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NOTÍCIAS DE ARQUEOLOGIA

O Património é um bem comum... Preservá-lo só depende de cada um de nós...



Quarta-feira, 26.11.08

Pirataria: Associação Portuguesa de Software apreendeu 1,8 milhões de euros de material pirateado

A Associação Portuguesa de Software apreendeu no primeiro semestre deste ano 1,8 milhões de euros em material pirateado e está já a levar a cabo outra acção contra a pirataria informática, avança o organismo num comunicado hoje divulgado.


 



 


Dados da Assoft relativos à luta contra a pirataria nos primeiros seis meses de 2008 revelam que os sectores onde se registaram mais incumprimentos foram a Arqueologia, Arquitectura, Construção, Consultoria, Escolas de Condução, Estúdios, Gráficas, Imprensa e Publicidade.




Entre Janeiro e Junho deste ano, a Assoft levou a cabo mais de mil acções de fiscalização em empresas, estabelecimentos comerciais e agentes económicos espalhados um pouco por todo o país.


As novas acções de fiscalização irão decorrer até ao final do mês e abrangem mais de 70 mil empresas e organizações, "com o objectivo de reforçar a consciencialização sobre a necessidade de legalização do software utilizado nos seus respectivos equipamentos informáticos e de telecomunicações".


Fonte: JRS (20 Nov 2008). RTP:http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?article=374027&visual=26&tema=4


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por noticiasdearqueologia às 23:08

Quarta-feira, 26.11.08

Reino Unido: Caça-tesouros encontrou colar da Idade do Ferro

Um colar de ouro da Idade do Ferro, avaliado em mais de meio milhão de

euros, foi descoberto esta semana, por acaso, num terreno lamacento em

Newark, Nottingham, no Reino Unido. J. D. Hill, responsável pelo

departamento da Idade do Ferro do Museu Britânico, diz que "é uma

coisa fabulosa, o melhor achado da Idade do Ferro nos últimos 50

anos".

Maurice Richardson, um cirurgião de árvores que ocupa os tempos livres

como caça-tesouros, procurando objectos enterrados, já se preparava

para regressar a casa quando o seu detector de metais apitou. Era,

como esperava, mais um pedaço da fuselagem de um avião que se

despenhou durante a Segunda Guerra. Mas quando se baixou para pegar no

decepcionante pedaço de lata, a máquina voltou a apitar, e desta vez

com mais força. Descobriu, um valiosíssimo colar celta que terá sido

fabricado há 2200 anos.

Quando viu uma fotografia do colar, Hill pensou que alguém lhe estava

a pregar uma partida, porque parecia idêntico a uma famosa peça do

Museu Britânico, conhecida como torques de Sedgeford. Agora que pôde

confrontar os dois ornamentos, confirma que são "quase gémeos" e

acredita que possam ter sido fabricados pelo mesmo artífice. A

investigadora realça ainda a estranheza de o colar ter aparecido em

Newark, local sem tradições em matéria de achados da Idade do Ferro, e

de ter sido encontrado no cimo de uma colina. Igualmente insólito é o

facto de o museu de Newark ter conseguido adquirir a peça, já que

artefactos com esta importância e valor costumam ir parar aos museus

nacionais.

Ao abrigo de um programa governamental que pretende incentivar os

caça-tesouros a declarar os seus achados, Richardson e o proprietário

do terreno receberam já recompensas, cujo valor não foi divulgado.

Fonte: Luís Miguel Queirós (21 Nov 2008). Público.

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por noticiasdearqueologia às 22:59

Quarta-feira, 26.11.08

Descoberta sepultura do neolítico com o mais antigo núcleo familiar conhecido

Testes genéticos confirmaram o parentesco

A disposição das ossadas mostra o cuidado de quem sepultou a família

com 4600 anos de idade. O filho mais velho de frente para o pai, o

filho mais novo de frente para a mãe e os dois adultos flectidos,

pernas a tocarem-se num contínuo, com a cabeça do homem em direcção a

Oeste, a da mulher em direcção a Este, mas a face de ambos a olhar

para Sul, como era tradição na Cultura da Cerâmica Cordada que existiu

no Centro e Nordeste europeu durante o neolítico.

O "quadro" encontrado no sítio arqueológico de Eulau na região alemã

da Saxónia-Anhalt é tão ilustrativo da ideia de família que Wolfgang

Haak sentiu-se comovido quando viu pela primeira vez a sepultura.

