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NOTÍCIAS DE ARQUEOLOGIA

O Património é um bem comum... Preservá-lo só depende de cada um de nós...



Quarta-feira, 23.05.07

Fortaleza de Sagres: 21 Maravilhas de Portugal

Fortaleza abaluartada, muito remodelada na segunda metade do século XVIII mas integrando um torreão quinhentista. À entrada, salienta-se o portal Neoclássico da Porta da Praça. O perímetro fortificado com baterias e canhões compreende toda a Ponta de Sagres e engloba os antigos armazéns de apetrechos, as ruínas do paiol, as casamatas, a casa dos capitães e as habitações da chamada “correnteza”, que fecha a praça-de-armas pelo lado Sul. A invulgar paisagem e a presença historicamente atestada do Infante Dom Henrique (que aqui faleceu em 1460), deram a Sagres uma posição ímpar na mitografia nacional e contribuíram para a fama internacional do lugar, cuja história é indissociável da história do Promontorium Sacrum, região referenciada desde a mais remota Antiguidade e que corresponde à Costa Vicentina, desde a Ponta da Piedade ao Cabo de São Vicente e deste à Arrifana.


Aqui conhece-se uma das maiores concentrações de menires e recintos megalíticos da Europa. Aqui se situava a Igreja do Corvo, depósito das relíquias de São Vicente até ao século XII, altura em que D. Afonso Henriques as resgatou para Lisboa.



Na Fortaleza de Sagres, além da fruição do património natural e de um espectacular panorama sobre a enseada da Mareta e o Cabo de São Vicente, podem ainda visitar-se os vestígios da Vila do Infante anteriores às muralhas setecentistas, designadamente a torre-cisterna, uma muralha corta-ventos (coroada de falsas ameias) chamada “rosa-dos-ventos”, os restos das antigas habitações e quartéis e a antiga paroquial de Nossa Senhora da Graça, que exibe um conjunto de lápides sepulcrais.


No século XX, a carga simbólica do local para a história dos Descobrimentos Portugueses fez surgir um grandioso projecto nacionalista para aqui erguer um monumento em Comemoração do Infante e da epopeia lusa, entretanto nunca executado. Em contrapartida, uma profunda intervenção da DGEMN, efectuada no âmbito das Comemorações Henriquinas de 1960, descaracterizou o lugar ao procurar devolver-lhe uma falsa autenticidade, por cópia da mais antiga imagem conhecida da Fortaleza de Sagres, contemporânea do ataque do corsário Drake, de 1587. Nos anos 90, e embora amputada da sua componente “comemorativa” de memorial evocativo dos Descobrimentos, a intervenção arquitectónica para valorização do lugar, da autoria do arquitecto portuense João Carreira, incluiu a edificação de “obra nova” e, se bem que não isenta de polémica, transformou a parcela construída em centro útil de todo o promontório, ao criar um Exposições Temporárias e Centro Multimédia (reutilização dos antigos edifícios da chamada “correnteza”), um conjunto de lojas para divulgação de produtos culturais e uma cafetaria, possibilitando introduzir ordenamento e manutenção em todo o conjunto histórico.


Os arranjos exteriores incluem a recuperação das arruinadas pré-existências aos baluartes do século XVIII, a valorização de todos os locais visitáveis do promontório e a criação de trilhos de descoberta da flora única deste lugar, com remoção das espécies infestantes (designadamente chorões). A Fortaleza de Sagres funciona ainda como núcleo técnico de apoio às intervenções arqueológicas da Direcção Regional do IPPAR no Algarve.
Outras Designações: Torre e muralhas de Sagres


http://www.7maravilhas.sapo.pt/mon07.html
[IPPAR]

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por noticiasdearqueologia às 22:53

Quarta-feira, 23.05.07

Convento e Basílica de Mafra: 21 Maravilhas de Portugal.

O monumento mais importante do reinado de D. João V, que tanto influenciou a arquitectura portuguesa subsequente, inscreve-se numa lógica complexa, assente sobre princípios que pretendiam legitimar a autoridade do monarca a nível interno e externo. Na realidade, esta duplicidade de políticas esteve sempre presente nas opções do Magnânimo, condicionada pelas escolhas de D. Pedro II, mas plenamente assumida e defendida no decorrer do seu reinado. Se a imposição do seu poder no interior do país era importante, a denominada política romana visava impor Portugal no mapa europeu ao nível das mais importantes nações, como eram França e Espanha1. A Mafra, “simbólica e imensurável, caber-lhe-ia fornecer a ilustração visual e retórica de um poder absoluto, que alcançara fundir no seu corpo gigantesco a totalidade das referências que polarizam a lealdade da Nação”1.



As fontes nacionais parecem concordar em relação ao voto sucessório feito por D. João V, em consequência do qual o monarca autorizou, em 1711, a edificação de um convento franciscano em Mafra. Todavia, nos anos que medeiam entre 1711 e 1717, data do lançamento da primeira pedra, ocorreu uma primeira alteração de planos, e os alicerces abertos em 1716 tinham já em vista um convento de 80 monges e não de 13, como estava originalmente previsto.


Os trabalhos desta fase prolongar-se-iam até aos primeiros anos da década de 1720 (1721-1722), quando D. João V reformulou por completo a sua ideia para Mafra, ampliando o convento de forma a poder receber 300 monges. A esta modificação de planos não deverá ser estranho o ainda mal esclarecido abandono do projecto da Patriarcal (em 1719), que o rei pretendia construir na capital, sob o risco do italiano Juvara. O facto da igreja estar já num estado bastante avançado implicou a sua manutenção, adaptando-se e ampliando-se o restante plano, ainda sob a responsabilidade de João Frederico Ludovice. As obras avançaram a um ritmo extraordinário e, de todos os pontos do reino chegaram trabalhadores, transformando Mafra num dos maiores estaleiros que o nosso país conheceu. Sagrada a igreja em 1730, o restante complexo ainda demoraria a ficar totalmente concluído, por aqui passando uma série de arquitectos e todo um conjunto de pintores, escultores, entalhadores, boa parte dos quais italianos, que imprimiram uma magnificência extraordinária aos interiores do palácio, de que destacamos a Basílica e a Biblioteca, esta última numa fase mais tardia.


A igreja axial une os palácios do Rei e da Rainha, papel que a biblioteca desempenha no extremo oposto, envolvendo ainda o convento, estruturado em torno de um pátio1. Nestas componentes áulicas, eclesiásticas, militares e de saber, se estrutura a ideia de D. João V, materializada num edifício que pela sua imponência e imenso estaleiro haveria de influenciar de forma inequívoca toda a produção arquitectónica e artística posterior, assinalando “a penetração definitiva do Barroco” no nosso país2.
Outras Designações: Convento de Mafra, Basílica de Mafra e Palácio de Mafra


http://www.7maravilhas.sapo.pt/mon06.html
[IPPAR (PIMENTEL, 1992; GOMES, 1988).

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por noticiasdearqueologia às 22:51


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