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NOTÍCIAS DE ARQUEOLOGIA

O Património é um bem comum... Preservá-lo só depende de cada um de nós...



Quarta-feira, 06.01.16

Investigadores à procura de “segredos” arqueológicos e históricos em Vouzela

Especialistas, investigadores e historiadores têm até 2019 para descobrir “os segredos” históricos e arqueológicos do concelho de Vouzela. Um projecto que que tem como objectivo estudar e mostrar o património de um território que é a “porta de entrada” entre o Litoral e a Beira desde a pré-história

Uma das fases das escavações está a incidir sobre a época medieval, e em busca da Torre de Bandavises ENRIC VIVES-RUBIO
  • As universidades Nova de Lisboa (UNL) e do Algarve e a Câmara de Vouzela juntaram-se para “dar à luz do dia” muito do património histórico e arqueológico que existe no concelho de Lafões e que ainda é desconhecido. Os especialistas querem tratar o que já existe e descobrir “o que se sabe que existe” mas que ainda não foi encontrado. 

“Vamos fazer uma intervenção para descobrir a Torre de Bandavises, sabemos que existe. Vamos tentar ver se a encontramos”, exemplificou Catarina Tente, investigadora do Instituto de Estudos Medievais da UNL e uma das coordenadoras de um projecto que tem como objectivo, até 2019, fazer o estudo e valorizar o património histórico e arqueológico da região.

Uma das fases desta investigação vai incidir sobre a época medieval, anunciou a historiadora, salientando que se trata de um levantamento que já está a ser feito. “Vouzela tem, de certeza, um dos maiores acervos do país e com documentação dos tempos mais antigos”, sublinhou.

“Esta é uma região muito importante, porque está num ponto fundamental do território que liga o Litoral à Beira. Vouzela foi sempre uma porta de entrada, desde a pré-história. Do ponto de vista científico, este é um território muito atractivo”, justificou a historiadora.

O projecto, que vai ser apresentado à tutela em Maio próximo e é candidato aos fundos comunitários, está dividido em três vertentes. Segundo Catarina Tente, há uma parte que envolve a investigação “pura e dura” com a prospecção do património que já é conhecido dentro do concelho. A ideia “é ter mais e melhor informação”. Numa segunda linha de orientação, além da monitorização do património, a equipa que vai estar no terreno pretende trazer “à luz do dia” novos achados, partindo da investigação e efectuando sondagens em sítios considerados importantes cronologicamente. Por fim, é intenção dos responsáveis dar “especial atenção” ao espólio, nomeadamente ao que já existe no museu local, que “carece de revisão e estudo”.

“O resultado é ter um museu pronto a ser inaugurado com muitos conteúdos, que possa contribuir para a diferenciação que o concelho quer ter”, desejou a especialista.

“Este é um projecto multidisciplinar e multicronológico. Vamos explorar ao máximo a arqueologia e a história, mas chamando outras ciências que nos vão ajudar a obter mais conhecimentos sustentados”, concluiu.
Para os envolvidos neste projecto, o que se vai conseguir no futuro é “aumentar o conhecimento sobre o passado do concelho, revelar património histórico e arqueológico até agora desconhecido, recuperar e valorizar património já conhecido e torná-lo mais acessível a todos através de sinalização, conteúdos explicativos e reconstituições multimédia”, como explicou Rui Ladeira, presidente da Câmara de Vouzela.

Para as instituições de ensino, significa, por um lado, “colocar os alunos em contacto com a realidade da investigação científica e das práticas profissionais”, de acordo com António Faustino, da Universidade do Algarve. Já o seu colega da UNL, Francisco Caramelo, o exemplo de Vouzela “deveria ser seguido por outras autarquias do país”.

“Temos assistido a alguns desvarios, mas as autarquias e as universidades têm sido bons exemplos de responsabilidade para com as comunidades e de boa aplicação dos dinheiros públicos”, salientou.

 

Valorização das torres medievais de Vilharigues, Alcofra e Cambra
O presidente da Câmara de Vouzela anunciou que estão a ser estudadas formas de valorizar as torres medievais de Vilharigues e de Alcofra através de projectos museológicos. “A senhoralização da região de Lafões” e “Quotidianos e vivências da casa medieval” são os projectos previstos para estes dois monumentos, respectivamente.

