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NOTÍCIAS DE ARQUEOLOGIA

O Património é um bem comum... Preservá-lo só depende de cada um de nós...



Quinta-feira, 31.01.13

Forte de Elvas saqueado

Sem segurança, o Forte da Graça tem sido alvo de uma vaga de furtos: ladrões levam blocos de granito, varandas e até telhas. A UNESCO já tinha sinalizado o «risco de vandalismo». A Câmara e o Governo tardam em aprovar o plano para proteger este património mundial.


É conhecida como «obra-prima da arquitectura militar», mas está a desaparecer aos poucos. O Forte da Graça, em Elvas, tem sido alvo nos últimos meses de uma vaga de furtos e vandalismo, já depois de a UNESCO ter elevado a Património Mundial esta e todas as fortificações da cidade, em Junho do ano passado.

«Na entrada principal, há blocos de granito e mármore empilhados, que foram arrancados das paredes para serem levados em carrinhas. A Casa do Governador já só tem uma varanda em ferro forjado e do relógio só restam os ponteiros» – conta ao SOL Emílio Moitas, que costuma visitar a antiga prisão militar, onde tem testemunhado actos de pilhagem que, garante, se agravaram «nos últimos seis meses».


«Tudo vai desaparecendo. Ultimamente, começaram a arrancar as telhas das coberturas», lamenta Emílio, criticando a inércia das autoridades: «Bastava cortar o trânsito na única estrada que dá acesso ao Forte. Mas ninguém faz nada».


 


Câmara teme perda de classificação


A Câmara, que conduziu o processo de candidatura à UNESCO, diz ter conhecimento da situação mas alega que nada pode fazer para travar esta onda de pilhagem porque o complexo é propriedade do Ministério da Defesa. «Temos transmitido tudo o que se passa ao Ministério, mas não podemos intervir num espaço que não é nosso», disse ao SOL o presidente da autarquia, José Rondão de Almeida, sublinhando que o Governo nada tem feito para alterar o estado de «abandono» em que o Forte se encontra desde 2006, quando o Exército retirou o contingente de militares que vigiavam esta unidade 24 horas por dia.


«Já depois da candidatura, apresentámos uma proposta ao Ministério da Defesa e das Finanças que passava pela candidatura do Governo a fundos comunitários, sendo que a Câmara garantia a comparticipação nacional para recuperar o Forte», recorda o autarca socialista, que estima em cinco milhões de euros o investimento necessário para restaurar e «tornar visitável» uma fortaleza construída no século XVIII.


«Até hoje, não tivemos qualquer resposta», lamenta o edil, que diz temer as consequências deste impasse: «A responsabilidade é muito grande. Daqui por um ano, com uma visita dos peritos, a UNESCO pode retirar a candidatura».


 


Não pode ser vendido


Ana Paula Amendoeira, presidente do ICOMOS, organismo que avalia as candidaturas a património mundial da UNESCO, afasta para já esta hipótese, mas lembra que, apesar de ter aprovado a candidatura, aquele organismo fez uma série de recomendações ao Estado português, em concreto à Câmara de Elvas. Uma delas é a de «encontrar, tão depressa quanto possível, recursos financeiros e funcionalidades para edifícios desocupados, em particular o Forte da Graça».


Aliás, durante o processo de avaliação, a UNESCO alertou o Governo para a delicada situação daquele monumento: «Está isolado, inutilizado e vulnerável a vandalismo», lê-se na decisão final do Comité.


Ao SOL, Ana Paula Amendoeira adiantou que já houve reuniões entre a Câmara e os ministérios da Defesa, Cultura (Direcção-Geral do Património Cultura) e Negócios Estrangeiros (Comissão Nacional da UNESCO) para definir uma solução para esta fortaleza.


«Não é uma decisão unilateral. Todas estas entidades, sobretudo a Câmara, que gere o bem classificado, e a Defesa, dona do Forte, têm de se entender sobre um modelo de gestão e financiamento favorável para todos», diz a responsável, ressalvando que, por ser património classificado e da esfera pública, esta fortaleza não pode ser vendida. A alternativa pode ser a cedência a uma instituição pública, como a Câmara.


Questionado pelo SOL, o Ministério da Defesa não esclareceu que rumo pretende dar a um edifício que, desde 2008, faz parte de uma lista de prédios militares entregues ao Governo para alienação.


