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NOTÍCIAS DE ARQUEOLOGIA

O Património é um bem comum... Preservá-lo só depende de cada um de nós...



Domingo, 31.08.08

Arqueólogos investigam a mais antiga escola corânica da Península Ibérica

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O casal de holandeses chegou à Ponta da Atalaia, no litoral de Aljezur, depois de ter visitado, no Museu de Albufeira, a exposição sobre o ribât, a fortaleza-mosteiro da época islâmica que há sete anos os arqueólogos Mário e Rosa Varela Gomes estão a escavar naquele local.


A sua curiosidade sobre um sítio arqueológico que é único em Portugal e quase na Europa levou-os a fazer a viagem entre o Algarve cosmopolita e este outro Algarve da Costa Vicentina.

«Todos os dias aparecem aqui pessoas que querem saber mais sobre este lugar. Umas chegam aqui por acaso, outras já sabem ao que vêm, porque leram algures, ouviram falar ou, como no caso desse casal de holandeses, porque viram a exposição em Albufeira e depois quiseram conhecer o ribât no próprio sítio», explica ao «barlavento» o arqueólogo Mário Varela Gomes.

Desde o princípio da semana passada e apenas por um período de quinze dias - «o financiamento não dá para mais» - uma equipa de 20 jovens estudantes de arqueologia, coordenada por Varela Gomes, está a trabalhar quase em contra-relógio na Ponta da Atalaia, a curta distância do Vale da Telha, onde há sete anos foram descobertos os vestígios do ribât da Arrifana, fundado no século XII pelo mestre sufi Ibn Qasi.

Desta vez, o objectivo das escavações é a área da madrasa, a escola corânica, cujo imenso pátio já foi posto a descoberto em anos anteriores. «É a mais antiga madrasa da Península Ibérica», assegurou Varela Gomes.

No dia em que o «barlavento» visitou o local, os jovens arqueólogos escavavam, com todos os cuidados, a sétima mesquita descoberta no perímetro até agora investigado.

«Sete anos de escavações, sete mesquitas», comentava Mário Varela Gomes. Das paredes da pequena mesquita, feitas com xisto e antigamente recobertas de estuque no interior, apenas restam agora umas fiadas de pedra, que não chegam a atingir meio metro de altura.

Mas é o suficiente para perceber como era o antigo local de oração destes muçulmanos, monges-guerreiros e peregrinos, que há novecentos anos viveram nesta ponta do Ocidente islâmico.

Curiosa foi a descoberta de mais um mirab, o nicho voltado para Meca que indica a presença de uma mesquita. Desta vez, além dos restos de paredes com o formato em ferradura, foi ainda descoberto o arranque da abóbada do mirab, tornando-o no mais bem preservado até agora identificado no ribât da Arrifana.

E, num derrube de uma das paredes da mesquita, surgiu também mais um rolinho de chumbo, daqueles onde os muçulmanos colocavam versículos do Corão, que depois depositavam nas paredes dos seus locais de oração.

Como os já descobertos anteriormente, também este não foi ainda aberto pelos arqueólogos, uma tarefa que terá que ser feita com outros meios e em ambiente controlado. «Mas sabemos o que lá estará: frases de reafirmação da sua fé».

Ainda que a campanha arqueológica seja curta, os trabalhos deste Verão permitem confirmar a religiosidade do local, situado nos confins do mundo islâmico, numa época conturbada internamente entre os muçulmanos da Península Ibérica e com as tropas cristãs de D. Afonso Henriques às portas.

«Em Portugal, só se conheciam a mesquita de Mértola e uma em Alcoutim. Aqui, na Ponta da Atalaia, há um complexo religioso, o ribât da Arrifana, e as mesquitas são muito semelhantes às do deserto e às de Guardamar, em Espanha. Este ribât era um local de pobreza, de abandono do luxo e dos bens materiais, por isso não esperamos encontrar aqui um espólio rico», explicou o arqueólogo.