 Também a torre de Cambra será dotada, à semelhança das duas anteriores, de conteúdos explicativos para o visitante, que poderá ainda aceder, através de dispositivos móveis, a uma reconstituição multimédia. Ainda para Cambra, o autarca anunciou a elaboração de um projecto museológico sobre a freguesia e o seu território. 

Fonte: (04.01.2016): http://www.publico.pt/local/noticia/investigadores-a-procura-de-segredos-arqueologicos-e-historicos-em-vouzela-1718683

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por noticiasdearqueologia às 10:45

Quarta-feira, 06.01.16

Manuscritos de Chumbo encontrados na Jordânia – um deles traz possível rosto de Cristo

O governo da Jordânia tenta repatriar livros feitos de chumbo que, segundo suspeitas de especialistas, parecem ser os mais antigos da história cristã, tendo sobrevivido a quase 2.000 anos em uma caverna do país do Oriente Médio.

As páginas, do tamanho de um cartão de crédito, têm imagens, símbolos e palavras que parecem se referir ao Messias e, possivelmente, até mesmo, a crucificação e ressurreição, podendo assim trazer à luz novos dados para o entendimento sobre o nascimento do cristianismo e sobre a crucificação e a ressurreição de Jesus Cristo.

Como a arqueologia bíblica é vítima de muitas fraudes, os investigadores estão sendo cautelosos, porém pesquisas metalúrgicas iniciais indicam que os códices são cerca de 2.000 anos – “especialistas acreditam que seria impossível tingir artificialmente”, diz Macrae baseado na forma de corrosão a que foram submetidos.

 

Descoberta

A saga de sua descoberta já desencadeou uma batalha sobre os direitos de propriedade entre Israel e Jordânia.

Os livros foram descobertos há cinco anos em uma caverna numa parte remota do Jordão, em uma região conhecida como o lugar que os cristão se refugiaram após a queda de Jerusalém em 70 d.C. Documentos importantes do mesmo período já foram encontrados lá.

O conjunto de cerca de 70 livros – cada um com cerca de 5 e 15 "folhas" de chumbo presas por aros de chumbo – foi aparentemente descoberto em um vale remoto e árido no norte da Jordânia, entre 2005 e 2007. Uma enchente expôs dois nichos dentro da caverna, um deles marcado com um menorá, candelabro que é símbolo do judaísmo.  Um beduíno jordaniano abriu os nichos e o que encontrou ali dentro parecia ser uma relíquia extremamente rara dos primórdios do cristianismo.

Essa é a visão do governo da Jordânia, que alega que os livros foram contrabandeados para Israel por outro beduíno.  O beduíno israelense que atualmente guarda os livros nega tê-los contrabandeado e alega que as antiguidades são peças que sua família possui há cem anos.  O governo jordaniano disse que fará "todos os esforços, em todos os níveis" para repatriar as relíquias.

A caverna na Jordânia, onde os artefatos foram descobertos:

 

Significado oculto

Muitos dos livros estão selados, o que leva alguns acadêmicos a especular se eles não são a coleção perdida de códices, mencionados no livro bíblico de Apocalipse. (!)

Significado oculto: listas, tabuletas e outros artefatos, incluindo um vaso de incenso, também foram encontrados no mesmo local.  Uma pintura do século XVI descrevendo a morte de Jesus.

De acordo com a BBC, uma das poucas frases traduzidas até agora diz: “Vou andar em retidão” – uma frase que também aparece no Livro do Apocalipse. “Embora a frase possa ser simplesmente um sentimento comum no judaísmo, também poderia ter sido escrita para se referir à ressurreição.”, disse o escritor Robert Pigott da BBC.

Valor Histórico

O diretor do Departamento de Antiguidades da Jordânia, Ziad Al-Saad, diz que os livros parecem ter sido feitos por seguidores de Jesus nas décadas seguintes a sua crucificação.   "Talvez eles sejam mais significativos que os pergaminhos do mar Morto", disse Saad.   "Talvez eles precisem de mais interpretação e conferência de autenticidade, mas a informação inicial é muito animadora. Parece que estamos diante de uma descoberta importante e significativa, talvez a mais importante da história da arqueologia."