"Sentes uma certa simpatia por eles, é uma coisa humana", disse,

citado pela BBC News, o cientista do Australian Centre for Ancient DNA

(Centro australiano para o DNA antigo).

Mas foi a confirmação genética do parentesco entre a família que

tornou a descoberta publicada hoje na revista científica "Proceedings

of the National Academy of Sciences", tão excitante. "Ao estabelecer

os elos genéticos (...) estabelecemos a presença do núcleo familiar

num contexto pré-histórico na Europa Central - pelo que sabemos, a

mais antiga prova dada pela genética molecular até agora", disse Haak,

um dos autores do artigo, citado pelo Science Daily",

Foram encontradas quatro sepulturas e 13 corpos. Os adultos

apresentavam vários ferimentos: uma mulher tinha uma ponta de pedra

enterrada na vértebra e outra apresentava ferimentos no crânio.

Segundo os cientistas, a comunidade sofreu um ataque violento de outro

grupo e salvaram-se os jovens adultos, já que a maioria das ossadas

pertenciam a crianças ou a mulheres com mais de 30 anos.

Os cientistas pensam que quem se salvou veio depois enterrar os

mortos, pois conheciam de perto as relações dos indivíduos. "A

disposição dos corpos espelha as relações que tinham em vida", diz o

artigo, que refere a importância dada ao parentesco já que, por

exemplo, os filhos do casal estão virados para os pais e de costas

para o Sul, indo contra os costumes da cultura.

Os cientistas compararam o ADN dos ossos entre os adultos e as

crianças. Com o ADN mitocôndrial, que todas as pessoas herdam da mãe,

e com o ADN do cromossoma masculino - o Y, provaram que os dois

rapazes eram obrigatoriamente filhos do homem e da mulher da

sepultura. "O que é extraordinário é a genética que torna a prova [de

um núcleo familiar] incontornável", disse ao PÚBLICO por telefone

Mariana Diniz, professora na Faculdade de Letras da Universidade de

Lisboa.

Através dos isótopos do estrôncio, um elemento que se vai acumulando

nos dentes dos humanos ao longo do crescimento, os investigadores

concluíram ainda que as mulheres, ao contrário dos homens, não eram

originárias daquele local, já que tinham uma quantidade relativa do

elemento que a alimentação da região não podia dar. Os investigadores

defendem que as mulheres viajavam de longe, para se casarem com os

homens, evitando a endogamia e promovendo as boas relações entre

comunidades.


Fonte: Nicolau Ferreira (18 Nov 2008). Público.

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por noticiasdearqueologia às 22:49

Quarta-feira, 19.11.08

CHAVES: Balneário termal romano candidato a monumento nacional



Descobertas arqueológicas no Arrabalde.


A Câmara de Chaves candidatou a património nacional as descobertas arqueológicas do Arrabalde. Em causa estão vestígios do mais bem conservado balneário termal da Península Ibérica.


O local vai ser um museu.



Praça do Arrabalde vai ser transformada num museu


Já se encontra no Instituto de Gestão do Património Arqueológico e Arquitectónico (Igespar) o pedido de classificação do balneá-rio termal romano descoberto nas escavações feitas na praça do Arrabalde, em Chaves. A autarquia pretende que o local, onde irá ser construído um museu, seja classificado como Monumento Nacional, à semelhança da Ponte Romana. As expectativas quanto à obtenção da classificação são as melhores. “Está praticamente garantida. Em conversas tidas com o Igespar, à partida, a classificação é ponto assente. Todos os investigadores portugueses e espanhóis que já visitaram as descobertas confirmam o seu interesse científico”, garante o arqueólogo municipal Sérgio Carneiro.


Independentemente da classificação, a Câmara mantém a intenção de transformar o local num museu. O projecto já está, aliás, a ser elaborado num gabinete de arquitectura de Vila Nova de Gaia. Segundo o presidente da Câmara de Chaves, João Batista, o museu terá uma cave visitável, mas a praça ficará na mesma pedonal. “Ao andar em cima da praça, as pessoas poderão ver os vestígios, graças ao recurso de materiais que o permitiam. É aquilo a que se poderá chamar a democratização da visão”, explica Batista. Na sequência da descoberta e tendo em conta a o elevado número de vestígios romanos na cidade de Chaves, a autarquia está já a preparar a realização de um congresso sobre o assunto que terá lugar no próximo ano. Existem cerca de uma centena de cidades no Império Romano que, tal como a de Chaves, que se chamava Aquae Flaviae, tem o elemento Aquae no nome. A ideia é, por isso, trazer cá especialistas que acompanharam escavações em cidades do mesmo tipo, ou seja, cidades que funcionavam em torno do balneário termal, que funcionava como um santuário religioso e à volta do qual se organizava a cidade. Portanto, o que se pretende é uma troca de experiências e de ideias entre especialistas, bem como a divulgação desta descoberta”, explica Sérgio Carneiro. De resto, será também com base nos vestígios da era romana e em todo o património classificado que a autarquia está a preparar um dossiê para uma futura candidatura da própria cidade a património do mundo.