«Ibn Qasi era de facto um indivíduo muito especial para estabelecer aqui este ribât!», concluiu o arqueólogo.

Fonte: Elizabete Rodrigues (26 Ago 2008). O Barlavento: 

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por noticiasdearqueologia às 12:10

Domingo, 31.08.08

Coroa de ouro encontrada em Vergina, primeira capital do império macedónio de Alexandre Magno

Um grupo de arqueólogos gregos descobriu uma coroa de ouro dentro de um vaso fúnebre num templo de Vergina (Egas), a primeira capital do império macedónio de Alexandre Magno, informou hoje a Universidade Aristóteles de Salónica.



Num comunicado, a Universidade recorda que, há 31 anos, em Vergina, região grega de Pieria, no norte, foram descobertas uma necrópole e o túmulo de Filipe II, pai de Alexandre Magno, do século IV a.C, e bem assim múltiplas relíquias de há 2.500 anos.


Foi nesta mesma estação arqueológica, mais concretamente no templo de Euclea, mãe de Filipe II, no ágora (mercado), que, durante escavações, no passado dia 26, se encontrou um recipiente em forma de cilindro, de cobre oxidado, que continha no seu interior outro similar, mais pequeno, com 50 centímetros de altura, feito de ouro e intacto.


Esse pequeno cântaro de ouro tinha no interior, mergulhada em água, uma coroa de ouro em forma de folhas de carvalho sobre ossadas humanas.


Na opinião da arqueóloga Chrysula Paliadelis, directora da escavação em Vergina, o achado tem "grande importância" por estar fora dos limites da necrópole real e num lugar sagrado.


A coroa, esclareceu, apresenta muitas semelhanças, na qualidade e no tamanho, com a que foi encontrada no túmulo real de Filipe II em 1977.


Fonte: (29 Ago 2008). Lusa/SOL:http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=107147




 

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por noticiasdearqueologia às 12:00

Domingo, 31.08.08

”Grutas do Almonda são caso único em Portugal”

Só quando se fala em achados de fósseis humanos, como aconteceu o mês passado, as pessoas despertam para o que se passa nas Grutas do Almonda. Desde 1988 que equipas voluntárias e profissionais se dedicam durante dois meses por ano, a ”escavar” as grutas de Torres Novas, na procura de sinais que ajudem a melhor conhecer a história. Este ano, a campanha arqueológica na Gruta da Oliveira resultou no achado de fósseis humanos. Mais tempo houvesse e o resultado seria melhor, já que, no entender de João Zilhão, responsável pelos trabalhos, muito há ainda por descobrir nas grutas da nascente do Almonda.

 

Desde o final da década de 80 (tirando dois anos de interregno devido a outros projectos e falta de financiamento) que se sucedem as campanhas arqueológicas no sistema de Grutas do Almonda, considerado pelo Ministério da Cultura, ”imóvel de interesse público”. O primeiro passo neste trabalho foi dado pela Sociedade Torrejana de Espeleologia e Arqueologia (STEA), que descobriu os primeiros utensílios em pedra, que desencadearam todo o trabalho que se seguiu. Isto, em 1987. Desde então, o trabalho tem continuado e o resultado de tantos anos de exploração, materializado em achados, poderia ser muito maior, não fosse a falta de financiamento que condiciona a evolução da investigação.




A campanha deste ano, que decorreu entre Junho e Julho, na Gruta da Oliveira, trouxe boas notícias e um incentivo à continuação das escavações: a descoberta de fósseis humanos do Neandertal, segundo contou João Zilhão. Uma falange e um úmero, como continuou o arqueólogo, e dois outros elementos ainda em fase de diagnóstico, terão sido encontrados na gruta e são testemunhos importantes da pré-história e do homem Neandertal e elementos chave na discussão que se desenvolve à escala internacional, sobre a evolução humana. Disto, não tem dúvidas João Zilhão. Achados importantes e que se vêm juntar a outros já efectuados nas mesmas grutas: ”Até agora, de Neandertais da Gruta da Oliveira temos uma falange da mão, um cúbito, dois úmeros direitos, um fragmento do crânio e uma tíbia”.