 


PJ abriu inquérito


Enquanto o destino do Forte não é traçado, a ruína e destruição alastram no complexo. A Polícia Judiciária, apurou o SOL, já abriu um inquérito para investigar a autoria dos furtos e danos.


A PSP reforçou o policiamento com carros-patrulha naquela zona. Entre 2010 e 2012, esta Polícia registou três situações e identificou sete suspeitos. Num dos casos, foram identificados dois cidadãos residentes em Elvas com cadastro por furtos e o processo foi remetido ao Ministério Público. A PSP garante ainda que «tem dado conta das situações de furto aos responsáveis militares».


O Exército tem conhecimento do que se está a passar, mas diz estar de ‘mãos atadas’. «O Quartel de Elvas, que geria o Forte, foi extinto em 2006 e nessa altura os militares foram transferidos, o que significa que deixámos de ter necessidade de manter um efectivo permanente nesta fortaleza» – explicou o porta-voz do Exército, tenente-coronel Pedro, acrescentando que o edifício foi entregue aos ministérios da Defesa e das Finanças.


Fonte: Sónia Graça (31-01-2013). SOL: http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=67400



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por noticiasdearqueologia às 19:32

Quinta-feira, 31.01.13

MPF processa empresas de extração de areia por destruírem sítios arqueológicos em Caxias

Mineração. Areal pertencente à empresa Conterra, em Duque de Caxias: proprietário alega que demarcou sítio arqueológico ao saber da importância histórica do localFoto: Gustavo Stephan / O GloboFoto: Areal pertencente à empresa Conterra, em Duque de Caxias:  proprietário alega que demarcou sítio arqueológico ao saber da importância  histórica do local. Gustavo Stephan / O Globo.




Parte da história da ocupação da então periferia do Rio de Janeiro,  datada do século XVI, numa região do município de Duque de Caxias, na Baixada  Fluminense, desapareceu como pó. Os sítios arqueológicos Terra Prometida e  Aldeia das Escravas II, considerados de grande importância pelo Instituto do  Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), foram devastados, sendo que  do primeiro sobraram apenas 10% da área, devido à extração indiscriminada de  areia e saibro para a construção civil. Diante dos danos à memória e ao meio  ambiente, o Ministério Público Federal (MPF), em São João de Meriti, moveu sete  ações civis públicas contra o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), o  Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) e sete mineradoras. O Inea e o  DNPM são acusados de emitir autorizações irregulares e não fiscalizar as  empresas.


Das sete ações, seis se referem à localidade Parque Barão do Amapá, em  Caxias, com dezenas de areais. Em visita ao local, O GLOBO constatou que, nos  canteiros desativados depois que a exploração de areia chegou à exaustão, há  equipamentos abandonados, corroídos pela ferrugem, um risco para a contaminação  do solo e do lençol freático. A outra ação do MPF diz respeito à autorização  para atividade de extração mineral na Área de Proteção Ambiental (APA) São  Bento, situada em terras do Incra e sujeitas a inundações periódicas, onde há  espécies ameaçadas de extinção. Em todas as ações, o procurador da República  Renato Machado pede, liminarmente, que os órgãos não autorizem nem permitam  qualquer nova atividade de extração mineral nas áreas já degradadas.


— A destruição está a olhos nus. O Inea e o DNPM parecem ignorar as leis. É  fundamental que os órgãos ambientais, e mesmo o DNPM, respeitem os planos  diretores municipais, bem como consultem o Iphan previamente, em casos de  intervenções em sítios arqueológicos, o que não vem ocorrendo em Caxias. A  Conterra, empresa que devastou parte do sítio arqueológico Aldeia das Escravas  II, continuou por muito tempo extraindo areia, sem se importar com o valor  histórico. Além disso, aquele ambiente está bastante degradado e não tem como se  regenerar tão cedo — lamentou o procurador.


 


Construção civil acelerou processo


Segundo Renato Machado, os grandes eventos que o Rio vai sediar desencadearam  um aquecimento da construção civil, levando à liberação de licenças sem a  exigência de elaboração de Estudos de Impacto Ambiental e do Relatório de  Impacto Ambiental (EIA-Rima):


— A pressão do poder econômico acabou por criar flexibilizações e,  lamentavelmente, deixou-se de exigir o EIA-Rima.


