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NOTÍCIAS DE ARQUEOLOGIA

O Património é um bem comum... Preservá-lo só depende de cada um de nós...



Quarta-feira, 28.11.07

Escorpião marinho era duas vezes maior do que um humano



Escorpião marinho era duas vezes maior do que um humano



Cientistas encontraram o fóssil da garra de um escorpião marinho com 2,5 metros de comprimento, uma criatura assombrosa que viveu antes da era dos dinossauros.


A descoberta da espécie, com 390 milhões de anos, ocorreu numa pedreira da Alemanha. Os cientistas da Universidade britânica de Bristol afirmaram, com base na descoberta, que os aracnídeos, insectos e crustáceos pré-históricos eram muito maiores do que se poderia pensar.


«Esta é uma descoberta incrível», declarou à Reuters o cientista Simon Brady, «há já algum que os registos fósseis nos mostravam centopeias monstruosas, escorpiões gigantescos, baratas colossais e libélulas enormes, mas ainda não tinhamos visto o tamanho de alguns desses bichinhos rastejantes e assustadores»


O resultado da pesquisa foi publicado na revista Biology  Letters, assinado por Brady e pelos seus colegas.


A garra do escorpião marinho, de nome Jaekelopterus rhenaniae, mede 46 cm. Não se sabe o motivo do crescimento desmesurado dos artrópodes pré-históricos, criaturas com esqueleto externo e corpos segmentados.


Alguns cientistas acreditam que o processo foi despoletado pela elevada concentração de oxigénio na atmosfera, como acontecia na época.


Outra teoria, mais darwinista, sustenta que os animais se envolveram numa «corrida ao armamento» contra as suas possíveis presas: os peixes pré-históricos, que têm carapaça.


In: (21 Nov 2007). SOL/Reuters: http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Vida/Interior.aspx?content_id=67737


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por noticiasdearqueologia às 21:32

Quarta-feira, 28.11.07

Brasil: exposição "Lusa - A Matriz Portuguesa" regista recorde de visitantes


Patente ao público desde 11 de Outubro, no Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB), um dos principais espaços de exposição do Rio de Janeiro, a mostra estará patente até 10 de Fevereiro de 2008.


Depois do Rio de Janeiro, a exposição seguirá para Brasília, onde ficará entre 25 de Fevereiro e Abril, com a possibilidade de ser exibida posteriormente em São Paulo, indicou Marcelo Dantas, produtor do evento.


A mostra inclui 147 peças de 38 instituições portugueses, algumas das quais nunca atravessaram o Atlântico e outras nunca deixaram Portugal.


Entre o acervo da exposição, estão cerca de 40 peças consideradas verdadeiros tesouros portugueses, como um guerreiro em granito e um colar de ouro celtas.


Um dos principais objectivos da exposição é assinalar o bicentenário da chegada do príncipe regente D. João e da família real portuguesa ao Brasil.


Notícia continua in: 28 Nov 2007. Lusa: http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/9WrbQT9w3TFq%2FBdDt0gDHw.html

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por noticiasdearqueologia às 19:12

Quarta-feira, 28.11.07

Caminha: Obras hipotecadas por extinção do DGEMN

As obras de reabilitação da ponte românica de Vilar de Mouros, consideradas "urgentes" desde há três anos, ainda não avançaram devido à extinção da Direcção-Geral de Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), explicou hoje a Câmara de Caminha.



Em comunicado, a Câmara lembra que a tutela daquela obra pertencia à DGEMN, que desenvolveu o respectivo projecto, já concluído.


A extinção daquele organismo veio suspender uma obra que, directamente, até nem terá custos para o Estado, uma vez que a Câmara está disposta a pagar os trabalhos de reabilitação, estimados em cerca de 20 mil euros", refere o comunicado.


Acrescenta que a Câmara está agora "a fazer todos os esforços" para assinar um protocolo com o Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR), sem o qual a obra não pode avançar uma vez que a ponte está classificada como monumento nacional.


O IGESPAR resultou da extinção e fusão do Instituto Português de Arqueologia (IPA) e do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR). "Com a nova organização, falta agora apenas definir quem fica responsável pela obra", sustenta a Autarquia.


Datada do século XIII, a ponte românica de Vilar de Mouros "aguarda desde há cerca de três anos por obras, já nessa altura consideradas urgentes, como é o caso do arranjo do pavimento, também de uma parte das guardas e dos aquedutos".


A Câmara reconhece que a inauguração do troço da A-28, entre Viana do Castelo e Caminha, "veio pressionar ainda mais a ponte, que agora está sujeita a um tráfego acrescido, embora a travessia tivesse sido proibida à circulação de pesados e limitada a velocidade aos 10 quilómetros por hora para os ligeiros".


No Outono de 2004, o presidente da Junta de Vilar de Mouros, Carlos Alves, alertou para o "perigo iminente" em que se encontra a ponte românica da freguesia e exigiu "medidas urgentes" para evitar a ruína daquele monumento nacional.