Porque onde há fumo, há fogo, Zilhão suspeita que não muito longe dos achados deste ano, outros vestígios de vida humana existirão. Mas o ritmo de trabalho é lento, uma vez que não há financiamento para campanhas mais alargadas e, por isso mesmo, segundo o arqueólogo, haverá trabalho para mais 20 anos nas Grutas do Almonda, até se descobrir tudo o que o imóvel tem para oferecer aos estudiosos. Enquanto não se encontrarem mais fósseis humanos de relevo para o estudo da pré-história, a gruta, por si só, e como afirmou João Zilhão, oferece já elementos importantes para perceber a forma de vida de outrora: ”A jazida já nos dá importantes informações sobre o modo de vida, como era a paisagem dessa região, que animais existiam, como eram explorados pelos caçadores desse período – 30 a 100 mil anos antes do presente – e qual o papel que aquela gruta desempenhava no sistema de povoamento dos caçadores. Esta jazida dá informações sobre essa época, como mais nenhuma dá”, alerta João Zilhão.


Quem visita a nascente do Almonda, nas traseiras da fábrica de papel Renova, não imagina que aí se encontre tal riqueza. João Zilhão não tem reservas em afirmar que o sistema de grutas do Almonda é, à escala da Península Ibérica, uma das poucas que dá informação de tanta qualidade: ”Em termos arqueológicos, para a pré-história, este é um sistema de jazidas único no país e com poucos paralelos a nível mundial. Não vou dizer que é uma jazida, no estado actual de desenvolvimento, para ser merecedora da classificação de património mundial. No caso de grutas arqueológicas, isso resulta em grande medida dos achados que lá se fazem e da relevância que têm para certos problemas, nomeadamente relacionados com a evolução humana”. Um título que apenas não merece, no entender de Zilhão, porque a falta de investimento, não permite uma exploração condigna, que resulte em um número significativo de achados: ”O apoio reduzido que temos tido significa que a exploração do sistema do Almonda vá muito devagar e, embora o potencial seja enorme, os achados que foram feitos até agora são de relevância nacional e, em alguns aspectos, europeia. E é, seguramente, uma das mais importantes do país”, garante o estudioso.


Mas porquê? ”As pessoas que vêm à nascente vêem a água a brotar por cima da parede da represa e o lago, que tapa a galeria por onde actualmente o rio desemboca à superficie. Ali confluem dois rios subterrâneos. Como é uma escarpa muito alta, o rio hoje está a nascer aquela cota, mas em anos anteriores ele nascia mais alto. De cima para baixo, vamos tendo vestígios de habitação de há 200/300 mil anos. A meia encosta está a Gruta da Oliveira onde encontramos vestígios de 30 mil a 100 mil anos, depois, logo por cima da nascente há duas - uma que está em exploração, que é a Lapa dos Coelhos e que corresponde ao período a seguir (10 mil a 30 mil anos) e, logo por cima da nascente, a Galeria da Cisterna, onde encontrámos, nas primeiras escavações, um cemitério da época dos primeiros agricultores (de há 6 mil, 7 mil anos). Esta diacronia num único lugar, é caso único em Portugal. Há um caso parecido em Espanha, que é a Tapuerca e não conheço na Europa outra situação parecida. Temos aqui todas as etapas da pré-história”, explicou João Zilhão.


O investigador não tem dúvidas de que o sistema de Grutas do Almonda tem imenso potencial sub-aproveitado e deixa umas dicas: ”Com os achados da Gruta do Almonda, faz-se um museu completo da pré-história do território português. Uma coisa que é realista e viável, é começar aqui um pequeno museu, como não se pode fazer nem no Museu Nacional”.