Responsável pelas escavações do Sítio Aldeia das Escravas II, a arqueóloga  Jandira Neto, gerente do programa de arqueologia e educação patrimonial do Arco  Metropolitano (anel rodoviário que está sendo construído pelo estado), conta que  a região já estava bastante afetada quando começaram os trabalhos de  pesquisa:


— O Sítio Terra Prometida já estava muito impactado. Pouco restou. Já o  Aldeia das Escravas II era registrado pelo Iphan antes mesmo das obras do Arco.  A Conterra tinha uma licença de exploração da área. A empresa só parou quando  percebeu o risco de pagar pesadas multas.


São réus das ações do MPF: Conterra Mineração e Comércio, Construir Rio de  Janeiro Empreendimentos, Monte Belo Extração de Areia, Areal da Divisa, Areal  Monte Sol de Iguaçu, Mineração Ric Mat e Sofaraxá. O MPF pede que elas  apresentem projetos de recuperação das áreas degradadas e que sejam condenadas a  pagar indenizações de cerca de R$ 15 milhões.


O DNPM, o Inea e a Conterra informaram desconhecer as ações. Sobre os danos,  o DNPM respondeu que os títulos das lavras foram concedidos de acordo com a lei  e após a apresentação da licença ambiental. Já o Inea ressaltou que os sítios só  foram identificados pelo Iphan após o licenciamento das obras do Arco  Metropolitano, em 2010. Em nota, o Inea acrescentou que, ao tomar conhecimento  do valor histórico pelo Iphan, solicitou a paralisação de extração na área, que  só foi liberada depois da demarcação do sítio. Em sua defesa, o dono da  Conterra, Jairo Boechat, disse que sua empresa está no local desde 2001 e, ao  saber da importância do sítio, demarcou o local e contratou o Instituto de  Arqueologia Brasileira (IAB) para fazer o resgate e a preservação do material  arqueológico.


 


Na mesma região, um total de 70 sítios


Embora em pequena quantidade, as escavações no Sítio Aldeia das Escravas II,  em Duque de Caxias, revelaram vestígios da pré-história do Brasil. Segundo  Jandira Neto, arqueóloga do Instituto de Arqueologia Brasileira (IAB) e gerente  do programa de arqueologia e educação patrimonial do Arco Metropolitano, foram  encontrados no local cacos de cerâmica e artefatos de pedras de índios  tupis-guaranis. A pesquisadora conta que foram descobertos 70 sítios na região.  Em 66 deles, peças foram resgatadas.


— Trata-se de um sítio muito importante. Era uma área indígena que foi  ocupada pelo colonizador. Não existia Baixada Fluminense. A população da época  usava os rios da região, navegáveis, para chegar a Minas Gerais. No Aldeia das  Escravas II, encontramos os moirões (estacas) do porto que existia por lá. O  material que conseguimos salvar tem mais de 300 anos — explicou Jandira.


A arqueóloga do Iphan Regiane Gambim ressaltou a importância dos sítios,  principalmente o Aldeia das Escravas II:


— Ele é tão importante que o Iphan não permitiu que tivesse suas peças  totalmente resgatadas. Parte foi preservada para pesquisas.


Segundo o IAB, o Sítio Aldeia das Escravas II tinha uma área de 69 mil metros  quadrados, mas apenas 34,5 mil metros quadrados foram preservados. No local,  foram resgatados peças de louça do século XVI e dois relógios de  sol.




Fonte: Vera Araújo (25-01-2013). O Globo. http://oglobo.globo.com/rio/mpf-processa-empresas-de-extracao-de-areia-por-destruirem-sitios-arqueologicos-em-caxias-7391908#ixzz2JaCRXXRC © 1996 - 2013.  

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por noticiasdearqueologia às 19:25

