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NOTÍCIAS DE ARQUEOLOGIA

O Património é um bem comum... Preservá-lo só depende de cada um de nós...



Domingo, 27.09.09

Património do Côa "posto em risco", alertam arqueólogos

O sector critica hipótese de abrir espaço à arte contemporânea, como 

sugeriu o director do Igespar.

"O Partido Socialista, que em 1996 salvou o património do Côa [as 

gravuras rupestres], está agora a pô-lo em risco." O alerta parte de 

José Morais Arnaut, presidente da Associação dos Arqueólogos 

Portugueses (AAP), numa reacção às declarações do director do 

Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico 

(Igespar). Em entrevista ao PÚBLICO no dia 23, Elísio Summavielle 

defendeu que o Museu do Côa, cuja inauguração está prevista para 

breve, deve abrir-se também à arte contemporânea.

"Isso é uma perversão completa do que deve ser a missão principal 

daquele museu, que é a de estudar e divulgar um património que é da 

Humanidade", diz Morais Arnaud.

Se há 15 anos se tomou a decisão de não construir a barragem e de 

salvar as gravuras, o que tornou Portugal "o centro da arte rupestre a 

nível mundial", o presidente da AAP não compreende por que é que 

depois não se apostou seriamente no Côa, criando um "núcleo de 

investigação científica" e fazendo do museu o "motor da divulgação do 

património".

Maria Ramalho, arqueóloga e técnica do Igespar, num texto divulgado na 

sequência da entrevista de Summavielle, lembra que "este assunto [o 

Côa] foi importante para um outro Governo do mesmo partido, a milhares 

de anos-luz da situação presente". E critica "as intenções expressas 

pelo [actual] Governo de reduzir o património apenas ao seu valor 

económico" - numa referência às propostas do Ministério da Cultura 

para um modelo de gestão do Museu do Côa com o Estado e privados.

A preocupação é partilhada por Maria José de Almeida, que preside à 

Associação Profissional de Arqueólogos (APA): "Estamos muito 

preocupados com alguns sinais de que o Estado possa estar a descartar 

a responsabilidade [sobre a gestão do Côa] para as instituições 

locais". Este é um património "não apenas local ou regional, mas 

mundial", e por isso tem que haver "uma regulação" estatal.

Os arqueólogos mostram-se também indignados com as afirmações do 

director do Igespar, segundo as quais a contestação à política do 

Governo para a Arqueologia seria "localizada". "Isso é uma prova clara 

de que [Summavielle] não conhece a realidade", diz Luís Raposo, 

director do Museu Nacional de Arqueologia, garantindo que "a 

contestação é generalizada".

Maria José de Almeida lamenta que o Governo não tenha querido ouvir os 

arqueólogos. "Há um descontentamento por não sermos vistos como parte 

da solução". Morais Arnaut explica que o desinvestimento na 

Arqueologia começou com o plano de reestruturação da administração 

pública (Prace) e a extinção do Instituto do Português de Arqueologia, 

que "era uma estrutura leve e flexível e foi integrado [no Igespar] 

numa estrutura com um peso burocrático muito maior". O resultado é a 

sobreposição de competências entre as direcções regionais de Cultura e 

o Igespar, a "falta de meios", e, ao mesmo tempo, "duplicações 

inaceitáveis, com esbanjamento de recursos".

Quanto à construção do novo Museu dos Coches, em Belém (que implica a 

saída do local de serviços de Arqueologia que vão para a Cordoaria 

Nacional), Luís Raposo diz que Summavielle "reconheceu o óbvio: que o 

processo está parado". "A questão de fundo mantém-se - avisa -, e é um 

problema bicudo para o próximo Governo resolver."


Fonte: Alexandra Prado Coelho (27 Set 2009). Público.

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por noticiasdearqueologia às 22:27


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