Os fósseis humanos entretanto achados em Torres Novas, ao longo destes 20 anos de campanhas, encontram-se no Centro de Investigação de Paleontologia Humana e Afrociências, juntamente com o esqueleto do Menino do Lapedo, a fim de poderem ser estudados em conjunto, como contou Zilhão. Os restantes achados estão em Torres Novas, na sede da STEA e uma parte no Museu Nacional de Lisboa e na universidade.


 


O perfil da região


O sistema das Grutas do Almonda deixa, por si só, perceber qual foi o perfil da região em tempos idos: ”Era uma terra de caçadores, nas margens do Almonda, com manadas de cavalos a pastar ao longo do rio. Um bosque aberto, parecido com a savana de África, com grandes carnívoros como leões, panteras, hienas, e pequenos grupos humanos. Em tudo o que é hoje a área do concelho, haveria talvez vinte pessoas, que exploravam tudo, gruta em gruta, ao ar livre, vivendo da caça. Ao longo do tempo inventando coisas novas, desenvolvendo tecnologias”, terminou João Zilhão.


 


 


 




 


 


Fonte: Inês Vidal (22 Ago 2008). Jornal Torrejano: http://www.jornaltorrejano.pt/edicao/noticia/?id=594&ed=633

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por noticiasdearqueologia às 11:53

Domingo, 31.08.08

Escavações arqueológicas no forte de Alqueidão

No âmbito do Projecto Intermunicipal da Rota Histórica das Linhas Defensivas de Torres Vedras, financiado pelo mecanismo financeiro EEA Grants, que contempla a requalificação de um conjunto de fortificações militares de campo, que incluem escarpamentos, trincheiras, fossos, redutos, outrora bem guarnecidos de tropas e de artilharia, postos de comunicação telegráfica e estradas militares, a Câmara Municipal do Sobral de Monte Agraço está a levar a cabo, durante o corrente mês, a primeira campanha de trabalhos arqueológicos no forte do Alqueidão, um dos maiores e mais importantes postos de comando das Linhas.

Tendo o forte do Alqueidão desempenhado um papel estratégico fundamental para travar o avanço das tropas napoleónicas em direcção à capital, durante a terceira invasão, o município sobralense, entre as várias acções previstas para a reabilitação e promoção cultural do património referente a esse período da História de Portugal, apostou na salvaguarda e valorização daquele sítio com um inegável carisma histórico-simbólico.

Nesse sentido, e após os trabalhos de desmatação e limpeza realizados em Junho deste ano, os resultados das escavações arqueológicas, obtidos até ao momento, não têm desapontado as expectativas. Uma equipa coordenada por um arqueólogo, na qual participa um estagiário em arqueologia, jovens do Programa Municipal de Ocupação de Tempos Livres e outros recursos do município já diagnosticaram e intervencionaram dois paióis, um dos três redutos, duas canhoneiras e a zona do poço. Surpreendemente bem conservadas, as estruturas militares do forte do Alqueidão garantem para já duas coisas: o grande reduto do Sobral ainda guarda alguns “segredos” e muito trabalho a realizar!


Fonte: (28 Ago 2008). Badaladas: http://www.badaladas.pt/site/php/noticia.php?ide=2747&idr=300002&idn=26

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por noticiasdearqueologia às 11:47

Domingo, 31.08.08

Museu do Côa com inauguração prevista para o próximo ano

Fonte: (28 Ago 2008). A Guarda: http://www.jornalaguarda.com/index.asp?idEdicao=263&id=12906&idSeccao=3264&Action=noticia



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O Museu do Côa vai abrir as portas em 2009, quase 15 anos depois da polémica que suspendeu a construção da barragem em Vila Nova de Foz Côa, devido aos protestos de ambientalistas e especialistas em arte rupestre.