Terça-feira, 29.01.13

Museu da Batalha entre os finalistas do prémio para melhor Museu Europeu do Ano


Resultado será conhecido a 18 de Maio na Bélgica Museu da Batalha entre os finalistas do prémio para melhor Museu Europeu do Ano Museu da Comunidade Concelhia da Batalha O Museu da Comunidade Concelhia da Batalha (M.C.C.B.) e o Museu Machado de Castro (Coimbra), integram a lista de finalistas ao Prémio Museu Europeu do Ano 2013, um galardão promovido pelo Fórum Europeu dos Museus, considerado um dos grandes concursos museológicos da Europa e que recebeu este ano, 40 candidaturas, provenientes de 20 países. Depois de eleito em dezembro como o melhor Museu Português em 2012 pela APOM – Associação Portuguesa de Museologia e finalista dos prémios do Turismo de Portugal, também em 2012, o M.C.C.B. vê agora o seu projeto integrar a reduzida lista de museus finalistas a este cobiçado prémio. Inaugurado formalmente em Março de 2011, o Museu da Batalha, já com mais de 12.000 visitas, promove as gentes e o território onde se encontra inserido, abordando também áreas como a Paleontologia, Geologia, Arqueologia, entre outras. É também possível neste espaço cultural de excelência, tomar contacto com os primeiros seres humanos que existiram no território que é hoje a Batalha, com referências ao período do Paleolítico e à Dominação Romana. Collippo, localizado em São Sebastião do Freixo, foi um desses bastiões, símbolo do poder romano e habitado por famílias ilustres e poderosas. O resultado será conhecido a 18 de Maio, em cerimónia a realizar na Bélgica, no conceituado museu “Gallo-Romeins”.


Fonte: (29-01-2013). Tinta Fresca: http://www.tintafresca.net/News/newsdetail.aspx?news=50c695a4-70e5-46a6-9498-53f46d24e154

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por noticiasdearqueologia às 21:11

Segunda-feira, 28.01.13

O Cerrado tem vestígios de culturas milenares

A ocupação humana na região do Estado de Goiás, remonta há pelo menos 11 mil anos.  Poucas informações existem sobre a ocupação do planalto central antes da chegada dos bandeirantes, e outras expedições anteriores. Um dos raros sítios arqueológicos que dão conta dessa ocupação é o Sítio do Bisnau, ou pedra do Bisnau, localizado próximo ao povoado de Bezerra, seguindo depois de Formosa, para quem saiu de Brasília. Esse sítio arqueológico do Cerrado há milênios. Além desse existem outros, como a conhecida Toca da Onça, que guarda pinturas primitivas.


 


O que é um sítio arqueológico?


Sítio arqueológico é o local onde são encontrados vestígios de populações  anteriores à nossa civilização. Arqueologia, por sua vez, é a ciência que estuda os vestígios arqueológicos. O sítio arqueológico da região do Bisnau tem entalhes na rocha, que representam imagens de constelações, da fauna e formas que identificam humanos. Por conta dessas informações inscritas na rocha, chamados de petróglifos, o sítio é enquadrado em uma tradição chamada de astronômica. Há ainda a classificação de “geométrica” para as inscrições do sítio, pelo fato de nele encontrarmos figuras com formas parecidas com aquelas que vemos nas aulas de geometria: círculos, triângulos, elipses etc.. Para se ter uma ideia do que essas informações representam, basta dizer que algumas formas de arte pré-histórica registram movimentos humanos de caráter festivo, de onde se extraem informações sobre onde surgiram coreografias, presentes até hoje na Europa e também trazidas para o Brasil.


Nesse caso, quando as pinturas representam o mundo natural, e não figuras abstratas, o arqueólogo Altair Sales Barbosa nos ensina que são classificadas como naturalistas. Algumas retratam grande quantidade de movimentos, como nos sítios localizados em Caiapônia-Go.  Em Caiapônia pode-se ver pinturas na rocha e, no caso de Formosa, sulcos na rocha.


Segundo Barbosa, o local das sinalizações indica, geralmente, os locais de sua habitação. No caso das pinturas ou gravuras feitas em lajedo ou pedra, a arte indica o local próximo onde ficava a aldeia, quando esses povos são agricultores. Esse último caso parece ser o da pedra do Bisnau, em Formosa. Trata-se de um grande lajedo de arenito, e não de calcário, como alguns o classificam. O fato de dizerem que o lajedo é de calcário é pelo motivo de que, na região, há uma grande quantidade de calcário depositada nas chapadas presentes na área, muito cobiçadas por fábricas de cimento.


 


Qual a finalidade da arte rupestre ou primitiva?


A utilidade ou finalidade dessas informações gravadas (ou pintadas) na rocha é, ainda, uma incógnita, sendo o seu significado ainda fonte de indagações por parte dos especialistas. Uma das teses mais aceitas é a de que as informações são parte de uma estratégia de orientação para os viajantes, durante as suas longas peregrinações pelo planalto Central. Seria um posto de informações, um registro de direção baseado na posição das constelações vistas por aqueles povos. No lajedo de arenito do Bisnau, provavelmente ocorriam reuniões entre os membros da comunidade. Existe até um conjunto de pedras que serviria para acomodar os ouvintes sentados, como se fosse uma sala de reuniões a céu aberto.


