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NOTÍCIAS DE ARQUEOLOGIA

O Património é um bem comum... Preservá-lo só depende de cada um de nós...



Sexta-feira, 14.09.07

Grécia: descoberto teatro com 2500 anos

Um teatro com 2500 anos foi descoberto em Menidi, perto de Atenas, o que confirma terem-se desenvolvido actividades culturais na área, denominada Acarnes pelos autores clássicos gregos. Menidi fica a 15 quilómetros a noroeste do centro de Atenas, perto da aldeia olímpica construída para os Jogos de 2004. Durante os trabalhos de construção de um prédio, uma escavadora pôs a descoberto, a dois metros de profundidade, 15 filas de assentos em pedra, que faziam parte de um antigo teatro. A arqueóloga encarregada do achado, Maria Platonos, crê que o resto do teatro, datado do século IV a.C., se encontra debaixo de um café e da rua limítrofe. Na avaliação do ministro da Cultura da Grécia, Giorgos Vulgarakis, que já visitou as obras, “trata-se de uma descoberta muito importante, que amplia o mapa arqueológico da capital”. Vulgarakis assegurou que os donos dos terrenos próximos serão indemnizados para que as escavações possam prosseguir.


(14 Set 2007) O Primeiro de Janeiro: http://www.oprimeirodejaneiro.pt/?op=artigo&sec=d67d8ab4f4c10bf22aa353e27879133c&subsec=6974ce5ac660610b44d9b9fed0ff9548&id=346cfc853710e19784b9f61e6cff2a0c

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por noticiasdearqueologia às 22:16

Sexta-feira, 14.09.07

Tesouros arqueológicos na Ria de Aveiro

Desde meados da década de 90 que a arqueologia subaquática revela ao mundo preciosidades embaladas pela ria de Aveiro


"A recente divulgação dos resultados das datações dos restos de uma embarcação afundada na ria de Aveiro, pelo radiocarbono, e que a situam na primeira metade do século XV, veio comprovar que esta representa uma das mais extraordinárias descobertas de sempre, no quadro da arqueologia naval e subaquática, não só portuguesa como também mundial".


Estávamos em 1994 e era desta forma, épico-entusiasta, que o arqueólogo Francisco Alves (ver entrevista na página 8), presidente da direcção da associação Arqueonáutica – Centro de Estudos, iniciava o texto de apresentação do projecto de salvamento arqueológico dos restos da embarcação então baptizada de ‘Aveiro A’, na ria de Aveiro. Era um dos apitos iniciais de um sem número de horas que uma equipa composta por mergulhadores, arqueólogos e investigadores empreendeu debaixo de água para resgatar da profundidade a ‘lixeira histórica’ que o tempo serenou sem apagar.


Um avistamento fortuito dá o mote dois anos antes. Em 1992, o residente Carlos Neves Graça encontra algo nas imediações da ponte da Barra, no canal de Mira (Ílhavo). Em 1993, descobre-se outra jazida, desta feita no canal principal da ria, entre o Clube Naval e a Lota (Aveiro).


O primeiro dos achados iria designar-se por ‘Ria de Aveiro A’. Consistia no resto de um casco de uma embarcação envolto por um vasto conjunto de louças "de fabrico comum de feição regional, muitas das quais perfeitamente intactas", com datação que apontava para a primeira metade do século XV. O segundo, conhecido como ‘Ria de Aveiro B’, concentrava vários objectos dispersos, sobretudo peças de cerâmica de produção local, "presumivelmente datáveis entre os séculos XV e XVII".




Relíquias submersas


O trabalho em torno da Ria de Aveiro B dá frutos. Em apenas dois dias de prospecção, foram logo recolhidas e inventariadas 97 peças, muitas delas inteiras. Um dos achadores observa um conjunto de vasos cónicos, conhecidos como "formas de pão de açúcar", usados no fabrico e purga do melaço.


Encontrou-se de tudo, desde bilhas a malgas, pratos, testos e tachos, tendo sido avistada também uma estrutura de madeira a sair do lodo, em forma de proa, cuja significância se enche de curiosidade, quando considerada a coincidência da referência micro-toponímia de "Gran Caravela", constante da cartografia cadastral da zona.