As "folhas" dos livros contêm textos escritos em hebraico antigo, a maior parte em código. Se as relíquias forem de fato de origens cristãs, em vez de judaicas, são de grande significado.

Um dos poucos a ter visto a coleção é David Elkington, acadêmico que estuda arqueologia religiosa e líder de uma equipe britânica empenhada em levar os livros a um museu na Jordânia.  Elkington alega que os livros podem ser "a maior descoberta da história cristã".  "É de tirar o fôlego a ideia que tenhamos contato com objetos que podem ter sido portados pelos primeiros santos da Igreja."

O acadêmico diz que as relíquias contêm sinais que seriam interpretados pelos cristãos da época, como imagens de Jesus e de Deus e da "chegada do messias".

Na "capa" de um dos livros "vemos o menorá de sete ramificações, o que os judeus eram proibidos de representar porque ele residia no local mais sagrado do templo, na presença de Deus", explica Elkington. "Assim, temos a vinda do messias para obter a legitimidade de Deus."

O estudioso do Novo Testamento Larry Hurtado observa que, uma vez que estes códices são em miniaturas, eram provavelmente destinados a pessoas particulares, ao invés de ser usado em liturgias.

Imagens

Philip Davies, professor emérito de estudos do Velho Testamento da Universidade de Sheffield, afirma que a prova mais contundente da origem cristã das relíquias está em um mapa feito da cidade sagrada de Jerusalém.

"Há uma cruz em primeiro plano e, atrás dela, está o que seria a tumba (de Jesus), um pequeno edifício com uma abertura e as muralhas da cidade. Outras muralhas representadas em outras páginas dos livros quase certamente se referem a Jerusalém", diz Davies, que afirma ter ficado "estupefato" com as imagens, "claramente cristãs".

A cruz é o que mais chama a atenção dos especialistas, feita no formato de um T maiúsculo, como eram as cruzes que os romanos usavam para crucificações.

 

"É uma crucificação ocorrida fora dos muros da cidade", diz Davies.

Margaret Barker, especialista em história do Novo Testamento, ressalta que o local onde se acredita que as relíquias tenham sido encontradas denota sua origem cristã – e não puramente judaica.

"Sabemos que, em duas ocasiões, grupos de refugiados dos distúrbios em Jerusalém rumaram a leste, atravessaram a Jordânia perto de Jericó e foram para perto de onde esses livros parecem ter sido achados."

Ela acrescenta que outra prova da "proveniência cristã" é que as relíquias são em formato de livros, e não de pergaminhos. "Os cristãos eram particularmente associados com a escrita na forma de livros e guardavam os livros como parte da secreta tradição do início do cristianismo."

O Livro das Revelações se refere a esses textos guardados.

Outro possível elo com a Bíblia está contido em um dos poucos fragmentos de texto que foram traduzidos das relíquias. O fragmento, acompanhado da imagem do menorá, diz: "Devo andar honradamente", frase que também aparece no Livro das Revelações.

Ainda que a frase possa simplesmente significar um sentimento comum no judaísmo, pode também se referir à ressurreição.

Testes

Não está esclarecido se todos os artefatos descobertos são partes do mesmo período, mas testes feitos no chumbo corroído dos livros indicam que eles não foram feitos recentemente.

A arqueologia dos primórdios do cristianismo é especialmente esparsa ainda. Pouco se sabe dos desdobramentos após a crucificação de Jesus até as cartas escritas por Paulo, décadas mais tarde.

A história contida nas relíquias parece ser, assim, a descoberta de maior escala até agora dessa época do cristianismo, em sua terra de origem e em seus primórdios.

Porém, só com mais investigação e tradução integral dos códices é que se pode confirmar plenamente a natureza da descoberta.

Retrato de Jesus

A imagem é estranhamente familiar: um homem barbado com cabelos encaracolados. Após ficar por quase 2000 anos escondidos em uma caverna na Terra Santa, os pequenos detalhes são difíceis de determinar. Mas dependendo da luz, não é difícil de interpretar as marcas ao redor da testa da figura como uma coroa de espinhos.

 

A figura extraordinária de um tesouro recém-descoberto é um dos motivos pelos quais historiadores bíblicos estão ansiosos para poderem avaliar os antigos artefatos.