João Pedro Ribeiro, subdirector do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR), referiu que o Museu, cuja primeira pedra foi lançada pela anterior Ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, encontra-se “em fase adiantada de construção e a sua inauguração está prevista para uma data ainda a definir em 2009”.

Em declarações à Agência Lusa, João Pedro Ribeiro salientou que “o museu será o principal ponto de acolhimento do Parque Arqueológico do Vale do Côa (PAVC)” que tem como “objectivos essenciais divulgar e contextualizar” os achados e “contribuir para a criação de uma dinâmica cultural na região”.

O projecto, num investimento total de 17,5 milhões de euros, é da autoria dos jovens arquitectos portuenses, Tiago Pimentel e Camilo Rebelo, que ganharam o concurso público internacional para a obra ao propôr um edifício com 170 metros de altura, simulando uma “gigantesca pedra” de xisto no betão através do recurso a moldes de silicone, uma técnica já usada pelo PAVC para as réplicas arqueológicas.

Segundo o arqueólogo do PAVC Martinho Batista, foram efectuadas apenas quatro réplicas entre as centenas de gravuras encontradas: duas porque estavam submersas e outras por estarem em risco de serem destruídas no próprio habitat.

Já a directora do PAVC, Alexandra Lima, justificou a construção do Museu com a “necessidade de uma estrutura complementar de acolhimento para receber grandes grupos”. Agora, disse a responsável, é tempo de concluir o projecto do parque e “promulgar o decreto da sua regulamentação”, consolidando a sua estrutura funcional.

Emílio Mesquita, presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Foz Côa e da Associação de Municípios do Vale do Côa, defende que o Museu não deve abrir enquanto não for acertada toda a orgânica envolvida, incluindo a recuperação do troço ferroviário Pocinho - Barca d’Alva. Caso contrário, sustenta o autarca, o projecto corre o risco de “falhar irremediavelmente” nos seus objectivos. “Não podemos confiar nas mãos do Estado uma riqueza que diz respeito a todos nós, em especial aos que vivem por cá, para que daí possa surgir desenvolvimento por si só”, afirmou.

 


 

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por noticiasdearqueologia às 11:40

Domingo, 31.08.08

Meda: Campanha arqueológica na Coriscada revela povoamento neolítico e aldeia rural romana

Uma campanha arqueológica no Vale do Mouro, Coriscada, revelou um povoamento neolítico com sete mil anos e permitiu descobrir uma aldeia romana que os arqueólogos acreditam ser uma "revolução" no estudo do país rural da época.

Quando se pensava que o local, no concelho da Meda (distrito da Guarda), teria tido apenas duas ocupações - nos séculos III e IV depois de Cristo (d.C.) -, as escavações de 2008 revelaram novos achados do período Neolítico, com a presença de materiais em sílica e lascas de quartzo.

Este local foi inicialmente referenciado por elementos do Centro Sócio-Cultural da Coriscada em 2001, mas só dois anos depois uma equipa coordenada pelos arqueólogos António Sá Coixão e Tony Silvino iniciou as campanhas de investigação no Vale do Mouro.





Todos os anos chegam a trabalhar neste sítio cerca de 50 pessoas, não remuneradas, deslocando-se de França e de outras zonas de Portugal nos meses de Julho e Agosto.

O arqueólogo Sá Coixão afirmou à Lusa que o projecto tem quatro anos, que termina em 2009, o IGESPAR (Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico) apoia as escavações com cerca de 12.500 euros/ano, mas o especialista admite que a campanha "não duraria uma semana" se não fosse também assegurada pela Câmara Municipal da Meda e pela Junta de Freguesia da Coriscada.

Sobre as revelações que a campanha permitiu desvendar, Sá Coixão afirma-se convicto de que "como as gravuras do Vale do Côa marcaram uma época, estas descobertas vão marcar um tempo, em que ainda se pensava num interior rural romano 'pobretanas' onde não se podia viver bem".