Na comunicação de Francisco Alves integrada no II Simpósio de História Marítima, pode ler-se que o espólio da ‘Ria de Aveiro B’ permitia considerá-la, em 1994, como "a maior e mais expressiva colecção de cerâmica comum da época dos Descobrimentos e da expansão marítima".




Em busca da ‘Ria de Aveiro A’


Localizada a estrutura avistada em 1992, os exploradores partiram em busca dos tesouros da Ria de Aveiro A. Como explica Miguel Aleluia, um dos mergulhadores envolvidos nas escavações, de todos os achados, foi o que mais "chamou a atenção da comunidade científica".


O motivo era simples. Não havia um conhecimento aprofundado em relação aos barcos do período das Descobertas e à sua construção. A amostragem de exemplares encontrados, dessa época, escasseia.


A estrutura era coberta por tabuado e há a ideia de que o barco faria "viagens até Lisboa e pelo Norte da nossa costa". Apesar de não podermos dizer que é uma caravela, é, de todos os achados, o que "de longe o que se aproxima mais" da noção dominante de caravela, completa Miguel Aleluia.


Já há inclusivamente uma projecção de como seria o barco em 80/90 por cento, em função do que foi descoberto (cerca de 70 por cento do seu comprimento total, que ronda os 17 metros).


A maior parte dos objectos recolhidos no ‘Ria de Aveiro A’ era cerâmica (tigelas, pratos, terrinas, alguidares, testos, púcaros, canecas, potes, bilhas, etc), mas também se recolheu fruta (nozes, castanhas, uvas), restos de tecidos e amostras de fibras vegetais.




Processo de trabalho


Nos primeiros meses de escavações no ‘Ria de Aveiro A’, a equipa trabalhava "uma média de 14 horas por dia, sete dias por semana". A ausência de ondulação ajudava, mas era preciso ultrapassar uma série de condicionantes, começando pela possibilidade de os objectos serem levados pela corrente, passando pela fragilidade dos itens e temperatura da água e terminando no jogo de espera a que a oscilação das correntes obrigava.


As peças eram identificadas debaixo de água, depois retiradas e colocadas em água doce para se proceder a uma dessalinização. Quando já não há sais, inicia-se "um processo de secagem lento", elucida Miguel Aleluia.


A identificação da riqueza patromonial de novas zonas atinge, nos dias de hoje, o ‘Aveiro H’. Pelas mãos dos pesquisadores já passaram milhares de objectos, desde apitos náuticos até a vestígios de navios de construção trincada (estilo viking).  


 


Pólo museológico à espera do QREN


 A ideia já é antiga mas ausência de fundos tem adiado a sua passagem da abstracção teórica à realidade. Seria concebível uma unidade museológica que albergasse o vasto conjunto de achados que entretanto foram sendo conhecidos?


Seria. É o próprio Francisco Alves, director do projecto que aflorou o ‘Aveiro A’, quem o admite: “Tanto em Aveiro como em Ílhavo temos achados absolutamente significativos para serem um ponto de partida para um discurso museulógico”.


Pedro José Barros (30 Ago 2007). O Aveiro: http://www.oaveiro.pt/index.php?lop=conteudo&op=70c639df5e30bdee440e4cdf599fec2b&id=78ade5b560946211ce63652717b37aea&drops[drop_edicao]=75

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Sexta-feira, 14.09.07

Arqueólogos descobrem ruínas judaico-cristãs

Arqueólogos israelitas descobriram entre Jerusalém e Telavive as ruínas de uma localidade habitada por judeus e cristãos que data da primeira fase do período islâmico e das cruzadas. Trata-se de vestígios de uma população que habitou num terreno de 6.000 metros quadrados, na localidade de Mishmar David.
A descoberta ocorreu durante uma escavação ordenada para resgatar possíveis ruínas antes de iniciar a construção de edifícios de habitação modernos no local onde se situou essa urbe. Os arqueólogos daquele organismo estatal encontraram ruínas de casas residenciais e edifícios públicos, mansões, ruas e uma zona industrial onde existiam também instalações agrícolas.
Entre os achados, encontra-se também um edifício de construção circular com cerca de 10 metros de diâmetro - nunca visto noutras escavações efectuadas na Terra Santa - e uma casa decorada com mosaicos com figuras geométricas e palmeiras coloridas.


