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NOTÍCIAS DE ARQUEOLOGIA

O Património é um bem comum... Preservá-lo só depende de cada um de nós...



Segunda-feira, 28.01.13

O Cerrado tem vestígios de culturas milenares

A ocupação humana na região do Estado de Goiás, remonta há pelo menos 11 mil anos.  Poucas informações existem sobre a ocupação do planalto central antes da chegada dos bandeirantes, e outras expedições anteriores. Um dos raros sítios arqueológicos que dão conta dessa ocupação é o Sítio do Bisnau, ou pedra do Bisnau, localizado próximo ao povoado de Bezerra, seguindo depois de Formosa, para quem saiu de Brasília. Esse sítio arqueológico do Cerrado há milênios. Além desse existem outros, como a conhecida Toca da Onça, que guarda pinturas primitivas.


 


O que é um sítio arqueológico?


Sítio arqueológico é o local onde são encontrados vestígios de populações  anteriores à nossa civilização. Arqueologia, por sua vez, é a ciência que estuda os vestígios arqueológicos. O sítio arqueológico da região do Bisnau tem entalhes na rocha, que representam imagens de constelações, da fauna e formas que identificam humanos. Por conta dessas informações inscritas na rocha, chamados de petróglifos, o sítio é enquadrado em uma tradição chamada de astronômica. Há ainda a classificação de “geométrica” para as inscrições do sítio, pelo fato de nele encontrarmos figuras com formas parecidas com aquelas que vemos nas aulas de geometria: círculos, triângulos, elipses etc.. Para se ter uma ideia do que essas informações representam, basta dizer que algumas formas de arte pré-histórica registram movimentos humanos de caráter festivo, de onde se extraem informações sobre onde surgiram coreografias, presentes até hoje na Europa e também trazidas para o Brasil.


Nesse caso, quando as pinturas representam o mundo natural, e não figuras abstratas, o arqueólogo Altair Sales Barbosa nos ensina que são classificadas como naturalistas. Algumas retratam grande quantidade de movimentos, como nos sítios localizados em Caiapônia-Go.  Em Caiapônia pode-se ver pinturas na rocha e, no caso de Formosa, sulcos na rocha.


Segundo Barbosa, o local das sinalizações indica, geralmente, os locais de sua habitação. No caso das pinturas ou gravuras feitas em lajedo ou pedra, a arte indica o local próximo onde ficava a aldeia, quando esses povos são agricultores. Esse último caso parece ser o da pedra do Bisnau, em Formosa. Trata-se de um grande lajedo de arenito, e não de calcário, como alguns o classificam. O fato de dizerem que o lajedo é de calcário é pelo motivo de que, na região, há uma grande quantidade de calcário depositada nas chapadas presentes na área, muito cobiçadas por fábricas de cimento.


 


Qual a finalidade da arte rupestre ou primitiva?


A utilidade ou finalidade dessas informações gravadas (ou pintadas) na rocha é, ainda, uma incógnita, sendo o seu significado ainda fonte de indagações por parte dos especialistas. Uma das teses mais aceitas é a de que as informações são parte de uma estratégia de orientação para os viajantes, durante as suas longas peregrinações pelo planalto Central. Seria um posto de informações, um registro de direção baseado na posição das constelações vistas por aqueles povos. No lajedo de arenito do Bisnau, provavelmente ocorriam reuniões entre os membros da comunidade. Existe até um conjunto de pedras que serviria para acomodar os ouvintes sentados, como se fosse uma sala de reuniões a céu aberto.


Outra possibilidade seria a de, simplesmente, dar nomes a essas constelações, através de sinais gravados na rocha, dada a proximidade entre desenhos de constelações e outros, representativos da fauna (naturalísticos), presentes no mesmo lajedo. Porém esta última é uma especulação levantada por observação não científica.


Segundo estudo do professor Altair Sales Barbosa, as inscrições poderiam marcar o território de algum grupo nômade, representar cenas do cotidiano, ou até mesmo as brincadeiras por eles elaboradas, os animais em movimento ou parados. Igualmente ele ainda nos ensina que, no caso da pintura, esta “veste” a caverna escolhida para a moradia, tornando o local menos inóspito e mais familiar. Ressalta ainda que somente os espaços mais decorados eram habitados. Os que não recebiam decoração eram pouco utilizados. 