Fonte: Margarida Luzio (14 Nov 2008). Semanário Transmontano: http://www.semanariotransmontano.com/noticia.asp?idEdicao=162&id=6932&idSeccao=2172&Action=noticia



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por noticiasdearqueologia às 22:54

Segunda-feira, 17.11.08

Arqueólogos descobrem cemitério fenício no Líbano

Um importante cemitério da antiga Fenícia e que pode ajudar a compreender melhor esta civilização foi descoberto por arqueólogos espanhóis em Tiro, cidade do sul do Líbano, anunciaram esta quarta-feira os responsáveis das escavações.


«Esta descoberta é até agora a mais importante fonte de informações para melhor conhecer a história dos fenícios no Oriente», explicou Ali Badaoui, arqueólogo e responsável do ministério da Cultura libanês dos vestígios em Tiro.


Segundo as primeiras estimativas, o cemitério está praticamente intacto na entrada leste da cidade e é de um período que vai do IX ao VII século antes de Cristo.


«A importância deste cemitério é que fica numa das principais cidades fenícias», afirmou Maria Aubet, professora de arqueologia e chefe da missão da Universidade de Barcelona que realizou as buscas.


Segundo Badaoui, mais de 60 jarros de 50 centímetros de profundidade e hermeticamente fechados foram encontrados no local, espalhados numa superfície de aproximadamente 300 metros quadrados. Dentro estão ossos queimados. «A tradição dos fenícios era de queimar os corpos e os ossos dos mortos», explicou Aubet.


«Com estes ossos vamos poder compreender o regime alimentar e o nível social dos que foram enterrados aqui», destacou Badaoui.


A missão, que foi realizada a pedido do ministério da Cultura, começou há quatro anos, mas foi interrompida em 2006 devido à guerra entre o Hezbollah xiita e Israel que devastou o sul libanês.


Os fenícios eram um povo antigo de navegadores e comerciantes.


Tiro era a principal cidade Estado do território da Fenícia, que corresponde mais ou menos ao Líbano actual. Biblos, Sidon e Berytos (Beirute) estavam entre as outras cidades.


Fonte: (12 Nov 2008). Diário Digital: http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=4&id_news=358534&page=0

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por noticiasdearqueologia às 20:42

Segunda-feira, 17.11.08

Templo romano no centro de Braga


Universidade do Minho defende musealização no local



 


As escavações arqueológicas que decorrem na principal avenida de Braga colocaram a descoberto um templo romano datado do século I.


A grandeza da descoberta levou já a Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho a defender a musealização “in situ” do achado, proposta que implica que a circulação rodoviária se faça por viaduto, a partir da zona dos antigos CTT. Ponto assente é que já não será possível prolongar o túnel da Avenida da Liberdade para além do quarteirão dos antigos Correios.

 


FonteJoaquim Martins Fernandes (16 Out 2008). Diário do Minho: http://www.diariodominho.pt/noticia.php?codigo=33823


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por noticiasdearqueologia às 20:38

Quinta-feira, 13.11.08

Descobertos restos de pirâmide da rainha egípcia Sesheshet

Uma equipa de arqueólogos egípcios resgatou das areias de Saqara, ao sul do Cairo, os restos da pirâmide da rainha Sesheshet, que fez parte do Império faraónico há 4300 anos.


 


Arqueologia. Estrutura com 4300 anos. Foto: Diário de Notícias

 



Perante dezenas de órgãos de comunicação social, o mediático arqueólogo Zahi Hawas, secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades do Egipto, mostrou hoje o último tesouro que o país salvou da areia e do esquecimento.




"É uma descoberta muito importante. Estamos acostumados a encontrar um túmulo ou uma estátua, mas hoje anunciamos o achado da pirâmide de uma rainha", disse Hawas.


Quatro milénios depois da sua construção, ainda se mantêm de pé cinco metros da estrutura original. A pirâmide mediu no passado 15 metros, com uma inclinação de 51 graus.