"A ponte apresenta um abatimento significativo no pavimento e uma série de fissuras nos arcos e aquedutos, pelo que inspira muitos cuidados. Não tenho dúvidas de que, se nada for feito, ela acabará por cair", disse o autarca comunista.


Carlos Alves reivindica mesmo a construção de uma nova ponte em Vilar de Mouros, ficando aquela, "de elevado valor sentimental" para as gentes da freguesia, destinada apenas a peões.


A ponte românica de Vilar de Mouros é, neste momento, o único elo de ligação entre os diversos lugares da freguesia, que está dividida pelo rio Coura.


"A única alternativa seria atravessar o rio pela ponte de Caminha, o que obrigaria a uma volta de cerca de sete quilómetros", referiu o autarca.


Há cerca de quatro anos, a Direcção-Geral dos Monumentos Nacionais fez uma intervenção na ponte que, segundo Carlos Alves, "não passou de uma pequena operação de cosmética".


"Fizeram a limpeza do local e o enchimento das juntas e pouco mais", criticou o autarca, sublinhando que a solução passa por uma "intervenção de fundo, que não poderá demorar muito", sob pena de se perder um dos 'ex-libris' da freguesia.
In: (26 Nov 2007). TVNET/Lusa: http://www.tvnet.pt/noticias/detalhes.php?id=14807 

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por noticiasdearqueologia às 19:02

Quarta-feira, 28.11.07

Rosto do menino do Lapedo (24 mil anos)

Tinha uns quatro anos quando morreu, há 25 mil anos. Em 1998, descobriram o esqueleto. Mas só víamos ossos ou visões artísticas. A primeira reconstituição forense revela-lhe o rosto.


 Brian Pierson trabalhou mais de dez anos em Hollywood, como artista de efeitos especiais em filmes como o Titanic, O Último Samurai, Alien: o Regresso ou Star Trek: Insurreição. Não lhe faltam monstros e seres fantásticos no currículo, mas procurava outros desafios intelectuais, pelo que decidiu fazer um doutoramento em antropologia e especializar-se em reconstituições faciais forenses na Universidade de Tulane, em Nova Orleães. Foi assim que, este ano, um artista de efeitos especiais se cruzou com a criança do Lapedo e lhe reconstituiu a cara com técnicas forenses. Tal e qual como faz o FBI.



          

            

