”, explica o investigador do Instituto Catalão de Investigação em Estudos Avançados e professor da Universidade de Barcelona.

Fonte: Nicolau Ferreira (04-02-2013). Público: http://www.publico.pt/ciencia/noticia/na-peninsula-iberica-entre-o-ultimo-neandertal-e-o-primeiro-homem-moderno-1583280

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por noticiasdearqueologia às 20:14

Terça-feira, 12.02.13

Mora: Monumentos Megalíticos alvo de reportagem na National Geographic

Monumentos Megalíticos de Mora alvo de reportagem na National Geographic

A edição de Fevereiro da revista National Geographic dedica uma página aos monumentos megalíticos do concelho de Mora, destacando a “primeira vez que se descobre um conjunto de menires dispostos em cruz”.

A descoberta de um cruciforme megalítico junto ao vértice geodésico do Alto da Cruz, na Herdade da Santa Cruz, freguesia de Brotas, no decorrer do Verão de 2011, despoletou o interesse junto da revista National Geographic.

O conjunto de seis menires encontrados tombados e em forma de cruz, pela equipa de arqueólogos e estudantes de arqueologia, apresenta características excepcionais, o que faz deste o único a nível peninsular, e possivelmente do mundo.

Os trabalhos de reposição dos menires, levados a cabo a 23 de Outubro de 2012, foram acompanhados por uma equipa da prestigiada revista e estão agora publicados na edição de Fevereiro.

Uma descoberta que veio contribuir para o aumento do número de monumentos meníricos que se distribuem pelo Alentejo Ocidental e que, graças à especificidade dos pormenores que a caracterizam, é merecedora de destaque, elevando assim mais uma vez o nome do Concelho de Mora.

Os achados arqueológicos feitos nas freguesias do município de Mora têm permitido perceber a riqueza dos vestígios megalíticos aqui existentes. Este facto faz com que o Concelho de Mora seja já considerado pelos arqueólogos como um dos mais ricos nesta área do conhecimento, que investe na preservação e divulgação do património e na afirmação da sua própria identidade.

Fonte: (05-02-2013). Linhas de Elvas:  http://www.imprensaregional.com.pt/linhasdeelvas/index.php?info=YTo0OntzOjU6Im9wY2FvIjtzOjExOiJub3RpY2lhX2xlciI7czo5OiJpZF9zZWNjYW8iO3M6MToiOCI7czoxMDoiaWRfbm90aWNpYSI7czo1OiIxMjI2MyI7czo5OiJpZF9lZGljYW8iO3M6MToiNCI7fQ==

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por noticiasdearqueologia às 20:08

Terça-feira, 12.02.13

Arqueólogo português procura em Moçambique vestígios "do início da Humanidade"

O arqueólogo português Nuno Bicho vai coordenar uma investigação arqueológica no sul de Moçambique, onde acredita localizar vestígios do Homo sapiens sapiens, com mais de 250 mil anos.

"Recentemente, em conjunto com outros investigadores, sobretudo americanos, decidimos investir cientificamente em Moçambique", disse o arqueólogo à agência Lusa.

"É uma área que cronologicamente está relacionada com o início da humanidade, 200 mil ou 300 mil anos, e não se conhece nada em Moçambique, ao contrário dos países que o rodeiam, onde há conhecimento muito importante sobre o aparecimento da nossa espécie", disse à Lusa Nuno Bicho, da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve.

De acordo com o arqueólogo, a escolha da zona sul de Maputo prende-se com "razões de preservação de vestígios" devido à existência de grutas e abrigos.

"Aquilo que nós queremos encontrar são fósseis humanos e a preservação acontece em zonas que estão protegidas, ou seja, grutas e abrigos", disse, frisando que a região da Montanha dos Pequenos Limbombos, mesmo junto à fronteira sul, apresenta, do ponto de vista geológico, este tipo de espaços.

O projeto de investigação arqueológica, que conta com subsídios norte-americanos e com o financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia, em Portugal, vai prolongar-se durante dois anos e tudo aponta para que tenha início em maio.

"Estaremos no terreno com uma equipa de 10 a 15 pessoas, principalmente portugueses. Para já vamos trabalhar na zona sul de Moçambique. Aquilo de que estamos à procura são de vestígios da nossa espécie: o aparecimento do homo sapiens, o que significa que estamos a falar de um período de há 250 mil anos".

Nuno Bicho explicou que junto à fronteira entre Moçambique e a Tanzânia, no norte, e também na região da fronteira com o Malawi existem estudos e investigações já realizados no passado mas que "dizem respeito a 150 mil anos" e que o projeto atual procura vestígios mais antigos.

Para a investigação, o arqueólogo vai contratar dois estudantes moçambicanos que podem, no âmbito do projeto, vir estudar para Portugal, onde vão ser acompanhados durante o mestrado ou mesmo no doutoramento.

Licenciado pela Universidade Lusíada de Lisboa, Nuno Bicho fez o seu doutoramento em Antropologia, especialidade de Arqueologia, na Southern Methodist University, em Dallas, Texas, nos Estados Unidos, em 1992, onde também lecionou.

Participou em trabalhos de investigação arqueológica, nos EUA e no Equador.

Tem coordenado projetos de investigação internacionais sobre Pré-história desde 1987 na Estremadura, Ribatejo e no Algarve, com financiamento do extinto Instituto Português de Arqueologia, Fundação para a Ciência e Tecnologia, National Science Foundation dos EUA, Wenner Gren Foundation e do Archaeological Institute of America e foi também o primeiro bolseiro português da National Geographic Society, a qual lhe atribuiu uma segunda bolsa em 2006.

Fonte: (06-02-2013). LUSA/RTP: http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=625862&tm=4&layout=121&visual=49

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por noticiasdearqueologia às 20:05


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