Os restos foram localizados no complexo funerário de Saqara, onde também se encontra a famosa pirâmide em escada de Zoser e que fez parte da necrópole de Mênfis.


Na apresentação, o arqueólogo realçou que se trata "de uma das pirâmides mais importantes da quinta dinastia" do Império Antigo.


Sesheshet, rainha do Egipto, foi a mãe do rei Titi (2323-2291 a.C.), o primeiro faraó da sexta dinastia, cuja pirâmide se encontra a poucos metros da que hoje foi apresentada.


"Ainda não entrámos na câmara da pirâmide", assinalou Hawas, prognosticando que, no seu interior, se encontrarão "inscrições que falam de Sesheshet".


A pirâmide, como muitas outras, foi saqueada. Ainda hoje é visível um largo buraco por onde se supõe que os ladrões tenham entrado.


Os peritos localizaram durante as escavações uma capela construída no Império Novo, na qual se conservam restos de escrita faraónica, e uma parte do revestimento da pirâmide.


Hawas chegou à conclusão de que este monumento foi construído para Sesheshet depois de ter estudado o contexto histórico e de serem feitas outras descobertas na zona, onde dirige investigações desde 1988.


O arqueólogo mencionou um "papiro médico" em que a rainha pedia conselho sobre problemas que tinha com o seu cabelo.


Segundo Hawas, as pirâmides das duas mulheres de Titi, Khuit e Iput I, já foram localizadas, não havendo conhecimento de mais rainhas ligadas a este faraó.


Por esta razão, e apesar da ausência de provas definitivas, Hawas está convencido "a cem por cento" de que os restos pertencem à pirâmide da rainha Sesheshet.


Com mais este achado, o catálogo arqueológico do Egipto inclui 118 pirâmides das quais se conserva pelo menos parte da superstrutura. Hawas acredita que ainda há mais por desenterrar.


"Eu digo sempre que se desconhecem os secretos que escondem as areias do Egipto", sentenciou.



Fonte: (11 Nov 2008). LUSA / RTP: http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?article=372316&visual=26&tema=5

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por noticiasdearqueologia às 22:27

Quinta-feira, 13.11.08

Ribât da Arrifana mostra-se em exposição no Museu de Arqueologia de Silves

 


Foto


A exposição temporária «Ribât da Arrifana - Cultura Material e Espiritualidade» está patente até 31 de Janeiro no Museu Municipal de Arqueologia de Silves.


A mostra apresenta os resultados de trabalhos arqueológicos levados a cabo sob a responsabilidade científica de Rosa e Mário Varela Gomes na Ponta da Atalaia, em Aljezur, com o apoio da Câmara Municipal dessa localidade e da Associação de Defesa do Património Histórico e Arqueológico de Aljezur.

Estes trabalhos colocaram a descoberto um conjunto importante de estruturas e espólio pertencente ao Ribât da Arrifana, um convento-fortaleza que teria sido mandado construir pelo mestre Sufi Ibn Qasi.

A inauguração desta exposição integrou-se no programa do 6º Encontro de Arqueologia do Algarve.

Fonte: (11 Nov 2008). Barlavento, on line: http://www.barlavento.online.pt/index.php/noticia?id=28078

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por noticiasdearqueologia às 22:21

Quinta-feira, 13.11.08

Google disponibiliza viagem pela Roma Antiga

Um novo aplicativo do Google Earth permite uma viagem no tempo, ao ano de 320 d. C., pela Roma Antiga. Através desta ferramenta o utilizador pode visualizar 6.700 edifícios. O Tabularium e o Templo Vesta são alguns casos onde é possível visualizar detalhes interiores.






Além da visita visual, o Goolge Earth disponibiliza 250 textos com dados referentes à época. Esta viagem teve por base a arquitectura virtual da cidade antiga e foi concebida por universidades italianas e norte-americanas.


Michael T. Jones, chefe de tecnologia do Google, explicou que este tipo de aplicativos educacionais não visa a obtenção de lucro. “É uma experiência de uma Roma viva, vibrante, imperial. Não é arqueologia. É como viver em Roma”, continuou.


Fonte: (13 Nov 2008). Jornal de Notícias: http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Tecnologia/Interior.aspx?content_id=1043789


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por noticiasdearqueologia às 22:17

Segunda-feira, 10.11.08

NAMÍBIA: O tesouro mais bem guardado do mundo

Durante 32 dias, Francisco Alves, arqueólogo, especialista em arqueologia náutica e submarina, esteve na Sperrgebiet, a "terra proibida", a zona de exploração diamantífera da costa atlântica de Oranjemund, na Namíbia. O arqueólogo andou a recolher aquela que classifica como " a maior descoberta arqueológica da África subsaariana". Uma nau portuguesa, carregada de moedas de ouro, lingotes de cobre, presas de marfim. Ficou ali durante 500 anos, no areal da Namíbia, destroçada após um naufrágio. Para agora se revelar. 