Outra possibilidade seria a de, simplesmente, dar nomes a essas constelações, através de sinais gravados na rocha, dada a proximidade entre desenhos de constelações e outros, representativos da fauna (naturalísticos), presentes no mesmo lajedo. Porém esta última é uma especulação levantada por observação não científica.


Segundo estudo do professor Altair Sales Barbosa, as inscrições poderiam marcar o território de algum grupo nômade, representar cenas do cotidiano, ou até mesmo as brincadeiras por eles elaboradas, os animais em movimento ou parados. Igualmente ele ainda nos ensina que, no caso da pintura, esta “veste” a caverna escolhida para a moradia, tornando o local menos inóspito e mais familiar. Ressalta ainda que somente os espaços mais decorados eram habitados. Os que não recebiam decoração eram pouco utilizados. 


O gosto pela decoração, nesse caso, não parece novidade, visto que vários paredões verticais são decorados com admiráveis arabescos (formas geométricas) e volutas (ornamentação em forma de espiral). As pinturas mais elaboradas eram sempre feitas em locais de difícil acesso, provavelmente como uma forma de competição ou treinamento. Para acessar esses locais, provavelmente subiram em árvores ou construíram um andaime primitivo. As pinturas mais simplificadas estão em altura mais baixa, facilmente alcançada por uma criança que, poderia até ter sido autora de algumas dessas representações pictóricas,  seguindo os passos dos mais velhos. 


 


Como se define a idade de um artefato ou sítio arqueológico?


Para que possamos definir a idade de um artefato arqueológico, existem algumas formas, como, por exemplo, associar o objeto a um evento registrado em uma camada de solo que já tenha uma data definida na sua idade geológica. Nesse caso, a idade do objeto será associada a essa camada, sendo assim possível analisar vestígios e associá-los a uma determinada data na cronologia da pré-história.  Outra forma de datar os vestígios é pela sua radiação. Um esqueleto, por exemplo, emite radiação até 50 mil anos depois de sua morte.


Já o método da termoluminescência leva em consideração a taxa de radioatividade presente no objeto, como um pedaço de cerâmica ou um mineral, como o sílex, que foram  aquecidos a temperaturas entre 350 e 400 graus, no processo de preparo para serem usados como ferramentas. Quando esse objeto é aquecido, sua taxa de radioatividade cai ao nível zero. A partir daquela data, o objeto é então bombardeado de raios cósmicos e começa a acumular radioatividade novamente. Pelo acúmulo de radioatividade, um aparelho que mede a sua extensão revela a idade do objeto a ser datado. A vantagem desse método, segundo a pesquisadora Niede Guidon, é que os vestígios com mais de 50 mil anos podem ser datados com mais precisão. 


Para se medir a idade dos vestígios deixados na pedra do Bisnau, foram feitas algumas medições que nos apontam idade entre 5 e 12 mil anos para os seus petróglifos, ou desenhos insculpidos na rocha. Muitas vezes os estilos empregados são utilizados em vários locais, pelos quatro cantos do país, segundo informações do professor Altair Sales Barbosa, membro da Sociedade de Arqueologia Brasileira.  


O sítio arqueológico localizado no local chamado de “pedra do Bisnau”, contém dezenas de inscrições na rocha, que podem significar tanto orientações astronômicas, como também, abrir caminho para interpretações inusitadas, como a de que seriam sinais de contatos com seres extraterrestres. Até essa possibilidade foi levantada e está disponível na internet.  Este sítio é considerado como uma expressão única e exclusiva, pelo menos na região em questão.


 


Qual a importância desses sítios arqueológicos?


Os sítios arqueológicos são o primeiro passo para o entendimento de como o Cerrado tem um passado cronologicamente extenso, em se tratando de ocupação humana. Muitos dos conhecimentos transmitidos pelas centenas de gerações que aqui passaram, foram transmitidos de forma oral, pelos indígenas, aos descendentes de portugueses e também aos escravos fugidos, que se aliaram aos indígenas, em busca de local seguro para viver. Esses conhecimentos transmitidos de forma oral podem também estar gravados na pedra do Bisnau  há pelo menos 10 mil anos. São mais de 90 inscrições em um lajedo de arenito, representativas de uma classificação que os arqueólogos chamam de astronômica, pelos motivos apresentados nas inscrições.


