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NOTÍCIAS DE ARQUEOLOGIA

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Domingo, 10.08.08

Cientistas fazem ensaio para sequenciar o genoma completo do homem de Neandertal

A sequenciação de todo o ADN mitocondrial de um osso fossilizado de um

hominídeo que viveu há 38 mil anos mostra que é possível ser mais

ambicioso.

Os homens de Neandertal e nós, que somos todos Homo sapiens,

partilhámos um último antepassado há cerca de 660 mil anos. E, de

acordo com a análise da sequência completa do genoma do ADN

mitocondrial destes humanos que desapareceram da face da Terra há

cerca de 35 mil anos, os seus genes não se terão misturado com os

nossos: neandertais e homens modernos até podem ter tido relações

sexuais, e eventualmente até filhos, mas não terão tido netos que

deixassem marcas genéticas na população actual.

A equipa que publica hoje os seus resultados na revista Cell é

coordenada por Svante Pääbo, do Instituto Max Planck de Antropologia

Evolutiva, na Alemanha - que tem como objectivo sequenciar o genoma

completo do Neandertal, para o comparar, gene a gene, com o dos

humanos modernos. A tecnologia actual de sequenciação genética

permitiu sonhar com este projecto, até há muito poucos anos

impossível. Este trabalho, usando ADN extraído de um osso de

Neandertal com 38 mil anos, encontrado na gruta de Vindija, na

Croácia, foi uma espécie de ensaio para esse projecto, que a equipa,

aliás, já iniciou.

Por ora, o que fizeram foi mais modesto: sequenciaram, com um enorme

grau de precisão (repetiram 35 vezes, para eliminar erros) todos os

genes das mitocôndrias, pequenas estruturas que existem no interior da

célula, e são responsáveis por lhe fornecer energia. Mas este ADN está

separado do do núcleo, que é onde se encontram todas as instruções

genéticas para criar um ser humano. Além disso, é transmitido de

geração em geração intacto, pela linha maternal, sem se misturar com

os genes das mitocôndrias das células do pai.

Os cientistas descobriram que os Neandertais, que sobreviveram na

Europa durante uma glaciação, devem ter sido mesmo muito poucos. A

população seria tão reduzida que a selecção natural seria pouco eficaz

a eliminar as pequenas mutações genéticas que podem ter grandes

impactos na saúde do indivíduo, por si só ou em resultado da

acumulação destas gralhas genéticas. "A maior parte dos cientistas

acredita que, há 40 mil anos, existiam apenas uns poucos milhares de

Neandertais na Europa. Mas ainda há que saber se isto era uma

característica geral, ou se foi uma redução com origem nalgum evento

específico", comentou Johannes Krause, um dos autores do trabalho,

citado num comunicado de imprensa da Cell.

Os cientistas identificaram também mudanças numa das 13 proteínas cuja

produção é comandada pelo gene COX2 do ADN mitocondrial - mas esta não

parece acarretar diferenças funcionais. "É uma descoberta intrigante,

mas não sabemos o que significa", disse o primeiro autor do artigo,

Richard Green.


Fonte: Clara Barata (08 Ago 2008). Público.

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por noticiasdearqueologia às 23:08


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