Pode não ser a nau que transportava Bartolomeu Dias, que naufragou em 1500. Mas decerto é uma nau portuguesa, da rota das Índias, ou melhor, o que resta dela após um violento naufrágio. Seguia para oriente numa data não muito distante de 1500. Mas posterior.

Fustigada pelos musculados braços do monstro Adamastor, senhor das correntes do Cabo, a embarcação foi esventrada pelas ondas e empurrada para a costa da Namíbia, deixando no caminho um rasto de carga, de ossos e destroços de navio. Tudo morreu na praia. E por lá ficou ao longo de cinco séculos.

A descoberta desta embarcação naufragada há 500 anos está a fascinar a arqueologia náutica mundial. Em Abril passado um funcionário da Namdeb, o consórcio do Governo da Namíbia com a multinacional de exploração diamantífera DeBeers - que faz a exploração da região -, encontrou uma pedra estranha enquanto extraía as preciosas pedras brilhantes das areias da Sperrgebiet, "terra proibida". Um canhão empedernido foi a primeira peça a revelar-se. Depois vieram mais, muitas mais.

Duas mil moedas cunhadas pelas coroas espanhola e portuguesa, 20 toneladas de lingotes de cobre e estanho, semi-esféricos, mas também de outras formas, algumas estranhas, cravados com o tridente dos banqueiros alemães Fugger, que forneciam de metal a coroa Portuguesa. E ainda dezenas de presas de marfim africano, instrumentos científicos, baixelas de estanho e restos de candelabros, espadas, restos de ossos humanos (pelo menos uma costela e parte de uma bacia) e até restos de chinelos em couro. Um espólio típico de um navio que vai para o oriente, dizem os especialistas.

Isto para além de peças da estrutura do navio, de tamanho colossal, que começaram a aparecer por todo o lado ao longo dos cerca de 600 metros quadrados, na mina U60 da Sperrgebiet.

O local da escavação é um pedaço de terra roubado ao Atlântico, resguardado do mar por uma parede artificial de areia com seis metros de altura. Um carreiro de camiões encarregou-se de alimentar a muralha constantemente, ao longo dos 32 dias de trabalhos. Só 1700 euros diários eram necessários para esta operação, totalmente financiada pela NamDeeb. Para cá dessa parede, e depois da água e areia aspirada (e cuidadosamente filtrada para revelar diamantes), os achados quinhentistas foram expostos.

Numa primeira fase os trabalhos foram coordenados pelo arqueólogo sul-africano Dieter Noli, especialista na área da Sperrgebiet. Mas era necessária a participação de uma equipa que soubesse lidar com a raridade em causa: uma nau quinhentista. Foi então que o nome de Francisco Alves surgiu. A única nau quinhentista, da rota das Índias, descoberta e estudada até hoje, a Nossa Senhora dos Mártires, em 1998, na barra do rio Tejo, foi um trabalho da sua equipa, do Centro de Arqueologia Náutica e Subaquática, o CNAS.



A equipa portuguesa

"É o achado mais importante encontrado da África subsariana, pelo menos dos estudados por arqueólogos, exceptuando talvez a fragata de Santo António de Tana, de final do século XVII, escavada em Mombaça no final dos anos 70, estava a arqueologia náutica portuguesa a nascer. Não falo de pilhagens, claro", defende Francisco Alves que reconhece o esforço do Governo da Namíbia em resistir a "caçadores de tesouros" que assediaram as autoridades na esperança de chegar ao achado.

Para além de Francisco Alves e Miguel Aleluia, do CNAS e de um grupo de investigadores espanhóis indicados pelo Ministério da Cultura do país vizinho e do Museu de Arqueologia Subaquática de Cartagena, a equipa era ainda formada por um grupo de especialistas da Universidade de Texas A&M, uma das melhores instituições de investigação do mundo em arqueologia náutica, representada pela equipa do também português Filipe Vieira de Castro. Este último também tinha participado, com Francisco Alves, nos trabalhos da Nossa Senhora dos Martíres. Mas a participação desta equipa de excelência, que se encarregaria agora da investigação ao pormenor e da conservação dos achados, parece ser incerta.