O sítio arqueológico do Bisnau precisa de tombamento, ou seja, de reconhecimento oficial como parte do patrimônio cultural da humanidade. Seu estado de conservação ainda é considerado bom, embora já tenha sofrido alguns ataques de vandalismo.


Toda paisagem é cultural e, por outro lado, toda manifestação cultural também está intimamente ligada ao espaço onde ela é elaborada. As nossas tradições na gastronomia, nas práticas e saberes que usam os conhecimentos sobre as propriedades medicinais das espécies nativas do Cerrado, bem como as festas e reuniões cerimoniais promovidas pelas populações tradicionais, são sempre ligadas a outros elementos que correspondem ao conceito de Meio Ambiente, como a biodiversidade, tanto da flora ou da fauna. No caso das festividades ou das representações de reuniões e danças, estas preservam informações essenciais para o entendimento dos valores cultivados por esses povos, para entender o funcionamento e o equilíbrio das relações desses povos com o ambiente natural, do ponto de vista da ecologia humana. Não é possível separar o patrimônio cultural do ambiental. Os dois estão em uma mesma escala de valores e são representados pelo conjunto da paisagem preservada.


Sendo assim, os registros pré-históricos, mesmo que não guardem nenhuma relação afetiva com o nosso seu passado, têm a mesma importância arqueológica que um desenho feito há centenas de anos por um parente nosso. Repare que praticamente todas as manifestações culturais, principalmente das comunidades e populações primitivas e tradicionais, estão ligadas a representações de sua relação com a natureza. As músicas falam da natureza, os rituais falam dos recursos naturais, a gastronomia está ligada às espécies vegetais da região, e tudo se complementa no conceito de Meio Ambiente.


 


O que é Meio Ambiente?


Com essa perspectiva entendemos que todos esses registros culturais são também patrimônio ambiental, pois a ONU definiu o conceito de Meio Ambiente em 1977 como: Um conjunto de fatores: Bióticos (flora e fauna) + Abióticos (terra, água energia) + Cultura.  Cultura e meio ambiente são faces de um mesmo diamante, joias siamesas e, por isso, inseparáveis, tanto na teoria quanto na prática. 


Em função dessa relação de intimidade entre elementos culturais e temas ambientais, pretendemos demonstrar ao nosso leitor que: preservar o Meio Ambiente é entender o conjunto do patrimônio ambiental material e imaterial. As inscrições feitas no lajedo de arenito em Formosa são um registro do patrimônio ambiental preservado na região, que se utiliza de um suporte (no caso, a rocha), para nos brindar com o registro raro de uma concepção de vida e de noção de relação com o ambiente natural, que ainda sequer foi decifrado de forma conclusiva. Nesse caso, a noção de patrimônio ambiental está intimamente ligada a um registro cultural, em perfeita conjugação. 


Sendo assim o tema Meio Ambiente não está reduzido a um espaço onde se encontra um sítio arqueológico, ou elementos representativos da flora e da fauna. Para que o conjunto do patrimônio cultural seja preservado, é preciso olhar em torno da microrregião onde ele se encontra, e o significado da paisagem, na elaboração de elementos que compõem o conjunto do patrimônio que se deseja preservar. 


Quem saberá decifrar a constelação de informações presentes no sítio do Bisnau, para que ele não seja uma simples marca desprezada de um passado milenar? Qual o significado de um registro muito mais antigo do que as pirâmides do Egito, uma vez perdido todo o seu significado, emoldurado pela paisagem, que ainda conta um pouco da nossa riquíssima pré-história, muito valorizada na Europa, quando o professor Altair Sales Barbosa é convidado a falar?


Uma visita ao Bisnau é, certamente, muito mais emocionante do que muitas outras atividades urbanas. Nesse caso, o programa de índio supera muitos programas de branco.


Fonte:Bráulio Antônio Calvoso Silva (2013-01-13). Diário da Manhã: http://www.dm.com.br/texto/85769-o-cerrado-tem-vestagios-de-culturas-milenares


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por noticiasdearqueologia às 22:08

Segunda-feira, 28.01.13

Equipa de arqueologia tenta confirmar ruínas de capela do século 18 em Penafiel



Uma equipa de arqueologia está a tentar confirmar  em Penafiel a existência, na zona do Sameiro, de ruínas de uma capela do  século 18, anuncia um comunicado da autarquia.




