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NOTÍCIAS DE ARQUEOLOGIA

O Património é um bem comum... Preservá-lo só depende de cada um de nós...



Sábado, 02.08.08

Obras na Quinta da Carreira, no Estoril, vão ter acompanhamento arqueológico

Nos arredores do bairro de São João do Estoril existem vestígios

romanos e de outras épocas mais remotas que a Câmara de Cascais

promete vir a salvaguardar.

Para acautelar a preservação de eventuais vestígios de outras eras na

Quinta da Carreira, em São João do Estoril, todos os trabalhos que

impliquem deslocações de terras naquela zona deverão ter

acompanhamento arqueológico, garantiu o director do Departamento de

Cultura da Câmara de Cascais, António Carvalho.

Esta foi uma das medidas decididas pela autarquia na sequência de um

repto lançado por um dirigente da Associação de Moradores da Quinta da

Carreira (AMQC) para que fosse investigada a possibilidade de o lugar

ter uma história romana e preservados os seus eventuais vestígios.

Há pouco mais de um ano que o antigo presidente da associação, José

Casquilho, investigador em ecologia da paisagem, decidiu procurar o

que poderia haver de verdadeiro numa informação que apontava para

marcas romanas no bairro onde também está situada a Escola Secundária

de São João do Estoril. A iniciativa, já noticiada pelo PÚBLICO em

Abril passado, prossegue e está contada no blogue da AMQC

(amqcarreira.blogspot.com).

Apesar de os arqueólogos que estudaram a quinta não confirmarem essa

possibilidade, a câmara optou por acautelá-la, até porque nas

proximidades existem vestígios que apontam muito para trás, como

explicou António Carvalho: "A existência na envolvente de alguns

sítios arqueológicos (a norte a necrópole pré-histórica de Alapraia e

os achados epigráficos romanos do Casal de Santa Teresinha, Casal das

Grutas e Quinta da Boavista; a sul o achado isolado de um artefacto

datado do Paleolítico nas arribas do forte de Santo António) leva à

necessidade de ter em conta medidas de arqueologia preventiva,

nomeadamente a permanência a tempo integral de um arqueólogo na obra

enquanto decorrerem mobilizações de terreno".

Depois de uma visita ao local do presidente da autarquia, António

Capucho, e de uma reunião, realizada no final de Maio, com

representantes da AMQC, o Departamento de Cultura da Câmarade Cascais

elaborou "uma informação detalhada com o inventário dos bens

patrimoniais, bem como as medidas de salvaguarda" do património que,

na Quinta da Carreira, sobreviveu à construção da urbanização ali

existente, cuja primeira fase foi edificada em meados do século

passado.

O inventário da câmara, bem como as medidas para a "diminuição de

impactos sobre o património arqueológico", destina-se a integrar o

Plano de Pormenor para a área. A elaboração desse plano foi aprovada

em 2005, mas, segundo a autarquia, os trabalhos encontram-se ainda

numa fase "muito embrionária".

Em todo o caso, o plano de pormenor deverá contemplar a implantação de

um ecoparque e de uma nova via rodoviária junto à ribeira de Bicesse -

uma das áreas que figuram entre os lugares a preservar -, que finalize

a ligação entre a Auto-Estrada Lisboa-Cascais e a Estrada Marginal. O

documento consagrará também novas construções com uma área total de

19.500 metros quadrados.

As informações escritas mais remotas que se conhecem sobre a Quinta da

Carreira datam do século XIX e dão conta da sua aquisição pelo

comerciante Marques Leal, que a transformou numa próspera exploração

agrícola, com uma grande casa e de onde saía um "magnífico vinho".

No local subsistem ainda um tanque de rega (estava condenado no

projecto aprovado pelo anterior presidente da Câmara e que foi anulado

pela actual gestão), junto ao qual existe um dragoeiro. Este já se

encontra classificado como sendo de "interesse público".

Tanque e dragoeiro figuram no inventário agora feito pela autarquia,

onde se incluem também, entre outros, como elementos a preservar e

valorizar na Quinta da Carreira um poço e uma nora actualmente em

ruínas, um bosque de pinheiros mansos e um alinhamento de oliveiras,

estes últimos já identificados pela Direcção-Geral dos Recursos

Florestais como passíveis de classificação de Interesse Público,

informou a autarquia.

Todos estes elementos estão na zona para onde se encontra prevista

parte da nova construção. As oliveiras referidas situam-se ao longo do

que poderá ter sido a "carreira", que terá dado nome ao lugar.

Fonte: Viana, Clara (29 Jul 2008). Público.

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por noticiasdearqueologia às 11:55



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