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NOTÍCIAS DE ARQUEOLOGIA

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Segunda-feira, 06.08.07

Castelo Velho, uma história com princípio, meio e fim

O Centro de interpretação de Castelo Velho,  recentemente inaugurado, é um acontecimento importante para a arqueologia portuguesa da Pré-História. Tudo começou em 1989. Quando o telefone tocou em casa de Susana Oliveira Jorge, Castelo Velho estava em estado de "emergência arqueológica": "Eu estava sossegadinha no meu sítio e ligaram-me do Ippar a perguntar se eu queria pegar naquilo. Eu disse que sim."
Não sabia no que se estava a meter: "Não se imagina o que era Freixo de Numão em 1989. Isto era uma cápsula do tempo, era a Idade Média."
Também não se imagina o que era Castelo Velho: quase 20 anos depois da primeira sondagem arqueológica, o sítio que estava em estado de emergência foi musealizado. O centro de interpretação projectado pelos arquitectos Alexandre Alves Costa e Sérgio Fernandez é inaugurado hoje, às 17h.
Vista daqui, é uma história exemplar com princípio, meio e fim. Vista por quem estava lá no meio não é assim tão exaltante. "Em 2000, o Dr. Luís Calado, então presidente do Ippar, perguntou-me se eu queria musealizar o sítio para abrir ao público. Eu respondi-lhe que não tinha dinheiro para escavar, quanto mais para musealizar. No ano seguinte tive 50 técnicos em campo e seis meses de escavações", conta Susana Oliveira Jorge. Há um filme sobre isso: Castelo Velho tinha-se tornado um sítio emblemático da arqueologia portuguesa ("Lembrava Conímbriga nos anos 60, passaram por aqui centenas de pessoas de todos os países") e o Ippar encomendou um documentário a Catarina Alves Costa: "Eu canto muito em campo e ela pôs isso no filme."
É o filme dela: "Tendo em conta que, ao longo destes anos todos, eu vi isto muito tremido, a inauguração de hoje é um acontecimento. O sítio ficou pronto em 2005 e nunca mais abria. Agora é que se lembraram que é preciso animar o Parque Arqueológico do Côa [Castelo Velho fica a cinco quilómetros das gravuras rupestres] e criar novos circuitos, e Castelo Velho vem mesmo a calhar."


 



Não foi fácil escavar e também não foi fácil interpretar. A equipa começou a escavar Castelo Velho "como se fosse uma fortificação da Idade do Cobre" mas mudou de ideias ao longo do processo. "Não há provas de conflito no terceiro milénio a.C., pelo menos tal qual o encontramos na contemporaneidade ou mesmo na Idade Média. Estas comunidades não tinham tecnologia para sobreviver ao conflito e por isso evitavam-no. A dada altura tive de me colocar a questão de uma função alternativa para este sítio - foi o meu problema e ainda é. Mas eu digo que Castelo Velho era um sítio especial, de carácter cerimonial, onde as pessoas desenvolviam acções de negociação social e de criação de identidades. Durante muitos anos fiquei a pregar sozinha no deserto da Península Ibérica. Agora já não estou tanto", diz.
Para a arqueologia peninsular da Pré-História, Castelo Velho foi uma mudança de paradigma. Já não se olha da mesma maneira para o terceiro milénio.


In (5 Ago 2007). O Público.


http://jornal.publico.clix.pt/magoo/noticias.asp?a=2007&m=08&d=03&uid=&id=224744&sid=49055


Foto: http://www.cm-fozcoa.pt/turismo/castelos/cast-velho.jpg

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por noticiasdearqueologia às 08:09


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