Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

NOTÍCIAS DE ARQUEOLOGIA

O Património é um bem comum... Preservá-lo só depende de cada um de nós...



Quinta-feira, 07.06.07

Palácio de Mateus: 21 Maravilhas ...

Os estudos referentes ao Solar de Mateus são unânimes: é uma das obras mais significativas no quadro da arquitectura civil portuguesa do período barroco. Na realidade, e apesar das muitas questões de autoria que permanecem por esclarecer, neste sumptuoso solar podemos observar um dos modelos arquitectónicos de maior erudição, que tira partido de uma planta em U, dinamizada pelos pátios e escadarias. E não apenas pelos elementos decorativos da fachada, como acontece em grande parte dos imóveis desta época. Aqui encontramos todos os elementos da arquitectura barroca, nomeadamente a simetria, a axialidade, os frontões interrompidos, as balaustradas, as escadarias e os elevados pináculos.


Não se sabe ao certo em que data começou a ser construído. Em 1743, o então arcebispo D. José de Bragança foi informado de que António José Botelho Mourão havia demolido um palácio para construir um outro muito melhor. Razão pela qual se pensa que, nesta data, a edificação do Solar estaria já em fase adiantada.


 


Por outro lado, esta cronologia coincide com a época em que o arquitecto italiano Nicolau Nasoni trabalhou na igreja de Santa Eulália da Cumeeira (1739), pertencente ao morgadio de Mateus, e com o intervalo de 2 anos em que não se sabe onde esteve, antes de regressar ao Porto, em data próxima de 1743. Estes dados consolidam a atribuição do Solar de Mateus a Nasoni, uma vez que as semelhanças com outros trabalhos do arquitecto são bastante evidentes. Contudo, Robert Smith defendeu que, tendo em consideração o curto período em que Nasoni esteve em Mateus, apenas lhe pode ser atribuída a concepção da escadaria e pátio de entrada com passagem directa de carruagens para o jardim posterior, num modelo devedor dos palácios italianos que Nasoni com certeza conhecia. Também a dupla escadaria, os vãos dos patamates e a cornija da fachada se aproximam de muitas outras edificações dos arredores do Porto, da autoria de Nasoni, como o Palácio do Freixo, a casa de Ramalde ou a igreja de São João Novo. Todavia, o excesso de decoração na fachada de Mateus, bem como a inserção de elementos estranhos a Nasoni (de que a flor de lis das janelas do patamar é um exemplo) levam a considerar que, mesmo as composições do arquitecto podem ter sido executadas posteriormente, com algumas divergências e afastamento relativamente aos desenhos de Nasoni.


A capela, no prolongamento de um dos corpos da fachada, apresenta inúmeras semelhanças, ao nível da composição da frontaria, com a igreja Nova de Vila Real, onde trabalhou José de Figueiredo Seixas, natural de Viseu, e que é considerado um dos artistas que “prolongou de certo modo a lição do artista toscano”.


Actualmente, a Casa de Mateus é administrada pela Fundação com o mesmo nome, fundada em 1971, e dirigida pela família, organizando diversas actividades de âmbito cultural (cursos de música e concertos, exposições, o prémio literário D. Dinis, congressos e seminários), para além de conservar a biblioteca e o museu.


Outras Designações: Solar de Mateus, Casa de Mateus


http://www.7maravilhas.sapo.pt/mon16.html
[ IPPAR (MATOS, 1930; SMITH, 1966; PEREIRA, 1995)]

Autoria e outros dados (tags, etc)

por noticiasdearqueologia às 14:15


Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Pesquisar no Blog  

calendário

Junho 2007

D S T Q Q S S
12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930





Arqueo logos