Se verdadeiro, este poderia ser o mais antigo retrato de Jesus Cristo, possivelmente até mesmo feito durante a vida de quem o conhecia.

A pequena brochura, é selada em todos os lados e tem uma representação tridimensional de uma cabeça humana, tanto na frente quanto nas costas. Uma parece ter uma barba e a outra não. Até mesmo a impressão digital do fabricante pode ser vista na impressão de chumbo. Abaixo das figuras há uma linha de texto em hebraico antigo, ainda não decifrada.

Surpreendentemente, um dos folhetos parece ostentar a menção "Salvador de Israel" – uma das poucas frases até agora traduzidas.

Hassan Saida

O dono do achado é o caminhoneiro beduíno Hassan Saida, que vive na aldeia árabe de Umm al-Ghanim, Shibli. Ele se recusou a vender os artefatos, mas duas amostras foram enviadas para a Inglaterra e Suíça para exames.

 

Hassan Saida com alguns dos artefatos que ele diz ter herdado

 

Uma investigação do Mail on Sunday revelou que os artefatos foram originalmente encontrados em uma caverna na aldeia de Saham na Jordânia, perto de onde Israel, a Jordânia e os Morros Sirios de Golã convergem – e a aproximadamente 5 quilometros do balneário israelense e fontes termais de Hamat Gader, um santuario religioso por milhares de anos.

De acordo com fontes em Saham, eles foram descobertos cinco anos atrás, depois de uma enchente lavar a região e afastar o solo empoeirado da montanha para revelar o que parecia uma pedra de grandes dimensões. Quando a pedra foi movida, uma gruta foi descoberta com um grande número de pequenos nichos nas paredes do conjunto. Cada um desses nichos continha um livreto. Havia também outros objetos, incluindo algumas placas de metal e chumbo enrolados.

A zona é conhecida como antigo refúgio dos judeus fugindo das sangrentas revoltas contra o Império Romano no primeiro e início do segundo séculos dC.

A gruta esta a menos de 100 quilômetros de Qumran, onde os Manuscritos do Mar Morto foram descobertos, e cerca de 60 quilômetros de Masada, cena da última parada e suicídio em massa de uma seita Zealote extremista frente ao cerco do exército romano em 72AD – dois anos após a destruição do Segundo Templo em Jerusalém.

É também perto de cavernas que foram usadas como refúgios de refugiados da revolta de Bar Kokhba, a terceira e última revolta judaica contra o Império Romano em 132AD.

A época é de crucial importância para os estudiosos da Bíblia, pois abrange as perturbações políticas, sociais e religiosos que levaram à separação entre judaísmo e cristianismo.

Ela terminou com o triunfo do cristianismo sobre os seus rivais como a nova religião dominante primeiro para os judeus dissidentes e depois para os gentios.

Neste contexto, é importante que, enquanto os Manuscritos do Mar Morto são pedaços de pergaminho ou papiro enrolados contendo as primeiras versões conhecidas dos livros da Bíblia hebraica e outros textos – o formato tradicional judaico para trabalho escrito – estas descobertas em chumbo estão em formato de livro, ou códice, que há muito tem sido associado com a ascensão do cristianismo.

Os códices visto pelo Mail on Sunday variam em tamanho. De itens menores que 7,5cm x 6cm até cerca de 25cm x 20cm. Cada um deles contém uma média de oito ou nove páginas e parecem ser de molde, ao invés de inscritos, com imagens de ambos os lados e presos com aneis de chumbo. Muitos deles estavam severamente corroídos quando foram descobertos, embora tenha sido possível abri-los com cuidado.

O códice mostrando o que pode ser o rosto de Cristo parece não ter sido aberto ainda. Alguns códices mostram sinais de terem sido enterrados – embora isso possa ser simplesmente resultado de terem ficado em uma caverna por centenas de anos.

Ao contrário dos Manuscritos do Mar Morto, os códices de chumbo parecem consistir de imagens estilizadas, em vez de texto, com uma quantidade relativamente pequena de escrita, que parece estar em um idioma fenício, embora o dialeto exato ainda não tenha sido identificado. Na época em estes códices foram criados, a Terra Santa era povoada por diferentes seitas, incluindo essênios, samaritanos, fariseus, saduceus, dositeanos e nazarenos.