O gosto pela decoração, nesse caso, não parece novidade, visto que vários paredões verticais são decorados com admiráveis arabescos (formas geométricas) e volutas (ornamentação em forma de espiral). As pinturas mais elaboradas eram sempre feitas em locais de difícil acesso, provavelmente como uma forma de competição ou treinamento. Para acessar esses locais, provavelmente subiram em árvores ou construíram um andaime primitivo. As pinturas mais simplificadas estão em altura mais baixa, facilmente alcançada por uma criança que, poderia até ter sido autora de algumas dessas representações pictóricas,  seguindo os passos dos mais velhos. 


 


Como se define a idade de um artefato ou sítio arqueológico?


Para que possamos definir a idade de um artefato arqueológico, existem algumas formas, como, por exemplo, associar o objeto a um evento registrado em uma camada de solo que já tenha uma data definida na sua idade geológica. Nesse caso, a idade do objeto será associada a essa camada, sendo assim possível analisar vestígios e associá-los a uma determinada data na cronologia da pré-história.  Outra forma de datar os vestígios é pela sua radiação. Um esqueleto, por exemplo, emite radiação até 50 mil anos depois de sua morte.


Já o método da termoluminescência leva em consideração a taxa de radioatividade presente no objeto, como um pedaço de cerâmica ou um mineral, como o sílex, que foram  aquecidos a temperaturas entre 350 e 400 graus, no processo de preparo para serem usados como ferramentas. Quando esse objeto é aquecido, sua taxa de radioatividade cai ao nível zero. A partir daquela data, o objeto é então bombardeado de raios cósmicos e começa a acumular radioatividade novamente. Pelo acúmulo de radioatividade, um aparelho que mede a sua extensão revela a idade do objeto a ser datado. A vantagem desse método, segundo a pesquisadora Niede Guidon, é que os vestígios com mais de 50 mil anos podem ser datados com mais precisão. 


Para se medir a idade dos vestígios deixados na pedra do Bisnau, foram feitas algumas medições que nos apontam idade entre 5 e 12 mil anos para os seus petróglifos, ou desenhos insculpidos na rocha. Muitas vezes os estilos empregados são utilizados em vários locais, pelos quatro cantos do país, segundo informações do professor Altair Sales Barbosa, membro da Sociedade de Arqueologia Brasileira.  


O sítio arqueológico localizado no local chamado de “pedra do Bisnau”, contém dezenas de inscrições na rocha, que podem significar tanto orientações astronômicas, como também, abrir caminho para interpretações inusitadas, como a de que seriam sinais de contatos com seres extraterrestres. Até essa possibilidade foi levantada e está disponível na internet.  Este sítio é considerado como uma expressão única e exclusiva, pelo menos na região em questão.


 


Qual a importância desses sítios arqueológicos?


Os sítios arqueológicos são o primeiro passo para o entendimento de como o Cerrado tem um passado cronologicamente extenso, em se tratando de ocupação humana. Muitos dos conhecimentos transmitidos pelas centenas de gerações que aqui passaram, foram transmitidos de forma oral, pelos indígenas, aos descendentes de portugueses e também aos escravos fugidos, que se aliaram aos indígenas, em busca de local seguro para viver. Esses conhecimentos transmitidos de forma oral podem também estar gravados na pedra do Bisnau  há pelo menos 10 mil anos. São mais de 90 inscrições em um lajedo de arenito, representativas de uma classificação que os arqueólogos chamam de astronômica, pelos motivos apresentados nas inscrições.


O sítio arqueológico do Bisnau precisa de tombamento, ou seja, de reconhecimento oficial como parte do patrimônio cultural da humanidade. Seu estado de conservação ainda é considerado bom, embora já tenha sofrido alguns ataques de vandalismo.


Toda paisagem é cultural e, por outro lado, toda manifestação cultural também está intimamente ligada ao espaço onde ela é elaborada. As nossas tradições na gastronomia, nas práticas e saberes que usam os conhecimentos sobre as propriedades medicinais das espécies nativas do Cerrado, bem como as festas e reuniões cerimoniais promovidas pelas populações tradicionais, são sempre ligadas a outros elementos que correspondem ao conceito de Meio Ambiente, como a biodiversidade, tanto da flora ou da fauna. No caso das festividades ou das representações de reuniões e danças, estas preservam informações essenciais para o entendimento dos valores cultivados por esses povos, para entender o funcionamento e o equilíbrio das relações desses povos com o ambiente natural, do ponto de vista da ecologia humana. Não é possível separar o patrimônio cultural do ambiental. Os dois estão em uma mesma escala de valores e são representados pelo conjunto da paisagem preservada.


