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Domingo, 31.08.08

Meda: Campanha arqueológica na Coriscada revela povoamento neolítico e aldeia rural romana

Uma campanha arqueológica no Vale do Mouro, Coriscada, revelou um povoamento neolítico com sete mil anos e permitiu descobrir uma aldeia romana que os arqueólogos acreditam ser uma "revolução" no estudo do país rural da época.

Quando se pensava que o local, no concelho da Meda (distrito da Guarda), teria tido apenas duas ocupações - nos séculos III e IV depois de Cristo (d.C.) -, as escavações de 2008 revelaram novos achados do período Neolítico, com a presença de materiais em sílica e lascas de quartzo.

Este local foi inicialmente referenciado por elementos do Centro Sócio-Cultural da Coriscada em 2001, mas só dois anos depois uma equipa coordenada pelos arqueólogos António Sá Coixão e Tony Silvino iniciou as campanhas de investigação no Vale do Mouro.





Todos os anos chegam a trabalhar neste sítio cerca de 50 pessoas, não remuneradas, deslocando-se de França e de outras zonas de Portugal nos meses de Julho e Agosto.

O arqueólogo Sá Coixão afirmou à Lusa que o projecto tem quatro anos, que termina em 2009, o IGESPAR (Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico) apoia as escavações com cerca de 12.500 euros/ano, mas o especialista admite que a campanha "não duraria uma semana" se não fosse também assegurada pela Câmara Municipal da Meda e pela Junta de Freguesia da Coriscada.

Sobre as revelações que a campanha permitiu desvendar, Sá Coixão afirma-se convicto de que "como as gravuras do Vale do Côa marcaram uma época, estas descobertas vão marcar um tempo, em que ainda se pensava num interior rural romano 'pobretanas' onde não se podia viver bem".

"Nos inícios do século I d.C., terá sido ali edificada uma vila [quinta] e já no século III d.C., um senhor abastado, à custa do rendimento agrícola gerado com vinho, cereais e azeite e também da exploração mineira do ferro, estanho, prata ou chumbo, terá reconvertido a vila chamando técnicos para o revestimento de salas de mosaico, edificar balneários, lagares e ferrarias", explicou o arqueólogo à agência Lusa.

Sá Coixão admite que, numa época áurea, é forte a probabilidade de "esse senhor ter-se valido de operários livres criando um 'Vicus' [aldeia] onde os deuses e festividades passariam a ter algum cunho colectivo", algo que pode revolucionar a história conhecida da aldeia romana, defende.

Numa recente visita a este local, o professor catedrático e investigador de Pré-História e Arqueologia Jorge de Alarcão afirmou que "teria que reescrever tudo sobre o Portugal rural romano", conta.

Já o arqueólogo luso-descendente Tony Silvino iniciou esta parceria não oficial com Sá Coixão, que costuma vir fazer as suas "férias arqueológicas" a Portugal.

O especialista traz sempre consigo um grupo de especialistas nas diversas áreas, como o vinho, vidro, cerâmica, metais e arquitectura e, juntamente com outra equipa da Universidade do Porto, 'esgravata' por paixão os segredos da história.

Tony Silvino afirma que a classe "geralmente pensa já ter descoberto tudo sobre a época romana, mas o interior deste país revela-nos o contrário".

Os primeiros anos de trabalhos centraram-se na zona do Balneário Romano e em 2006 foi descoberto um painel de mosaico policromático, presentemente a ser restaurado em Conímbriga, figurando o Deus Baco junto de uma Menade, antes nunca encontrado em regiões interiores de Portugal.

No último dia de campanha de 2007, fez eco na imprensa nacional e estrangeira uma descoberta 'endinheirada' de um tesouro monetário com cerca de seis mil moedas, provavelmente envoltas num saco, tendo sido encontrado um resto de tecido que surpreendeu os arqueólogos pela sua sobrevivência.

A campanha deste ano está a terminar, mas deixa aberta uma exposição permanente de achados no Centro Sócio-Cultural da Coriscada.

O objectivo é sensibilizar a população, adquirir a confiança e empenho necessários das gentes locais, para que o sonho de musealizar o terreno possa ser realidade um dia.


Fonte: (29 Ago 2008). Público/Lusa: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1340974

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por noticiasdearqueologia às 11:28



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