 

A impressão na capa desta brochura mostra o que poderia ser a primeira imagem de Cristo.

 Não havia escrita comum e mistura considerável de linguagem e sistemas de escrita entre os grupos. O que significa que poderá levar anos de estudos detalhados para interpretar corretamente os códices.

Uma placa foi interpretada como um mapa esquemático da Jerusalém Cristã apresentando cruzes romanas fora dos muros da cidade. Na parte superior pode ser visto de uma forma de escada. Isto é tido como sendo uma balaustrada mencionada em uma descrição bíblica do Templo em Jerusalém. Abaixo dele estão três grupos de alvenaria, para representar os muros da cidade.

O fato de uma figura ser retratada parece descartar o fato destes livretos estarem ligados ao judaísmo da época, onde o retrato de figuras reais era estritamente proibido, porque era considerada idolatria.

Se genuínos, parece claro que estes livretos foram, na verdade, criados por uma seita messiânica judaica primitiva, talvez intimamente ligada à igreja cristã primitiva e que estas imagens representem o próprio Cristo. Contudo uma outra teoria, defendida por Robert Feather – uma autoridade nos Manuscritos do Mar Morto e autor de O Mistério do Pergaminho de Cobre de Qumran – é que estes livros estão ligados a Revolta Bar Kochba Revolta dos anos 132-136 AD, a terceira maior rebelião dos judeus da Provincia de Judéia e a última das Guerras judaico-romanas.

A revolta estabeleceu um estado independente de Israel em partes da Judéia durante dois anos, antes do exército romano, finalmente, esmagá-la, com o resultado que todos os judeus, incluindo os primeiros cristãos, foram impedidos entrar em Jerusalém.

A caverna na Jordânia, onde os livros do metal foram descobertos

Os seguidores de Simon Bar Kochba, o comandante da revolta, o aclamaram como Messias, uma figura heróica que poderia restaurar Israel. Embora os judeus cristãos saudassem Jesus como o Messias e não apoiassem Bar Kochba, eles foram também impedidos de entrar em Jerusalém, juntamente com o restante dos judeus. A guerra e suas conseqüências ajudaram a diferenciar o cristianismo como uma religião distinta do judaísmo.

O líder espiritual da revolta foi o Rabino Shimon Bar Yochai, que lançou as bases para uma forma mística de judaísmo hoje conhecida como a Cabala, que é seguido por Madonna, Britney Spears e outros. Yochai se escondeu em uma caverna por 13 anos e escreveu um comentário secreto sobre a Bíblia, o Zohar, que evoluiu para os ensinamentos da Cabala. Feather está convencido de que parte dos textos nos livretos levam o nome do Rabino Bar Yochai.

Feaher diz que todos os códices conhecidos antes de cerca de 400 AD eram feitos de pergaminho e que o uso de chumbo impresso é desconhecido. Eles estavam claramente destinados a existir para sempre e para nunca serem abertos. O uso do metal como material de escrita naquela época está bem documentado – no entanto, o texto sempre foi inscrito, não impresso.

Os livros estão atualmente na posse de Hassan Saida, em Umm al-Ghanim, Shibli, que fica no sopé do Monte Tabor, 18 milhas ao oeste do Mar da Galiléia.

Saida possui e opera uma empresa de transportes que consiste de pelo menos nove grandes caminhões de carroceria aberta. Ele é considerado na sua aldeia como um homem rico. Seu avô chegou lá a mais de 50 anos e sua mãe e quatro irmãos ainda moram lá.

Saida, que tem por volta de 30 anos, casado e com cinco ou seis filhos, afirma que herdou os livretos de seu avô.

Quando ele obteve os livretos, não tinha idéia do que fossem, ou mesmo se eles eram genuínos.

Entrou em contato com a Sotheby's em Londres, em 2007, em uma tentativa de contratar uma peritagem, mas a famosa casa de leilões se negou a lidar com eles, porque sua origem não era conhecido.

Logo depois, o autor e jornalista britânico Nick Fielding foi abordado por uma mulher palestina que estava preocupada que os livretos fossem vendidos no mercado negro. Fielding foi convidado a abordar o British Museum, o Museu Fitzwilliam, em Cambridge e outros lugares.