"A única parte do projecto em que nós poderíamos adicionar algum conhecimento era na conservação das concreções metálicas porque o nosso laboratório aqui tem capacidade para radiografar e reconstruir objectos há muito desaparecidos, mas cujos moldes ficaram preservados nas concreções, juntamente com pólenes e traços ínfimos de exosqueletos de insectos. Mas para isso era preciso que os governos, português e da Namíbia, nos deixassem trazer as concreções para o Texas. E como os representantes de ambos os países colocaram reticências a este respeito, nós não pensámos mais nisso", adiantou ao P2 Filipe Castro.

Francisco Alves também afirma não saber nada sobre os planos para o futuro da investigação: "Os trabalhos preliminares são muito importantes. Muitas vezes precisamos de instrumentos de dentista. Mas tem de haver um trabalho de equipa", diz Francisco Alves sobre uma autêntica investigação digna da famosa série CSI. O que se passou na Sperrgebiet foi uma verdadeira investigação forense que levou a que conseguisse fazer o levantamento de tudo aquilo que era recuperável nos 600 metros quadrados de achados disperso pela mina U60.



A primeira moeda de ouro

Mas a etapa seguinte não é menos importante: "Todos os pormenores surgem agora na leitura destes vestígios delicadíssimos retirados do seu contexto. A construção de uma embarcação tem vestígios arquitecturais, sinais inscritos na madeira, nos quais a náutica portuguesa é muito rica", diz o arqueólogo sobre o que agora se seguirá, uma espécie de montagem de um puzzle muito incompleto.

Nos 32 dias passados na "terra proibida" Francisco Alves e Miguel Aleluia conseguiram recuperar tudo o que era possível. "As surpresas eram diárias. Temos mais de meia centena de peças estruturais do navio e foram todas recuperadas. Tudo o que interessava e que se encontrou foi salvo dentro da abordagem possível", diz Francisco Alves que, em quatro décadas de arqueologia náutica encontrou, na Namíbia, a sua primeira moeda de ouro.

Mas o arqueólogo português está certo, contudo, que a rocha e a natureza ficaram com muito mais. Uma das peças mais importantes da estrutura do navio, o calcez, "uma peça colossal", com dois metros de comprimento, usado para içar os panos do navio, e que estava descrita num manual de época mas que nunca tinha sido vista, foi encontrada intacta a quatro quilómetros da mina U60, onde decorreram os trabalhos.

Identificaram as peças e deixaram-nas num banho acuoso essencial à conservação. Nada sairá da Namíbia, visto que a legislação do país protege os achados encontrados em território nacional. Mas, para além das moedas de ouro que terão sido guardadas num banco da Namíbia, tudo o resto está num dos lugares mais seguros do mundo: "Toda a fronteira do Sperrgebit é um 'ScanEx' gigantesco, como o de controlo de bagagens nos aeroportos", descreve Francisco Alves. Ninguém sai da zona de alta segurança da exploração diamantífera sem ser virado do avesso. "Até as tampas das esferográficas eram revistadas".

Por isso Francisco Alves acredita que a nau quinhentista da Rota das Índias está a salvo. Apesar de pairar sobre este tesouro, sempre, o risco de sucumbir ao feroz assédio do mercado internacional de antiguidades.

Sobre o valor do achado, Francisco Alves recusa-se a avançar com números: "Recuso-me a avançar com valores. Seria inédito que algum arqueólogo avaliasse um achado. Quanto é que vale o túmulo do Tutankamon? Isso é para as lojas de antiguidades".

Mas são as moedas de ouro que falam mais alto. São elas que vão indicar, pela data de cunhagem, a datação da embarcação: "Nos primeiros dias de Maio foi encontrada uma moeda cuja cunhagem só existiu a partir de 1525. Mas só nos podemos pronunciar quando forem todas classificadas. A cunhagem mais recente indicará a data provável".

E é também nas cerca de duas mil moedas que se concentram as atenções em relação a valores. As portuguesas, mais valiosas, uma vez que tinham um grau de pureza de 999,2 por mil, representam apenas um terço da colecção. Mas estes "portugueses" de século XVI, como se chamavam então a estas moedas, estavam avaliados, há cerca de dez anos, conta Francisco Alves, em cerca de 50 mil euros. Cada moeda.

Fonte: Ana Machado (10 Nov 2008). Público.

Vídeo: http://static.publico.clix.pt/docs/cultura/tesouroescondido/

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por noticiasdearqueologia às 19:16

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