In: (2 Set 2007). O Primeiro de Janeiro: http://www.oprimeirodejaneiro.pt/?op=artigo&sec=b6d767d2f8ed5d21a44b0e5886680cb9&subsec=&id=19b7b0ce276bf846e746f64ab938f75a

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Sexta-feira, 14.09.07

Templo egípcio descoberto a sul do Cairo


Um templo intacto com mais de 3.500 anos foi descoberto em Sohag, a 500 quilómetros a Sul do Cairo, numa região que possivelmente esconde numerosos templos de faraós do Império Novo (1539 - 1075 a. C.).
Segundo o diário egípcio Al Ahram, o templo foi encontrado a seis metros de profundidade por um camponês que já suspeitava haver ruínas arqueológicas debaixo da sua casa. O templo está numa zona onde supostamente estão localizados outros templos faraónicos das dinastias XVIII e XIX, construídos durante os reinados de Amenhoptep II e Ramsés II para se fazerem oferendas aos deuses.
Nas paredes do templo surgem os nomes de alguns dos monarcas dessas dinastias, além de outras inscrições e desenhos, entre os quais os das mesas em que se faziam as oferendas aos deuses e a famosa chave da vida, em forma de cruz com um caracol na parte superior.


In: (2 Set 2007). O Primeiro de Janeiro: http://www.oprimeirodejaneiro.pt/?op=artigo&sec=b6d767d2f8ed5d21a44b0e5886680cb9&subsec=&id=19b7b0ce276bf846e746f64ab938f75a


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Sexta-feira, 14.09.07

Abriu o Pólo Museológico de Salir

No âmbito das comemorações do Dia Internacional dos Museus (18 de Maio), abre hoje ao público o Pólo Museológico de Salir.
Após as escavações arqueológicas feitas durante anos junto às ruínas do Castelo de Salir, foram encontrados vários objectos do período islâmico de relevante interesse do ponto de vista histórico.
Decidiu-se então criar este Museu, onde existe uma exposição permanente desses objectos. O projecto é da autoria do arquitecto Mário Varela Gomes.
Este espaço pretende também dar a conhecer a importância e posição estratégica de Salir durante o período da conquista do Algarve aos mouros.
O Pólo Museológico vai estar aberto nos dias úteis, das 10 às 18 horas, e é mais um equipamento cultural e local de visita obrigatória para os turistas que vêm até Salir.


In: (2 Set 2007): http://www.algarvenoticias.com/noticias/artigo.php?op=a87ff679a2f3e71d9181a67b7542122c&id=23ad3e314e2a2b43b4c720507cec0723


 

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por noticiasdearqueologia às 00:55

Sexta-feira, 14.09.07

Descobertas novas salas com mosaico policromado na Coriscada


Mosaico policromado encontrado nas escavações realizadas na Coriscada
Mosaico policromado encontrado nas escavações realizadas na Coriscada