"Nos inícios do século I d.C., terá sido ali edificada uma vila [quinta] e já no século III d.C., um senhor abastado, à custa do rendimento agrícola gerado com vinho, cereais e azeite e também da exploração mineira do ferro, estanho, prata ou chumbo, terá reconvertido a vila chamando técnicos para o revestimento de salas de mosaico, edificar balneários, lagares e ferrarias", explicou o arqueólogo à agência Lusa.

Sá Coixão admite que, numa época áurea, é forte a probabilidade de "esse senhor ter-se valido de operários livres criando um 'Vicus' [aldeia] onde os deuses e festividades passariam a ter algum cunho colectivo", algo que pode revolucionar a história conhecida da aldeia romana, defende.

Numa recente visita a este local, o professor catedrático e investigador de Pré-História e Arqueologia Jorge de Alarcão afirmou que "teria que reescrever tudo sobre o Portugal rural romano", conta.

Já o arqueólogo luso-descendente Tony Silvino iniciou esta parceria não oficial com Sá Coixão, que costuma vir fazer as suas "férias arqueológicas" a Portugal.

O especialista traz sempre consigo um grupo de especialistas nas diversas áreas, como o vinho, vidro, cerâmica, metais e arquitectura e, juntamente com outra equipa da Universidade do Porto, 'esgravata' por paixão os segredos da história.

Tony Silvino afirma que a classe "geralmente pensa já ter descoberto tudo sobre a época romana, mas o interior deste país revela-nos o contrário".

Os primeiros anos de trabalhos centraram-se na zona do Balneário Romano e em 2006 foi descoberto um painel de mosaico policromático, presentemente a ser restaurado em Conímbriga, figurando o Deus Baco junto de uma Menade, antes nunca encontrado em regiões interiores de Portugal.

No último dia de campanha de 2007, fez eco na imprensa nacional e estrangeira uma descoberta 'endinheirada' de um tesouro monetário com cerca de seis mil moedas, provavelmente envoltas num saco, tendo sido encontrado um resto de tecido que surpreendeu os arqueólogos pela sua sobrevivência.

A campanha deste ano está a terminar, mas deixa aberta uma exposição permanente de achados no Centro Sócio-Cultural da Coriscada.

O objectivo é sensibilizar a população, adquirir a confiança e empenho necessários das gentes locais, para que o sonho de musealizar o terreno possa ser realidade um dia.


Fonte: (29 Ago 2008). Público/Lusa: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1340974

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por noticiasdearqueologia às 11:28

Domingo, 31.08.08

Cientistas encontram cidades perdidas na Amazónia

Uma vasta região da floresta da Amazónia, no Brasil, foi o centro de cidades antigas nas quais cerca de 50 mil pessoas viviam, de acordo com a recente descoberta feita com recurso a imagens de satélite por cientistas.

A descoberta foi publicada ontem na revista "Science" e onde se descrevem aglomerados de cidades e pequenas vilas ligadas por complexas redes.

A chegada de colonos europeus e as doenças que traziam com eles há cinco séculos atrás terão morto a maioria dos habitantes e danificado os aglomerados, segundo os antropólogos.

As comunidades consistiam em redes de cidades rodeadas por muralhas e pequenas vilas organizadas à volta de uma praça central, que agora estão quase totalmente tapadas pela floresta.

O antropologista da Universidade da Florida, Mike Heckenberger realçou a capacidade urbanística das vilas. “Se olharmos para a média das cidades medievais ou para média das cidades medievais da polis grega, a maioria é da mesma escala das que encontrámos na Amazónia. Só que as que encontramos agora são muito mais complicadas em termos de planeamento”, acrescenta Heckenberger.

Ajudados pelas imagens de satélite, os investigadores passaram mais de dez anos a estudar e mapear as comunidades perdidas.

Antes da chegada dos europeus em 1492, as Américas eram palco de prósperas sociedades com grandes cidades. A descoberta ajuda a entender também as várias civilizações pré-colombianas.

