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NOTÍCIAS DE ARQUEOLOGIA

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Sexta-feira, 11.09.09

Vestígios arqueológicos revelam origem da Castanheira do Ribatejo

foto Os arqueólogos e autores do livro “A Villa Romana da Sub-Serra de Castanheira do Ribatejo – Vila Franca de Xira – trabalhos arqueológicos efectuados no âmbito de uma obra da EPAL”, defendem a continuidade e a expansão das escavações no local onde foram encontrados consideráveis vestígios arqueológicos, que estiveram na origem do livro agora publicado. De acordo com os arqueólogos, as estruturas e o vasto espólio descoberto é apenas uma parte daquilo que está ainda por descobrir e que poderá ter estado na génese da Castanheira do Ribatejo. O problema é que o terreno a ser explorado é privado e está licenciado para a construção de oito blocos habitacionais.


“Prevê-se que grande parte da villa, das restantes ocupações, que passam pelo visigótico e pelo medieval islâmico, estejam lá, ainda preservadas”, confessa Mário Monteiro, 44 anos, arqueólogo e representante da EMERITA. A empresa portuguesa de arqueologia foi contratada pela EPAL para fazer as sondagens e determinar a origem e o tipo de vestígios arqueológicos, que foram aparecendo durante a empreitada de duplicação do Adutor de Castelo do Bode, entre a Quinta da Marquesa e a Central Elevatória de Vila Franca de Xira (próximo do novo Centro de Saúde da Castanheira do Ribatejo).


Entre Setembro de 2006 e Janeiro de 2007 os arqueólogos que estiveram na Castanheira do Ribatejo encontraram numa vala de 45 metros significativas descobertas. “Ao nível de estruturas, o aqueduto que está na capa do livro, mosaicos, policromos, silos islâmicos e muros do período romano. Quanto ao espólio, encontrámos cerâmica, vidros, metais e sigilatas”, revela Luísa Batalha, 48 anos, uma das arqueólogas que esteve no terreno. O material recolhido ao longo dos quatro meses ainda está a ser estudado e provavelmente será entregue a Vila Franca de Xira.


Mas desde 2007 que os trabalhos estão parados. A zona foi devidamente selada para proteger e salvaguardar a história. Mas os arqueólogos acreditam que ainda há muito por descobrir. Talvez o mais importante. “Esta vala mostrou uma riqueza científica e patrimonial bastante elevada. É uma vala só. Imagine-se o que não haverá onde estão as outras estruturas. Encontrámos um contraforte que nos diz claramente que a construção tem continuidade para o terreno privado”, conta Mário Monteiro.


Luísa Batalha acrescenta: “É necessário abrir a área para se tentar perceber o conjunto de estruturas que, de certeza, existem ali. O aqueduto, as paredes e o piso policromo projectam-se no corte poente. É uma zona com todo o interesse de se vir a escavar pois vai revelar-nos dados importantes”, garante a arqueóloga.


Para Guilherme Cardoso, 57 anos, arqueólogo e responsável pela orientação científica da equipa que esteve no terreno, as escavações não podem ficar por aqui. “O espaço que virá a ser descoberto pode ser aproveitado, não só no aspecto cultural mas também poderá criar-se um pólo turístico da região de Vila Franca de Xira”, vaticina o membro da Assembleia Distrital de Lisboa de arqueologia.


Na sua opinião as descobertas feitas e o que ainda haverá por desvendar representa a origem da Castanheira do Ribatejo. “Terá começado na idade do ferro, período pré-romano e terá perdurado até ao século XII”, afirma o professor Guilherme Cardoso.


Os arqueólogos não estão contra a construção dos oito blocos para construção. Mas primeiro pedem que os deixem estudar o que ainda está por descobrir. “ O património cultural pertence a todos e a história local é a identidade de um povo. Há sempre o interesse científico”, garantem.


Até ao fecho de edição não obtivemos resposta da Câmara de Vila Franca de Xira sobre se vai propor a alteração do Plano Director Municipal (PDM) e classificar o terreno privado como área de interesse arqueológico. A presidente da autarquia chegou a estar no local das escavações juntamente com o presidente da EPAL durante os trabalhos exploratórios e tem conhecimento da situação. Maria da Luz Rosinha esteve também presente no lançamento do livro – escrito por nove autores – que decorreu terça-feira, 1 de Setembro, no Museu do Neo-Realismo em Vila Franca de Xira.


Fonte: (10 Set 2009). O Mirante Semanário:  http://semanal.omirante.pt/index.asp?idEdicao=408&id=57340&idSeccao=6216&Action=noticia

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por noticiasdearqueologia às 23:13


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