As escavações arqueológicas realizadas nas últimas noves semanas no sítio do Vale do Mouro, Coriscada, no concelho de Mêda, revelaram a existência de novas salas e áreas revestidas com mosaico policromado idêntico ao de Conímbriga.
O arqueólogo António Sá Coixão, responsável pelos trabalhos, disse ao Jornal A Guarda que “na sequência da descoberta do ano anterior [uma sala com cerca de seis metros quadrados, que poderá ter pertencido ao administrador do balneário romano] encontramos a seguir à sala um corredor em L e, no topo Norte, mais duas salas (uma delas aquecida) também revestidas com mosaicos policromados”.
No ano passado foi encontrada uma sala com o chão revestido com mosaico policromado com várias cores e com figurações humanas e geométricas, parecido com o de Conímbriga e este ano, “foi essencialmente encontrado mosaico com motivos geométricos e florais com seis a sete cores, com muito boa qualidade e desenhos diversificados”, contou.
O achado que, segundo o arqueólogo, datará da segunda metade do século III e primeira do século IV d.C. faz parte da área envolvente do complexo do balneário romano que começou a ser estudado em 2002. “Estamos perante uma vila de dimensões muito grandes. Já escavámos muito, mas ainda estamos muito além daquilo que é o vicus (aldeia) ou vila romana”, disse, salientando que foram encontradas diversas estruturas, divisões, lojas, fornos, lagares, lagaretas, etc.
Os arqueólogos também descobriram “que a entrada principal no vicus, que seria uma entrada monumental, com paredes duplas, seria uma entrada triunfal em arco. Encontramos um conjunto enorme de achados que não é comum. Estamos contentes não só pela qualidade mas também pela quantidade do vicus ou vila que estamos a escavar”, salientou António Sá Coixão.
De acordo com o mesmo responsável, seguem-se agora os trabalhos de consolidação do local para preservar tudo aquilo que já foi encontrado no sítio do Vale do Mouro. “Uma invernada sobre o mosaico seria o fim, mas a Câmara Municipal de Mêda comprometeu-se a tomar medidas e parte daquilo que está escavado deverá ficar visitável”, referiu o arqueólogo ao Jornal A Guarda.
As escavações arqueológicas da campanha deste ano terminam amanhã, 31 de Agosto, e serão retomadas em Julho de 2008, no âmbito de um projecto apoiado pelo Instituto Português de Arqueologia, Câmara Municipal de Mêda, Junta de Freguesia e Centro Sócio-Cultural da Coriscada.
Na campanha deste ano, participaram cerca de 50 arqueólogos, técnicos e alunos de arqueologia de Universidades do Porto, Polónia, Sérvia, Jugoslávia, Itália e Espanha.


In: (30 Ago 2007). A Guarda: http://www.jornalaguarda.com/index.asp?idEdicao=213&id=9397&idSeccao=2439&Action=noticia

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por noticiasdearqueologia às 00:38

Sexta-feira, 14.09.07

Arqueólogos esclarecem mistérios da Torre de Odeceixe

Durante séculos esteve esquecida e escondida entre estevas. Este ano, a primeira campanha arqueológica permitiu algumas conclusões. Um dos jovens estudantes de arqueologia passa carregando dois baldes de terra. Com cuidado, equilibrando-se para não escorregar, desce o cerro para despejar a terra num monte, mais abaixo.


Foto



«Temos tirado muita terra daqui, porque, apesar de já se ver bem a estrutura dos muros, há aqui muitos derrubes», explica a arqueóloga Rosa Varela Gomes ao «barlavento».
O local onde os trabalhos arqueológicos decorrem, ao longo de nove dias de Agosto, é o sítio da Torre, um monte cónico sobranceiro ao vale da Ribeira de Seixe, no concelho de Aljezur, uma zona de “fronteira” entre o Algarve e o Alentejo.
No cimo desse cerro, a primeira campanha sistemática de escavações arqueológicas permitiu este ano identificar claramente os restos de uma antiga torre de atalaia circular, composta por um anel de grossos muros de xisto, rebocados a argamassa, com um outro semi-círculo de muros encostado.
Rosa Varela Gomes, uma das arqueólogas responsáveis pela intervenção, já não tem dúvidas de que a torre remonta aos tempos islâmicos, aos séculos XII e XIII, quando as tropas dos reis cristãos de Portugal se aproximavam perigosamente daquele que foi o último reduto dos «mouros» no território hoje português, o Algarve. Esta foi, de facto, «a última grande fronteira do Garb» islâmico, acrescenta.
«Esta torre islâmica controlava esta importante ligação entre o Baixo Alentejo e o Algarve», explicou Rosa Varela Gomes ao «barlavento».
Para mais, acrescentou, nessa época, a ribeira de Seixe era navegável até àquela zona, situada a cerca de três quilómetros da foz, na Praia de Odeceixe. «Esta torre só se justificava num sistema defensivo que se relacionava com a aproximação dos cristãos», acrescenta a arqueóloga.
A provar que a morfologia da zona seria bem diferente há 800 anos, está o facto de ali quase aos pés da Torre existir um local chamado Porto da Torre, que seria um antigo atravessamento da ribeira, nessa altura bem mais profunda.
Do alto do cerro, junto ao que resta dos muros da secular atalaia, avista-se o vale da ribeira de Seixe, de um lado, mas também a Fóia, o ponto mais alto da Serra de Monchique, do outro.
Rosa Varela Gomes considera mesmo a hipótese de esta torre ter estado ligada a outras semelhantes, que se avistavam umas às outras, e assim mantinham a segurança da fronteira natural entre o Baixo Alentejo e o Algarve, formada pelas serras.
Apesar de todas as suas precauções defensivas, estes redutos dos guerreiros islâmicos acabaram por ser tomados pelos cristãos.