Fielding viajou para Israel e obteve uma carta da Autoridade de Antiguidades de Israel (IAA) dizendo que não tinha nenhuma objeção a que os objetos fossem levados ao exterior para análise. Parece que o IAA acreditava que os livretos eram falsos, baseando-se em que nada como aquilo havia sido descoberto antes.

Nenhum dos museus queria envolver-se, novamente por causa de preocupações com a proveniência. Fielding foi então convidado a abordar especialistas para descobrir o que eram e se eram verdadeiros. David Feather, que é também um metalúrgico bem como um especialista em Manuscritos do Mar Morto, recomendou a apresentação das amostras para análise de metais na Universidade de Oxford.

O trabalho foi realizado pelo Dr. Peter Northover, chefe da ciência de materiais-base do Grupo de Arqueologia e um perito mundial na análise de materiais metálicos antigos.

As amostras foram então enviados para o Laboratório Nacional de Materiais de Dubendorf, na Suíça. Os resultados mostraram que eles eram consistentes com a antiga produção de chumbo do período romano e que o metal era fundido a partir de minérios que se originaram no Mediterrâneo. Dr Northover disse também que a corrosão nos livros era improvável de ser moderna.

Enquanto isso, a política em torno da origem dos livros está se intensificando. A maioria dos estudiosos profissionais são cautelosos na pendência de mais investigações e apontam para o julgamento de falsificação em curso em Israel sobre o ossuário de pedra calcária antiga que supostamente teria abrigado os ossos de Tiago, irmão de Jesus.

A Autoridade arqueológica Israelense tentou acalmar problemas de proveniência, lançando dúvidas sobre a autenticidade dos códices, mas Jordan diz que vai 'exercer todos os esforços em todos os níveis' para que as relíquias sejam repatriadas.

O debate sobre se esses livretos são verdadeiras e, nesse caso, se representam os primeiros artefatos conhecidos da igreja cristã primitiva e os primeiros indícios da Cabala mística, sem dúvida ira seguir e crescer pelos próximos anos.

O diretor do Departamento de Antiguidades da Jordânia, Ziad al-Saad, tem poucas dúvidas. Ele acredita que eles podem de fato ter sido feitos pelos seguidores de Jesus, poucas décadas imediatamente após a sua crucificação.

"Eles realmente se igualam, e talvez sejam ainda mais significativos do que os Manuscritos do Mar Morto", diz ele. "A informação inicial é muito encorajadora, e parece que estamos olhando para uma descoberta muito importante e significativa. – Talvez a descoberta mais importante na história da arqueologia"

Se ele estiver certo, então nós realmente podemos estar olhando para o rosto de Jesus Cristo.

Fonte: (7.4.2011) - http://geracaomaranata.com.br/2011/04/manuscritos-de-chumbo-encontrados-na-jordania-um-deles-traz-possivel-rosto-de-cristo/

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por noticiasdearqueologia às 10:38

Quarta-feira, 06.01.16

LIVROS DE BRONZE NUMA GRUTA DA JORDÂNIA

 A Ciência confirma o início do Cristianismo.

Livros de bronze podem ser uma das maiores descobertas de todos os tempos e falam de Jesus Cristo.

 

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Aspecto de um dos livros em análise

 

Numa gruta de Saham, Jordânia, localizada numa colina com vista para o Mar da Galileia, foram encontrados 70 livros do século I da era cristã que, segundo as primeiras avaliações, contêm as mais antigas representações do cristianismo.

Os livros têm a peculiaridade de serem gravados em folhas de bronze presas por anéis metálicos. O tamanho das folhas vai de 7,62 x 50,8 cms a 25,4 x 20,32 cms. Em média, cada livro tem entre oito e nove páginas, com imagens na frente e no verso.

Segundo o jornal britânico "Daily Mail", 70 códices de bronze foram encontrados entre os anos 2005 e 2007 e as peças estão sendo avaliadas por peritos na Inglaterra e na Suíça.

A cova fica a menos de 160 quilómetros de Qumran, a zona onde se encontraram os rolos do Mar Morto, uma das maiores evidências da historicidade do Evangelho, informou a agência ACI Digital. Importantes documentos do mesmo período já haviam sido encontrados na mesma região.