Os investigadores afirmaram que um aspecto importante da existência de antigas comunidades na região da Amazónia de Xingu, no centro-norte do Brasil, significa ainda que uma região da floresta tropical da Amazónia, antes considerada intacta, na verdade já foi cenário de extensa actividade humana no passado.

Os cientistas norte-americanos e brasileiros trabalharam com trabalharam com membros da tribo Kuikuro, o povo indígena da amazónia que acreditam ser os directos descendentes dos habitantes desses aglomerados civilizacionais.


Fonte: (29 Ago 2008). Reuters/Público: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1340933

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por noticiasdearqueologia às 11:20

Quarta-feira, 27.08.08

Cientistas israelitas digitalizam Manuscritos do Mar Morto para disponibilizar na Internet

Documentos com dois mil anos


Cientistas israelitas estão a tirar fotografias digitais aos Manuscritos do Mar Morto para disponibilizar estes documentos, com dois mil anos, na Internet. A Autoridade de Antiguidades de Israel, proprietária dos manuscritos sobre a vida de Jesus e dos primeiros cristãos, afirmaram hoje que vão demorar mais de dois anos a completar o projecto.



 Usando câmaras especiais e luzes que não emitem calor ou raios ultravioleta, os cientistas conseguiram decifrar secções dos manuscritos, invisíveis a olho nu.

Os documentos, as cópias mais antigas da Bíblia hebraica, foram encontrados em 1947 numa gruta perto do Mar Morto e desde então apenas um reduzido número de investigadores puderam ver os fragmentos. Só há sete anos é que foram publicados na sua totalidade.

Os Manuscritos do Mar Morto são mais de 800 documentos descobertos em grutas na zona de Wadi Qumran, junto do Mar Morto. São praticamente os únicos documentos bíblicos do primeiro século da era cristã (e alguns possivelmente do século III a.C.) que chegaram até hoje, além de serem também um dos mais antigos testemunhos do judaísmo.

Conta-se que em 1947 um pastor entrou numa gruta e encontrou uma série de ânforas cheias de rolos de papiro. Uma investigação arqueológica posterior descobriu mais onze cavernas onde estavam centenas de manuscritos. Acredita-se que foi a comunidade dos essénios, uma seita judaica esotérica e ascética, que escreveu os manuscritos, cujo valor histórico passa pelo facto de não terem sido revistos ou censurados.


Fonte: (27 Ago 2008). Público: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1340724

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por noticiasdearqueologia às 22:59

Quarta-feira, 27.08.08

Múmia da civilização Huari descoberta na capital do Peru

Lima, a capital do Peru, é um foco de história. Investigadores retiraram ontem de um local arqueológico na cidade uma múmia, bem preservada, de uma mulher que viveu há cerca de 1300 anos. A sepultura está dentro das ruínas de Huaca Pucllana, um complexo funerário da antiga civilização Huari, que existiu na região do Peru antes dos Incas.

“Já tínhamos descoberto outras sepulturas”, explicou Isabel Flores, directora das ruínas. “Mas tinham sempre buracos, ou estavam danificadas. Nunca descobrimos uma sepultura assim como esta – intacta”, disse a arqueóloga.



Os investigadores acreditam que a sepultura é de 700 DC. Juntamente com a múmia, os arqueólogos encontraram mais dois corpos de adultos e uma criança, que provavelmente foi usada para sacrifício, comum para os Huari.

Antes de ser transportada, a múmia feminina foi envolvida em papel para ficar protegida. Quando se trouxe para fora, a cara foi exposta, revelando duas órbitas azuis que estavam na vez dos olhos, e que os arqueólogos ainda não sabem de que são feitas.

Os Huari viveram na região que hoje faz parte do Peru entre 600 e 1100 DC. A cidade mais importante da civilização estava perto da actual Ayacucho, nos Andes, mas sabe-se através da grande rede de estradas que construíram, que os Wari viajavam muito.