 É esse rosto que pode ver-se agora pela primeira vez. O arqueólogo português Francisco Almeida apresenta hoje esta reconstituição facial à comunidade científica, no Simpósio sobre Realidade Virtual, Arqueologia e Património Cultural em Brighton, no Reino Unido.
Brian Pierson aparece nesta história por causa de Francisco Almeida, do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar), que tem participado, como comissário científico, na criação de um pequeno museu no local onde se descobriu o esqueleto da criança - o Abrigo do Lagar Velho, no Vale do Lapedo, perto de Leiria.
No início do próximo ano, o museu deverá abrir ao público num terreno sobranceiro ao vale, onde há 25 mil anos alguém sepultou a criança, de quatro a cinco anos, com todo o cuidado, seguindo um ritual. Purificaram a sepultura com fogo e embrulharam a criança numa mortalha, com oferendas e ocre vermelho.
Mestiça ou não
Em Novembro de 1998, espeleólogos que procuravam arte rupestre no vale encontravam o esqueleto, deixado à vista por uma máquina que abriu uma estrada. Numa escavação de emergência, os arqueólogos Cidália Duarte, Ana Cristina Araújo e João Zilhão, então do Instituto Português de Arqueologia (agora integrado no Igespar), recuperaram o esqueleto da primeira e ainda única sepultura paleolítica encontrada na Península Ibérica. Nem no dia de Natal pararam de escavar, afinal, na altura, aquele era também o único esqueleto quase completo de uma criança do Paleolítico Superior na Europa, o que, só por si, já era um achado arqueológico de relevância mundial.
Só que a história da criança do Lapedo teria um picante adicional: podia ser mestiça. Erik Trinkaus, um antropólogo norte-americano a quem João Zilhão (então presidente do Instituto Português de Arqueologia) falou da descoberta, detectou nos ossos características morfológicas resultantes de um cruzamento reprodutivo entre dois tipos de homens. Tal implicava a ocorrência de sexo entre dois grupos humanos distintos: o homem moderno, a espécie da criança do Lapedo, que é a mesma do que a nossa, e o homem de Neandertal, extinto há 28 mil anos.
Assim, o esqueleto passou a estar no meio de um debate intenso sobre evolução humana, já que o relacionamento destes dois grupos humanos estava (e continua a estar) envolto em polémica. Fizeram amor e tiveram filhos? Ignoraram-se, e por alguma razão os Neandertais desapareceram? Ou guerrearam-se, até à chacina completa dos Neandertais pelos homens modernos?
Fizeram amor - foi a resposta da equipa que estudou o esqueleto, pelo que a criança do Lapedo se tornou notícia mundial. Apresentava, por exemplo, as pernas curtas como os Neandertais e as ancas estreitas como os homens modernos. Também possuía queixo, um traço dos humanos modernos, inexistente nos Neandertais, só que estava metido para dentro de
forma invulgar.
Descendência Neandertal
Não há dúvidas de que os dois humanos coexistiram alguns milhares de anos no espaço e no tempo (os humanos modernos chegaram à Europa há cerca de 40 mil anos, enquanto os Neandertais sempre só cá estiveram, desde há 300 mil anos).
Mas, além de sexo, outro pormenor apimentava a história: a criança nasceu três mil anos depois da extinção dos últimos Neandertais, na Península Ibérica, para onde vieram recuando do Médio Oriente e do resto da Europa. Portanto, seria um descendente longínquo desses híbridos de humanos modernos e Neandertais, que poderia resolver o mistério sobre o relacionamento de ambos. Punha em causa, na interpretação da equipa, a ideia dominante de que os Neandertais se extinguiram sem descendência: continuaram a existir, só que através de nós. Uma ideia que, no entanto, outros cientistas não aceitam. Só quando surgirem novas provas esmagadoras um dos lados da discussão poderá ceder. Até lá, esgrimem argumentos, com uma nova frente de debate, agora centrada no ADN de Neandertais e de homens modernos.
Depois da descoberta da criança, fizeram-se mais escavações no Vale do Lapedo, coordenadas por Francisco Almeida. Ao mesmo tempo, ia tomando forma a ideia de criar um Centro de Interpretação do Abrigo do Lagar Velho, com a Câmara Municipal de Leiria, até porque durante as escavações o local recebia muitas visitas de cientistas e curiosos. "Uma das perguntas frequentes era: mas onde está o menino?", conta Francisco Almeida.
Estava em Lisboa, no Igespar, onde vai continuar guardado numa caixa construída para o efeito. É frágil demais para estar num museu pequeno, onde o controlo ambiental é complicado, por isso Francisco Almeida foi pensando em alternativas ao esqueleto para pôr no Centro de Interpretação. Uma réplica do esqueleto na sepultura, em tamanho real? Por que não?
Para isso, bastava recuperar os ficheiros das tomografias axiais computorizadas (TAC) feitas, em tempos, ao esqueleto e ao crânio no Hospital Curry Cabral, em Lisboa: tinham sido enviados ao neurologista Christoph Zollikofer e à antropóloga Márcia Ponce de León, especialistas em reconstituições tridimensionais da Universidade de Zurique (Suíça). Foram eles que reconstituíram, em computador, o crânio da criança a três dimensões (para ver se havia sinais de mestiçagem, por exemplo). Desde então, passou a haver imagens tridimensionais de como seria a cabeça da criança, porque o crânio está muito fragmentado (só cerca de cem fragmentos se conseguem montar em pauzinhos de bambu e outros cerca de 240 estão tão partidos que nem se podem colar). Com essas imagens virtuais, construíram-se também as primeiras réplicas em resina translúcida.
O caso do enforcado
Foi a partir daquelas imagens tridimensionais, reenviadas da Suíça para Portugal, que o Instituto Politécnico de Leira fez uma réplica do esqueleto, através de impressão tridimensional (uma técnica que deposita gesso por camadas, banhado depois com resina). A ideia é, no final, colocar os ossos pintados numa réplica da sepultura, construída com silicone e sedimentos.
Ao mesmo tempo, Francisco Almeida ia enviando imagens deste trabalho a Trent Holliday, um antropólogo da Universidade de Tulane que tem participado em escavações no Vale do Lapedo. "Ele disse-me: "Tenho um estudante de doutoramento que se está a dedicar a reconstituições faciais"", conta Francisco Almeida.
Brian Pierson já tinha feito a reconstituição forense do rapaz de Turkana (ou de Nariokotome), o fóssil de um Homo erectus com 1,6 milhões de anos, descoberto no Quénia. Também ajudou a identificar o esqueleto de um homem encontrado enforcado na zona de Nova Orleães: depois de a reconstituição forense do rosto ter passado na televisão, a família reconheceu-o.
Agora, as capacidades de Brian Pierson na indústria cinematográfica e na reconstituição facial forense permitiram revelar como seria o rosto da criança do Lapedo. "Se a família do puto fosse viva, também ia reconhecê-lo", remata Francisco Almeida.
In: Teresa Firmino (28 Nov 2007). Público: http://jornal.publico.clix.pt/default.asp?url=%2Fmain2%2Easp%3Fdt%3D20071128%26page%3D8%26c%3DC ou edição impressa do Público, Quarta 28 de Nov 2007, p. 8-9.

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por noticiasdearqueologia às 18:32


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