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NOTÍCIAS DE ARQUEOLOGIA

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Sexta-feira, 27.02.09

Salteadores destruíram o mais importante povoado da Idade do Bronze em Évora

A pilhagem de objectos de ouro, prata ou bronze, para colocação no mercado ilícito

de antiguidades, tem sido feita de forma sistemática com recurso a detectores de metais

Um grave atentado contra o património arqueológico da Coroa do Frade, no concelho de Évora, mais precisamente na freguesia de Nossa Senhora da Tourega, foi o resultado de uma pilhagem metódica efectuada por detectoristas, indivíduos munidos de detectores de metais. Estes infractores têm, habitualmente, como único objectivo a recolha ilegal de artefactos em ouro, prata, cobre, bronze ou ferro, para futura venda a mercados ilícitos de antiguidades ou directamente aos coleccionadores privados.

De acordo com Maria Manuela Oliveira, directora do Departamento do Centro Histórico, Património e Cultura da Câmara Municipal de Évora, neste sítio arqueológico, o maior e mais importante povoado de Bronze Final, fortificado, no concelho, foram contabilizadas centenas de "covas" criminosas, muitas delas abertas até ao substrato geológico.

Segundo os técnicos que se depararam com esta situação, o arqueólogo Mário de Carvalho e o historiador de património João Santos, "pelo carácter destrutivo e sistemático das acções, poderá ter sido invalidada a realização de futuros projectos de investigação que visem a escavação arqueológica e estudo deste sítio arqueológico". Na opinião destes especialistas, o saque condicionou de "forma irreversível e dramática" uma grande parte da informação arqueológica, estratigráfica e paleoambiental.



Descoberto nos anos 50


Ocupado durante o final da Idade do Bronze e inícios da 1.ª Idade do Ferro (do sec. X a.C. ao séc. VIII a.C.), o sítio foi descoberto nos finais dos anos 50, mais concretamente em 1957, por José Ventura Fernandes. Inicialmente identificado como sendo do período de transição entre o Neolítico e o Calcolítico, foi, após as escavações, que se revelaram bastante frutíferas, caracterizado como sendo final da Idade do Bronze e inícios da Idade do Ferro. As pesquisas decorreram entre Agosto e Setembro de 1971, e numa segunda fase em Abril de 1972, sob a direcção do arqueólogo José Morais Arnaud, tendo os materiais provenientes dos trabalhos sido depositados no Museu Regional de Évora.

De acordo com o arqueólogo Mário de Carvalho, o espólio recolhido até então pode ser classificado como "típico" dentro do panorama histórico-cultural regional dos períodos históricos referidos, sendo de salientar "as decorações cerâmicas que variam entre losangos e linhas paralelas, uma fíbula de dupla mola e um fragmento de um molde que se destinava à produção de instrumentos em bronze e pedra lascada sobre quartzo".



Queixas à PJ e GNR

A responsável pelo Departamento do Centro Histórico afiançou que o sucedido foi já comunicado à entidade competente, Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar), que, por sua vez, apresentará queixa à Polícia Judiciária e à Guarda Nacional Republicana. Entretanto, os técnicos da autarquia eborense vão proceder à realização de novas sondagens de diagnóstico, com o objectivo de determinar a verdadeira natureza e extensão dos danos provocados, tendo, contudo, já "procedido a uma exaustiva recolha do material arqueológico classificável que, pelo seu baixo valor comercial, nomeadamente cerâmica e material lítico, foi abandonado pelos transgressores no local".

A utilização de detectores de metais é um método ilegal, tanto no território nacional como na maioria dos restantes países da União Europeia, segundo a Lei nº 121/99, podendo a sua prática ser punida com pena de prisão até três anos, ou com pena de multa até 360 dias, segundo o artigo 103.º da Lei de Bases do Património.


 

Carta Arqueológica do concelho de Évora.

A descoberta do saque do património arqueológico no sítio da Coroa do Frade decorreu durante os trabalhos de prospecção, que se resumiam à recolha de material fotográfico, tanto do sítio arqueológico, como da sua envolvente paisagística, no âmbito da realização da Carta Arqueológica do concelho de Évora que está a ser produzida.

De acordo com o arqueólogo e técnico da autarquia, Mário de Carvalho, uma vez publicado este documento "será único e de referência, dentro do contexto nacional, uma vez que se trata do concelho com maior numero de sítios arqueológicos de grande interesse identificados, em todo o território nacional".

"São cerca de 2200 os locais, até ao momento já identificados pelos arqueólogos no concelho de Évora, sendo que muitos deles são inéditos, dos mais variados tipos, cronologias e implantações", observa ainda o arqueólogo Mário de Carvalho.

A publicação desta Carta Arqueológica do concelho de Évora, que segundo os técnicos está agendada para ocorrer entre finais de 2009 e inícios de 2010, "revelará um importante testemunho do património arqueológico identificado neste concelho de Évora", sublinhou o mesmo responsável. M.A.Z.


Fonte: Maria Antónia Zacarias (06 Fev 2009). Público. 

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por noticiasdearqueologia às 22:26


1 comentário

De INFORMADOR (c/ formação em GEOLOGIA) a 10.10.2009 às 14:32

Parece que há alguêm que se quer ARVORAR naquilo que NÃO É; assim, dado que existe "vida" além da Arqueologia esclareça-se que, ONDE SE LÊ: "A utilização de detectores de metais é um método ilegal, tanto no território nacional como na maioria dos restantes países da União Europeia, segundo a Lei nº 121/99", DEVERÁ LER-SE: "A utilização de detectores de metais *EM ARQUEOLOGIA* é um método ilegal, tanto no território nacional como na maioria dos restantes países da União Europeia, segundo a Lei nº 121/99".

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