Huaca Pucllana tem uma praça. A estrutura do complexo funerário é feita de tijolos. Já foram encontradas 30 sepulturas, quando estão em boas condições, as sepulturas têm ofertas de cerâmicas e tecidos à volta dos mortos. A descoberta de Huaca Pucllana permite aprofundar o conhecimento da tradição funerária dos Huari e “isto enriquece a história de Lima”, diz Flores.


Fonte: (27 Ago 2008). Público: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1340664

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por noticiasdearqueologia às 22:50

Quarta-feira, 27.08.08

Estátua gigante do imperador Marco Aurélio descoberta na Turquia

Banhos de Sagalassos com esculturas da Dinastia Antonina



Uma estátua gigante de Marco Aurélio foi desenterrada num local arqueológico na Turquia. Os arqueólogos têm vindo a descobrir várias estátuas numa sala de banhos da cidade antiga de Sagalassos, que foi parcialmente destruída durante um terramoto entre 540 e 620 d. C.

Sagalassos fica a 100 quilómetros a norte da cidade de Antália, no Sudoeste da Turquia. Os banhos têm uma forma de cruz e medem 1250 metros quadrados, estão cobertos por mosaicos e eram provavelmente utilizados como frigidarium, uma sala com uma piscina de água fria onde os cidadãos mergulhavam depois de tomarem um banho quente.



Há doze anos que os arqueólogos têm escavado o local, e foram sendo desenterradas várias estátuas dos imperadores e das suas mulheres da dinastia antonina. No ano passado uma equipa liderada pelo professor Marc Waelkans da Universidade Católica de Leuven, Bélgica, pôs à luz vários fragmentos do que seria uma estátua de mármore colossal do imperador Adriano, que viveu entre 117 e 138 d. C.

Depois de terem encontrado a cabeça e o braço de uma estátua de Faustina a Velha, a mulher do imperador Antonino Pio, a 20 de Agosto desenterraram as partes de baixo de duas pernas de uma estátua e um braço direito com um metro e meio. Quando se encontrou a cabeça, os arqueólogos perceberam que estavam diante da estátua do imperador Marco Aurélio quando era jovem.

A cabeça, com quase um metro de altura, mostrava o jovem a olhar para cima. As pupilas estão direccionadas para o céu “como se tivesse numa contemplação profunda, completamente ajustado a um imperador que era mais um filósofo do que um soldado”, explicou Waelkens.

Marco Aurélio foi o último imperador que fez parte da sucessão dos Cinco Bons Imperadores que trouxeram uma época de ouro a Roma. Governou de 161 a 180 DC, e foi considerado como um estóico. O investigador diz que esta estátua é uma das melhores representações do líder romano.

O torso da estátua deveria ter uma armadura de bronze, por dentro deveria estar preenchido por terracota ou madeira. Quando a sala desabou, o torso provavelmente ficou destruído. As botas esculpidas estavam decoradas com pele de leão e escudos amazónicos.

Os arqueólogos chegaram à conclusão que a sala estava preenchida com esculturas gigantes da Dinastia Antonina, que governou o Império romano durante o segundo século depois de Cristo. À medida que foram encontrando as estátuas de Adriano, a sua mulher Vibia Sabina, o imperador Antonino Pio, a sua mulher Faustina e Marco Aurélio dispersos em locais diferentes da sala concluíram que os imperadores estavam do lado Oeste da sala e as suas mulheres foram colocadas do lado Este.

No próximo ano, os arqueólogos esperam encontrar a escultura da mulher de Marco Aurélio, Faustina a Jovem, na parte noroeste da sala. Ao imperador sucedeu o filho Cómodo, que acabou por ser assassinado, e governou um reino cheio de conflitos políticos e conspirações.

Fonte: (26 Ago 2008). Público: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1340533

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por noticiasdearqueologia às 22:45

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