 

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 A gruta onde teriam sido encontrados os livros

 

No local ter-se-iam refugiado, no ano 70 d.C., os cristãos de Jerusalém, durante a destruição da cidade pelas legiões de Tito, que afogaram em sangue uma revolução de judeus que queriam a independência. Cumpria-se então a profecia relativa à destruição de Jerusalém e à dispersão do povo judaico.

Segundo o "Daily Mail" os académicos, que estão convencidos da autenticidade dos livros, julgam que é uma descoberta tão importante quanto a dos rolos do Mar Morto em 1947. Nelas há imagens, símbolos e textos que se referem a Jesus Cristo e sua Paixão. David Elkington, especialista britânico em arqueologia e história religiosa antiga, foi um dos poucos que examinaram os livros. Para ele, tratar-se-ia de uma das maiores descobertas da história do Cristianismo.

 

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"É uma coisa de cortar a respiração pensar que encontrámos estes objectos deixados pelos primeiros santos da Igreja", disse ele.

 

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São Simeão, bispo de Jerusalém

 

Com efeito, na época da desastrosa rebelião judaica, o bispo de Jerusalém era São Simeão, filho de Cléofas (irmão de São José) e de uma irmã de Maria. Por isso, São Simeão era primo direito de Jesus Cristo e pertencia à linhagem real de David. Quando o apóstolo S. Tiago Menor (primeiro bispo de Jerusalém) foi assassinado pelos judeus seguidores da Sinagoga, os Apóstolos que ficaram, em rotura com o passado, escolheram Simeão como sucessor e ele recebeu o Espírito Santo no Pentecostes.

Os primeiros cristãos lembravam com fidelidade o anúncio feito por Nosso Senhor de que Jerusalém seria destruída e o Templo arrasado. Porém, não sabiam a data. O santo bispo foi alertado pelo Céu da iminência do desastre e que deveriam abandonar a cidade sem demora. São Simeão conduziu os primeiros cristãos à cidade de Pella, na actual Jordânia, como narra Eusébio de Cesareia. Após a destruição do Templo, São Simeão voltou com os cristãos, que se restabeleceram sobre as ruínas. O facto favoreceu o florescimento do Cristianismo e a conversão de numerosos judeus pelos milagres operados pelos santos.

 

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 Os livros geraram muita disputa

 

Assim, começou a reconstituir-se uma comunidade de judeus fiéis à plenitude do Antigo Testamento e ao Messias Redentor aguardado pelos Patriarcas e anunciado pelos Profetas. Porém, o imperador romano Adriano mandou arrasar os escombros da cidade, e os seus sucessores pagãos, Vespasiano e Domiciano, mandaram matar todos os descendentes de David.

São Simeão fugiu. Mas, durante a perseguição de Trajano, foi crucificado e martirizado pelo governador romano Ático. São Simeão recebeu com fidalguia o martírio quando tinha 120 anos. (cf. ACI Digital)

Emociona pensar que estes heróicos cristãos judeus tenham deixado para a posteridade o testemunho da sua Fé inscrito em livros tão trabalhados. Philip Davies, professor emérito de Estudos Bíblicos da Universidade de Sheffield, disse ser evidente a origem cristã dos livros, que incluem um mapa da cidade de Jerusalém. No mapa é representada o que parece ser a balaustrada do Templo, mencionada nas Escrituras. "Assim que eu vi fiquei estupefacto", disse. "O que me impressionou mais foi ver uma imagem evidentemente cristã: há uma cruz na frente e, atrás dela, há o que deve ser o sepulcro de Jesus, quer dizer, uma pequena construção com uma abertura e, mais no fundo, ainda os muros de uma cidade".

"Noutras páginas destes livros também existem representações de muralhas que, quase de certeza, reproduzem as de Jerusalém. E há uma crucifixão cristã acontecendo fora dos muros da cidade", acrescentou.

 

 Fonte: (14.04.2015) - http://abemdanacao.blogs.sapo.pt/livros-de-bronze-numa-gruta-da-jordania-1392237

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por noticiasdearqueologia às 10:28

Quarta-feira, 06.01.16

Antigos “códices cristãos” encontrados podem ser falsos

70 livros de metal supostamente descobertos em uma caverna na Jordânia foram aclamados como os primeiros documentos cristãos. Datados de poucas décadas após a morte de Jesus, os estudiosos dizem que os “códices” são a descoberta arqueológica mais importante da história.