Segundo a fonte, a sondagem do terreno, que decorre paralelamente às  obras de regeneração urbana, tem em conta que a capela constava de uma planta  da localidade do ano de 1885, conforme registo no museu municipal. 


O monumento, que tinha como patrono S. Bartolomeu, terá sido demolido  aquando da construção do santuário e do parque envolvente, iniciada em 1886.


Segundo a fonte, os trabalhos arqueológicos já estavam previstos na  planificação inicial das obras de regeneração urbana. 


A equipa de arqueologia está a tentar confirmar se os vestígios encontrados  são, de facto, da capela de S. Bartolomeu. 


"A confirmar-se, será levado a cabo o trabalho de registo em fotografia,  desenho e levantamento topográfico da mesma",explica-se no comunicado. 


Os trabalhos de regeneração urbana naquela zona da cidade afetam cerca  de dois hectares, prevendo a criação de novas áreas de lazer. 


O espaço contará com uma nova praça, onde terminará um curso de água  com cerca de 100 metros de extensão.


Fonte: (2013-01-25). Lusa: http://sicnoticias.sapo.pt/cultura/2013/01/25/equipa-de-arqueologia-tenta-confirmar-ruinas-de-capela-do-seculo-18-em-penafiel



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por noticiasdearqueologia às 22:04

Terça-feira, 22.01.13

Obra de rodovia no Rio revela 70 sítios arqueológicos

Já foram coletados mil fragmentos e peças ao longo dos 71 km da estrada que está sendo construída no Estado por meio do PAC


Uma das obras mais importantes do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no Rio, o Arco Metropolitano tem desvendado tesouros escondidos durante séculos sob o solo da região. Ao longo dos 71 quilômetros da rodovia em território fluminense, no trecho entre Duque de Caxias e Itaguaí, já foram localizados cerca de 70 sítios arqueológicos pelo Instituto de Arqueologia Brasileira (IAB). Até o momento, foram coletados cerca de mil peças e fragmentos - total já representa metade de todo o acervo que a instituição mantém sob sua guarda.





Em Seropédica: Além de uma estrutura de ferraria do fim do século 19, bigorna foi resgatada - Fábio Motta/AE




Fábio Motta/AE - Em Seropédica: Além de uma estrutura de ferraria do fim do século 19, bigorna foi resgatada



 


"É um projeto de grande amplitude, porque o Rio de Janeiro tem uma característica interessante: se formos daqui a Cabo Frio, teremos, estatisticamente, um sítio arqueológico por quilômetro. E essa pesquisa está mostrando exatamente isso", disse a arqueóloga Jandira Neto, gerente de programas de arqueologia do IAB.


Uma equipe de cerca de 40 pessoas, coordenada pelo arqueólogo Ondemar Dias, presidente do IAB, trabalha no chamado "salvamento arqueológico", que é o resgate das peças encontradas em 66 sítios arqueológicos. Os outros sítios serão mantidos preservados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), já que não se situam na área de impacto direto das obras. "É uma amostra muito significativa em arqueologia hoje." Por exigência do Iphan, todas as grandes obras devem ter acompanhamento arqueológico.


Entre os objetos recolhidos estão 20 urnas funerárias feitas de barro modelado, que foram encontradas no sítio Aldeia Itaguaçu I, uma ocupação tupi-guarani estabelecida há cerca de 2 mil anos. Em uma delas, será realizada uma tomografia para identificar se foi preservada alguma estrutura óssea. Os pesquisadores trabalham com infravermelho e ultravioleta para obter detalhes sobre a coloração e os desenhos que decoram as peças.


 


Sambaqui


As escavações ocorrem desde 2009, em cinco municípios onde estão as obras da rodovia: Japeri, Seropédica, Duque de Caxias, Nova Iguaçu e Itaguaí. Jandira destaca as escavações feitas em três sítios da região de Duque de Caxias. Em um deles, foi encontrado um sambaqui (espécie de colina resultante da acumulação de conchas, cascas de ostras e restos de cozinha de habitantes pré-históricos) de 6 mil anos.