Depois dos mouros, os cavaleiros de Santiago?
Rosa Varela Gomes acredita que a torre, pela sua situação estratégica, continuou a ser utilizada em Época Medieval cristã, para controlar precisamente a passagem naquela zona. Depois dos mouros, ao que tudo indica, a Torre de Odeceixe poderá ter sido utilizada pelos cavaleiros da Ordem de Santiago, a quem aquelas terras foram doadas pela coroa portuguesa.
Prova de que a torre continuou a ser ponto importante nos tempos medievais portugueses parece ser uma petição dos mercadores algarvios datada de 1398, que solicitavam a D. João I dispensa de pagarem portagem, duas vezes, quando se deslocavam à feira de Garvão, no Baixo Alentejo. Uma das portagens poderia ser paga precisamente na Torre de Odeceixe.
Rosa Varela Gomes, que, há dois anos, quando visitou o local pela primeira vez, tinha colocado a hipótese de a atalaia ter sido utilizada até à época Moderna, ou seja, pelo menos até ao século XVI, considera agora que tal não aconteceu, pelo menos não surgiram quaisquer evidências disso.
«Temos recolhido poucos materiais, na sua maioria são apenas telhas islâmicas e uma panela do século XII, que poderia ter sido utilizada tanto por muçulmanos como por cristãos. Mas não surgiu nada de épocas posteriores». Por isso, a torre deverá ter sido abandonada no fim da época medieval, talvez por deixar de ter interesse estratégico.
«Em Portugal não conheço nada igual a esta torre, com uma atalaia e uma zona de habitação adossada», garante Rosa Varela Gomes. O que desperta a atenção dos investigadores é o facto de a torre central ser circundada, pelo menos num dos lados, por um recinto fortificado, contendo diversos compartimentos no seu interior.
Presume-se que esses compartimentos serviriam para habitação da guarnição islâmica da torre e até, quem sabe, de familiares desses soldados. Algo que nunca foi encontrado noutro local, nem sequer em Espanha, onde já foram investigadas torres semelhantes.
«Em Espanha há exemplos de torres em que os familiares do guerreiros se instalavam na zona, mas em povoados separados, ao contrário do que parece acontecer aqui».
Em nove dias de campanha, parte dos quais a lutar contra a terra, o pó, o vento e as toneladas de pedra derrubadas, a equipa de arqueólogos e estudantes de arqueologia pouco mais conseguiu que delimitar o perímetro da estrutura e colocar à vista os fortes muros.
«Ainda há muito trabalho para fazer. Por exemplo, nestes compartimentos, ainda não encontrámos as portas de entrada, pelo que presumimos que devemos estar a escavar a um nível muito alto. As portas devem estar ainda lá debaixo», esclarece Rosa Varela Gomes.
Uma das suas preocupações, até ao nível da segurança dos jovens estudantes que ali trabalham, é que aquela torre «deveria ter uma cisterna», para garantir o abastecimento de água à guarnição.
E a cisterna poderá lá estar ainda, quem sabe se intacta. «Temos que trabalhar com cuidado, para não haver nenhuma surpresa desagradável», garante a arqueóloga.