Os livros são bastante inéditos, visto que nunca foram encontradas relíquias do movimento cristão primitivo. Aos poucos, porém, a excitação dessa descoberta foi acalmada por questionamentos quanto à autenticidade dos códices, cujo ponto de apoio eram páginas em chumbo fundido, ligadas por anéis de chumbo.

Recentemente, um tradutor aramaico, Steve Caruso, concluiu sua análise dos artefatos, e afirmou ter uma evidência irrefutável de que eles são falsos.

O especialista obteve fotos de todos os textos. Examinando-as, confirmou que havia um monte de formas de escrita aramaicas velhas (com pelo menos 2.500 anos), mas percebeu que elas estavam misturadas a outras formas de escrita mais jovens.

Olhando apuradamente, o tradutor concluiu que nunca havia visto um tipo de mistura daquelas. Os manuscritos mais novos que ele identificou, chamados Nabatean e Palmira, datam do segundo e terceiro séculos, o que prova que os documentos não poderiam ter sido escritos durante os primórdios do cristianismo.

Segundo a nova análise, mesmo os manuscritos mais antigos foram escritos por alguém que não sabia o que estava fazendo. Há inconsistências no modo como foi feita a ordem da escrita. O pesquisador afirma que os escribas tinham formas muito específicas de escrever. Além disso, vários caracteres apareceram “tremidos”, um erro que implica que eles foram copiados às pressas, e não são originais.

Um arqueólogo grego, Peter Thonemann, já tinha afirmado que as imagens que aparecem nos códices, incluindo uma de Cristo na cruz, eram anacrônicas. Segundo ele, a imagem que dizem ser Cristo é na verdade o deus do sol Hélios, a partir de uma moeda que veio da ilha de Rodes. Também há algumas inscrições em hebraico e grego nos manuscritos. O arqueólogo acredita que os códices foram falsificados nos últimos 50 anos.

O que não significa que os livros já foram desacreditados. Um estudioso de arqueologia religiosa antiga, David Elkington, continua a acreditar na autenticidade dos códices. Durante meses, ele e sua equipe têm tentado ajudar o governo jordaniano a recuperar os códices de Israel, para onde foram contrabandeados.

Eles argumentam que os códices mostram imagens de Jesus com Deus, bem como um mapa de Jerusalém e um texto discutindo a vinda do Messias. Além disso, os livros foram supostamente encontrados perto de onde refugiados cristãos acamparam, na época. A equipe ainda identifica um fragmento de leitura do texto que diz “Eu andarei em retidão”, uma possível referência à ressurreição de Jesus.

No entanto, David, um dos únicos defensores dos códices, parece estar sem credenciais acadêmicas. Outros estudiosos questionam que o “arqueólogo britânico” não é um arqueólogo. Ele parece não ocupar nenhum cargo ou posição acadêmica, e muitos dos seus trabalhos não seriam aceitos por qualquer acadêmico ou estudioso.

Os especialistas que fizeram análises posteriores dos códices – e que concluíram que eles são falsos – reclamam do embalo dos meios de comunicação. Segundo eles, a mídia acabou dando um impulso para o assunto. Algumas boas fotos provavelmente também ajudaram. Tudo parecia convincente sobre a superfície; com um pouco mais de tempo e prudência, os veículos teriam percebido que David Elkington, que trouxe o assunto para primeiro plano, está à margem da academia.

Relíquias cristãs falsas são relativamente comuns. Segundo pesquisadores, as pessoas querem muito encontrar provas materiais dos dois primeiros séculos do cristianismo, mas isso é muito difícil porque o número de cristãos neste período era incrivelmente pequeno – provavelmente menos de 7.000 por 100 d.C. – e eles não se distinguiam materialmente dos seus irmãos judeus.

Fonte: (13/04/2011) http://hypescience.com/antigos-%E2%80%9Ccodices-cristaos%E2%80%9D-encontrados-podem-ser-falsos/

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por noticiasdearqueologia às 10:23


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