Sendo assim, os registros pré-históricos, mesmo que não guardem nenhuma relação afetiva com o nosso seu passado, têm a mesma importância arqueológica que um desenho feito há centenas de anos por um parente nosso. Repare que praticamente todas as manifestações culturais, principalmente das comunidades e populações primitivas e tradicionais, estão ligadas a representações de sua relação com a natureza. As músicas falam da natureza, os rituais falam dos recursos naturais, a gastronomia está ligada às espécies vegetais da região, e tudo se complementa no conceito de Meio Ambiente.


 


O que é Meio Ambiente?


Com essa perspectiva entendemos que todos esses registros culturais são também patrimônio ambiental, pois a ONU definiu o conceito de Meio Ambiente em 1977 como: Um conjunto de fatores: Bióticos (flora e fauna) + Abióticos (terra, água energia) + Cultura.  Cultura e meio ambiente são faces de um mesmo diamante, joias siamesas e, por isso, inseparáveis, tanto na teoria quanto na prática. 


Em função dessa relação de intimidade entre elementos culturais e temas ambientais, pretendemos demonstrar ao nosso leitor que: preservar o Meio Ambiente é entender o conjunto do patrimônio ambiental material e imaterial. As inscrições feitas no lajedo de arenito em Formosa são um registro do patrimônio ambiental preservado na região, que se utiliza de um suporte (no caso, a rocha), para nos brindar com o registro raro de uma concepção de vida e de noção de relação com o ambiente natural, que ainda sequer foi decifrado de forma conclusiva. Nesse caso, a noção de patrimônio ambiental está intimamente ligada a um registro cultural, em perfeita conjugação. 


Sendo assim o tema Meio Ambiente não está reduzido a um espaço onde se encontra um sítio arqueológico, ou elementos representativos da flora e da fauna. Para que o conjunto do patrimônio cultural seja preservado, é preciso olhar em torno da microrregião onde ele se encontra, e o significado da paisagem, na elaboração de elementos que compõem o conjunto do patrimônio que se deseja preservar. 


Quem saberá decifrar a constelação de informações presentes no sítio do Bisnau, para que ele não seja uma simples marca desprezada de um passado milenar? Qual o significado de um registro muito mais antigo do que as pirâmides do Egito, uma vez perdido todo o seu significado, emoldurado pela paisagem, que ainda conta um pouco da nossa riquíssima pré-história, muito valorizada na Europa, quando o professor Altair Sales Barbosa é convidado a falar?


Uma visita ao Bisnau é, certamente, muito mais emocionante do que muitas outras atividades urbanas. Nesse caso, o programa de índio supera muitos programas de branco.


Fonte:Bráulio Antônio Calvoso Silva (2013-01-13). Diário da Manhã: http://www.dm.com.br/texto/85769-o-cerrado-tem-vestagios-de-culturas-milenares


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por noticiasdearqueologia às 22:08

Segunda-feira, 28.01.13

Equipa de arqueologia tenta confirmar ruínas de capela do século 18 em Penafiel



Uma equipa de arqueologia está a tentar confirmar  em Penafiel a existência, na zona do Sameiro, de ruínas de uma capela do  século 18, anuncia um comunicado da autarquia.




Segundo a fonte, a sondagem do terreno, que decorre paralelamente às  obras de regeneração urbana, tem em conta que a capela constava de uma planta  da localidade do ano de 1885, conforme registo no museu municipal. 


O monumento, que tinha como patrono S. Bartolomeu, terá sido demolido  aquando da construção do santuário e do parque envolvente, iniciada em 1886.


Segundo a fonte, os trabalhos arqueológicos já estavam previstos na  planificação inicial das obras de regeneração urbana. 


A equipa de arqueologia está a tentar confirmar se os vestígios encontrados  são, de facto, da capela de S. Bartolomeu. 


"A confirmar-se, será levado a cabo o trabalho de registo em fotografia,  desenho e levantamento topográfico da mesma",explica-se no comunicado. 


Os trabalhos de regeneração urbana naquela zona da cidade afetam cerca  de dois hectares, prevendo a criação de novas áreas de lazer. 


O espaço contará com uma nova praça, onde terminará um curso de água  com cerca de 100 metros de extensão.


Fonte: (2013-01-25). Lusa: http://sicnoticias.sapo.pt/cultura/2013/01/25/equipa-de-arqueologia-tenta-confirmar-ruinas-de-capela-do-seculo-18-em-penafiel



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por noticiasdearqueologia às 22:04


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