O sítio Aldeia das Escravas II traz pistas de como a área foi ocupada ao longo de 300 anos e o sítio no bairro do Amapá mostra uma ocupação no período colonial onde é possível identificar o início da interação entre indígenas e europeus. "Ali encontramos uma cerâmica que mostra, no seu tempero, o primeiro contato do homem branco com o indígena." O técnico em arqueologia Leandro Correa disse que esse sítio, perto do Rio Iguaçu, mostrou indícios de que a região teria abrigado ali um antigo porto. Em Seropédica, ainda foi identificada a estrutura de uma ferraria do fim do século 19 e resgatada intacta uma bigorna.


O material encontrado pela equipe nos sítios é bastante diversificado: louças dos séculos 16 ao 20, cachimbos do século 17, tinteiros, frascos de perfume e de remédio do século 19, entre outros. Cada peça traz pistas sobre a forma de ocupação dessa que é uma das regiões mais povoadas do Rio de Janeiro.


Fonte: Heloisa Aruth Sturm (11 Jan 2013). Estadão.com: http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,obra-de-rodovia-no-rio-revela-70-sitios-arqueologicos,982876,0.htm





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por noticiasdearqueologia às 21:14

Terça-feira, 22.01.13

Mosteiro de Salzedas: da ruína a atração turística

Foto - Jorge Dias

Foto – Jorge Dias



O coordenador do projeto Vale do Varosa, Luís Sebastian, defende que a requalificação do Mosteiro de Santa Maria de Salzedas, no concelho de Tarouca, permitiu que um monumento em ruína se tornasse um ponto de atração turística.


O Mosteiro de Santa Maria de Salzedas foi alvo de uma intervenção de requalificação entre agosto de 2010 e agosto de 2011, abrindo oficialmente ao público a 26 de outubro de 2011.


Desde então, passaram pelo Mosteiro de Salzedas “mais de sete mil visitantes, não estando contabilizados nesse número pessoas que vieram assistir a eventos”, disse à agência Lusa Luís Sebastian.


A intervenção, que teve por base um estudo prévio da história e arqueologia do Mosteiro, incidiu na recuperação do edificado, nomeadamente nos dois claustros e na ala nascente, que correspondia inicialmente à noviciaria (século XVII).


“A maior intervenção ocorreu na noviciaria, ao nível das paredes e cobertura. Foi instalado um sistema de drenagem de humidade, um sistema de alarme de segurança e incêndio, intranet e um sistema de iluminação completamente novo”, explicou Luís Sebastian.


O também diretor do Museu de Lamego referiu que foi criado um espaço de exposições temporárias e um auditório, sendo ainda restaurada a sacristia, quer em termos de mobiliário, quer em termos de pintura (século XVIII).


“Foram ainda restauradas 32 pinturas, entre as quais duas de Grão Vasco, 20 de Bento Coelho da Silveira e duas de Pascoal Parente; quatro esculturas de madeira e diversas peças de ourivesaria”, informou.


Luís Sebastian sublinhou que no domingo serão tornados públicos todos os pormenores relacionados com a requalificação do Mosteiro de Santa Maria de Salzedas, recentemente distinguida pela Associação Portuguesa de Museologia (APOM) com uma menção honrosa, na categoria de Melhor Intervenção em Conservação e Restauro.


A iniciativa está agendada para as 14:30, no auditório do Mosteiro, estando previstas as intervenções do coordenador do projeto e do pároco de Salzedas, António Seixeira, com o tema “Os últimos livros da biblioteca do Mosteiro de Santa Maria de Salzedas, readquiridos”.


A requalificação do Mosteiro de Salzedas custou cerca de um milhão de euros e integra o projeto Vale do Varosa, da responsabilidade da Direção Regional de Cultura do Norte e cofinanciado pelo ON.2 O Novo Norte Programa Operacional Regional do Norte.


O projeto Vale do Varosa inclui ainda as requalificações do Mosteiro de São João de Tarouca, no concelho de Tarouca, e do Convento de Santo António de Ferreirim, no concelho de Lamego.


Luís Sebastian avançou que a intervenção no Mosteiro de São João de Tarouca, também ela de um milhão de euros, deverá estar pronta até ao final do ano.


Já a intervenção no Convento de Santo António de Ferreirim “continua à espera de luz verde para avançar”.


Fonte: (17 Jan 2013): As Beiras/Artigo da Agência Lusa:http://www.asbeiras.pt/2013/01/mosteiro-de-salzedas-da-ruina-a-atracao-turistica/

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por noticiasdearqueologia às 21:01


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