In: Elisabete Rodrigues (26 Ago 2007). Barlavento, on line: http://www.barlavento.online.pt/index.php/noticia?id=17626

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por noticiasdearqueologia às 00:20

Sexta-feira, 14.09.07

Ossadas Humanas no Centro Histórico de Almeirim

A equipa da empresa ERA - Arqueologia, Conservação e Gestão do Património está a desenvolver uma intensa actividade no Centro Histórico de Almeirim, desde que as sondagens de diagnóstico efectuadas apresentaram resultados indiciadores de contexto arqueológico com elevado valor patrimonial para esta área. A comprovar uma das sondagens efectuadas junto ao Edifício das Escolas Velhas, na Rua Almirante Reis, estão os mais recentes achados, ossadas humanas. Segundo a arqueóloga responsável pelo trabalho em curso, Ângela Ferreira "perante os resultados das sondagens admitimos que irão aparecer nas próximas escavações neste local mais ossadas. Já identificámos outros dois esqueletos num perímetro relativamente curto mas que vamos agora alargar". Rita Guerra, Antropóloga da Universidade de Évora relata-nos que estes achados deverão estar relacionados com o Convento de São Francisco da Ordem Terceira cuja Igreja foi depois transformada em Escola Primária, hoje em dia sede de Associações do concelho como os 20m Kms de Almeirim e jardim de infância. As sondagens da equipa de arqueologia detectaram a necrópole da Igreja e segundo a antropóloga "trata-se de um cemitério cristão pela forma como os corpos se encontram sepultados e que, por norma, e de acordo com a tradição cristã, eram sepultados ou no interior ou à volta das dos locais sagrados. O que encontrámos hoje são ossos muito provavelmente de uma criança entre os 4 e os 6 anos de idade, e deverão datar do século XVI". O procedimento seguinte passa pela identificação e fotografia das ossadas que depois serão levantadas e conduzidas ao Instituto para um estudo mais profundo. Através destas ossadas, de acordo com os estudos que forem encomendados pelo cliente, neste caso, a autarquia, os especialistas da área poderão investigar desde a origem, idade, comprimento e patologias e poderão mesmo desenvolver teses científicas como base de dissertações de mestrado ou doutoramento. Além disso, fica ainda a possibilidade de optar por uma Exposição no futuro. A arqueóloga responsável referiu ainda que "as obras já ali efectuadas anteriormente, mas já durante o século XX, danificaram muito esta zona histórica e terá se perdido muitos artefactos que poderiam contribuir para um conhecimento mais aprofundado da História Moderna de Almeirim." As sondagens arqueológicas de diagnóstico no centro da cidade surgiram na sequência do acompanhamento arqueológico em curso da empreitada de colocação de infra estruturas e da condicionante imposta pelo Instituto Português de Arqueologia. Para além deste espaço junto às Escolas Velhas, Ângela Ferreira esclareceu ainda que "junto ao mercado municipal as pesquisas indicam a presença de silos medievais e vamos analisar essa área e ver o que se encontra nessa zona histórica da cidade de Almeirim." Alvo de curiosidade, a presença dos arqueólogos e as escavações não têm passado despercebidas. Residentes no centro histórico, comerciantes na zona e frequentadores do mercado municipal vai assistindo aos trabalhos e "rezando" para que as escavações e as obras não durem tempo demais. "Compreendemos que seja importante saber a história da nossa terra mas as obras causam sempre transtorno e ainda por cima os trabalhos começaram em Abril, estamos em Setembro e continuamos cheios de pó", comentou um comerciante da zona. Questionada acerca da duração dos trabalhos arqueológicos e das escavações, Ângela Ferreira não estabelece prazos nem faz estimativas mas deixou a garantia de que a sua equipa - Francisco Pimenta, Diliana Duarte, Liliana Serrano, arqueólogos e Rita Guerra, antropóloga, continuarão em Almeirim por mais algum tempo.


In: (9/5/2007) O Almeirinense, on line: http://www.almeirinense.com/almeirinense/index_noticia.asp?id=1880

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por noticiasdearqueologia às 00:09


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