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NOTÍCIAS DE ARQUEOLOGIA

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Sábado, 15.08.09

Brasil: Geoglifos no Acre estão ameaçados se não forem preservados



Os geoglifos no Acre, grandes estruturas geométricas no solo erguidas antes da chegada dos colonizadores europeus, estão ameaçados, afirmou o arqueólogo Ondemar Dias, presidente do Instituto de Arqueologia Brasileira. 


Os geoglifos do Estado Acre têm grande potencial turístico e, caso a UNESCO aprove a candidatura em curso a património da humanidade, poderão atrair visitantes e investimentos para a região, disse à Lusa Ondemar Dias.

Foi Dias quem descobriu os primeiros vestígios destes desenhos na terra, no final da década de 1970 quando esteve na Amazónia, na primeira investigação científica realizada no Acre.

"A vantagem de ser reconhecido como património é que poderá atrair visitantes e recursos. Faltam recursos para todas as pesquisas arqueológicas académicas no Brasil", disse à Lusa ao alertar que os sítios arqueológicos brasileiros estão todos ameaçados.

Segundo o especialista em cerâmica, não há um mistério que envolve os geoglifos, "há um desconhecimento", pois considera que os estudos ainda são muito incipientes.

Para Denise Schaan, presidente da Sociedade de Arqueologia Brasileira, estes desenhos feitos na terra podem ser "o grande atractivo da região se souberem ser explorados".

"Precisamos agora dar continuidade às pesquisas e trabalhar para a preservação", destacou para quem os geoglifos do Acre se comparam em grau e em importância aos famosos do Peru.

"Apesar das estruturas do Acre serem diferentes das de Nazca, tanto na constituição, quanto provavelmente na função, ambos são comparáveis por oferecerem um belíssimo espectáculo para quem os sobrevoa".

Schaan ainda ressalta que as agências de viagem poderiam fazer um roteiro no Acre, com visitas a partir de torres de observação, museu e sobrevoo.

Estas estruturas foram feitas provavelmente por índios falantes de língua Aruaque, explica Schaan, que colonizaram territórios das Antilhas até ao norte do Matogrosso passando pela Amazónia.

Além do Acre, há geoglifos no estado do Amazonas, oeste de Rondónia e no norte da Bolívia. Até agora já foram identificados 255 geoglifos acreanos, mas há outros 30 que precisam ser estudados.

As estruturas tinham funções distintas: alguns eram aldeias fortificadas, outros eram locais de festas e rituais.

"A simbologia por trás das figuras geométricas pode estar relacionada a algum culto e fertilidade da terra", explicou.

A grande importância dessa descoberta, disse ainda, é o facto de que "essas populações eram todas relacionadas, tinham as mesmas técnicas de engenharia, e talvez construíssem os geoglifos como modo de defesa e marcação do território". 



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por noticiasdearqueologia às 23:46


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