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NOTÍCIAS DE ARQUEOLOGIA

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Sábado, 11.08.07

Parte de necrópole islâmica descoberta em Beja

Obras de remodelação da rede de água fazem descobrir sete sepulturas.


Sete enterramentos da época islâmica foram descobertos nas Portas de Mértola, em Beja, fazendo supor uma necrópole de maiores dimensões já referenciada por especialistas.





Obras na Rua de Mértola, em Beja, fizeram descobrir recentemente sete sepulturas do que parece ser parte de uma necrópole islâmica extra-muralhas, de uma época posterior ao século X, até então apenas suposta pelos arqueólogos. A ocorrência foi detectada durante os trabalhos de remodelação da rede secundária de abastecimento de água, no troço que atravessa o centro histórico, obra da responsabilidade da Empresa Municipal de Água e Saneamento (EMAS) e que colocou à superfície sete enterramentos, sem espólio algum associado, mas com a marca distintiva dos rituais fúnebres islâmicos: corpo em decúbito lateral, deitado sobre o ombro direito, e com a face voltada para Nascente.
Segundo Miguel Serra, natural de Beja e arqueólogo da Palimpsesto, empresa de Coimbra que está fazer o acompanhamento arqueológico da intervenção, trata-se de um "conjunto muito pequeno e muito destruído, em péssimo estado de conservação, quer por destruições antigas, quer por destruições mais recentes de várias obras que já tiveram aqui lugar". As ossadas apareceram atravessadas por antigos arruamentos, tubagens de água, esgotos e electricidade, sendo que um dos esqueletos foi destruído numa pequena parte por um colector antigo da cidade, que terá entre 100 e 200 anos e que constitui outras das ocorrências arqueológicas da intervenção. "Estamos a falar de uma zona que está muito remexida, pelo que foi um pouco uma sorte encontrar alguma coisa aqui", realça Miguel Serra, admitindo que uma necrópole desta natureza "ocupará uma área muito maior, estendendo-se se calhar por toda a zona das Portas de Mértola", o que vem confirmar uma hipótese académica dos arqueólogos Cláudio Torres e Santiago Macias, que supunham a existência de uma necrópole islâmica num ponto das Portas de Mértola mais próximo das muralhas. A suposição também é corroborada, diz, pelo testemunho de algumas pessoas mais velhas, que se recordam de ter visto "esqueletos inteiros" sensivelmente na mesma zona, em obras ocorridas há décadas.
Já escavadas e retiradas, as ossadas – três em bom estado, as restantes muito parciais – seguirão agora para Coimbra, onde serão estudadas em laboratório por uma equipa de antropologia física, que tentará apurar eventuais patologias ou hábitos alimentares, detectáveis através da dentição. Os dados recolhidos no local permitem, para já, afirmar estarmos perante os restos mortais de duas crianças, um idoso, uma jovem adulta, com idade entre os 20 e 30 anos, um juvenil do sexo masculino, e um outro adulto do sexo masculino, com idade superior a 30 anos.

Beja romana poderá ter tido "maior extensão"
Apesar de uma "relevância científica muito grande", o achado não se reveste de igual importância do ponto de vista patrimonial, tendo em conta o péssimo estado de conservação dos ossos, o que também se deve ao tipo de solo que os albergou durante séculos. "Não há justificação nenhuma para conservar o que está ali. Será retirado, analisado em laboratório, processado e elaborados os relatórios. As ossadas, em concreto, são sempre difíceis de conservar no local e sobretudo numa via pública", explica Miguel Serra, referindo-se também ao achado de estruturas romanas, nomeadamente um piso em opus signinum, um material de revestimento muito comum para impermeabilizar tanques, por exemplo, e que poderá fazer supor "uma maior extensão da cidade romana" – "em teoria, estamos fora dos limites da cidade romana. Se não estou em erro, esta é a primeira evidência arqueológica da época romana deste lado da cidade, exterior às muralhas".
Quanto à amostra de necrópole islâmica encontrada, ela não interferirá no andamento dos trabalhos de remodelação da rede de água no centro histórico, que nunca chegaram a estar parados, seguindo-se agora uma fase de "trabalho de gabinete", de modo a confirmar ou desmentir suposições. "O que temos ali é um troço de 5 por 1, 5 metros dentro de uma vala. Não temos elementos para saber qual a extensão total. Teremos que cruzar isto com outros dados que existam de outras intervenções arqueológicas, para ver se há mais ocorrências deste género, que eu não conheço. Esta zona da cidade, desse troço da muralha para Leste, é uma zona em branco, não há quase nada identificado em termos históricos", conclui o arqueólogo.



Sergivs: Apesar desta notícia já ter uns mesitos, pela sua importância, decidi colocá-la no blog.
Ferreira, Carla (30 Nov 2006). Diário do Alentejo.
Foto: José Serrano


http://da.campodosmedia.com/jornal/index.php?link=noticia&id=3685

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por noticiasdearqueologia às 01:54



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